Poesias de costura

“Pensar é desnudar meias verdades 
que se vestem de mentiras longas.
A razão é um vestido 
cheio de tendências 
irracionais.”

(errata feita dia 28 junho 2021)

Posfácio

Amanda Pinho

Em uma aresta do tempo foi dada a tarefa de compor a mais bela poesia, ela deveria ser concreta, sensível, profunda e rítmica. Nessa aresta atemporal não havia passado, não havia referência, não havia modelo, muito menos um objetivo. Ali banhada de possibilidades respirando criatividade a consciência, fonte de tudo, inclusive do nada, permitiu que o corpo assim se poetizasse de vida.

Fez o corpo pra você chamar de seu, esculpiu a casa pra Eu morar com janelas que dão de frente pro amar. Essa casa se ergueu sobre pilares elementais, com paredes feitas de cortinas epiteliais, acolchoadas de gordura pra evitar abalos ósseos. A luz percorreu circuitos nervosos até desaguarem emoções no rio de sangue que banha as células, as verdadeiras arquitetas da existência.

Cinco janelas permitem que a brisa do mundo ecoe pela casa. O tempo invade as paredes e as vezes separa Eu de você. O reencontro só acontece quando no meio do caminho encontramos as pedras de culpa e medo que impedem o fluxo do mundo. Aqui começa a famosa jornada de volta pra casa, a redescoberta do corpo como morada, e que nessa casa vivem muitos Eus.

Criou-se retalhos dessa poesia essencial e soprou cada parte do corpo, cada órgão e cada glândula pra que em uníssono o corpo cantasse a vida. O coração é o regente dessa orquestra cuja a partitura o cérebro desenha, e para que a mais bela harmonia surja um pouco de tensão se faz necessário.

  Atenção, não se aperte demais, pois o instrumento sai do tom. Nas tonalidades mais graves sobreviver é nota fundamental, os afetos e as relações fazem nascer um fragmento pra chamarmos de mim. Mim acreditará ser a fonte originária de todo movimento. Esse Mim vai se identificar com a casa, vai nomear, vai registrar como propriedade privada diante de uma vida, totalmente, pública. Mim acha que é dono da casa, ainda não sabe que nada é pessoal. Mas em logos saberás que é tudo sobre nós e não sobre você mesmo.
Depois de sobreviver, se sobrevoa acima dos instintos, avista-se um oceano de aceitações pra ser atravessado ate o firmamento. Nesse oceano com suas emoções afluentes, nada é preciso. O balanço da maré fará testemunha quem não tentar remar contra o amar é.  Durante os sentimentos frios, é bom se cobrir de razão.

A coberta mental é costurada de crenças retalhadas que se formam nos atalhos que mim cria pra enganar o tempo. Dos enganos aos ganhos, é na terra que a gente erra. A aceitação é o gesto de encobrir-se com o intelecto, é despir-se do bicho que habita as entranhas pra renascer humano que sabe. Sabe que essa casa um dia padecerá. 

A seiva da vida produzida no interior dos tijolos ósseos inunda os tecidos de entusiasmo na direção de uma ação sem motivo, sem pressa, sem objetivo. A casa, desenhada por margens finitas, contém na sua medula o sem fim. Terminamos só porque um dia acreditamos começar.

O que te parece viver sabendo que não há metas? Não há prazos, nem mesmo chegada há. Imagina abrir mão de todos as ideias sobre o mundo e redescobri-lo, hoje, como se fosse a primeira vez em que se abrem as janelas?!

Ao abrirmos as janelas, a alma aspira, o corpo respira e Eu acompanho a vida passar. Passar por mim, passar por você, por nós, ela simplesmente passa, e recria o ser que sabe, sabe que está só de passagem.  

Amanda Pinho

(1) Psicoterapeuta de formação e poetiza na essência. Há 9 anos integra o sistema de bodytalk na sua prática de reeducação do pensamento! isnta @anma_ar

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A crisálida e os ciclos naturais da vida

Pra toda mente em desatino
corpo é destino.

Seja bem vindo a casa corpo,
 onde a biologia dá a forma para as margens físicas
conterem o rio químico de energia essencial da vida.
Desfrute da estadia!

(errata feita 25 junho 2021: inclusão poemas de Amanda Pinho)

Alessandra Batistuta (1)

Início assim nossa conversa para expor minhas observações a respeito da vida. Da minha percepção de vida dentro da esfera do BodyTalk. De todas as transformações vivenciadas a partir do instante em que deixei de apenas conhecer intelectualmente as leis dos ciclos naturais da vida e, passei a vivencia-las ao permitir a liberação de muitas crenças e, com isso, acessar de uma forma mais objetiva uma consciência mais expandida. É impressionante a força da vida em cada pedacinho que compõe esse planeta azul.

Na minha prática como terapeuta, tem sido um privilégio poder acessar insights de transformações, que vão desde o nível mais sútil das emoções e pensamentos, até o nível molecular, e que dá permissão a um canal de acesso para que a vida se faça! Quantos bebês BodyTalk foram facilitados nesse processo! Na minha prática como pediatra, quantas oportunidades de facilitar um processo de aproximação da saúde plena em situações cotidianas e também de alto risco! Ao ponto da equipe que trabalha comigo dizer: “fica tranquila, pois as complicações acontecem, mas são menores, nos nossos dias!” 

Nos últimos cinquenta anos, o ciclo natural de expansão da raça humana teve seu apogeu. Vivemos um período de paz, sem guerras de proporções mundiais, aderindo aos desenvolvimentos da saúde, tecnologia, comunicação e prosperidade para uma grande porcentagem da população mundial. Saneamento básico mais acessível, não ideal, mas mais próximo de uma parcela da população que se desenvolveu inclusive com menos defesas naturais…

Químicos que melhoraram a performance, o humor e as defesas dos seres vivos (animais e vegetais!). Medicamentos estabilizadores de humor, antibióticos que inclusive aumentaram a média de estatura da população. O conhecimento da vida microscópica que nos sustenta como seres humanos! Poder nos aproximar de seres vivos que compõem nosso corpo e nos comunicarmos com eles através do desenvolvimento de tecnologias como a epigenética e a ecologia do corpo! 

Há um ano estamos vivendo uma drástica mudança nos paradigmas sociais. Enfrentamos um vírus caprichoso que trouxe em si ferramentas que estão transformando nossa forma de perceber as estruturas físicas, mentais e emocionais do nosso sistema. Pandemia. Era um substantivo usado em filmes de ficção científica, num futuro distante… Tantas crenças de controle e segurança sendo quebradas em grandes proporções. E nesse período de recolhimento a que fomos submetidos, aprofundei minhas percepções… Fruto desse processo de liberação dos véus que permeiam os cinco sentidos, a desconstrução de ideias e memórias ativas que permaneciam em suspensão, desalinhando o equilíbrio dos nossos sistemas corpo mente.

Hoje, percebo esse momento, como mais uma ferramenta de crescimento do ser humano! 

Sim! As pessoas estão entrando em contato com suas vulnerabilidades, aquelas que ficavam envolvidas nas nossas ilusões de controle. E essas vulnerabilidades serão acolhidas e transformadas. Uma nova onda (tsunami?) de transformação de consciência. Expansão. Crescimento. São escolhas.

Porém, independente de tudo isso, os ciclos naturais da vida permanecem inalterados em suas essências, assim como todos os seres animados e inanimados, imutáveis em nossas essências.

Dentro do Body Talk, a alquimia desenvolvida no processo de integração entre a medicina tradicional chinesa e a astrologia, permitem o acesso a movimentos de coordenação, integração e vinculação dos ciclos naturais da vida à saúde do complexo corpo mente.

As mulheres gestam e os bebês nascem, as pessoas se conhecem, se aproximam e se afastam… As estações do ano se revezam, o sol nasce e se põe, as plantas estão ativando a força de crescimento das sementes, saindo da escuridão em busca da luz. Expansão e contração, é o que gera o movimento da vida . E a gente deixa de resistir. E vamos abrindo mão da necessidade de tentar controlar o incontrolável.

Nós estamos sempre saindo de uma caverna e descobrindo a realidade sob um novo foco de luz. Isso poderia ser frustrante, se já não nos servíssemos desse processo evolutivo de maneira consciente. Sair de uma das muitas cavernas que habitamos em nosso inconsciente é libertador! 

Nesse momento me coloco com uma história de vida, em que durante quase vinte anos trabalhei numa situação, que era “confortável” mas muito desgastante, consumidora de energia e criatividade… Quando realmente pude me desvincular desse lugar, eu percebi como a vida poderia ser mais leve, próspera e pude me dedicar mais intensivamente ao Body Talk, tornando hoje essa técnica, meu principal sustento  emocional, material, vital ! Vi a importância de reconhecermos nossa real dimensão e nos encaixarmos de forma confortável nesse ciclo grandioso. Nos aproximarmos de nossa essência imutável.

E é bem aqui que vou inserir a importância do BodyTalk como uma ferramenta de expansão da consciência, que quanto mais exercida e recebida, mais facilita a regulação dos ciclos naturais de vida em cada molécula. Vivemos melhor quando compreendemos e usamos de forma assertiva o legado que trazemos em nós. Os ciclos naturais permanecem, nós passamos. 

Podemos escolher passar bem! Tudo são escolhas! Você tem feito suas escolhas? Você vai deixar escolherem por você até quando? Você tem se entregado às escolhas que o Universo faz pra você? Quanto você tem resistido em entrar em contato com suas fragilidades? Será que você tem pensado em mudar de vida e qual o trabalho isso poderia gerar pra você e daí nem se movimentar pra descobrir?… Quanto você tem cuidado do outro pra evitar de cuidar de si? Tranquilo!!!! Muito mais importante que responder essas questões, é a gente estar disposto a fazer perguntas! BodyTalk está aqui para facilitar!

Alessandra Batistuta

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Matrizes

Entrevista realizada por Natasha Mesquita com Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

(realizada em abril 2021 por email, com colaboração de Ana Carolina Vasconcelos)

Com entusiasmo trago para a ESCUTA esta entrevista concedida pela Dra. Claudia Schembri-Heitmann, sobre o assunto Dinâmica de Matrizes no trabalho dos praticantes de BodyTalk.

Tenho certeza de que será de grande esclarecimento para nós terapeutas no que diz respeito ao trabalho com essas técnicas durante nossas sessões, sobre sua dimensão de atuação, assim como elucidativo a todos sobre o potencial de alcance terapêutico do BodyTalk.

Natasha Mesquista (editora chefa da 4a edição do Escuta)


O indivíduo é a casa onde
todos os outros vivem.

O agora é um soma
de passados ensaiando
um futuro.

O passo não dado
de ontem
amanhã
será presente.

(errata feito em 25 junho 2021: inclusão de poema de Amanda Pinho)

Entrevistadora, Natasha Mesquita (NM): O que é uma matriz?

Claudia Schembri-Heitmann (CS-H): Uma matriz pode ser definida de várias maneiras diferentes, dependendo também do público a que se dirige. Por definição, uma matriz é um campo de energia nutritiva e de suporte materno, que fornece uma base comum para que as coisas, ideias e processos se unifiquem, e que podem então ser funcionais ou disfuncionais.

Poderíamos também trazer a terminologia que Rupert Sheldrake usa quando descreve a ressonância mórfica e a criação dos chamados campos morfogênicos e morfogenéticos.

Os campos mórficos, morfogênicos e morfogenéticos (campos M) definem diferentes níveis de qualidades, sobre como a forma pode se manifestar através da Consciência do quantum ao físico. ‘Morph’ é a palavra latina para forma, e ‘gênese’ é a palavra latina para criação – apoiando o processo de in-forma-ação, trazendo à forma.

Sempre que um campo de matriz de grupo é formado, relações geometricamente ordenadas, que são baseadas em ressonância mórfica, memórias morfogênicas e morfogenéticas, automaticamente passam a existir dentro e fora deste campo M de grupo.

NM: Tenho um entendimento sobre o módulo 6 (Microcosmos e Macrocosmos), por exemplo, como sendo inspirado em conhecimentos sobre astrologia em convergência com a medicina chinesa. Você sabe o que influenciou John Veltheim na criação das técnicas de Dinâmica de Matrizes?

CS-H: O sistema BodyTalk evoluiu de maneira desdobrada. Desde o início (1995) até 2001, havia “apenas” os Fundamentos do BodyTalk (BTF). Quanto mais o campo de praticantes (e clientes) de BodyTalk crescia em todo o mundo, mais se podia ver que certos bloqueios no sistema corpo mente, especialmente nos níveis emocional-mental-supramental, precisavam ser tratados por “ferramentas” diferentes daquelas que estavam disponíveis no treinamento BTF. Foi em 2001 que os módulos BT avançados foram introduzidos em uma conferência de três semanas. De uma forma simplista, a filosofia sobre matrizes primárias, secundárias e fragmentadas pode ser vista como uma abordagem avançada para trabalhar com memórias ativas ou liberação emocional do BodyGenics. Esses tipos de matrizes vivem uma vida própria no complexo corpo mente (entidade-ID) do cliente. Por isso, a abordagem passo a passo vai removendo as diferentes linhas de suporte de vida para a matriz dentro do órgão, endócrino ou parte do corpo do cliente. Toda a técnica se baseia na questão: o que todo indivíduo e ser identificado precisa para viver?

NM: Parece-me que a Dinâmica de Matrizes como um todo se relaciona fortemente com a teoria dos sistemas dinâmicos, que é a base da estrutura do BodyTalk. No seu ponto de vista, existe uma relação direta entre as técnicas de Matriz e a teoria?

CS-H: Dinâmica de Matrizes pode ser interpretada de diferentes perspectivas quando se trata de Física e Filosofia. Matrizes Complexas estão muito relacionadas à ideia de funcionamento de sistemas dinâmicos. Ao mesmo tempo, tudo isso é baseado no potencial ilimitado e nas possibilidades presentes no mundo da consciência baseada no quantum, representado pelo conceito de onda – partícula, bem como pelo modelo de causação descendente.

NM: Ao trabalhar com Matriz temos a chance de observar o que nosso Sistema chama de “Matrizes primárias, secundárias, fragmentada e complexas”. Existe uma maneira simples de definir a diferença entre elas? Elas poderiam ser compreendidas como perspectivas diferentes da mesma coisa essencialmente?

CS-H: A Matriz Primária é referida como nossa primeira e única máscara essencial dentro do mundo da dualidade que torna possível à consciência universal ser capaz de se manifestar dentro ou através do ser individual. Quanto mais funcional for essa máscara, mais o indivíduo será capaz de curar a mente cindida e a percepção do “eu versus os outros”. 

Matrizes secundárias e fragmentadas são ferramentas de enfrentamento que podem nos ajudar a atravessar a vida, mas na maioria das vezes elas se tornam impraticáveis ​​e podem se tornar uma das principais causas de doenças.

Matrizes complexas estão sempre sendo criadas naturalmente quando mais de um ser (humano, animal, planta) interage regularmente. Sua saúde é o pré-requisito para a saúde do grupo, de seus membros e, também, de seu objetivo e missão.

NM: Como trabalhar com Matrizes Complexas Familiares no BodyTalk se relaciona com a Constelação Familiar? A obra e o conhecimento de Bert Hellinger são uma referência envolvida na criação dessa técnica específica no BodyTalk?

CS-H: Por meio de minhas próprias experiências, estou pessoalmente muito convencida do poder e da abordagem do trabalho de Sistemas Familiares de Hellinger. Além disso, este trabalho é reconhecido (como outra modalidade) quando ensinamos Dinâmica de Matrizes.

No entanto, da perspectiva do BodyTalk, temos que entender que tudo e todos funcionam de acordo com uma matriz complexa, até mesmo o nosso próprio complexo corpo mente. Portanto, quando expandimos a abordagem no BodyTalk para equilibrar uma pessoa por meio de uma sessão, também podemos experimentar a mesma qualidade de prioridades e mudanças fora da pessoa em seu ambiente geral e, também, nos campos aos quais ela está conectada. 

Portanto, é uma evolução natural ir por prioridade e verificar também quais relações precisam ser abordadas por meio de Matrizes Complexas.

NM: Como é que trabalhar com uma Matriz Primária Feminina ou Masculina envolve trabalhar com nossas forças arquetípicas primárias?

CS-H: Há uma forte conexão com as energias arquetípicas presentes em todos nós, usando a compreensão do corpo supramental. Existe um campo de significado além do ser individual e seus cinco sentidos podem ajudar a traduzir e visualizar esse campo arquetípico e seus poderes relacionados.

A Matriz Primária está muito relacionada à expressão dos aspectos divinos femininos e masculinos dentro do indivíduo, no mundo manifestado de dualidade e polaridade. Embora carreguem sim as tendências herdadas (que também incluiriam padrões arquetípicos), eu pessoalmente não relacionaria a matriz primária masculina e feminina ao nível supramental/arquetípico apenas.

NM: A própria sessão torna-se uma matriz com “tentáculos” que podem ser entendidos como os vínculos que surgiram como prioritários. Essa analogia faz sentido?

CS-H: Sempre que estamos observando itens que precisam ser vinculados ao protocolo BodyTalk usando o procedimento BT, estamos criando as chamadas fórmulas. A qualidade dos vínculos pode ser “positiva” (reconexão) ou “negativa” (desassociação). Quer se trabalhe de forma linear (Procedimento Básico) ou não linear (Procedimento Avançado), estamos criando diferentes redes de observação. Mas eu pessoalmente não me refiro a isso como tentáculos. Sim, é um campo, mas geralmente com um nível de ressonância muito temporário, evoluindo para o resultado da própria fórmula.

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Praticante, Instrutora e Pesquisadora. Doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa (IQUIM, EUA). Heilpraktikerin (Naturóloga, Alemanha). Diplom-Sportlehrerin/Sporttherapeutin (Graduada em Ciência e Terapia do Esporte, DSHS e DVGS, Alemanha).

Claudia Schembri-Heitmann nasceu em Bad Oldesloe (Schleswig-Holstein, Alemanha). Em 18 de outubro de 1989, ela se formou em Ciências do Esporte e Terapia após estudar Ciências do Esporte por quatro anos na Universidade Alemã de Ciências do Esporte, em Colônia (Alemanha).

Claudia estendeu seus estudos de pós-graduação e recebeu novas qualificações fazendo cursos adicionais para se especializar em reabilitação de lesões ortopédicas, terapia espinhal e problemas cardíacos, além de treinamento básico/regular em saúde e esporte. Desde a graduação, Claudia ocupou vários cargos de liderança como Chefe de Esportes e Terapia do Movimento em sua linha profissional de trabalho na Alemanha e em Malta. Claudia mudou-se para Malta no início de 1993 para trabalhar em um Centro de Bem Estar e Terapia Integral. Desde então, ela se especializou totalmente em Saúde Baseada na Consciência, utilizando modalidades que são baseadas em quantum, holística e abordagem integrativa.

Em 3 de dezembro de 2001, Claudia se qualificou como Heilpraktikerin (Naturopata) na Alemanha. Em 2004, Claudia mudou-se, com seu marido (Felix) e seu filho (Tim), para viver no sul da Alemanha, onde montou uma clínica de muito sucesso e um centro de seminários profissionais na área de Allgäu (Bavária), ambos baseados em princípios e filosofia de saúde baseados na consciência. Morar na Europa central era muito necessário, a fim de permitir que Claudia viajasse regularmente pelo mundo e ensinasse Saúde e Medicina Quântica baseada na Consciência (principalmente BodyTalk e modalidades afins) para milhares de alunos.

Em abril de 2019, Claudia concluiu o Doutorado PH.D em Medicina Integrativa pela International Quantum University Integrative Medicine (IQUIM, EUA), que é a única universidade no mundo que oferece estudos e pesquisas especializadas e de ponta em Saúde Baseada na Consciência. O foco principal de sua pesquisa de doutorado é a relação e o efeito do ambiente do grupo de trabalho (“matriz”) na saúde do indivíduo.

Claudia Schembri-Heitmann é membro de várias organizações profissionais, incluindo a International BodyTalk Association (IBA, da qual ela é uma das principais instrutoras internacionais e da qual foi presidente mundial por muitos anos), a Federação Alemã de Esportes de Saúde e Terapia Desportiva (DVGS eV), The Reiki Network (TRN), Natural Healing Association Kempten (NHV Kempten) e a Associação Alemã de Medicina Energética e Medicina da Informação (DGEIM eV) .

Hoje, BALANCE é o resultado final de uma jornada e experiência de 30 anos de estudo, pesquisa, prática e ensino na esfera da Saúde Holística Integrativa Baseada na Consciência. Acreditamos que aumentar o conhecimento sobre a importância de uma abordagem baseada em consciência ajuda as pessoas a melhorarem a relação entre seu ambiente interno e externo. Isso nos ajuda a nos tornarmos mais sintonizados com os ritmos da natureza e, finalmente, com nosso Propósito de Vida e Eu Verdadeiro.

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A natureza humana é biológica, física, química e energética

Gabriela Menezes (1)

O gesto particular de um corpo
cria ondas de energia publica
nesse encontro dual
de passos nada casual.

Ancestralidade é esse desdobramento atemporal
de uma única centelha ocupando
corpos temporais.

(errata feita 25 junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

O DNA e a expressão da vida 

Muitos de nós aprendemos nas aulas de biologia que somos construídos a partir de nosso DNA. Ele determina se seremos altos ou baixos, loiros ou morenos, de cabelos lisos ou cacheados, de olhos azuis ou castanhos. Apenas quatro bases nitrogenadas no DNA (A, T, C e G) são capazes de se combinar numa variedade de formas a ponto de gerar um ser tão complexo como o ser humano, além de todos os outros seres vivos.

O DNA, armazenado no núcleo da célula, tem toda nossa informação genética e é de onde vai ser produzido tudo que nos mantem vivos. O dogma central da biologia nos explica que o DNA é transcrito para RNA e depois traduzido em proteínas e, assim, a informação que estava no núcleo da célula ao ser convertida em RNA migra para o citoplasma para ser traduzida em proteína. Essas proteínas saem das células para percorrer o corpo e desempenhar as funções do organismo, explicando de forma bem simples.

As funções básicas e vitais são realizadas pelas células sem que percebamos, assim funciona o nosso sistema nervoso autônomo, e seguimos respirando, com o coração batendo, e andando por aí sem precisar pensar a cada segundo qual movimento deveríamos estar fazendo para coordenar todas essas ações simultaneamente.

Também não precisamos medir a quantidade de açúcar ingerida a cada refeição, porque o organismo é capaz de equilibrar os níveis de glicose do sangue sozinho. Digamos que eu coma uma caixa inteira de chocolate, as células do meu corpo receberão através da membrana citoplasmática um sinal de excesso de açúcar, essa informação fará com que as células especializadas do pâncreas produzam insulina, uma proteína que vai gerar uma resposta de equilíbrio aos níveis ideais de açúcar no organismo.

Mas se todas as informações do que produzimos estão contidas no DNA que fica no núcleo da célula, como esse DNA vai saber quais proteínas ele deve produzir? Parece que o núcleo da célula, daquele lugar isolado, precisa de informações de fora da célula para saber o que esse corpo precisa produzir para sobreviver no ambiente, não é?! Aí é que entra o papel essencial da membrana celular: captar informações para regular a expressão celular. Assim como nossa pele delimita o corpo e recebe os sinais do meio ambiente através de sensações, a membrana da célula forma esse delimite e recebe os sinais do ambiente através dos sinalizadores químicos e energéticos.

A membrana celular tem um papel muito importante na expressão celular, é através dela que são selecionadas as informações que vão chegar no núcleo e ditar o tipo de comportamento que esse corpo terá. Então, por mais que o DNA tenha todas as informações, ele vai depender das informações do meio ambiente para agir. A membrana seleciona o que entra e o que sai da célula como resposta aos estímulos do meio.

As células que estão dentro do corpo não conseguem ter acesso ao que acontece do lado de fora do corpo por elas mesmas. Elas dependem das informações que chegam através do sistema central de processamento das informações: o cérebro. Devido à especialização celular em tecidos, órgãos, e sistemas do corpo, cada qual com sua função, o cérebro assumiu a função de coordenar o diálogo entre as moléculas sinalizadoras dentro dessa comunidade de órgãos do corpo humano.

A epigenética e o controle do DNA

Todas as células possuem toda a informação genética do indivíduo, mas nem todas as células vão expressar tudo a todo momento. As células se especializaram e para saber o que deve ou não ser expresso o maquinário celular utiliza moléculas reguladoras. As células musculares são especializadas em movimento, as células do pulmão são especializadas em trocas gasosas, e assim, cada parte do corpo ficou com uma função, e a expressão celular responde a essa função. 

Para além da especialização celular, descobriu-se poder haver uma expressão diferente dos genes, sem qualquer alteração no DNA. Alguns tipos de moléculas reguladoras podem grudar em cima da fita de DNA e fazer com que a expressão de determinado gene seja ligada ou desligada, aumentada ou inibida. Essas moléculas controlam o DNA, e esses fatores são hereditários! Assim, foi revelada a epigenética. 

Lembra que as células respondem ao meio em que estão inseridas? Gerando respostas às informações que a membrana recebe do ambiente em que estão inseridas? Os fatores epigenéticos são suscetíveis a influências externas, como por exemplo fatores de estresse, fome, variações de temperatura, alimentação. Então, o DNA pode ser influenciado a se expressar de diferentes modos a depender do ambiente a que está exposto, sendo este a chave da regulação. Quando o organismo precisa se adaptar a algo novo, é conveniente que as células se reorganizem, e os marcadores epigenéticos podem ativar ou inibir a expressão dos genes decisivos para esse novo momento da vida.

As experiências de vida também afetam os marcadores epigenéticos. Um estudo mostrou como os netos dos holandeses que passaram fome durante a segunda guerra mundial foram influenciados por fatores herdados. A privação de alimento gerou uma reprogramação metabólica, que foi transmitida para as gerações seguintes, levando os netos à obesidade.

A mesma privação foi testada em laboratório, os cientistas deram a ratas prenhes aproximadamente metade das calorias padrão, e seus filhotes nasceram menores que o do grupo controle. Na vida adulta, as diferenças de tamanho desapareceram, mas os filhotes das ratas com restrição alimentar apresentaram maior quantidade de gordura abdominal do que os filhotes do grupo controle. Já os netos das ratas em privação alimentar, apesar de nascerem menores, na vida adulta eram maiores do que os do grupo controle, apresentavam maior quantidade de gordura visceral e inflamação no cérebro. Isso mesmo aconteceu com suas mães que tinham sido alimentadas com a dieta padrão. A reprogramação metabólica veio da privação de alimento da avó. 

A partir da descoberta da epigenética, seu papel tem sido investigado em diferentes alterações dos processos biológicos do corpo, como câncer, doenças autoimunes, desenvolvimento embrionário e distúrbios como esquizofrenia. Estudos já demostraram que a exposição ao estresse altera marcadores epigenéticos no cérebro, alterando genes relacionados à neuroplasticidade, desencadeando a depressão.

Então, além das características físicas que herdamos no DNA, podemos herdar fatores epigenéticos e/ou desenvolver nossos próprios fatores epigenéticos respondendo ao meio onde estamos inseridos.

O superorganismo humano

O ser humano é formado por cerca de 50 trilhões de células. Essas células se especializaram e se organizaram em tecidos, que formaram órgãos, que se combinaram em sistemas, e que unidos formaram o corpo humano. A especialização fez com que as células estabelecessem comunidades, porque elas não agiam mais de forma independente. Assim, todas as células do corpo precisam agir em torno de um bem comum. 

Este ser humano é o habitat de cerca de 500 trilhões de microorganismos: o microbioma humano. Esses microorganismos vivem em nós e são parte do nosso mecanismo de vida. Dependemos dessa cooperação para nossa sobrevivência, uma vez que as bactérias que nos habitam têm funções nobres como liberação de micronutrientes essenciais, regulação do sistema imunológico e proteção contra microorganismos danosos. O sistema imune convive em harmonia com o microbioma, eliminando apenas o que causa trauma ao corpo.

A composição do microbioma humano é individual. Varia conforme a dieta alimentar, o ambiente em que a pessoa está inserida e até mesmo a quantidade de remédios ingeridos ao longo da vida. Então, cada pessoa vai receber do microbioma a cooperação que cultiva em seus hábitos de vida individual. 

Além disso, este ser humano complexo está inserido num ambiente, que além de outros humanos contém diversas outras espécies animais, inserido num bioma da natureza com um clima específico e uma vegetação característica. Dependemos, mais do que imaginamos, de cooperação para sobreviver na natureza, e o corpo humano já se mostrou capaz de realizar essa cooperação.

A biologia que não se vê

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos conta a importância da física quântica na biologia, que ignoramos por estarmos muito presos ao mundo físico de Newton. No mundo quântico e invisível de Einstein, a matéria está diretamente ligada à energia. 

Já se acreditou que o átomo fosse a menor unidade que forma qualquer molécula. Entretanto, a física quântica descobriu que os átomos são constituídos de partículas subatômicas, que formam vórtices de energia que giram e vibram constantemente, irradiando energia. Os átomos podem se expressar como um conjunto de partículas sólidas ou como uma onda, um campo de força não material. Energia e matéria estão tão intimamente ligadas que não podem ser consideradas coisas independentes.

Cada uma das 118 espécies atômicas descritas na tabela periódica tem sua própria constituição e apresentam um movimento diferente, o que constitui sua assinatura, e assim, é possível identificar os padrões de energia que emitem no seu conjunto de átomos. Tudo no universo emite um padrão de energia único por ter uma constituição diferente, e cada pessoa também é uma constituição única cada qual com uma assinatura energética. 

Se o universo dos átomos é uma integração de campos de energia interdependentes, o corpo humano também o é. E assim, o corpo apresenta uma complexa intercomunicação entre suas partes físicas e os campos de energia que o compõe. Um problema pode surgir de uma falha de comunicação em qualquer ponto dessa rede de informação: partículas ou ondas, e por vezes é difícil explicar o motivo de certos sintomas, desconfortos ou doenças.

Pesquisas envolvendo o mapeamento das interações entre proteínas das células comprovaram uma complexa rede de ligações entre elas. A mudança de um parâmetro de uma das proteínas altera o de diversas outras dentro do sistema, que aparentemente não teriam nenhuma relação. Por exemplo, uma proteína utilizada no metabolismo de DNA pode estar associada a fatores determinantes do sexo, como a proteína Rbp1 das moscas de fruta. Se acreditamos haver uma falha no metabolismo de DNA e criamos um remédio para isso, podemos alterar os fatores determinantes do sexo como efeito colateral dessa medicação caso altere a expressão de Rbp1.

Além de toda a comunicação física que acontece através das moléculas, proteínas, e sinalizadores químicos no corpo, há também a comunicação energética, eletromagnética, que é muito mais rápida que a comunicação física. A comunicação por ondas é cerca de 100 vezes mais rápida que a comunicação por partículas. Essa transferência de sinais mais rápida é útil para nos manter vivos em resposta aos fatores ambientais, e pode ser útil em acessar essas falhas de comunicação e promover seu reparo.

A medicina oriental, antes mesmo da descoberta da física quântica, já baseava seu tratamento em energia. Segundo a medicina tradicional chinesa, o corpo é formado por uma complexa estrutura de fluxos de energia conhecidos como meridianos, que se assemelham a circuitos eletrônicos.

O comportamento das ondas de energia é importante porque as frequências vibracionais podem alterar as propriedades químicas e físicas de um átomo. A movimentação constante dos átomos gera ondas, assim como pedrinhas jogadas na água, e assim podemos influenciar essa onda dos átomos com ondas construtivas ou parar sua atividade com ondas destrutivas.

Como os pensamentos afetam a química do corpo

Os pensamentos são manifestações da mente e influenciam o cérebro físico a controlar a fisiologia do corpo. A mente é energia, o cérebro é matéria física, mas já sabemos que a constituição do aspecto energia e do aspecto físico são semelhantes, são ondas ou partículas. Então, essa energia dos pensamentos pode alterar a expressão das proteínas de funcionamento das células, como falamos na epigenética. 

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos instiga a olhar para os casos médicos conhecidos como exceção e avaliar o poder do pensamento. Como é possível um cientista tomar um copo cheio de bactérias causadoras de cólera e não ser afetado? Como há pacientes com HIV que não apresentam nenhum sintoma de AIDS? Como pacientes terminais de câncer conseguem recuperar a saúde com remissão espontânea do quadro diagnosticado?

E ele mesmo já diz que só pensar positivo não funciona, apesar de não trazer qualquer problema pensar de forma positiva perante a vida. O pensamento positivo e criativo está na mente consciente, porém a mente inconsciente, onde trazemos nossa programação instintiva e nosso banco de dados de experiências vividas, é bem mais forte. Então, se você aprendeu desde criança que tem uma saúde frágil, dificilmente somente pensar que vai se curar do câncer trará um resultado se você tem como premissa que sua saúde é frágil.

Os reflexos comportamentais básicos foram herdados como instintos genéticos, entretanto, nossa evolução permitiu além de receber os instintos genéticos, aprender com as experiências, um condicionamento adquirido. Essas respostas não envolvem o uso do cérebro consciente, funcionam como hábitos, tem um padrão repetitivo e rodam no automático, não são governadas pela razão ou pelos pensamentos. 

Assim também são muitos de nossos medos, não são mesmo reais ou nossos. São herdados epigeneticamente ou aprendidos desde que somos muito pequenos com nossos pais, cuidadores, familiares e professores, nós absorvemos comportamentos e emoções em nosso sistema de memória, como método para sobreviver e fazer parte da nossa comunidade. Nós vamos rodar esses programas aprendidos porque foram incorporados na nossa mente inconsciente. Todas as células do nosso corpo vão ouvir esse padrão de comportamento como a verdade a ser seguida.

Por sorte, somos dotados de uma região no cérebro chamado córtex pré-frontal, a evolução nos permitiu desenvolver uma região no cérebro especializada em pensamento, planejamento e tomada de decisões. Com isso, ganhamos o poder de observar nossos comportamentos e emoções. Essa parte consciente tem acesso às informações armazenadas em nosso banco de memórias. Assim, podemos refletir sobre nossa vida e planejar nossas ações. É onde podemos observar os comportamentos programados que adotamos e escolher se vamos mantê-los ou modificá-los.

Esses comportamentos programados e as percepções que derivam deles são as nossas crenças, que estão no controle da nossa biologia. Porém, as nossas crenças não são definitas e imutáveis. 

Experimentos com culturas celulares em ambiente controlado mostraram que as células fogem das toxinas e vão em direção aos nutrientes, mas enquanto as células estão fugindo das toxinas, elas não podem se nutrir e crescer. São dois sinais opostos. Se a célula está ameaçada, é mais importante sobreviver. Já quando ela está em um ambiente onde ela pode ir em direção aos nutrientes, ela pode crescer.

Nós estamos “crescendo” a todo momento, nossas células estão sempre se renovando, e nós também não nos nutrimos quando adotamos o comportamento de proteção e fuga. Ficar sob longos tempos no mecanismo de proteção gera estresse que pode paralisar totalmente o processo de crescimento. A capacidade de pensar com clareza também é afetada! O processamento das informações é mais lento que a atividade automática, e por isso, rodamos o programa habitual. Viver com níveis crônicos ou elevados dos hormônios do estresse, em um estado constante de tensão e vigília afeta de forma severa a saúde. 

Além de retirar o estresse, é importante adicionar momentos de alegria, amor e satisfação para estimular o processo de crescimento saudável. Primeiro passo: identificar seus medos e analisar de que forma eles impedem o seu crescimento. É uma escolha corajosa iniciar esse movimento.

Lembra que o cérebro é a central de processamento das informações? Uma outra parte dele, o cérebro límbico, desenvolveu um mecanismo onde converte os sinais químicos em sensações acessíveis a todas as células do corpo, e nossa mente consciente conhece essas sensações como emoções. As emoções se manifestam por meio da emissão controlada de sinais pelo sistema nervoso, os receptores que leem essa mensagem estão presentes em todas as células do corpo, e não só no cérebro. Nossas emoções não são geradas somente a partir da nossa interação com o ambiente, a mente consciente pode fazer o cérebro gerar emoção que vai agir sobre todo o sistema.

A mente consciente não opera em piloto automático como a inconsciente. Ela é criativa na forma como reage aos estímulos ambientais. Se um comportamento pré-programado entra em ação através da mente inconsciente, a mente consciente pode intervir, interromper e criar uma resposta diferente, porém temos de ter esse padrão pré-programado identificado e vontade de mudá-lo. Os comportamentos e crenças que aprendemos dos nossos pais, colegas e professores podem não ser os mesmos que queremos para a nossa vida, mas precisamos saber o que realmente queremos para não reproduzir o que aprendemos ser o certo.

Uma maneira de trazer ao mundo palpável como os pensamentos afetam a fisiologia do corpo é analisarmos o efeito placebo. No teste de medicamentos, alguns pacientes recebem o medicamento com princípio ativo e outros recebem o medicamento sem o princípio ativo. Muitos dos que não receberam o princípio ativo relatam melhoras dos sintomas e do bem-estar geral após iniciar o tratamento. Essa percepção de melhora veio do fato de acreditar estar tomando o medicamento. Isso demonstra como a mente pode ser forte em promover melhora na saúde. 

Ao contrário, o efeito nocebo também ocorre. É quando a mente emite sinais negativos que afetam a saúde. Como receber um diagnóstico de uma doença incurável e morrer em poucos meses. 

Como vimos, as crenças moldam a percepção, e a biologia se adapta a elas. Essas crenças agem como uma lente por onde você enxerga a vida. E quem decide qual lente usar é você. 

Ação do BodyTalk

O Sistema BodyTalk é uma metodologia de escuta do corpo, que visa trabalhar as prioridades de comunicação. Falamos acima sobre como uma falha na comunicação pode ocorrer em qualquer parte do corpo: físico ou energético. O restabelecimento dessa comunicação promove saúde.

Um curto-circuito pode ocorrer devido a uma crença que você tem e está inconsciente, mas que choca com o momento de vida que você está passando. Você não sabe explicar de onde vem aquele mal-estar, aquela dor, pode ser até mesmo que você procure um médico e clinicamente você esteja bem, mas há algo ali que te incomoda.

Em uma sessão de BodyTalk pode-se olhar para essa história, observar o que é prioridade, restabelecer o circuito de comunicação físico ou energético. Trazer à mente consciente o que estava velado. 

Outra possibilidade é olhar como um sintoma clínico ou uma doença pode estar atuando nesses campos interconectados do corpo, tanto física quanto energicamente. Um sintoma é sempre um mensageiro de algo a ser observado.

Através de um protocolo estruturado o terapeuta pode observar desde uma necessidade física de hidratação no cérebro, passando por um equilíbrio dos meridianos energéticos, até chegar a um fator epigenético herdado que precisa ser inibido.

Lembra que as crenças são a lente através da qual a gente enxerga a vida? Talvez você tenha escolhido sair de óculos escuros sempre, mas está de noite e talvez você esteja esbarrando em muitas coisas pelo caminho, pode já estar com o dedinho doendo de tanto bater em cantos não vistos, mas ainda não percebeu por que não está enxergando direito. Na sessão de BodyTalk, o terapeuta te ajuda a realizar que você está de óculos escuros sempre, até quando não se faz necessário. E dali em diante, fica fácil para você avaliar se quer continuar utilizando os óculos escuros e em quais situações você pode e/ou deve usá-los! 

Momento pandemia

Vimos que o meio ambiente e nossa percepção a respeito dele é determinante sobre como nosso corpo vai se comportar, sobre o que ele vai expressar, e sobre como nossa saúde será afetada. Nesse momento de pandemia podemos gerar alterações na expressão de nossos genes como forma de adaptação ao que estamos vivenciando, e somente as futuras gerações poderão nos mostrar o impacto da pandemia na expressão epigenética. 

As pessoas ao redor do mundo estão vivenciando um estresse coletivo que já passa de um ano, e como vimos acima, o estresse afeta severamente a saúde. Mas também vimos que os pensamentos podem mudar toda a química do corpo e que podemos escolher como vamos reagir às nossas emoções.

Neste momento estamos vivendo o desconhecido, é natural ter medo. As notícias são assustadoras, mas também há o meio científico trabalhando rapidamente na tentativa de combater a pandemia. Milhares de pessoas estão em luto, mas também há alegria pelas pessoas que se recuperam. Além da saúde, há outros fatores da vida que são impactados diretamente ou indiretamente pela pandemia. Muitos estão preocupados com a manutenção da sua fonte de renda, muitos com raiva por terem perdido o mínimo que tinham para sobreviver. 

É importante dar lugar a cada uma dessas emoções. Entretanto, saber que podemos olhar conscientemente para cada emoção que sentimos, saber como ela afeta a nossa saúde, e escolher com qual delas ficar, é cuidar de nós mesmos. É manter nosso sistema imune ativo e trabalhando pacificamente.

O melhor que podemos fazer no momento por nós e pela sociedade é cuidar de criarmos o melhor ambiente possível para nossas células!

Gabriela Menezes

referências bibliográficas

Livro – A biologia da crença, Bruce Lipton

https://super.abril.com.br/ciencia/entenda-de-uma-vez-o-que-e-epigenetica/

https://agencia.fapesp.br/cientistas-buscam-caminho-mais-rapido-para-tratar-depressao/34873/

https://aprender.ead.unb.br/enrol/index.php?id=2407

https://www.manualdaquimica.com/quimica-geral/atomo.htm

Para ler em pdf clique aqui

(1)

Sou terapeuta BodyTalk certificada desde 2016, e entusiasta do sistema BodyTalk desde que o conheci como cliente. Sou formada em Biologia, e fiz mestrado em Imunologia de Tumores já buscando um olhar individualizado da cura. Hoje, gosto de investigar os labirintos dos corações através dos caminhos do BodyTalk, e como cada um faz para encontrar a sua própria verdade e lidar com seus desconfortos nesse caminhar da vida.

Email: menezesgf@gmail.com

Insta: @gabrielamenezesbodytalk

Celular: (21)993271809

Vida que vale a pena ser vivida

Alexandre Abrantes (1)

Consciência faz-se
   semente molecular
   de fazer brotar células
    de trançar tecidos.
 Costura órgãos
 em colchas orgânicas
   de frutificar sentido.
  Ah, esse eterno ter e ser !

Esse corpo oceano
preenche os (a)mares da vida
   com suas celulares gotas primordiais.

Na sua pele vibra
o finito inesquecível
Debaixo dela a eternidade
te espera.


As linhas sinuosas do tempo
costuram a geometria sagrada
de um corpo em retalhos.

(errata feita em 25 de junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

A história desse artigo é bem entrelaçada com o seu conteúdo – não teria como ser diferente já que tudo faz parte do todo como postula a visão não-dualista – e, portanto, decidi contá-la de forma resumida para iniciarmos esse papo.

Tudo começou com uma postagem que fiz falando sobre a morte na minha conta do Instagram, que foi vista e comentada pela amiga Natasha, que tinha exatamente aceitado fazer o editorial dessa edição do Escuta, falando sobre Vida (e morte). Que sincronicidade! Ela prontamente observou isso e me fez o convite para escrever, e eu sem titubear também aceitei mesmo sem ter experiência com essa prática.

Até aí tudo bem, né? Mas e bloqueio criativo que me impedia de iniciar o texto? Como fazer para superá-lo? E sabe qual foi o gatilho para então o artigo “nascer”? Justamente a lembrança do “deadline”, o prazo final, a morte do prazo. Foi preciso entrar em contato com a morte para me lembrar da vida, de dar a vida (a este artigo).

E assim tive a inspiração para colocar em palavras o turbilhão de pensamentos, sensações e insights que me ocorreram! Vida e morte, como um jogo, uma dança. Vida poderia ser dita como o intervalo entre dois eventos: nascer e morrer. De quanto é esse intervalo, o que vai acontecer durante ele segue sendo um mistério, por mais que a humanidade através de vários estudos e tentativas tente prever e controlar aquilo que está além do nosso entendimento racional e do nosso controle.

Memento Mori. “Lembre-se da morte”. Essa expressão latina que remonta ao fim do século XVI era uma saudação utilizada pelos eremitas de Santo Paulo da França, porém a morte já é algo abordado pela filosofia e religiões ao longo dos séculos, afinal é uma certeza na vida de todos nós.

A interpretação dessa expressão traz uma importante reflexão: diante da lembrança de que tudo é impermanente e acabará, Eu vivo uma vida que vale a pena ser vivida? (E nesse momento te convido a pausar a leitura e deixar essa pergunta ressoar aí dentro. Solte as expectativas, o controle e simplesmente deixe fluir).

Não existe uma resposta certa ou errada. Aqui o mais importante é a pergunta e a reflexão que ela provoca. Acolha aquilo que vier, aceite, abrace. Afinal, se você está me lendo é porque está viva(o) e isso significa que é ainda é possível viver uma vida que vale a pena ser vivida!

“Mas Alexandre, minha vida não tem um propósito! Sinto-me perdida!”

E se o propósito da vida for somente estar viva? Apenas ser, estar presente e experimentar cada situação em todo seu imenso potencial, seja ele de dor ou de prazer, desagradável ou agradável? Apenas permitir que essa consciência que se manifesta em cada um de nós como indivíduos se experimente, experiencie o mundo e as suas possibilidades.

O BodyTalk system tem sido um grande aliado nas minhas práticas terapêuticas tanto como terapeuta do sistema como cliente. Dentro do protocolo utilizado por nós há uma técnica chamada “Consciência” que trabalha com temas que abrangem nossa existência, observando distorções de como interpretamos essa realidade, através de padrões estabelecidos com sistemas de crenças e filtros que fomos recebendo, criando e fortalecendo ao longo de nossas vidas. E dentro dessa técnica tem um espaço dedicado às distorções sobre a nossa percepção sobre o TEMPO.

E aqui vale novamente fazer algumas perguntas: Como é a minha relação com a morte? Entendo que é algo natural e continuo aproveitando a vida ou “morro de medo da morte”? Não tem problema ter medo, afinal é um padrão ligado a nossa sobrevivência. O grande problema é esse medo ser tão grande, que te impede de viver.

E sobre viver, lembra da última vez que você esteve inspirada e fez alguma atividade com tamanha entrega simplesmente porque ela tinha que ser feita, sem pensar nos benefícios de realizá-la ou agir de uma maneira motivada, onde o único motivo para a ação é o resultado desta?

Estar inspirada é estar num estado de fluxo, onde o ego momentaneamente perde as rédeas e permite que você apenas experimente o momento presente, um momento de entusiasmo, que é exatamente aquele em que você está tão imersa em algo que perde a noção de tempo e espaço e, quando “volta”, parece que se passaram 15 minutos mas na realidade se passou mais de 1 hora!

Imagina viver cada vez mais uma vida de forma inspirada, num estado de entusiasmo, sem reviver o seu passado ou estar presa nos projetos futuros por uma grande parte do tempo. Essa técnica auxilia nesse processo da nossa sabedoria inata – a inteligência que autorregula nosso sistema corpo e mente – de desfazer esses conteúdos que distorcem nossa percepção do mundo e nos impedem de viver desse modo, que um dia já foi o nosso jeito natural de viver a vida.

A vida somente acontece no momento presente. Pensar no futuro ou lembrar do passado ocorrem a partir do momento presente, que é o único que realmente existe! E a partir desse entendimento, quanto mais presentes, mais vivos nos sentimos! Não digo que é para abandonarmos as lembranças do que vivemos, nem deixemos de fazer planos para o que desejamos realizar, mas diminuir o tempo que passamos nesses estados e valorizando cada vez mais as pequenas ações, gestos, objetos. É resgatar o nosso “olhar de criança”, que diante de um novo mundo, onde tudo é visto e experimentado pela primeira vez, há uma imersão na experiência.

E para que esse texto não fique apenas numa esfera do intelecto, pare a leitura agora, respire fundo algumas vezes e perceba sua respiração, contemple o local onde você está e tende perceber os detalhes dos objetos, as cores, a intensidade da luz, os sons, os cheiros, o vento tocando sua pele. Vai lá!

E aí? Como foi essa simples e breve experiência pra você?

É ótima pra nos lembrar que já temos o que precisamos para viver, todo o potencial está presente aí dentro, aqui e agora, basta acessá-lo!

E se ainda persistir a sensação de que não está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, mapeie as mudanças que deseja, ajuste o GPS pra onde deseja chegar, sem ocupar sua mente questionando se o caminho é longo ou curto. Apenas comece a caminhada, curta cada passo do caminho, contemple o que se passa dentro e fora, pois é caminhando que se faz o caminho, e é vivendo que se faz a vida valer a pena!

Alexandre Abrantes

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1 Alexandre Abrantes. Terapeuta certificado BodyTalk. Acupunturista. Personal Trainer. Estudos em xamanismo, bruxaria, Astrologia, tarologia, yoga e vedanta. Personal Trainer e instrutor de Yoga
# (21) 981297703. Instagram: @aleabrantes_

Prefácio, edição 4, Acompanhando a Vida

Natasha Mesquita

A aceleração do tempo
aumenta a complexidade
do mundo.

Iluminar os pensamentos é o caminho
pra salvar a ação.

(errata feita 25 junho 2021: inclusão do poema de Amanda Pinho)

Com verdadeiro entusiasmo pela minha aproximação a um universo novo e instigante, este da editoração, apresento para vocês a quarta edição da ESCUTA. “Acompanhando a Vida” surge como um tema que tem inspiração advinda do próprio processo terapêutico. Não seria o processo terapêutico um ato de assistir os caminhos da vida, na sua diversidade plural? Assistir pela ação de observar principalmente, sendo em si o observar um modo de dar apoio a quem caminha seu percurso pessoal de viver a vida. 

O BodyTalk como ferramenta, amplia nossa capacidade de ler, de ver, de escutar e perceber a expressão do ser, sendo um sistema que engloba múltiplas linguagens advindas dos mais diversos conhecimentos. Nas edições passadas da revista ESCUTA, abordamos ente outros assuntos, sobre as estruturas, bases científicas e filosóficas do sistema. “Acompanhando a vida” vem amplificar nossa visão para dentro e para fora. O que permeia o BodyTalk poderá ser alcançado através dos artigos que recheiam esta edição propondo um mergulho sobre técnicas e estudos do sistema. Mas não somente é este o intuito do desenvolvimento da vida deste periódico edição quatro. Desejo que possas sentir e experimentar de modo mais vivencial do que racional, as informações que em forma de palavras te alcançará. 

Entrevista, reflexões sobre a vida como um constante dialogo com a morte, um sutil convite para um exercício ativo de contemplação sobre o tempo, poesias em movimento, artigo sobre nossa biologia e como é impactada pelos hábitos e crenças, e também um artigo-depoimento .

A vida é sobre viver, e tudo é sobre a vida. BodyTalk acompanha e nossa ESCUTA se abre para receber  olhares e perspectivas diversas sobre este acompanhar; aqui neste edição, de uma bióloga mestra em imunologia, um educador físico, acupunturista e yogi, uma pediatra, uma psicoterapeuta corporal e poeta, e uma instrutora avança de BodyTalk  também doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa. Todos terapeutas BodyTalk exprimindo nesta edição, através de seus olhares estudiosos de diversas áreas de especialização, algumas facetas da imensidão do universo que podemos alcançar com o Sistema. 

Desejando que a ESCUTA possa ser para vocês leitores um lugar de encontro com novos conhecimentos que te toquem na relação consigo e com o mundo transformando e ampliando formas de ver, te convido a abrir seu coração para receber as informações com todo o seu ser existente, e assim te desejo uma boa viagem. 

Natasha Mesquista

maio 2021

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O BreakThrough e o encontro da sua própria Rainha de Copas

Salima J. Lara Resende[1]

Como nos convida a refletir Esther Veltheim, criadora do Sistema Breakthrough: espiritualidade talvez seja a total aceitação de nossa humanidade, aqui e agora, em um mundo complexo. A aceitação de eu e você irrequietos, às vezes meio loucos. Onde achamos o sagrado e também partições, o prazer, a separação e, quando há muita (muita) sorte, reencontros com coisas mais leves do que o que nos fazem sentir jargões espirituais – ou desespirituais (esta última palavra aqui fui eu que inventei, mesmo).

Jargões como Alcançar a Iluminação; Curar a Criança Ferida; Ser Fit; Ser saudável; Desapegar do passado; Ser um grande terapeuta; Ser alguém bem resolvido; Evoluir. São jargões que geram metas que destroem o senso de confiança em si mesmo de alguém. Aumentam a arrogância e a desconexão com nossa clareza e humanidade – simples, vulnerável, espiritualizada.

Netflix e o Mestre

Esta semana assisti um filme no Netflix. A tradução do nome do filme seria, na íntegra: “Polvo, meu professor”. Era sobre um homem comum correndo contra o tempo, trabalhando com algo que não lhe era natural para a própria saúde. Decidiu mudar o rumo e passou a visitar diariamente um polvo que conheceu enquanto praticava mergulho livre na baía onde cresceu – sim, um polvo; o animal marinho mesmo, daqueles que se serve ou come em bons restaurantes. Meu Deus: que história. Difícil encontrar espiritualidade – ou humanidade – melhor descrita. História sobre devoção e clareza.

O que você acha que aconteceria a você se assistisse ao seu melhor amigo, a quem você se dedicou diariamente por um ano e que te ensinou a se encontrar livre e despido, e quem te deu o sentido de vida que você havia perdido, ser devorado por um tubarão enquanto você prende o ar debaixo d`agua, numa temperatura a 10 graus Celcius? Conseguiria só filmar a cena sem intervir, em entrega e sem necessidade de construir explicação – mental, espiritual, emocional ou desapegada? Eu não sei se conseguiria. E também não consegui não cair na armadilha de me envolver com expectativas irreais que me fizeram segurar minha própria energia na busca de uma evolução desconexa. Outras pessoas, pelo que vejo na prática, seguram a própria energia na tentativa de viverem o que se acredita ser uma Boa Vida. Mas o resultado é o mesmo: a queda.

Foi o questionamento ensinado pelo Sistema BreakThrough, junto com a graça do meu Mestre (sim, meu Mestre – vivo), que me possibilitou levantar. Mesmo com a graça de encontrar uma relação com um Mestre vivo real que me guia. Mestre é alguém que já desaprendeu tudo o que não é; não se diz saber e não precisa de nada além de relaxar e tomar sorvete de sobremesa, ou outras coisas assim. Observo o BreakThrough como ferramenta das mais preciosas dentre o que estudei nos últimos 18 anos em Psicologia. Explico agora o porquê, com parte da história de Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Se quisermos ir fundo no buraco da Alice e de fato conhecer a nós mesmos, temos que encontrar uma Rainha de Copas Interna. Essa rainha deve ser pronta a nos cortar a cabeça; nos resgatar das rasteiras que a cabeça (ou os Sistemas de Crenças), às vezes, nos dá. O rastro delas – tanto da Rainha Interna quanto das rasteiras da Crença – é dos mais difíceis de se decifrar. Somos sortudos se encontramos preciosos recursos de ajuda para a jornada. O BreakThrough é um deles.

Comecemos do começo

O BreakThrough é um sistema que nos leva a conhecer nossas crenças inconscientes. São elas o que gera em nós, em nosso corpo emocional, carga desnecessária e que acaba – cedo ou tarde – pesando. O peso pode ser por um senso de sofrimento, por estresse, por doenças físicas ou pela insistência em situações ou relações que não são nutritivas (que não ajudam a relaxar).

O significado do Símbolo de Copas, com o desenho de um coração, nos leva à lembrança das emoções. Se você já foi tomado por uma delas – as cinco emoções básicas: alegria/tristeza, preocupação, luto, medo ou raiva – e não conseguiu agir de forma prática naquele momento, você sabe o poder que tem o nosso Corpo Emocional. E pode se beneficiar com o BreakThrough. Conhecer essas energias emocionais, saber de onde vêm quando por elas somos tomados (Sistemas de Crenças inconscientes) facilita a vida. Encontrar estabilidade emocional, ou cortar a própria cabeça, é ser capaz de responder a vida em lugar de apenas reagir a ela. Ser capaz de parar de perder energia com o que não é importante; não nos deixa dormir ou não é aceito. Estabilidade emocional é a capacidade de não se envolver com o que dificulta o relaxamento – possível, por natureza, a qualquer Ser Humano. O mesmo relaxamento enaltecido pela força, poder e vivacidade que descrevem a existência de um animal selvagem – livre e intocado, como o polvo professor do filme. O BreakThrough pode nos ajudar a reaver relaxamento. O BreakThrough relaxa. Mas calma: quão fundo no buraco da Alice você quer ir?

De volta às origens: Quem sou Eu?

A jnana yoga é, dentre os caminhos espirituais, aquele que mais requer clareza intelectual. Uma capacidade de se fazer perguntas certas (muitas vezes tácitas) que ajudam a separar o joio do trigo; ou o que é real do que é irreal; ou a nossa clareza dos Sistemas de Crença. A jnana yoga é o fundamento do Sistema BreakThrough. É a arte de questionar até que se chegue a essência – o que não pode ser percebido, nem descrito – mas É. Aqui, onde as coisas são como são, relaxamento e alívio são possíveis. A resposta à pergunta “Qual o sentido da vida” é degustada, e não apenas entendida.

Ramana Maharishi, mestre indiano que usou a jnana yoga e morreu em 1954 (dia do meu aniversário, mas isso não importa – nem para mim nem para você) nos deu de presente a Auto-Investigação. A sugestão de prática que ele dava a milhares de alunos, pessoas que lhe procuravam na busca de alívio, aos seus mais próximos discípulos ou a sua mãe, era a mesma. A recomendação de se fazer, repetidamente e a si mesmo, a simples pergunta “Quem Sou Eu”. Quem é você que se encontrou ou está no caminho? Quem é você que não entende como outras pessoas conseguem viver daquele jeito? Quem é você que não sabe? Quem é você que tem raiva, frustração ou não consegue sair do lugar? Quem é você que se arrependeu ou que, finalmente, acertou? Quem é você que errou? Quem é você que faz o que pode? Quem é você que é amoroso? Quem é você que é egoísta? Quem é você que é agressivo, calmo ou pacífico? Quem é você que é demais, ou que não é bom o suficiente?

Ramana foi um ser humano extraordinário. Não só por ter sido simplesmente humano, até o talo. Mas por ter catalizado o processo espiritual (ou o processo de voltar a ser humano) de pessoas que hoje, ainda vivas, inspiram ou ensinam. Inclusive o meu Mestre, que tem Ramana como seu ParaGuru. E pessoas como a Esther Veltheim – que criou e nos ensinou o Sistema BreakThrough. Tenho o Breakthrough como uma versão mastigada para nós do Ocidente do exercício de AutoInvestigação de Ramana Maharishi. O BreakThrough é preciso, impressionante, simples. Funciona. Traz alívio, clareza, lembra-nos da necessidade de devoção e compaixão por nós mesmos, se quisermos ser humanos.

Autoperdão

Com o uso do BreakThrough na clínica (agora também online) testemunho centenas de pacientes, muitos dos quais recebem sessões mensais de BodyTalk, a dar significativos saltos na direção do alívio e do autoperdão. Com o uso do BreakThrough já experimentei clareza sobre mim mesma e sobre o que me segurou por meses a fio em situação justa demais. É uma daquelas coisas que vale se dar de presente: receber uma sessão de BreakThrough, ou estudar o Sistema. O único pré-requisito é você já ter sentido uma emoção exageradamente e querer – por saber o peso que uma emoção exagerada traz – ser a sua única e própria Rainha de Copas.


[1] Salima J. Lara Resende é Terapeura BodyTalk Avançada e Parama, Psicóloga, Terapeuta Floral e Alquimista. Mantém sua clínica em Brasília; atende por consultas online (em português e Inglês) e também em Florianópolis e Garopaba. Ensina o BodyTalk Acesso desde 2009; trabalha com o Breakthough desde 2010. Dedica-se `a meditação desde 2012. Contato: sensis.bodytalk@gmail.com / +5561998420477

Crédito da imagem: Ramanaashram, Tiruvannamalai, Índia, 2018. Foto: Salima J. Lara Resende

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(link atualizado em maio 2021)

Auto investigação e o caminho espiritual

[1]

Esther Veltheim[2]

Seja paciente na direção de tudo que está insolúvel no seu coração e tente amar as questões elas mesmas, como quartos fechados e como livros que são agora sendo escritos numa língua estrangeira. Não procure respostas, que não podem ser dadas a você porque você não está apto a viver com elas. E o ponto é, viver com tudo isso. Viva as questões agora. Talvez você irá gradualmente, então, sem perceber, viver em algum dia distante em direção ao futuro”. – Rainer Maria Rilke

Pergunte para vinte pessoas diferentes o que duas pequenas palavras “caminho espiritual” significam para elas e você irá provavelmente receber vinte respostas diferentes. Mas tem chance que muitas destas explanações irão conter o termo “ser iluminado”.

Caminho spiritual. Tornar-se iluminado, iluminar. Ser uma pessoa espiritual. Quase qualquer pessoa envolvida em cura alternativa ou algum tipo de yoga irá ter cruzado com essa terminologia ou mesmo regularmente usado esses termos.

Uma coisa é muito certa. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, a crença que falta algo em você vai te pegar. O oposto também pode acontecer. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, é possível que você esteja resignado com a ideia que existe alguma coisa que você precisa galgar ou antes algo tem que acontecer. Talvez o ego, o Eu, seus pensamentos. Talvez tudo isso.

E então, existem todo tipo de trajetórias espirituais que você pode considerar. E então existem todas as diferentes explicações sobre elas. E então existe o que você sente dentro de você. Talvez uma profunda frustração, uma nostalgia, uma sensação de “isso não é possível?!”, “existe algo mais”, “o que é a vida nisso tudo?”. Se você se relaciona com alguma coisa aqui, você não está sozinho. Espiritualidade é um assunto que tem algo de desconcertante, intrigante, sedutor, desafiador e direciona as pessoas para limite da loucura, provavelmente como nunca antes você experimentou.

Existem alguns maravilhosos ensinamentos e mestres no mundo que inspiram e catalisam nossa jornada espiritual. Alguns dos mais amados e renomados mitologistas e mestre em contar histórias, Joseph Campbell, nos convoca para nossa jornada espiritual chamado Jornada do Herói. E, claramente, nenhuma palavra melhor se aplica do que herói àquele que descreve qualquer um de nós que caminhe através da vida humana. Nada é certo, nada é premeditado, nada é garantido. Mesmo se nós não pensarmos em nós mesmos nessa jornada espiritual, somente ser humano já significa que estamos engajados numa jornada heroica.

Da perspectiva do BreakThrough, a vida espiritual significa: uma aventura de exploração do que é ser humano e viver essa vida humana tão plenamente como possível.

Como você talvez já saiba, existem quadro caminhos principais do Yoga –  Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga. Esses são os caminhos espirituais usados por aqueles que se engajam numa jornada espiritual. Cada um é diferentemente conduzido para um temperamento particular e abordagem para a vida. Um dos quatro caminhos, Jnana, o caminho do conhecimento, é considerado um dos mais simples e o método mais direto de corte dos nossos equívocos sobre si mesmo. Como uma palavra simples é antítese da outra, o caminho é tradicionalmente o menos percorrido.

Porque o jnana yoga é considerado difícil e não seguido por qualquer um é porque ele requer um intelecto afiado; alguém com a capacidade de cortar através das concepções distorcidas de si. Ao fim, o jnana yoga pode ser bem chamado da yoga do questionamento. Não é que aqueles envolvidos em outro tipo de yoga não se coloquem questões. Ao contrário. O praticante de jnana explora as questões por elas mesmas num caminho que nenhum outro faz. É o caminho do discernimento: procurar diferenciar tão claramente quanto possível o que é real do que é irreal.

Vivendo na era da Informação que nós estamos, nunca antes os seres humanos estiveram expostos a tanto fluxo de informação. Nenhum de nós com um computador ou um smartphone ou televisão estamos disponíveis para sermos bombardeados com informação praticamente o tempo todo. Muito dessa informação parece convincente, até mesmo sedutora. Imagens, palavras, sons, ensinamentos, propagandas… e uma lista vai e vai sem parar.

Os benefícios são muitos, mas os perigos são igualmente numerosos. A habilidade do sistema humano para se adaptar a esse novo caminho de ser tem sido testado a todo momento. Muito do tempo que nós estamos desatentos a essa multiplicidade de instrusões elétricas estressantes, nosso sistema está absorvendo.

Como costuma acontecer quando nossos sistemas estão estressados, nós fazemos o que é mais fácil para nós. Nós queremos alívio imediato e nos preocupamos para que consequências a longo prazo caiam no esquecimento. Um dos mais comuns métodos de estresse que nós temos na era da Informação é presumir. Com tanta informação chegando até nós, é mais fácil ser como uma esponja, absorver a maior parte dela e economizar o tempo de questioná-la.

Em outras palavras, nunca houve um momento em que os seres humanos precisassem tanto aprimorar sua capacidade de questionar. Nunca houve um momento em que nossa vida como seres humanos tivessem tanta necessidade de examinar. Não é porque tempos obscuros e difíceis nunca existiram antes. Ao contrário, tudo que precedeu essa era tem requerido tremenda adaptação humana. Foram estes tipos de adaptações humanas que nos trouxeram a esta era, enfrentando inundações de informações.

Claramente, nunca houve um tempo de maior pressão do que aprender a arte do discernimento. No final das contas, nós precisamos aprender a arte do questionamento. Como uma criança pequena – direta, simples, com questões lógicas, que venham facilmente até nós. Isso significa que é da nossa natureza questionar claramente, simples e logicamente. Em algum lugar desse caminho, perdemos o contato com essa habilidade brilhante.

Entre a infância e o adulto, o intelecto torna-se uma palavra quase suja entre muitos nós. Nós esquecemos que pensar claramente e questionar claramente foi uma das coisas que nós realmente fazíamos muito bem. Vinha naturalmente. Isso significa que é inerente esse dom e que nenhum nós poderíamos ser privados.  Nós simplesmente precisamos nos valer disso.

Isso descreve o trabalho que fazemos no BreakThrough.


[1] Artigo gentilmente cedido pela autora através do site: https://www.breakthroughiba.com/.

[2] Esther is the Creator of the BreakThrough System and Co-Founder of the International BodyTalk Association (IBA). She resides in Europe and teaches advanced, interactive workshops in BreakThrough, in-person and online. She also runs ongoing BreakThrough Instructor Training programs and offers private, online BreakThrough sessions.

Esther is the author of Beyond Concepts – the investigation of who you are not, and Who am I? – the seeker’s guide to nowhere. Mais informações em https://www.breakthroughiba.com/instructors/.

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(link atualizado em maio 2021)

Alimentando nossos demônios

A Prática Da Aceitação Radical”

Myriam Machado[1]

Escrevi esse artigo em outubro do ano passado (2019) como celebração da minha graduação para facilitar o FreeFall 3. Como muitas coisas aconteceram nesse meio tempo, o artigo ainda está na fila a ser publicado na Newsletter da IBA.

Fico bastante feliz que a sua primeira publicação ocorra numa plataforma brasileira. Para mim, é mais uma celebração da minha própria origem e da gratidão que tenho por essa maravilhosa matriz.

E, antes de começar a leitura propriamente dita, eu gostaria de enviar minhas preces e “vibes” para que esse artigo encontre todos com saúde e em paz.

E o artigo começa assim:

Era uma vez um poderoso Demônio que aterrorizava a Terra. O nome dele era Rakta Bija. Toda vez que alguém tentava matá-lo, cada gota de sangue derramada se tornava outro Rakta Bija. E rapidamente, havia muitos Rakta Bija causando bastante destruição.

A palavra para “Demônio” em sânscrito é rakshasa, que se traduz como “protegido”. Os demônios são protegidos no sentido de que não podem ser destruídos. Por esse motivo, Kali, a deusa da destruição, foi chamada para lidar com Rakta Bija. A primeira coisa que Kali tentou fazer, foi matar Rakta Bija. Assim como nós – quando enfrentamos um desafio ou um conflito – o primeiro impulso de Kali foi se livrar do Demônio, ou destruí-lo.

Mas os ensinamentos que o Rakta Bija traz, é que realmente isso não funciona. Se você tentar lutar contra o Demônio, você apenas criará mais demônios. Quanto mais Kali tentava destruir Rakta Bija, mais forte ele se tornava. Então, num momento de inspiração, Kali aceitou o enorme desafio e com coragem e com toda sua compaixão, ela estendeu sua língua. E a língua vermelha de Kali cresceu no tamanho do mundo todo e ela engoliu todos os Rakta Bijas, dando aos “protegidos” um lugar dentro de si mesma. Dessa forma, eles foram assimilados e transformados em nutrição para a deusa da destruição.

Nos ensinamentos budistas, os demônios não são seres exóticos, como os vistos nas pinturas místicas de pergaminhos antigos. Eles não são zumbis sedentos por sangue escondidos em lugares escuros para nos assustar. Esses demônios residem dentro de nós e fazem parte do que somos. Eles são nossos problemas; eles são as reatividades emocionais de nossas próprias vidas. São nossas doenças crônicas ou problemas comuns como depressão, ansiedade e vícios.

O que você acha dessa perspectiva mais amorosa, de “engolir seus demônios”? Uma coisa nós já sabemos: que exigirá uma prática extraordinária de autoaceitação e bondade. Uma prática que convida a transmutação de muitas das suas crenças. Crenças que existe uma parte do seu corpo ou uma emoção, um sentimento ou memória que são “inadequados” ou “fracos” ou “feios”.

Um dos focos mais importantes do Método do FreeFall é prática de autoaceitação radical. A autoaceitação é a resposta a baixa autoestima e é em si, um caminho eficaz para a cura, porque revela o entendimento de que não negamos nosso desequilíbrio, nossos erros, nossas doenças, ou qualquer problema na nossa vida. Nós simplesmente reconhecemos nossos conflitos como o ganho potencial de uma nova consciência e, talvez, um autoentendimento mais profundo. Nos cursos do FreeFall nós exercitamos essa autoaceitação radical, que não somente celebra nossa força, nossa beleza e nossa luz, mas como também nossas fraquezas, nossas sombras e demônios.

O FreeFall faz parte das Ciências da Vida. As Ciências da Vida e o Sistema BodyTalk são sistemas complementares e interativos onde cada curso aprimora o outro. Mindscape, Breakthrough e FreeFall – como qualquer uma das classes do BodyTalk – são considerados parte de uma terapia baseada na consciência que trabalha com a força curativa da mente-corpo.

Os exercícios do FreeFall convidam um relacionamento mais experimental com muitos conceitos do sistema BodyTalk, de Fundamentos a Princípios da Consciência, da Matrizes Dinâmicas a Medicina Oriental, do PaRama ao Corpo Energético, e assim por diante.

No método FreeFall, o catalisador da autoaceitação é o desnudar-se. E se o ato de se despir é a coisa mais assustadora que vem à sua mente quando você ouve falar do FreeFall, talvez você precise mergulhar nesse conceito mais profundamente.

O monge budista Rinpoche CHOGYAM TRAMGPA diz: “Defendemos nossa ignorância porque estamos aterrorizados, para sermos honestos conosco. Praticar a honestidade é honrar a si mesmo, seu corpo, sua alma, seu coração, sua mente. Há uma liberdade extraordinária quando você vive sua nudez e há muito poucas pessoas que podem apreciar isso porque aprendemos desde muito jovem a ter vergonha até mesmo nojo de nós mesmos. Ser honesto consigo mesmo é despir-se. E isso é profundamente libertador.”

John Veltheim criou o método FreeFall depois de observar o quanto as constrições criadas por nossas próprias histórias sobre autoimagem e amor próprio – e a carga negativa expressa em nossas roupas – podem perturbar não apenas o equilíbrio físico, mas também mental, emocional e energético. O principal objetivo do método FreeFall é que você possa celebrar a liberdade de Ser Humano se sentindo “Naked Beneath the Clothes”.

Essa honestidade sagrada requer desnudar-se não só no corpo mas na mente e no coração. Essa honestidade requer coragem, vulnerabilidade e muito… muito amor. Porque numa perspectiva global, muitos de nós temos medo de nos sentirmos vulnerável. Muitos de nós temos medo de nos expor; ou de expor o que acreditam ser o “feio”, o “inadequado”, o “ignorante”.

Você já ouviu ou leu algo assim: “… em todo evento desafiador da vida há uma bênção disfarçada? Será então, que todos os eventos nas nossas vidas contêm bênçãos em potencial?” A Bioenergética afirma que quanto mais intenso o evento emocionalmente, maior a energia potencial de cura que ele contém.

Sob esse ponto de vista, os eventos que chamamos de “dolorosos” ou “desafiadores” poderiam ser chamados com mais precisão de “eventos que exigem mais trabalho para extrair suas bênçãos ou sua energia curativa”. No caso do FreeFall, tirar a roupa pode intensificar o desafio? Com certeza, intensificando também as bênçãos. Na realidade, nada é mais confrontador do que ser gentil e amoroso consigo mesmo e com os outros.

De acordo com estudos da Neurociência, ser crítico e julgador de si mesmo e dos outros é o estado natural do cérebro pensante humano. Além do padrão natural do nosso cérebro ser tão crítico, somos uma cultura em constante busca da imagem perfeita. Hoje em dia, a imagem parece ser mais importante que a substância. Vendo os comerciais na mídia hoje em dia, fica difícil escapar do condicionamento cultural de que não somos altos, ou magros, ou atraentes ou saudáveis – o suficiente. Nosso computador não é rápido o suficiente. Nosso iPhone não é novo o suficiente. Quando somos bombardeados constantemente com essas mensagens, é raro para qualquer um de nós não acreditar que existe uma imagem “ideal” de como deveríamos ser, e que definitivamente aquela imagem ideal não é o que somos.

O que me faz observar com mais atenção é essa necessidade frenética de obter mais informação. Não apenas em nossa matriz BodyTalk global. A cada dia estamos sendo expostos com novos treinamentos e cursos, workshops, etc. Parece que existe um consenso universal, de que se aprendermos mais um conjunto de ferramentas, só mais um conjunto de ferramentas … seremos uma pessoa melhor; um terapeuta mais sólido, mais bem-sucedido, mais especial.

Talvez, essa necessidade de “ser mais especial” é mais sedutora do que imaginamos. Ela contribui para a separação sociocultural porque se concentra mais nas necessidades individuais do que nas necessidades do grupo. Ela envenena nossos relacionamentos interpessoais com uma necessidade fabricada de ‘autovalidação’ e bloqueia a nossa capacidade empática – quando involuntariamente compartilhamos os sentimentos de outras pessoas.

Por fim, a necessidade de ser especial aumenta as nossas expectativas, tanto em relação a nós mesmos quanto aos outros, e quando nossas especialidades não são reconhecidas a nossa autoestima, autoaceitação e autoamor adoecem.

Sem o propósito de ter que aprender uma outra ferramenta o método FreeFall nos convida a explorar o que acreditamos ser nossa autoimagem.

Então, o que significa amar? E amar a si mesmo? O amor-bondade (Loving-Kindness) é ensinado por várias metodologias, por diferentes filosofias e mestres. O amor-bondade é orientado pelo complexo equilibrador do coração e requer profunda percepção e atenção plena. Se você estuda a palavra budista para bondade, que é Metta, descobre outras traduções como: cuidado, simpatia, boa vontade, benevolência, compaixão, amor.

Em última análise, o amor-bondade, é o harmonizador, é o antídoto para o ódio, o medo, aversão e a doença. No FreeFall essa é a nossa ferramenta para transmutar – o que acreditamos que sejam as nossas fraquezas em nossa força. O amor-bondade é a ferramenta para transcender nossas sombras (nossos demônios) em alimento.

Talvez, nessa jornada transcendente da vida é preciso um “desnudar” para que possamos mergulhar livremente para dentro nós mesmos.

E, apesar dos muitos medos da mente pensante que podem facilmente limitar o amor próprio, o convite principal do FreeFall continua sendo a lembrança de que a nossa consciência tem a capacidade inata de amar sem limites e sem condições.

Um amor que abraça a tudo e a todos, não exclui nada.

Com Amor-Bondade

Myriam

No momento[2] as classes presenciais do FreeFall estão sendo adiadas. Mas eu gostaria de compartilhar as descrições dos 3 Cursos FreeFall:

FreeFall 1: Descrição do Curso

A teoria do FreeFall evoluiu das ricas tradições e ensinamentos nos campos de psicoterapia, bioenergética e tradições orientais. Dr. John Veltheim, fundador do FreeFall e do BodyTalk System, expandiu esses princípios para criar uma oficina inspiradora e transformadora, na qual o participante pode experimentar, reconhecer e resolver problemas relacionados com a autoimagem e autoestima.

Os participantes do FreeFall exploram o “Eu” passando por vários processos e exercícios que ajudam a tirar as máscaras que usamos para lidar com a vida. A “máscara de enfrentamento” é uma matriz de medos, julgamentos, crenças e comportamentos que impedem o indivíduo de abraçar e amar a vida inteira, como ela é. Uma das maneiras de fazer isso é através do desnude físico.

O convite de remover as roupas faz parte do curso FreeFall, cujo objetivo é ajudar a revelar o relacionamento pessoal mais intimo. Essa proposta é bastante desafiadora, pois pode trazer forte engatilhamento na exploração dos condicionamentos que criam nossas histórias relativas a segurança, controle, aceitação e moralidade, entre outras. Apesar desse convite, os alunos podem usar qualquer tipo roupa durante o curso.

A investigação continua pela exposição das atitudes que temos em relação aos nossos corpos, nossa sexualidade e nossa sensualidade. Todas essas explorações experimentais integram o conceito de “Permissões”, que é um dos princípios principais do Sistema BodyTalk. Nunca há toque sexual ou conteúdo de natureza sexual.

São esses condicionamentos, experiências e influências ambientais que contribuem para a visão distorcida de nós mesmos.

No artigo do Dr. Ovelheiro, “Drake Beethoven Ouro Clotilde”, existe uma exposição clara desse condicionamento que sofremos e como isso nos afeta tanto fisicamente, mentalmente e emocionalmente.

Se você estiver interessado nessa dinâmica, leia o artigo completo AQUI [https://www.bodytalksystem.com/member/downloads/english/member/Naked_Beneath_Your_Clothing.pdf].

Viver como se possamos sentir “despidos sob nossas roupas” significa aumentar continuamente nossa capacidade de autoaceitação, para que a vida possa ir além das nossas próprias restrições. A resultante abertura do coração e a crescente confiança em si mesmo apoiam a integração terapêutica e a evolução pessoal desse curso.

O Seminário FreeFall 1 é apenas por inscrição. A aplicação é baseada em um processo de triagem conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 2

Descrição do Curso

O FreeFall 1 foi projetado para nos libertar da “imagem” que temos de nós mesmos e expor a “verdade nua” da nossa humanidade. O FreeFall 2 leva esse processo adiante, pois explora a intimidade humana saudável, incluindo a intimidade consigo mesmo. É um curso que nos desafia a abordar os mecanismos de enfrentamento que distorcem a expressão única de nossa mente-corpo.

Neste curso, exploramos áreas do cérebro que estão envolvidas na maneira como experimentamos e respondemos à vida. Observamos a comunicação cerebral e os neurotransmissores que criam expressões emocionais e fisiológicas muito específicas, e aprendemos ferramentas poderosas para nos ajudar a ser responsáveis ​​e apresentar nossas emoções.

Exploramos ainda mais nossos tabus em torno da sexualidade e continuamos a aprender a respeitar os nossos limites e dos outros, praticando o princípio essencial do BodyTalk: Permissões. Trabalhar com permissões inclui exercícios que desafiam nossa capacidade de dizer “sim” para o que queremos em nossos relacionamentos e na vida e “não” para o que não queremos. À medida que cultivamos maior senso de responsabilidade para com o Eu, aprendemos simultaneamente a ter relacionamentos mais saudáveis ​​e amorosos com os outros. Através de todos esses exercícios, redescobrimos a força vital de cura dentro de nós que se expressa à medida que nosso rígido condicionamento se suaviza. Nunca há toque sexual ou conteúdo sexual de nenhuma natureza.

O FreeFall 2 também inclui exercícios para apoiar a integração de vários aspectos de nossa sensualidade, abrindo a capacidade dos nossos cinco sentidos físicos e subtis de captar mais informações. Isso inclui exercícios que direcionam nossa atenção para experiências sensoriais e nos ajuda a distinguir a diferença entre nosso ego, que deseja saber mais informação sobre algo ou alguém, a fim de compreendê-los, e nosso instinto natural, cujo imperativo é sentir algo ou alguém para compreendê-los. Tais exercícios ampliam nossa compreensão dos conceitos de controle e vulnerabilidade, mais uma vez permitindo uma conexão mais amorosa, íntima e honesta consigo mesma e com os outros.

O pré-requisito para o FreeFall 2 é o FreeFall 1. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 3 – Dynamics

Descrição do Curso

Este curso avançado do FreeFall trabalha mais profundamente com o conceito de “Permissões” já inicialmente explorado nos cursos anteriores do FreeFall. Através de exercícios que desafiam sua capacidade de pedir o que você deseja, você chegará a um entendimento mais amplo de responsabilidade e autoconfiança. À medida que praticamos a solicitação do que queremos neste curso, ele começa a revelar nossa necessidade essencial de comunicação aberta, além de aumentar nossa confiança em assumir riscos. Ao passar pelos exercícios do curso, descobrimos sistemas de crenças profundas de não-pertencer. Vemos que é a nossa resistência em sermos abertos e o forte apego que temos aos nossos padrões defensivos que bloqueiam nossa capacidade de viver em alinhamento com nossa essência. Esse padrão programado e automático de atacar, de se defender e/ou se desligar leva a constrição de energia e consequentemente doenças.

Além de Permissões, este curso enfatiza a autoconsciência e o autocuidado. Para esse fim, o curso inclui exercícios que desafiam a autointimidade à medida que aprendemos a respeitar as escolhas pessoais e estabelecer e honrar nossos próprios limites.

O curso explora a sensação do toque como a parte mais vital da nossa personificação humana. Por meio de exercícios que utilizam o sentido do tato, exploramos limites pessoais, acordos e comunicação aberta. A natureza do curso é tal que começamos a trabalhar muito rapidamente na esfera do cérebro do coração, e não no cérebro da cabeça, o que ajuda a fundamentar os exercícios e também facilita um ambiente muito seguro, honesto e, portanto, estimulante. Os alunos trabalham para incorporar uma expressão saudável do conceito de “Consentimento” por meio de exercícios de generosidade, gratidão e abnegação, enquanto aprendem simultaneamente a deixar de lado a abnegação. É importante observar que, dentro deste curso, nunca há toque ou conteúdo sexual na natureza.

Este trabalho do FreeFall é mais ativo do que passivo, mais poderoso do que impotente. Mais importante, reconhecemos no FreeFall que, quando se trata de praticar os exercícios, o corpo é o lugar essencial da mudança. As mudanças e mudanças que os alunos experimentam neste e em outros cursos do FreeFall costumam ser visualmente percetíveis – postura diferente, aparência mais brilhante, pele mais firme, a lista continua. À medida que aprendemos a priorizar a autrresponsabilidade, o autocuidado, os limites pessoais e a comunicação aberta, nosso corpo começa a revelar um novo estado físico.

O pré-requisito para o FreeFall 3 é o FreeFall 2. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.


[1] Myriam pratica e estuda o BodyTalk System ™ desde 2001. Após mais de 18 anos de prática regular e estudos, a sua prática clínica incorpora técnicas de Módulos Avançados, das Ciências da Vida, da Epigenética e do PaRama. As suas sessões refletem mais de 20 anos de experiência praticando o sistems do BodyTalk e seus tratamentos expressam sua extensa experiência terapêutica e mais de 35 anos de prática espiritual intensa em combinação com a abordagem multidisciplinar e intuitiva da Fisiologia Avançada, Física Quântica e Epigenética. myriammachadobaker.com

[2] Especificamente o ano de 2020 devido a pandemia global. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui

(links atualizados em maio 2021)


Anexo – descrição dos seminários FreeFall – Myriam Machado

MindScape como potencial

Com Angie Tourani[1], Celso Juc[2] e Carlos Bueno[3]

Mediação Nirvana Marinho

Tradução Adriana Camilo

Realizada em 2 julho de 2020 (zoom) / Transcrita por Nirvana Marinho                          

Nirvana Marinho: O Escuta é um periódico para falar de BodyTalk. A 1ª edição foi lançada nesse último inverno, para nós é inverno agora. E nós tivemos a oportunidade de começar a reunir vários artigos, resenhas, entrevistas sobre BodyTalk. Para próximo edição, falaremos sobre as Ciências da Vida. E muitos formatos diferentes seriam possíveis como esse que gostaria de propor a vocês hoje com uma mesa redonda. Nosso desafio hoje vai ser depois transcrever em um texto escrito. E farei seguindo as regras de citação de todos você e qualquer necessidade de edição, consultarei vocês. (…)

O Escuta, inicialmente, é em Português. E por isso eu dobro meu agradecimento à Angie porque por enquanto nosso alcance é para os leitores de língua portuguesa. Mas, ao mesmo tempo, acho muito importante poder multiplicar esse conhecimento no Brasil e para as pessoas que lêem Português.

Nossa dinâmica hoje será eu lançarei algumas questões que já estava no nosso roteiro mas adoraria que caso vocês tivessem perguntas entre vocês ou sugerirem algum tipo de questionamento entre vocês, a gente também use esse espaço como um espaço de troca. Meu objetivo aqui é, não só deixar vocês a vontade, mas manejar nosso tempo. (…)

Minha primeira pergunta é um espaço para vocês dizerem sobre vocês mesmos e como o MindScape compôs seu caminho profissional e pessoal.

Angie Touraine: Sou Angie Touranie, foi apresentada ao BodyTalk e MindScape em 2005. Quando estive a 1ª vez em um curso de MindScape foi transformador para mim. Eu era extremamente “cérebro esquerdo”, orientada para lógica e para o objetivo; então criatividade, intuição, sentir as sensações não eram sequer discutidas. Eu fui para o curso, quis sair da aula porque foi algo que realmente mexeu e transformou as minhas estruturas sobre o que eu acreditava, um novo paradigma de vida. Tem sido uma interessante jornada nos últimos 10, 15 anos ensinando e integrando MindScape na minha vida. MindScape tem tido um impacto literalmente em todos os aspectos na minha vida, pessoalmente, profissionalmente, espiritualmente. Basicamente, profissionalmente falando, eu vejo BodyTalk e MindScape completamente inseparáveis. Não vejo duas coisas diferentes, aprofunda e aprimora o tratamento mas também a comunicação com o cliente. Para os tratamentos, sessões à distância é muito proveitoso. Profissionalmente, se você trabalha com pessoas, MindScape é muito, muito valioso. E em todas as aulas, eu tenho pessoalmente algo positivo.

Celso Juc: O meu primeiro contato com MindScape foi através da minha mulher, que fez em 2010, e também fiz no mesmo ano. Minha formação é em Engenharia. E então, pode ver que… 1 mais 1 é igual a 2 sempre. Quando eu fiz o MindScape, eu aprendi que 1 mais 1 nem sempre dá 2. E fiquei apaixonado pelo MindScape. E comecei a fazer outros cursos do MindScape. Eu não sou BodyTalker. Somente Ciências da Vida. E aí eu fiz alguns avançados com Kris (Attard). Um dia conversei com uma pessoa, e disse “tenho muita vontade de ser instrutor”, e ela disse, “por que você não tenta?”. Então conversei com o Kris, e ele disse “você tem o perfil de ser instrutor de MindScape”, já vínhamos conversando. E nos últimos quatro anos eu tenho sido também Instrutor de MindScape, além de outras coisas que faço. Eu também dou aulas de liderança emocional, trabalho com emoção, com liderança, em universidades, em pós-graduação e MBA no Brasil. Como mudou a minha vida, muito, eu sempre adorei o MindScape, eu uso o MindScape na minha empresa para criatividade, para criação. Eu aprendo muito com as pessoas, como Angie. Eu gosto muito de dar os cursos tanto que eu tenho os cursos posteriores ao curso de formação – eu faço grupos, a gente trabalha e treina, treina, treina. Minha vida é outra coisa com MindScape.

Carlos Bueno: Boa noite. Eu sou muito ruim com datas, vou falar da minha história sem as datas. Comecei com BodyTalk, 2011; não lembro quando foi o curso com a Angela (Adkins), talvez Adriana possa ajudar quando foi [acho que foi 2012]. Comecei muito empolgada, até hoje sou, em todas as áreas que o sistema permite. Eu fiz todos os módulos, inclusive o PaRama, MindScape básico e avançado. Fiz os cursos mais filosóficos também, Finding Healthing 1 e 2; Medicina oriental e não me lembro os outros, mas fiz mais alguns. E em relação ao MindScape, posso resumir falando como eu indico ele as pessoas: eu falo para as pessoas se eu tivesse que esquecer todas as técnicas que eu fiz na minha vida e pudesse guardar uma coisa, eu guardava o MindScape. Então, eu, ao contrário do Celso e da Angie, eu tinha uma cabeça mais aberta, eu aceitei melhor, mas fazer o curso de MindScape é muito … expande muito nossa percepção das coisas. E no último exercício que a gente faz, do escaneamento, ali é a prova cabal que não existe tempo e espaço, não existe essa diferença, estamos todos juntos, somos uma coisa só. Como eu uso MindScape: eu uso basicamente nas sessões de BodyTalk (…). Tentamos fazer vários grupos de estudos (…).

Nirvana: Eu gostaria de usar essa inspiração “MindScape uma coisa que não esqueceria”, para trazer uma pergunta para todos você. Se vocês se lembram, qual foi o ponto de mutação, de completa transformação, usando o MindScape a sua vida pessoal ou profissional. E gostaria que vocês dessem um exemplo, e me alongo na pergunta para que vocês se lembrem um exemplo incrível da carreira ou na vida pessoal.  Quem poderia trazer o primeiro exemplo, seria ótimo ouvir vocês.

Angie: Com certeza. Eu diria que primeiro eu uso em cada aspecto da minha vida, especialmente em comunicação e resolução de conflitos. Depois de usar o MindScape há muitos anos, não é algo externo, já está integrado e inseparável da minha personalidade e a forma que me movo. Quando comecei a aprender MindScape, me ajudou academicamente, estava estudando para me tornar terapeuta e instrutora de BodyTalk. Em pouco tempo, em 2, 3 anos, tornei-me terapeuta certificada e logo depois Instrutora, certamente sem o MindScape isso não teria sido possível. Eu estava estudando anatomia e fisiologia que eram pré requisitos para me tornar terapeuta avançada e instrutora. E, naquele tempo, na África do Sul, estava estudando na universidade e viajando muito, perdia muitas aulas. Eu tinha somente um mês para fazer o exame, e usei o MindScape intensamente para estudar para o exame. Para o meu professor, isso foi surpreendente, porque, segundo ele, seria impossível passar na prova da forma como eu fiz, sem estar nas aulas presencialmente. Naquela época eu também estava participando de vários cursos avançados com Dr John (Veltheim), e sempre ficava a questão “o que era capaz de reter”, mas posso dizer que o MindScape foi a chave atrás de ter toda esse avanço profissional. Profissionalmente falando, posso dizer que tudo isso só foi possível para mim porque eu fiz através do MindScape.

Pessoalmente falando, eu vivo doze por 7 (24 horas por dia, 7 dias por semana) – eu estou falando com as pessoas, planejando, com MindScape. Sabe que é relaxante, meu estado mudou depois; as pessoas dizem que depois do MindScape foi uma mudança de 360 graus. Porque minha intuição, minha conexão com o Eu superior se torna parte da sua expressão. É uma linda oportunidade de falar sobre isso.

Nirvana: Obrigada Angie, vamos ouvir Celso. Qual foi seu ponto de mutação?

Celso: O Carlos falou dele, foi no 1º curso. Eu escrevi na minha apostila, no meu manual, “eu quero ensinar MindScape”, no ano que eu fiz. Eu escrevi isso, porque eu pensei “as pessoas precisam saber disso”. Foi impressionante. Campo é campo. Eu quero contar um exemplo; isso aconteceu em 2016… eu guardo datas, diferente do Carlos. Eu estava em São Paulo, o Kris (Attard) estava em São Paulo, e meu sogro teve um AVC. Minha mulher me ligou, eu saí do curso, atendi o telefone. E ela me disse que a psicóloga, a assistente social já tinha chamado a mãe, a ela, o irmão que o pai tinha poucas horas de vida. Nesse momento, eu pensei em vou convidar meu sogro para a oficina. E ele me disse: “eu não vou morrer”. E o médico disse, “ele não tem chance”. E eu busquei na minha mente a ressonância que tinha feito, o mapa, do exame. E eu peguei o resultado do exame, e eu vi o mapeamento a mancha, eu não entendo nada, não sou médico. E eu perguntei de novo (para meu sogro): “vai viver”. E ele disse: “sim, eu vou viver”. Ele tá vivo, na cama, faz quatro anos que está na cama, e já se comunica por gestos com a gente. (…)

Nirvana: Lindo exemplo, obrigada. Vamos ouvir Carlos. Qual foi seu ponto de mutação com MindScape, talvez em clínica, com paciente?

Carlos: Cada uso com MindScape já é um ponto de mutação. Cada confirmação de histórias como a do Celso, coisas que a gente vê na clínica. De você tocar no paciente e explicar como foi o acidente dele, sem ele ter falado nada. Todas essas confirmações são muito incríveis, são coisas que não me acostumo. Sempre falo que nunca me acostumo com MindScape e com BodyTalk. (….)[4]

Nirvana: Qual espaço de autorresponsabilidade o MindScape promove, não é. Porque na verdade uma das coisas que eu observo e gostaria de ouvir na experiência de vocês é como o MindScape muda nossa percepção. Gostaria de poder ouvir quais mudanças vocês observam em vocês mesmos? (…) Gostaria de ouvir de vocês quais foram as alterações perceptivas que vocês sentiram em vocês mesmos, corporais, mentais, espiritualmente.

Angie: Eu diria que eu uso MindScape para criar o meu espaço de meditação e eu sempre medito lá. MindScape é uma prática espiritual porque todos viveremos situações, desafios na vida, e ao invés de achar uma solução fora, vamos para dentro, para a oficina do MindScape. Então, basicamente, indo para seu estado mental, conectando seus guias ou animais, é uma forma de conectar também com sua mente subconsciente para achar seus bloqueios. Se eu tenho conflito com relacionamentos ou uma dor física, eu vou para meu MindScape. E pergunto o que está acontecendo na minha vida, por que, o que está representando na minha vida, porque meu subconsciente está apresentado essa situação. E uma vez que estou mais consciente com essa má percepção sobre mim, ou medo, ou insegurança, os sintomas desaparecem.

Nirvana: Eu já vivi isso também.

Angie: Para mim, MindScape traz esse espaço de poder encontrar as respostas internamente, ao invés de buscar externamente, ou culpar fatores externos.

Nirvana: Muito obrigada, Angie, muito importante este aspecto espiritual do MindScape. Celso, você tem algum relato de mudança de percepção ou de mudança em você?

Celso: Eu tenho uma conexão maior com meu corpo. Eu tive uma pedra no rim, a pouco tempo atrás. Você tem que esperar dez minutos para fazer o exame, usando o contraste, para identificar a pedra no rim. E a dor é muito grande né. E eu usei como exemplo o MindScape para eu suportasse a dor, e foi uma minha experiência de dez minutos se tornou um minuto. Muito bom. E outra coisa, eu não tenho dúvidas. Se eu quero uma coisa eu não tenho dúvidas, aquilo é aquilo. É isso.

Nirvana: Você tem algum relato?

Carlos: (…) O que eu sinto é que cada vez a gente usa e quanto mais a gente usa [o MindScape], mais afinados ficam nossos sentidos, tanto normais como sutis, principalmente os sutis. Para dar um exemplo, o que me chamou atenção. (…) A Angela falou uma vez sobre atividade física no MindScape. E eu sou um pouco desconfiado das coisas. Certa vez, eu montei uma academia de musculação na minha oficina. E eu fui malhar e senti as dores musculares no dia seguinte. E eu não tinha feito outra atividade, não tinha com eu ter aquela dor física. Eu senti exatamente os músculos que eu tinha malhado. Inclusive nessa pandemia eu queria ter usado isso, mas não usei ainda.

Nirvana: Nós temos aqui três exemplos, três histórias tão diferentes. E eu estou aqui imaginando nosso leitor. Eu gostaria que vocês pudessem comentar, brevemente, o quão infinito é esse universo do MindScape. E esse comentário vai na direção também de ouvir como vocês relacionam o MindScape com todo sistema do BodyTalk. Talvez para Angie venha a ser a inseparável relação entre MindScape e BodyTalk, eu gostaria de ouvir mais sobre isso; talvez para o Celso vá ser como o MindScape ajuda em outras áreas no desenvolvimento profissional; e tendo o Carlos como bodytalker tão entusiasmado com MindScape, eu gostaria talvez de ouvir um exemplo clínico. (…) Tudo que vocês trouxeram aqui leva a essa infinitude. Então é assim que eu gostaria de encerrar nossa conversa: qual relação do MindScape e BodyTalk.

Celso: Não sou do BodyTalk, eu fiquei pensando no MindScape a dias atrás, o que eu poderia falar sobre o MindScape para pessoas que eu gostaria de convidar e trazer para o MindScape. Então eu escrevi um artigo e o nome do artigo é Felicidade. E o artigo começa assim: você consegue explicar felicidade? A sensação que você tem na felicidade, você cresce, você se sente grande. E você não cabe no seu corpo. E que você não consegue explicar. Você só sente. E o MindScape para mim é mais ou menos isso, não dá para explicar. Você tem que sentir. Por isso eu convido as pessoas para experimentarem. E depois elas não soltam mais. É verdade. E como exemplo, uma experiência que eu fiz, um piloto com um grupo de pessoas que trabalham juntas. E eles tinham um problema. Em seis minutos, nós tivemos 39 soluções possíveis com o problema com insights dentro do MindScape. É isso.

Carlos: A relação do MindScape com BodyTalk que é os dois sistemas são geniais e ilimitados. E a limitação deles, na verdade, é o praticante. E então assim, tanto o MindScape como o BodyTalk, não são um milagre, justamente por isso precisam ser praticados. Porque, principalmente o MindScape, o BodyTalk também, eles trazem uma sensação que eu vou resolver tudo. E você realmente vai. Mas se você praticar. Se realmente usar, se dedicar. Então até o próprio John Veltheim o MindScape a gente aprende as ferramentas mas acaba ficando com algumas, se especializando com algumas. Eu estou falando isso tudo, porque é natural, o que eu não faço lá dentro – “não falo com meus guias”, “não uso minha mesa”. E exemplo é de cada atendimento que a gente faz, e a pessoa fala: “não posso esconder nada de você”. E para fechar, eu uso o MindScape como um ampliador na sessão de BodyTalk, e partir do momento em que eu comecei a usar o MindScape, parece que ficou tudo nítido durante a sessão.

Nirvana: Obrigada, Carlos, é verdade. MindScape é um amplificador de som e imagem. Angie, comente por favor a relação do MindScape com BodyTalk com sua vasta experiência.

Angie: Se você usa pessoalmente ou profissionalmente, MindScape integra e abre os paradigmas do tratamento. Porque o BodyTalk você usa o feedback neuromuscular pode se tornar mecânico e mais lento; com MindScape, é outra experiência. Integrando BodyTalk e MindScape, é como se suas sessões voassem, dar asas porque a velocidade, a qualidade da sessão é impulsionada. A nível prático, não posso imaginar fazer BodyTalk sem usar o MindScape. Com minha experiência prática, eu vou na minha oficina de MindScape, quando inicio a sessão, e eu me mesclo, me misturo com o cliente. E quando me misturo, eu tenho contato da história, todos os detalhes da experiência do cliente. Quando estou com um cliente com câncer, embora eu não tenha uma bagagem médica profunda, eu convido para minha oficina um especialista e me mesclo com o blueprint desses especialistas, e então realizada a sessão e é totalmente diferente. MindScape é sem fim do seu potencial porque não é a partir do cérebro esquerdo, mas se mescla com a consciência universal e traz o melhor que você precisa. Trabalhar com clientes usando MindScape, você está habilitado basicamente para conectar e ter a raiz do problema muito rápido; é como abrir o capítulo do livro da vida da pessoa e lê-lo. Isso funciona totalmente na zona, ressoar a zona e estar em contato com o subconsciente da pessoa. Meu comentário final é, tanto para o bodytalker como um terapeuta de saúde, o MindScape é o melhor investimento que você pode dar para seu desenvolvimento profissional em um alto nível. Obrigada.

Nirvana: Incrível Angie, ouvir desse ponto de vista. Essa experiência que vocês três compartilharam nesta mesa redonda tem a particularidade de cada um, o que embeleza o sistema, mas tem algo que parece unir nós cinco, incluindo a mim e a Adriana: é a nossa paixão, a nossa entrega por essa possibilidade. E é nesse espírito que eu gostaria de agradecer vocês, novamente, de fato, deixar uma flor no caminho de suas oficinas, porque assim como vocês, eu considero o MindScape como um caminho espiritual. E por isso que eu sou extremamente grata por essa noite de partilhas de experiências. Antes de terminar, passo para Adriana porque eu sei como é difícil fazer esse movimento de tradução.

Adriana: Só dizer realmente da minha paixão e da minha conexão com MindScape. Estou fazendo parte dessa segunda edição do Escuta e falando das Ciências da Vida como um todo. Tem sido um mergulho muito poderoso, especial. E celebro a dimensão integral, espiritual inclusive, do MindScape, e do BodyTalk como um todo. Obrigada.

Nirvana: Boa noite a todos e um ótimo dia a você, Angie.


[1] Angie Tourani, www.bodytalksystem.com.hk ,  FB – BodyTalk Hong Kong, IG- bodytalkangie

 Angie Tourani is Hong Kong’s only Advanced Certified BodyTalk Practitioner, BodyTalk Instructor and MindScape Trainer, since 2010.  She specializes in working with emotional issues, anxiety, immune system weaknesses,  digestive issues and hormonal problems  with both adults and children. She offers both physical treatments and distance (remote) healing sessions.

Angie is passionate about working with clients with chronic, inflammatory, stress related issues by assisting them through treatments, and through providing them with training to utilize simple, self-help techniques. This training is provided through the BodyTalk Access Seminar and the development of meditation and mind skills in the MindScape Seminar.

[2] CELSO JUC

Instrutor certificado em MindScape pelo IBA Global Healing, professor de Liderança Emocional pela FIA / Harvard Business Review Brasil, palestrante nos temas: Inteligência Emocional, Atenção Plena e Felicidade. Ativista Quântico formado pelo físico indiano Dr. Amit Goswami. Engenheiro, com mais de 35 anos de experiência como gerente e diretor de empresas nacionais e multinacionais.

e-mail: celso@mindscape.com.br

Fone: (11) 98304.0000

www.celsojuc.com.br

[3] Carlos Bueno, CBP desde 2011, PaRama, MindScape. Realizou vários outros cursos do IBA, tais como Medicina Oriental, Finding Heath 1 e 2 com John Veithein. Coordenou grupo de estudos de BodyTalk e de Mindscape. contato (whatsapp): 61 98199-8880.

[4] Aqui houve uma exceção do texto falado em comum acordo com o participante. (N.E.)

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link atualizado em maio de 2021