A morte de mim, Terryan Nikides

A morte de mim

The Death of “me”

Terryann Nikides 1

Tradução Ana Carolina Vasconcelos e Natasha Mesquita 2

At 11 years old my Grandmother’s brother, a tall, strong, handsome man of only 48 years old, came to visit. I sensed something was wrong. My Grandmother and Mother were not home. He left. My Mother arrived to find me panicking. She said she would see him later. I was not relieved. 

Aos 11 anos de idade, o irmão de minha avó, um homem alto, forte e bonito de apenas 48 anos veio nos visitar. Eu senti que algo estranho estava no ar. Minha avó e minha mãe não estavam em casa. Ele foi embora. Minha mãe chegou e me encontrou em pânico. Ela disse que iria encontrá-lo mais tarde. Mas eu não fiquei aliviada.

The moment is frozen in my mind. My bedroom was next to where the green rotary phone was kept. It was ringing in the wee hours of the morning. My Mother picked up the phone. Her voice said: “What? What happened?” I knew he was gone. I had known it all day that this was the feeling of loss, death’s smell permeated the air, even before it happened. She continued: “A car accident? He is dead!” I lay in bed crying, my chest heavy with loss. Not only the loss of my uncle but the loss of childhood and the fleeting moment where I might have warned him. 

Esse momento congelou na minha mente. Meu quarto ficava ao lado de onde ficava o telefone verde da casa. Ele estava tocando nas primeiras horas do dia. Minha mãe atendeu e disse: “O quê? O que aconteceu?” Eu sabia que ele tinha morrido. Ao longo do dia inteiro eu sabia que esse era a sensação de perda, o cheiro de morte estava permanentemente no ar, mesmo antes de acontecer. Ela continuou: “Um acidente de carro? Ele está morto!” Eu deitei na cama chorando, meu peito estava pesado de luto. Eu não tinha apenas perdido meu tio, mas tinha perdido a infância e o momento fugaz em que eu poderia tê-lo avisado. 

Not only was my Mother’s family impacted by the loss of my Uncle but my Father had his own story of grief to transmute. My Father’s Father died, at 48, when my Father was only 6 years old. My Great Uncle and Father had become dear friends. My Great Uncle’s death was at the exact same age as my Grandfather’s! I grieved for my Father’s loss of both men in his life.

Não só a família da minha mãe estava impactada com a morte do meu tio, mas meu pai também estava transmutando sua própria história de luto. Meu avô paterno morreu aos 48 anos, quando meu pai tinha seis anos de idade. Meu tio e meu pai, então, se tornaram amigos íntimos. A morte do meu tio foi na mesma idade que a do meu avô! Eu sofri pela perda do meu pai, dos dois grandes homens de sua vida.

At this point in life I began to prepare myself for the death of my grandparents. We lived in the same home. They seemed to me old at my young age, of course they were not. They had many years to live. But I was driven to prepare for their death at the tender age of 11.

Neste momento, eu comecei a me preparar para a morte dos meus avós. Nós morávamos na mesma casa. Eles pareciam velhos para mim na minha tenra idade, mas obviamente não eram. Ainda tinham muitos anos pela frente. Mas eu fui levada a me preparar para a morte deles aos meus 11 anos.

As I passed through the death of childhood and teen years subsequently born into young adulthood, fantastical notions of life died as well. Death as a finality became fodder for birth. Awareness of death made its way into my daily life, including the death of how I used my intuition.

Tendo passado pela morte da infância e adolescência e dez anos depois renascido na vida adulta, noções fantásticas sobre a vida morreram também nesse processo. A morte como finalidade tornou-se estofo para o renascimento. A consciência de mortalidade fez seu próprio caminho em minha vida, incluindo a morte de como eu usava a minha intuição.
The use of intuition had, since 3 years old, been limited to: “If I knew something was going to happen then I could prevent it.” My intuition and the death of my uncle rigidified the notion that “I could control an outcome.” Life clearly demonstrated that this was not possible. 

O uso da intuição, desde os três anos de idade, estava limitado a “se eu soubesse que algo estava para acontecer, eu iria preveni-lo”. Minha intuição e a morte do meu tio enrijeceram a minha noção de que “eu poderia controlar um resultado”. A vida claramente me demonstrou que isso não era possível.

In my 20’s I began meditating for 8 hours a night and practicing different forms of manipulating my intuition, such as Silva’s Method of mind control and channeling. My greatest nemesis was the mind’s contents: “thoughts”. The greatest suffering I experienced was in my thinking. I mistakenly thought that I could resolve each conflict in my mind with opposing thoughts. What resulted was further conflicting thoughts! 

Pelos meus 20 anos, comecei a meditar por oito horas a noite e praticar diferentes formas de manipular minha intuição, como o Método Silva de controle mental e canalização. Meus maiores inimigos eram os conteúdos da mente: os pensamentos. O maior sofrimento que eu experimentei estava nos meus pensamentos. Eu erroneamente pensava que eu poderia resolver todos os conflitos na minha mente com pensamentos opostos. O resultado foram pensamentos conflitantes ainda mais profundos!

I kept thinking: I need to die to the old thinking, to the old me. Then and only then will I be free. But how?

Eu seguia pensando: preciso morrer para esta antiga forma de pensar, esse velho eu. Só assim e apenas assim eu estarei livre. Mas como?

In one of the moments, wherein I melodramatically felt pity for myself, falling deeper and deeper into desperation, something alchemical occurred. I saw clearly what needed to be done. I was to meditate on DEATH. Each day I was to awaken to: “today is my last day”. My first experience was alleviation of conflict. 

Em um desses momentos, quando eu melodramaticamente senti pena de mim mesma, entrando mais e mais no desespero, algo alquímico aconteceu. Eu vi claramente o que precisava ser feito. Eu precisava meditar sobre MORTE. A cada dia, eu deveria acordar para: “hoje é o meu último dia”. Minha primeira experiência foi o alívio de conflitos.

At the time I was working in the family business. It was a very hard time. I had been inexplicably fainting for 5 years. It had become quite dangerous. I had fainted, smashing my face on a steel bar, fallen under a moving bus, and been found at an elevator with the doors opening and closing on me. 

Neste momento, eu estava trabalhando nos negócios da minha família. Foi um momento muito difícil. Eu tive episódios inexplicáveis de desmaios por cinco anos. Tornou-se bastante perigoso. Eu havia desmaiado, batendo meu rosto em uma barra de metal, caí sob um ônibus em movimento e fui encontrada em um elevador com as portas se abrindo e fechando batendo em mim.

After a few years of meditating on death. As a result the death of the concept of “me” was birthing. I awoke without the need to outperform the previous day to please my Father. I awoke without the need for security. I awoke without the NEED for anything. The single day marked my resignation from the family business and stopped fainting entirely. 

Após alguns anos meditando sobre a morte, como resultado, a morte do conceito sobre o “Eu” estava nascendo. Eu acordei sem a necessidade de superar a performance do dia anterior só para gratificar meu pai. Eu acordei sem a NECESSIDADE de segurança. Eu acordei sem a necessidade de nada. Em um único dia, ficou marcante a minha renúncia aos negócios da família e parei de desmaiar completamente.

In one fell swoop my old life, the old notions of “me” died and something new was born: adventure. Life had become real unimpeded by delusions of “what if”. The past chimeras were exposed to sunlight to be disinfected.  

De uma vez só, minha velha vida, as velhas noções de “eu” morreram e algo novo nasceu: aventura. A vida havia se tornado real, desimpedida por delírios sobre “e se”. As quimeras anteriores foram expostas à luz do sol para serem desinfectadas.

I continued to meditate daily on death. I lived every day as though it was my last. After years of practice what became evident was that I had not killed the concept of “me”. The “me” concept continued to plague my mind. In my teen years, I would dramatically tell my Mother I wanted to kill myself. In my melodrama I omitted telling her it was my mind’s concept of myself that I wanted to die not my Self! Ah the drama of a Greek teenager. 

Continuei meditando diariamente sobre morte. Vivi todos os dias como se fosse meu último dia. Depois de anos de prática, o que ficou evidente foi que eu não tinha matado o conceito do “Eu”. O conceito “Eu” continuou atormentando minha mente. Na minha adolescência, eu teria contado dramaticamente a minha mãe que eu queria me matar. No meu melodrama, eu omiti dizer a ela que eram os meus conceitos mentais sobre mim que eu queria que morressem, não eu mesma. Ah, o drama grego de uma adolescente!

As I approached my 40’s I had been an energy practitioner for several years. What struck me most was the ubiquitous focus on symptomatology, rather than the “source” of symptoms. The mind and its contents takes precedence over the complexity of multiple sources of apparent symptoms. The mind’s inability to grasp paradoxical sources of a symptom ONLY focused on the symptom. The attending to a symptom precludes the capacity to be present to “what is” but focuses on “what isn’t”.  This harkens back to my childhood thinking that “If I knew something might happen then I could control the outcome.” Horizontal thinking clearly omits the complexity of life. For example, as a child, if I knew a relationship would ultimately not work out then I should help prevent the relationship. The latter presumes that life, death and rebirth should be eliminated. Stilted, neurotic, childish thinking cannot bear the complexity of a relationship such as: children will be born to the couple, the good times and bad times, the love and hate, the new awareness’, death of old patterns, the birth of learning, exploring and adventure. All part of the journey. 

Me aproximando dos 40 anos, eu já era uma terapeuta energética há alguns anos. O que mais me impressionou foi o foco onipresente na sintomatologia e não na “origem” dos sintomas. A mente e seus conteúdos precede a complexidade de múltiplas origens dos sintomas aparentes. A inabilidade da mente de pescar as fontes paradoxais de um sintoma nos leva a focar APENAS e exclusivamente no sintoma. Atender a um sintoma impede a capacidade de se estar presente no “o que é” e foca no que “não é”. Isso me leva de volta aos pensamentos da minha infância, “se eu soubesse que algo poderia acontecer, então eu podia controlar seu resultado.” Pensamentos horizontais claramente omitem a complexidade da vida. Por exemplo, quando criança, se eu soubesse que uma relação poderia não funcionar, então eu deveria evitar a relação. Presume-se que a vida, a morte e o renascimento deveriam ser eliminados. O pensamento afetado, neurótico e infantil não pode suportar a complexidade de relações como as seguintes: filhos que nascem para o casal, os bons e maus momentos, o amor e o ódio, o novo despertar, a morte de antigos padrões, o nascimento de um aprendizado, explorações e aventura. Tudo faz parte da jornada.

Horizontal, linear, neurotic thinking tries to eliminate the journey and witnesses ONLY on the symptom, in this case, the relationship will ultimately not work. Of course prognostication, running around like Cassandra yelling “Troy” is burning, has rarely catalyzed transformation. Ultimately, living life without death is anathema to living life. I finally awakened to the journey. Death will come to everyone and everything as it is the nature of life. 

O pensamento horizontal, linear e neurótico tenta eliminar a jornada e testemunha apenas o sintoma, neste caso, a relação em última análise não irá funcionar. Claro que a prognosticação, correr de um lado pro outro como Cassandra gritando “Tróia está em chamas!”, tem raramente catalisado alguma transformação. Em última análise, viver a vida sem a morte é uma anátema a própria vida. Eu finalmente acordei para a jornada. A morte irá aparecer para todos e para tudo ela é a natureza da vida. 

Despite my realization that the journey was all there is, I did not like, to say the least, the part of the journey that contained mental conflict. It all came down to the concept of what I thought was “me”. The massively agonizing addiction to my thoughts. Of course, at the time, I only wanted the concept of “me” to die without the awareness of my identification with the contents of my mind. 

Apesar da minha realização sobre a jornada ser tudo o que existe, eu não gosto, para dizer o mínimo, da parte da jornada que contém conflitos mentais. Tudo se resumia ao conceito do que eu pensava ser “eu”. O vício massivamente agonizante com os pensamentos. Claro que, nesse momento, eu apenas queria que o conceito do “eu” morresse sem ter consciência da minha identificação com os conceitos da minha mente.

My journey took me to a BreakThrough course with the founder Esther Veltheim. Throughout the class I grieved as the “me” concept began its death rumble. I had not yet been reborn, though, the pleasure I experienced whilst I grieved, not for the loss of the “me” concept, but a lifetime of grief caused by the “me” concept, was profound. 

Minha jornada me levou ao curso de BreakThrough com a fundadora da técnica Esther Veltheim. Ao longo da aula, me entristeci na medida em que o conceito do “eu” iniciou sua morte estrondosa. Eu não havia renascido, porém, o prazer que eu experimentei enquanto me enlutava, não pela morte do conceito do “eu”, mas pelo pesar de uma vida causado pelo conceito do “eu”, foi profundo.

I quickly became a BreakThrough Instructor, during this time I have described BreakThrough as the French describe an orgasm; “le petit mort”. Each time the “me” concept loses its grip a little piece of the old dies to be reborn into the adventure of life. Or as Esther Veltheim describes it: “breaking the spell of the mind.” 

Eu rapidamente me transformei em uma instrutora de BreakThrough. Naquele tempo descrevi o BreakThrough como o francês descreve o orgasmo: “a pequena morte”. Cada vez que o conceito do “eu” perde o controle, um pequeno pedaço do velho morre para renascer na aventura da vida. Como Esther Veltheim descreve: “quebrando o feitiço da mente”.

It took many years for the spell of the mind to break. Of course the complexity of the human psyche and my unconscious involvement continues to be part of my journey. It will continue until it too dies and something new is born. For the present, what has been born is my awareness of each moment, that heretofore gone unnoticed, and its concomitant grief, then the joyous birth of the next moment. This cycle repeats ever and always till I am no longer.

Levou muitos anos para o feitiço da mente quebrar. Claro que a complexidade da psique humana e meu envolvimento inconsciente continuam sendo parte da jornada. E continuará até que eles mesmos morram e algo novo renasça. Neste momento presente, o que renasceu foi minha consciência de cada momento, que até então passava despercebida e a sua dor concomitante, para enfim, sentir o alegre renascimento do momento seguinte . Este ciclo se repete sempre e para sempre até eu não existir mais.

1

B.A.Psych. SrBrI, BrI, ParBP, CBP, Reiki Master, SRI, Tarot Mastery

Bacharelado em Psicologia, Instrutora de BreakThrough Senior, Instrutora de BreakThrough, Terapeuta Certificada de BodyTalk, Instrutora Senior e mestre em Tarot.

www.leurbanretreat.com

2 Co-editoras da Revista Escuta. NT: optou-se por manter o texto em inglês e português.

“Texto encomendado e cedido à Revista Escuta (5a edição) e publicado também

na Newsletter da Associação Internacional de BodyTalk (IBA, outubro 2021)”

O BreakThrough e o encontro da sua própria Rainha de Copas

Salima J. Lara Resende[1]

Como nos convida a refletir Esther Veltheim, criadora do Sistema Breakthrough: espiritualidade talvez seja a total aceitação de nossa humanidade, aqui e agora, em um mundo complexo. A aceitação de eu e você irrequietos, às vezes meio loucos. Onde achamos o sagrado e também partições, o prazer, a separação e, quando há muita (muita) sorte, reencontros com coisas mais leves do que o que nos fazem sentir jargões espirituais – ou desespirituais (esta última palavra aqui fui eu que inventei, mesmo).

Jargões como Alcançar a Iluminação; Curar a Criança Ferida; Ser Fit; Ser saudável; Desapegar do passado; Ser um grande terapeuta; Ser alguém bem resolvido; Evoluir. São jargões que geram metas que destroem o senso de confiança em si mesmo de alguém. Aumentam a arrogância e a desconexão com nossa clareza e humanidade – simples, vulnerável, espiritualizada.

Netflix e o Mestre

Esta semana assisti um filme no Netflix. A tradução do nome do filme seria, na íntegra: “Polvo, meu professor”. Era sobre um homem comum correndo contra o tempo, trabalhando com algo que não lhe era natural para a própria saúde. Decidiu mudar o rumo e passou a visitar diariamente um polvo que conheceu enquanto praticava mergulho livre na baía onde cresceu – sim, um polvo; o animal marinho mesmo, daqueles que se serve ou come em bons restaurantes. Meu Deus: que história. Difícil encontrar espiritualidade – ou humanidade – melhor descrita. História sobre devoção e clareza.

O que você acha que aconteceria a você se assistisse ao seu melhor amigo, a quem você se dedicou diariamente por um ano e que te ensinou a se encontrar livre e despido, e quem te deu o sentido de vida que você havia perdido, ser devorado por um tubarão enquanto você prende o ar debaixo d`agua, numa temperatura a 10 graus Celcius? Conseguiria só filmar a cena sem intervir, em entrega e sem necessidade de construir explicação – mental, espiritual, emocional ou desapegada? Eu não sei se conseguiria. E também não consegui não cair na armadilha de me envolver com expectativas irreais que me fizeram segurar minha própria energia na busca de uma evolução desconexa. Outras pessoas, pelo que vejo na prática, seguram a própria energia na tentativa de viverem o que se acredita ser uma Boa Vida. Mas o resultado é o mesmo: a queda.

Foi o questionamento ensinado pelo Sistema BreakThrough, junto com a graça do meu Mestre (sim, meu Mestre – vivo), que me possibilitou levantar. Mesmo com a graça de encontrar uma relação com um Mestre vivo real que me guia. Mestre é alguém que já desaprendeu tudo o que não é; não se diz saber e não precisa de nada além de relaxar e tomar sorvete de sobremesa, ou outras coisas assim. Observo o BreakThrough como ferramenta das mais preciosas dentre o que estudei nos últimos 18 anos em Psicologia. Explico agora o porquê, com parte da história de Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Se quisermos ir fundo no buraco da Alice e de fato conhecer a nós mesmos, temos que encontrar uma Rainha de Copas Interna. Essa rainha deve ser pronta a nos cortar a cabeça; nos resgatar das rasteiras que a cabeça (ou os Sistemas de Crenças), às vezes, nos dá. O rastro delas – tanto da Rainha Interna quanto das rasteiras da Crença – é dos mais difíceis de se decifrar. Somos sortudos se encontramos preciosos recursos de ajuda para a jornada. O BreakThrough é um deles.

Comecemos do começo

O BreakThrough é um sistema que nos leva a conhecer nossas crenças inconscientes. São elas o que gera em nós, em nosso corpo emocional, carga desnecessária e que acaba – cedo ou tarde – pesando. O peso pode ser por um senso de sofrimento, por estresse, por doenças físicas ou pela insistência em situações ou relações que não são nutritivas (que não ajudam a relaxar).

O significado do Símbolo de Copas, com o desenho de um coração, nos leva à lembrança das emoções. Se você já foi tomado por uma delas – as cinco emoções básicas: alegria/tristeza, preocupação, luto, medo ou raiva – e não conseguiu agir de forma prática naquele momento, você sabe o poder que tem o nosso Corpo Emocional. E pode se beneficiar com o BreakThrough. Conhecer essas energias emocionais, saber de onde vêm quando por elas somos tomados (Sistemas de Crenças inconscientes) facilita a vida. Encontrar estabilidade emocional, ou cortar a própria cabeça, é ser capaz de responder a vida em lugar de apenas reagir a ela. Ser capaz de parar de perder energia com o que não é importante; não nos deixa dormir ou não é aceito. Estabilidade emocional é a capacidade de não se envolver com o que dificulta o relaxamento – possível, por natureza, a qualquer Ser Humano. O mesmo relaxamento enaltecido pela força, poder e vivacidade que descrevem a existência de um animal selvagem – livre e intocado, como o polvo professor do filme. O BreakThrough pode nos ajudar a reaver relaxamento. O BreakThrough relaxa. Mas calma: quão fundo no buraco da Alice você quer ir?

De volta às origens: Quem sou Eu?

A jnana yoga é, dentre os caminhos espirituais, aquele que mais requer clareza intelectual. Uma capacidade de se fazer perguntas certas (muitas vezes tácitas) que ajudam a separar o joio do trigo; ou o que é real do que é irreal; ou a nossa clareza dos Sistemas de Crença. A jnana yoga é o fundamento do Sistema BreakThrough. É a arte de questionar até que se chegue a essência – o que não pode ser percebido, nem descrito – mas É. Aqui, onde as coisas são como são, relaxamento e alívio são possíveis. A resposta à pergunta “Qual o sentido da vida” é degustada, e não apenas entendida.

Ramana Maharishi, mestre indiano que usou a jnana yoga e morreu em 1954 (dia do meu aniversário, mas isso não importa – nem para mim nem para você) nos deu de presente a Auto-Investigação. A sugestão de prática que ele dava a milhares de alunos, pessoas que lhe procuravam na busca de alívio, aos seus mais próximos discípulos ou a sua mãe, era a mesma. A recomendação de se fazer, repetidamente e a si mesmo, a simples pergunta “Quem Sou Eu”. Quem é você que se encontrou ou está no caminho? Quem é você que não entende como outras pessoas conseguem viver daquele jeito? Quem é você que não sabe? Quem é você que tem raiva, frustração ou não consegue sair do lugar? Quem é você que se arrependeu ou que, finalmente, acertou? Quem é você que errou? Quem é você que faz o que pode? Quem é você que é amoroso? Quem é você que é egoísta? Quem é você que é agressivo, calmo ou pacífico? Quem é você que é demais, ou que não é bom o suficiente?

Ramana foi um ser humano extraordinário. Não só por ter sido simplesmente humano, até o talo. Mas por ter catalizado o processo espiritual (ou o processo de voltar a ser humano) de pessoas que hoje, ainda vivas, inspiram ou ensinam. Inclusive o meu Mestre, que tem Ramana como seu ParaGuru. E pessoas como a Esther Veltheim – que criou e nos ensinou o Sistema BreakThrough. Tenho o Breakthrough como uma versão mastigada para nós do Ocidente do exercício de AutoInvestigação de Ramana Maharishi. O BreakThrough é preciso, impressionante, simples. Funciona. Traz alívio, clareza, lembra-nos da necessidade de devoção e compaixão por nós mesmos, se quisermos ser humanos.

Autoperdão

Com o uso do BreakThrough na clínica (agora também online) testemunho centenas de pacientes, muitos dos quais recebem sessões mensais de BodyTalk, a dar significativos saltos na direção do alívio e do autoperdão. Com o uso do BreakThrough já experimentei clareza sobre mim mesma e sobre o que me segurou por meses a fio em situação justa demais. É uma daquelas coisas que vale se dar de presente: receber uma sessão de BreakThrough, ou estudar o Sistema. O único pré-requisito é você já ter sentido uma emoção exageradamente e querer – por saber o peso que uma emoção exagerada traz – ser a sua única e própria Rainha de Copas.


[1] Salima J. Lara Resende é Terapeura BodyTalk Avançada e Parama, Psicóloga, Terapeuta Floral e Alquimista. Mantém sua clínica em Brasília; atende por consultas online (em português e Inglês) e também em Florianópolis e Garopaba. Ensina o BodyTalk Acesso desde 2009; trabalha com o Breakthough desde 2010. Dedica-se `a meditação desde 2012. Contato: sensis.bodytalk@gmail.com / +5561998420477

Crédito da imagem: Ramanaashram, Tiruvannamalai, Índia, 2018. Foto: Salima J. Lara Resende

Para ler em pdf clique aqui

(link atualizado em maio 2021)

Auto investigação e o caminho espiritual

[1]

Esther Veltheim[2]

Seja paciente na direção de tudo que está insolúvel no seu coração e tente amar as questões elas mesmas, como quartos fechados e como livros que são agora sendo escritos numa língua estrangeira. Não procure respostas, que não podem ser dadas a você porque você não está apto a viver com elas. E o ponto é, viver com tudo isso. Viva as questões agora. Talvez você irá gradualmente, então, sem perceber, viver em algum dia distante em direção ao futuro”. – Rainer Maria Rilke

Pergunte para vinte pessoas diferentes o que duas pequenas palavras “caminho espiritual” significam para elas e você irá provavelmente receber vinte respostas diferentes. Mas tem chance que muitas destas explanações irão conter o termo “ser iluminado”.

Caminho spiritual. Tornar-se iluminado, iluminar. Ser uma pessoa espiritual. Quase qualquer pessoa envolvida em cura alternativa ou algum tipo de yoga irá ter cruzado com essa terminologia ou mesmo regularmente usado esses termos.

Uma coisa é muito certa. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, a crença que falta algo em você vai te pegar. O oposto também pode acontecer. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, é possível que você esteja resignado com a ideia que existe alguma coisa que você precisa galgar ou antes algo tem que acontecer. Talvez o ego, o Eu, seus pensamentos. Talvez tudo isso.

E então, existem todo tipo de trajetórias espirituais que você pode considerar. E então existem todas as diferentes explicações sobre elas. E então existe o que você sente dentro de você. Talvez uma profunda frustração, uma nostalgia, uma sensação de “isso não é possível?!”, “existe algo mais”, “o que é a vida nisso tudo?”. Se você se relaciona com alguma coisa aqui, você não está sozinho. Espiritualidade é um assunto que tem algo de desconcertante, intrigante, sedutor, desafiador e direciona as pessoas para limite da loucura, provavelmente como nunca antes você experimentou.

Existem alguns maravilhosos ensinamentos e mestres no mundo que inspiram e catalisam nossa jornada espiritual. Alguns dos mais amados e renomados mitologistas e mestre em contar histórias, Joseph Campbell, nos convoca para nossa jornada espiritual chamado Jornada do Herói. E, claramente, nenhuma palavra melhor se aplica do que herói àquele que descreve qualquer um de nós que caminhe através da vida humana. Nada é certo, nada é premeditado, nada é garantido. Mesmo se nós não pensarmos em nós mesmos nessa jornada espiritual, somente ser humano já significa que estamos engajados numa jornada heroica.

Da perspectiva do BreakThrough, a vida espiritual significa: uma aventura de exploração do que é ser humano e viver essa vida humana tão plenamente como possível.

Como você talvez já saiba, existem quadro caminhos principais do Yoga –  Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga. Esses são os caminhos espirituais usados por aqueles que se engajam numa jornada espiritual. Cada um é diferentemente conduzido para um temperamento particular e abordagem para a vida. Um dos quatro caminhos, Jnana, o caminho do conhecimento, é considerado um dos mais simples e o método mais direto de corte dos nossos equívocos sobre si mesmo. Como uma palavra simples é antítese da outra, o caminho é tradicionalmente o menos percorrido.

Porque o jnana yoga é considerado difícil e não seguido por qualquer um é porque ele requer um intelecto afiado; alguém com a capacidade de cortar através das concepções distorcidas de si. Ao fim, o jnana yoga pode ser bem chamado da yoga do questionamento. Não é que aqueles envolvidos em outro tipo de yoga não se coloquem questões. Ao contrário. O praticante de jnana explora as questões por elas mesmas num caminho que nenhum outro faz. É o caminho do discernimento: procurar diferenciar tão claramente quanto possível o que é real do que é irreal.

Vivendo na era da Informação que nós estamos, nunca antes os seres humanos estiveram expostos a tanto fluxo de informação. Nenhum de nós com um computador ou um smartphone ou televisão estamos disponíveis para sermos bombardeados com informação praticamente o tempo todo. Muito dessa informação parece convincente, até mesmo sedutora. Imagens, palavras, sons, ensinamentos, propagandas… e uma lista vai e vai sem parar.

Os benefícios são muitos, mas os perigos são igualmente numerosos. A habilidade do sistema humano para se adaptar a esse novo caminho de ser tem sido testado a todo momento. Muito do tempo que nós estamos desatentos a essa multiplicidade de instrusões elétricas estressantes, nosso sistema está absorvendo.

Como costuma acontecer quando nossos sistemas estão estressados, nós fazemos o que é mais fácil para nós. Nós queremos alívio imediato e nos preocupamos para que consequências a longo prazo caiam no esquecimento. Um dos mais comuns métodos de estresse que nós temos na era da Informação é presumir. Com tanta informação chegando até nós, é mais fácil ser como uma esponja, absorver a maior parte dela e economizar o tempo de questioná-la.

Em outras palavras, nunca houve um momento em que os seres humanos precisassem tanto aprimorar sua capacidade de questionar. Nunca houve um momento em que nossa vida como seres humanos tivessem tanta necessidade de examinar. Não é porque tempos obscuros e difíceis nunca existiram antes. Ao contrário, tudo que precedeu essa era tem requerido tremenda adaptação humana. Foram estes tipos de adaptações humanas que nos trouxeram a esta era, enfrentando inundações de informações.

Claramente, nunca houve um tempo de maior pressão do que aprender a arte do discernimento. No final das contas, nós precisamos aprender a arte do questionamento. Como uma criança pequena – direta, simples, com questões lógicas, que venham facilmente até nós. Isso significa que é da nossa natureza questionar claramente, simples e logicamente. Em algum lugar desse caminho, perdemos o contato com essa habilidade brilhante.

Entre a infância e o adulto, o intelecto torna-se uma palavra quase suja entre muitos nós. Nós esquecemos que pensar claramente e questionar claramente foi uma das coisas que nós realmente fazíamos muito bem. Vinha naturalmente. Isso significa que é inerente esse dom e que nenhum nós poderíamos ser privados.  Nós simplesmente precisamos nos valer disso.

Isso descreve o trabalho que fazemos no BreakThrough.


[1] Artigo gentilmente cedido pela autora através do site: https://www.breakthroughiba.com/.

[2] Esther is the Creator of the BreakThrough System and Co-Founder of the International BodyTalk Association (IBA). She resides in Europe and teaches advanced, interactive workshops in BreakThrough, in-person and online. She also runs ongoing BreakThrough Instructor Training programs and offers private, online BreakThrough sessions.

Esther is the author of Beyond Concepts – the investigation of who you are not, and Who am I? – the seeker’s guide to nowhere. Mais informações em https://www.breakthroughiba.com/instructors/.

Para ler em pdf clique aqui

(link atualizado em maio 2021)