A morte de mim, Terryan Nikides

A morte de mim

The Death of “me”

Terryann Nikides 1

Tradução Ana Carolina Vasconcelos e Natasha Mesquita 2

At 11 years old my Grandmother’s brother, a tall, strong, handsome man of only 48 years old, came to visit. I sensed something was wrong. My Grandmother and Mother were not home. He left. My Mother arrived to find me panicking. She said she would see him later. I was not relieved. 

Aos 11 anos de idade, o irmão de minha avó, um homem alto, forte e bonito de apenas 48 anos veio nos visitar. Eu senti que algo estranho estava no ar. Minha avó e minha mãe não estavam em casa. Ele foi embora. Minha mãe chegou e me encontrou em pânico. Ela disse que iria encontrá-lo mais tarde. Mas eu não fiquei aliviada.

The moment is frozen in my mind. My bedroom was next to where the green rotary phone was kept. It was ringing in the wee hours of the morning. My Mother picked up the phone. Her voice said: “What? What happened?” I knew he was gone. I had known it all day that this was the feeling of loss, death’s smell permeated the air, even before it happened. She continued: “A car accident? He is dead!” I lay in bed crying, my chest heavy with loss. Not only the loss of my uncle but the loss of childhood and the fleeting moment where I might have warned him. 

Esse momento congelou na minha mente. Meu quarto ficava ao lado de onde ficava o telefone verde da casa. Ele estava tocando nas primeiras horas do dia. Minha mãe atendeu e disse: “O quê? O que aconteceu?” Eu sabia que ele tinha morrido. Ao longo do dia inteiro eu sabia que esse era a sensação de perda, o cheiro de morte estava permanentemente no ar, mesmo antes de acontecer. Ela continuou: “Um acidente de carro? Ele está morto!” Eu deitei na cama chorando, meu peito estava pesado de luto. Eu não tinha apenas perdido meu tio, mas tinha perdido a infância e o momento fugaz em que eu poderia tê-lo avisado. 

Not only was my Mother’s family impacted by the loss of my Uncle but my Father had his own story of grief to transmute. My Father’s Father died, at 48, when my Father was only 6 years old. My Great Uncle and Father had become dear friends. My Great Uncle’s death was at the exact same age as my Grandfather’s! I grieved for my Father’s loss of both men in his life.

Não só a família da minha mãe estava impactada com a morte do meu tio, mas meu pai também estava transmutando sua própria história de luto. Meu avô paterno morreu aos 48 anos, quando meu pai tinha seis anos de idade. Meu tio e meu pai, então, se tornaram amigos íntimos. A morte do meu tio foi na mesma idade que a do meu avô! Eu sofri pela perda do meu pai, dos dois grandes homens de sua vida.

At this point in life I began to prepare myself for the death of my grandparents. We lived in the same home. They seemed to me old at my young age, of course they were not. They had many years to live. But I was driven to prepare for their death at the tender age of 11.

Neste momento, eu comecei a me preparar para a morte dos meus avós. Nós morávamos na mesma casa. Eles pareciam velhos para mim na minha tenra idade, mas obviamente não eram. Ainda tinham muitos anos pela frente. Mas eu fui levada a me preparar para a morte deles aos meus 11 anos.

As I passed through the death of childhood and teen years subsequently born into young adulthood, fantastical notions of life died as well. Death as a finality became fodder for birth. Awareness of death made its way into my daily life, including the death of how I used my intuition.

Tendo passado pela morte da infância e adolescência e dez anos depois renascido na vida adulta, noções fantásticas sobre a vida morreram também nesse processo. A morte como finalidade tornou-se estofo para o renascimento. A consciência de mortalidade fez seu próprio caminho em minha vida, incluindo a morte de como eu usava a minha intuição.
The use of intuition had, since 3 years old, been limited to: “If I knew something was going to happen then I could prevent it.” My intuition and the death of my uncle rigidified the notion that “I could control an outcome.” Life clearly demonstrated that this was not possible. 

O uso da intuição, desde os três anos de idade, estava limitado a “se eu soubesse que algo estava para acontecer, eu iria preveni-lo”. Minha intuição e a morte do meu tio enrijeceram a minha noção de que “eu poderia controlar um resultado”. A vida claramente me demonstrou que isso não era possível.

In my 20’s I began meditating for 8 hours a night and practicing different forms of manipulating my intuition, such as Silva’s Method of mind control and channeling. My greatest nemesis was the mind’s contents: “thoughts”. The greatest suffering I experienced was in my thinking. I mistakenly thought that I could resolve each conflict in my mind with opposing thoughts. What resulted was further conflicting thoughts! 

Pelos meus 20 anos, comecei a meditar por oito horas a noite e praticar diferentes formas de manipular minha intuição, como o Método Silva de controle mental e canalização. Meus maiores inimigos eram os conteúdos da mente: os pensamentos. O maior sofrimento que eu experimentei estava nos meus pensamentos. Eu erroneamente pensava que eu poderia resolver todos os conflitos na minha mente com pensamentos opostos. O resultado foram pensamentos conflitantes ainda mais profundos!

I kept thinking: I need to die to the old thinking, to the old me. Then and only then will I be free. But how?

Eu seguia pensando: preciso morrer para esta antiga forma de pensar, esse velho eu. Só assim e apenas assim eu estarei livre. Mas como?

In one of the moments, wherein I melodramatically felt pity for myself, falling deeper and deeper into desperation, something alchemical occurred. I saw clearly what needed to be done. I was to meditate on DEATH. Each day I was to awaken to: “today is my last day”. My first experience was alleviation of conflict. 

Em um desses momentos, quando eu melodramaticamente senti pena de mim mesma, entrando mais e mais no desespero, algo alquímico aconteceu. Eu vi claramente o que precisava ser feito. Eu precisava meditar sobre MORTE. A cada dia, eu deveria acordar para: “hoje é o meu último dia”. Minha primeira experiência foi o alívio de conflitos.

At the time I was working in the family business. It was a very hard time. I had been inexplicably fainting for 5 years. It had become quite dangerous. I had fainted, smashing my face on a steel bar, fallen under a moving bus, and been found at an elevator with the doors opening and closing on me. 

Neste momento, eu estava trabalhando nos negócios da minha família. Foi um momento muito difícil. Eu tive episódios inexplicáveis de desmaios por cinco anos. Tornou-se bastante perigoso. Eu havia desmaiado, batendo meu rosto em uma barra de metal, caí sob um ônibus em movimento e fui encontrada em um elevador com as portas se abrindo e fechando batendo em mim.

After a few years of meditating on death. As a result the death of the concept of “me” was birthing. I awoke without the need to outperform the previous day to please my Father. I awoke without the need for security. I awoke without the NEED for anything. The single day marked my resignation from the family business and stopped fainting entirely. 

Após alguns anos meditando sobre a morte, como resultado, a morte do conceito sobre o “Eu” estava nascendo. Eu acordei sem a necessidade de superar a performance do dia anterior só para gratificar meu pai. Eu acordei sem a NECESSIDADE de segurança. Eu acordei sem a necessidade de nada. Em um único dia, ficou marcante a minha renúncia aos negócios da família e parei de desmaiar completamente.

In one fell swoop my old life, the old notions of “me” died and something new was born: adventure. Life had become real unimpeded by delusions of “what if”. The past chimeras were exposed to sunlight to be disinfected.  

De uma vez só, minha velha vida, as velhas noções de “eu” morreram e algo novo nasceu: aventura. A vida havia se tornado real, desimpedida por delírios sobre “e se”. As quimeras anteriores foram expostas à luz do sol para serem desinfectadas.

I continued to meditate daily on death. I lived every day as though it was my last. After years of practice what became evident was that I had not killed the concept of “me”. The “me” concept continued to plague my mind. In my teen years, I would dramatically tell my Mother I wanted to kill myself. In my melodrama I omitted telling her it was my mind’s concept of myself that I wanted to die not my Self! Ah the drama of a Greek teenager. 

Continuei meditando diariamente sobre morte. Vivi todos os dias como se fosse meu último dia. Depois de anos de prática, o que ficou evidente foi que eu não tinha matado o conceito do “Eu”. O conceito “Eu” continuou atormentando minha mente. Na minha adolescência, eu teria contado dramaticamente a minha mãe que eu queria me matar. No meu melodrama, eu omiti dizer a ela que eram os meus conceitos mentais sobre mim que eu queria que morressem, não eu mesma. Ah, o drama grego de uma adolescente!

As I approached my 40’s I had been an energy practitioner for several years. What struck me most was the ubiquitous focus on symptomatology, rather than the “source” of symptoms. The mind and its contents takes precedence over the complexity of multiple sources of apparent symptoms. The mind’s inability to grasp paradoxical sources of a symptom ONLY focused on the symptom. The attending to a symptom precludes the capacity to be present to “what is” but focuses on “what isn’t”.  This harkens back to my childhood thinking that “If I knew something might happen then I could control the outcome.” Horizontal thinking clearly omits the complexity of life. For example, as a child, if I knew a relationship would ultimately not work out then I should help prevent the relationship. The latter presumes that life, death and rebirth should be eliminated. Stilted, neurotic, childish thinking cannot bear the complexity of a relationship such as: children will be born to the couple, the good times and bad times, the love and hate, the new awareness’, death of old patterns, the birth of learning, exploring and adventure. All part of the journey. 

Me aproximando dos 40 anos, eu já era uma terapeuta energética há alguns anos. O que mais me impressionou foi o foco onipresente na sintomatologia e não na “origem” dos sintomas. A mente e seus conteúdos precede a complexidade de múltiplas origens dos sintomas aparentes. A inabilidade da mente de pescar as fontes paradoxais de um sintoma nos leva a focar APENAS e exclusivamente no sintoma. Atender a um sintoma impede a capacidade de se estar presente no “o que é” e foca no que “não é”. Isso me leva de volta aos pensamentos da minha infância, “se eu soubesse que algo poderia acontecer, então eu podia controlar seu resultado.” Pensamentos horizontais claramente omitem a complexidade da vida. Por exemplo, quando criança, se eu soubesse que uma relação poderia não funcionar, então eu deveria evitar a relação. Presume-se que a vida, a morte e o renascimento deveriam ser eliminados. O pensamento afetado, neurótico e infantil não pode suportar a complexidade de relações como as seguintes: filhos que nascem para o casal, os bons e maus momentos, o amor e o ódio, o novo despertar, a morte de antigos padrões, o nascimento de um aprendizado, explorações e aventura. Tudo faz parte da jornada.

Horizontal, linear, neurotic thinking tries to eliminate the journey and witnesses ONLY on the symptom, in this case, the relationship will ultimately not work. Of course prognostication, running around like Cassandra yelling “Troy” is burning, has rarely catalyzed transformation. Ultimately, living life without death is anathema to living life. I finally awakened to the journey. Death will come to everyone and everything as it is the nature of life. 

O pensamento horizontal, linear e neurótico tenta eliminar a jornada e testemunha apenas o sintoma, neste caso, a relação em última análise não irá funcionar. Claro que a prognosticação, correr de um lado pro outro como Cassandra gritando “Tróia está em chamas!”, tem raramente catalisado alguma transformação. Em última análise, viver a vida sem a morte é uma anátema a própria vida. Eu finalmente acordei para a jornada. A morte irá aparecer para todos e para tudo ela é a natureza da vida. 

Despite my realization that the journey was all there is, I did not like, to say the least, the part of the journey that contained mental conflict. It all came down to the concept of what I thought was “me”. The massively agonizing addiction to my thoughts. Of course, at the time, I only wanted the concept of “me” to die without the awareness of my identification with the contents of my mind. 

Apesar da minha realização sobre a jornada ser tudo o que existe, eu não gosto, para dizer o mínimo, da parte da jornada que contém conflitos mentais. Tudo se resumia ao conceito do que eu pensava ser “eu”. O vício massivamente agonizante com os pensamentos. Claro que, nesse momento, eu apenas queria que o conceito do “eu” morresse sem ter consciência da minha identificação com os conceitos da minha mente.

My journey took me to a BreakThrough course with the founder Esther Veltheim. Throughout the class I grieved as the “me” concept began its death rumble. I had not yet been reborn, though, the pleasure I experienced whilst I grieved, not for the loss of the “me” concept, but a lifetime of grief caused by the “me” concept, was profound. 

Minha jornada me levou ao curso de BreakThrough com a fundadora da técnica Esther Veltheim. Ao longo da aula, me entristeci na medida em que o conceito do “eu” iniciou sua morte estrondosa. Eu não havia renascido, porém, o prazer que eu experimentei enquanto me enlutava, não pela morte do conceito do “eu”, mas pelo pesar de uma vida causado pelo conceito do “eu”, foi profundo.

I quickly became a BreakThrough Instructor, during this time I have described BreakThrough as the French describe an orgasm; “le petit mort”. Each time the “me” concept loses its grip a little piece of the old dies to be reborn into the adventure of life. Or as Esther Veltheim describes it: “breaking the spell of the mind.” 

Eu rapidamente me transformei em uma instrutora de BreakThrough. Naquele tempo descrevi o BreakThrough como o francês descreve o orgasmo: “a pequena morte”. Cada vez que o conceito do “eu” perde o controle, um pequeno pedaço do velho morre para renascer na aventura da vida. Como Esther Veltheim descreve: “quebrando o feitiço da mente”.

It took many years for the spell of the mind to break. Of course the complexity of the human psyche and my unconscious involvement continues to be part of my journey. It will continue until it too dies and something new is born. For the present, what has been born is my awareness of each moment, that heretofore gone unnoticed, and its concomitant grief, then the joyous birth of the next moment. This cycle repeats ever and always till I am no longer.

Levou muitos anos para o feitiço da mente quebrar. Claro que a complexidade da psique humana e meu envolvimento inconsciente continuam sendo parte da jornada. E continuará até que eles mesmos morram e algo novo renasça. Neste momento presente, o que renasceu foi minha consciência de cada momento, que até então passava despercebida e a sua dor concomitante, para enfim, sentir o alegre renascimento do momento seguinte . Este ciclo se repete sempre e para sempre até eu não existir mais.

1

B.A.Psych. SrBrI, BrI, ParBP, CBP, Reiki Master, SRI, Tarot Mastery

Bacharelado em Psicologia, Instrutora de BreakThrough Senior, Instrutora de BreakThrough, Terapeuta Certificada de BodyTalk, Instrutora Senior e mestre em Tarot.

www.leurbanretreat.com

2 Co-editoras da Revista Escuta. NT: optou-se por manter o texto em inglês e português.

“Texto encomendado e cedido à Revista Escuta (5a edição) e publicado também

na Newsletter da Associação Internacional de BodyTalk (IBA, outubro 2021)”

Prefácio 5a edição

“Acompanhando a morte”

Ana Carolina Vasconcelos1

Pra quê falar sobre a morte e de qual morte estamos falando, afinal?

De todas. Estamos falando de todas as mortes e de seus desdobramentos físicos, emocionais, psíquicos, energéticos e espirituais. Ocidentalmente acostumados a negligenciar este tema por temer o passar do tempo e a perda de quem amamos, fomos catapultados pela pandemia da Covid-19 a uma experiência coletiva de perdas e lutos que nos mostrou o quanto este tema precisa ser abordado para que possamos nos apoiar enquanto coletivo humano.

Então, esta edição é para você que perdeu alguém querido e quer ler sobre esta emoção que te acompanha. Esta edição também é para você que sente que morreu em vida e que, pouco a pouco, está se recompondo, juntando pedaços para se regenerar em uma nova forma de vida.

Esta edição fala pra você que quer saber mais sobre como nosso corpo 2sico está em morte constante para nos manter vivos e se pergunta se, tendo mais consciência destas mortes em vida, conseguiremos compreender mais sobre nossos apegos e medos.

Esta edição traz pra você outros olhares sobre a morte e outras mortes para além das 2sicas.

Esta edição é pra você que quer um abraço, quer ler experiências de outras pessoas que também morrem em vida e que querem compar;lhar isso com você.

Porque, no final das contas, falamos da morte para falar da vida. E de como podemos nos apoiar nesta caminhada. Vamos juntos?

“A primeira coisa que é preciso saber é que a morte não é o contrário à vida, a morte é o contrário ao nascimento. A vida é o contiuum entre nascimento e morte.”

Deepak Chopra

1 Praticante Certificada de BodyTalk (CBP) desde 2018 e jornalista pós-graduada em Comunicação pela Universidade de Barcelona, direciona há mais de 15 anos sua trajetória profissional para abordagens voltadas às pessoas e suas histórias de vida. Encontrou no Sistema BodyTalk, em 2016, uma interseção intensa entre a Comunicação e a abordagem terapêutica. Concluiu todos os estudos avançados dentro do Sistema, assim como estudos em outras áreas, incluindo Astrologia, Constelações Oníricas, Artes, Fluxonomia 4D, Taoísmo e outras práticas espirituais. Percebe que o processo de autoconhecimento por uma via criativa pode nos levar a um encontro coerente entre essência e jornada de vida para assim navegarmos nesta existência de forma mais consciente.

Quantas vezes eu morri

Arte: Mariana da Veiga, terapeuta certificada de BodyTalk e artista visual

Edição e pós-produção: Amália Gonçalves

Decidi criar essa série de desenhos autobiográficos sobre o luto mesmo tendo resistência à palavra escrita se misturar com o grafismo. Adianto que todos os demais planos que fiz para ela foram em vão. O que ficou foram as sensações, e a narrativa de algo estranho e híbrido, entre uma história em quadrinhos – fragmentos poéticos breves, inspirados nos ´haikus´ japoneses. O caos cria, o caos destrói, e dentro dele, o que é que fica? Minha proposta não é necessariamente fazer sentido, mas trazer à luz os movimentos mentais que eu experimentei revisitando a minha experiência com lutos marcantes. Ao convidar os leitores para observar esta dança, quem sabe possamos celebrar juntxs a vida e a morte em suas várias dimensões.

Poesias de costura

“Pensar é desnudar meias verdades 
que se vestem de mentiras longas.
A razão é um vestido 
cheio de tendências 
irracionais.”

(errata feita dia 28 junho 2021)

Posfácio

Amanda Pinho

Em uma aresta do tempo foi dada a tarefa de compor a mais bela poesia, ela deveria ser concreta, sensível, profunda e rítmica. Nessa aresta atemporal não havia passado, não havia referência, não havia modelo, muito menos um objetivo. Ali banhada de possibilidades respirando criatividade a consciência, fonte de tudo, inclusive do nada, permitiu que o corpo assim se poetizasse de vida.

Fez o corpo pra você chamar de seu, esculpiu a casa pra Eu morar com janelas que dão de frente pro amar. Essa casa se ergueu sobre pilares elementais, com paredes feitas de cortinas epiteliais, acolchoadas de gordura pra evitar abalos ósseos. A luz percorreu circuitos nervosos até desaguarem emoções no rio de sangue que banha as células, as verdadeiras arquitetas da existência.

Cinco janelas permitem que a brisa do mundo ecoe pela casa. O tempo invade as paredes e as vezes separa Eu de você. O reencontro só acontece quando no meio do caminho encontramos as pedras de culpa e medo que impedem o fluxo do mundo. Aqui começa a famosa jornada de volta pra casa, a redescoberta do corpo como morada, e que nessa casa vivem muitos Eus.

Criou-se retalhos dessa poesia essencial e soprou cada parte do corpo, cada órgão e cada glândula pra que em uníssono o corpo cantasse a vida. O coração é o regente dessa orquestra cuja a partitura o cérebro desenha, e para que a mais bela harmonia surja um pouco de tensão se faz necessário.

  Atenção, não se aperte demais, pois o instrumento sai do tom. Nas tonalidades mais graves sobreviver é nota fundamental, os afetos e as relações fazem nascer um fragmento pra chamarmos de mim. Mim acreditará ser a fonte originária de todo movimento. Esse Mim vai se identificar com a casa, vai nomear, vai registrar como propriedade privada diante de uma vida, totalmente, pública. Mim acha que é dono da casa, ainda não sabe que nada é pessoal. Mas em logos saberás que é tudo sobre nós e não sobre você mesmo.
Depois de sobreviver, se sobrevoa acima dos instintos, avista-se um oceano de aceitações pra ser atravessado ate o firmamento. Nesse oceano com suas emoções afluentes, nada é preciso. O balanço da maré fará testemunha quem não tentar remar contra o amar é.  Durante os sentimentos frios, é bom se cobrir de razão.

A coberta mental é costurada de crenças retalhadas que se formam nos atalhos que mim cria pra enganar o tempo. Dos enganos aos ganhos, é na terra que a gente erra. A aceitação é o gesto de encobrir-se com o intelecto, é despir-se do bicho que habita as entranhas pra renascer humano que sabe. Sabe que essa casa um dia padecerá. 

A seiva da vida produzida no interior dos tijolos ósseos inunda os tecidos de entusiasmo na direção de uma ação sem motivo, sem pressa, sem objetivo. A casa, desenhada por margens finitas, contém na sua medula o sem fim. Terminamos só porque um dia acreditamos começar.

O que te parece viver sabendo que não há metas? Não há prazos, nem mesmo chegada há. Imagina abrir mão de todos as ideias sobre o mundo e redescobri-lo, hoje, como se fosse a primeira vez em que se abrem as janelas?!

Ao abrirmos as janelas, a alma aspira, o corpo respira e Eu acompanho a vida passar. Passar por mim, passar por você, por nós, ela simplesmente passa, e recria o ser que sabe, sabe que está só de passagem.  

Amanda Pinho

(1) Psicoterapeuta de formação e poetiza na essência. Há 9 anos integra o sistema de bodytalk na sua prática de reeducação do pensamento! isnta @anma_ar

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A crisálida e os ciclos naturais da vida

Pra toda mente em desatino
corpo é destino.

Seja bem vindo a casa corpo,
 onde a biologia dá a forma para as margens físicas
conterem o rio químico de energia essencial da vida.
Desfrute da estadia!

(errata feita 25 junho 2021: inclusão poemas de Amanda Pinho)

Alessandra Batistuta (1)

Início assim nossa conversa para expor minhas observações a respeito da vida. Da minha percepção de vida dentro da esfera do BodyTalk. De todas as transformações vivenciadas a partir do instante em que deixei de apenas conhecer intelectualmente as leis dos ciclos naturais da vida e, passei a vivencia-las ao permitir a liberação de muitas crenças e, com isso, acessar de uma forma mais objetiva uma consciência mais expandida. É impressionante a força da vida em cada pedacinho que compõe esse planeta azul.

Na minha prática como terapeuta, tem sido um privilégio poder acessar insights de transformações, que vão desde o nível mais sútil das emoções e pensamentos, até o nível molecular, e que dá permissão a um canal de acesso para que a vida se faça! Quantos bebês BodyTalk foram facilitados nesse processo! Na minha prática como pediatra, quantas oportunidades de facilitar um processo de aproximação da saúde plena em situações cotidianas e também de alto risco! Ao ponto da equipe que trabalha comigo dizer: “fica tranquila, pois as complicações acontecem, mas são menores, nos nossos dias!” 

Nos últimos cinquenta anos, o ciclo natural de expansão da raça humana teve seu apogeu. Vivemos um período de paz, sem guerras de proporções mundiais, aderindo aos desenvolvimentos da saúde, tecnologia, comunicação e prosperidade para uma grande porcentagem da população mundial. Saneamento básico mais acessível, não ideal, mas mais próximo de uma parcela da população que se desenvolveu inclusive com menos defesas naturais…

Químicos que melhoraram a performance, o humor e as defesas dos seres vivos (animais e vegetais!). Medicamentos estabilizadores de humor, antibióticos que inclusive aumentaram a média de estatura da população. O conhecimento da vida microscópica que nos sustenta como seres humanos! Poder nos aproximar de seres vivos que compõem nosso corpo e nos comunicarmos com eles através do desenvolvimento de tecnologias como a epigenética e a ecologia do corpo! 

Há um ano estamos vivendo uma drástica mudança nos paradigmas sociais. Enfrentamos um vírus caprichoso que trouxe em si ferramentas que estão transformando nossa forma de perceber as estruturas físicas, mentais e emocionais do nosso sistema. Pandemia. Era um substantivo usado em filmes de ficção científica, num futuro distante… Tantas crenças de controle e segurança sendo quebradas em grandes proporções. E nesse período de recolhimento a que fomos submetidos, aprofundei minhas percepções… Fruto desse processo de liberação dos véus que permeiam os cinco sentidos, a desconstrução de ideias e memórias ativas que permaneciam em suspensão, desalinhando o equilíbrio dos nossos sistemas corpo mente.

Hoje, percebo esse momento, como mais uma ferramenta de crescimento do ser humano! 

Sim! As pessoas estão entrando em contato com suas vulnerabilidades, aquelas que ficavam envolvidas nas nossas ilusões de controle. E essas vulnerabilidades serão acolhidas e transformadas. Uma nova onda (tsunami?) de transformação de consciência. Expansão. Crescimento. São escolhas.

Porém, independente de tudo isso, os ciclos naturais da vida permanecem inalterados em suas essências, assim como todos os seres animados e inanimados, imutáveis em nossas essências.

Dentro do Body Talk, a alquimia desenvolvida no processo de integração entre a medicina tradicional chinesa e a astrologia, permitem o acesso a movimentos de coordenação, integração e vinculação dos ciclos naturais da vida à saúde do complexo corpo mente.

As mulheres gestam e os bebês nascem, as pessoas se conhecem, se aproximam e se afastam… As estações do ano se revezam, o sol nasce e se põe, as plantas estão ativando a força de crescimento das sementes, saindo da escuridão em busca da luz. Expansão e contração, é o que gera o movimento da vida . E a gente deixa de resistir. E vamos abrindo mão da necessidade de tentar controlar o incontrolável.

Nós estamos sempre saindo de uma caverna e descobrindo a realidade sob um novo foco de luz. Isso poderia ser frustrante, se já não nos servíssemos desse processo evolutivo de maneira consciente. Sair de uma das muitas cavernas que habitamos em nosso inconsciente é libertador! 

Nesse momento me coloco com uma história de vida, em que durante quase vinte anos trabalhei numa situação, que era “confortável” mas muito desgastante, consumidora de energia e criatividade… Quando realmente pude me desvincular desse lugar, eu percebi como a vida poderia ser mais leve, próspera e pude me dedicar mais intensivamente ao Body Talk, tornando hoje essa técnica, meu principal sustento  emocional, material, vital ! Vi a importância de reconhecermos nossa real dimensão e nos encaixarmos de forma confortável nesse ciclo grandioso. Nos aproximarmos de nossa essência imutável.

E é bem aqui que vou inserir a importância do BodyTalk como uma ferramenta de expansão da consciência, que quanto mais exercida e recebida, mais facilita a regulação dos ciclos naturais de vida em cada molécula. Vivemos melhor quando compreendemos e usamos de forma assertiva o legado que trazemos em nós. Os ciclos naturais permanecem, nós passamos. 

Podemos escolher passar bem! Tudo são escolhas! Você tem feito suas escolhas? Você vai deixar escolherem por você até quando? Você tem se entregado às escolhas que o Universo faz pra você? Quanto você tem resistido em entrar em contato com suas fragilidades? Será que você tem pensado em mudar de vida e qual o trabalho isso poderia gerar pra você e daí nem se movimentar pra descobrir?… Quanto você tem cuidado do outro pra evitar de cuidar de si? Tranquilo!!!! Muito mais importante que responder essas questões, é a gente estar disposto a fazer perguntas! BodyTalk está aqui para facilitar!

Alessandra Batistuta

(1)

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Matrizes

Entrevista realizada por Natasha Mesquita com Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

(realizada em abril 2021 por email, com colaboração de Ana Carolina Vasconcelos)

Com entusiasmo trago para a ESCUTA esta entrevista concedida pela Dra. Claudia Schembri-Heitmann, sobre o assunto Dinâmica de Matrizes no trabalho dos praticantes de BodyTalk.

Tenho certeza de que será de grande esclarecimento para nós terapeutas no que diz respeito ao trabalho com essas técnicas durante nossas sessões, sobre sua dimensão de atuação, assim como elucidativo a todos sobre o potencial de alcance terapêutico do BodyTalk.

Natasha Mesquista (editora chefa da 4a edição do Escuta)


O indivíduo é a casa onde
todos os outros vivem.

O agora é um soma
de passados ensaiando
um futuro.

O passo não dado
de ontem
amanhã
será presente.

(errata feito em 25 junho 2021: inclusão de poema de Amanda Pinho)

Entrevistadora, Natasha Mesquita (NM): O que é uma matriz?

Claudia Schembri-Heitmann (CS-H): Uma matriz pode ser definida de várias maneiras diferentes, dependendo também do público a que se dirige. Por definição, uma matriz é um campo de energia nutritiva e de suporte materno, que fornece uma base comum para que as coisas, ideias e processos se unifiquem, e que podem então ser funcionais ou disfuncionais.

Poderíamos também trazer a terminologia que Rupert Sheldrake usa quando descreve a ressonância mórfica e a criação dos chamados campos morfogênicos e morfogenéticos.

Os campos mórficos, morfogênicos e morfogenéticos (campos M) definem diferentes níveis de qualidades, sobre como a forma pode se manifestar através da Consciência do quantum ao físico. ‘Morph’ é a palavra latina para forma, e ‘gênese’ é a palavra latina para criação – apoiando o processo de in-forma-ação, trazendo à forma.

Sempre que um campo de matriz de grupo é formado, relações geometricamente ordenadas, que são baseadas em ressonância mórfica, memórias morfogênicas e morfogenéticas, automaticamente passam a existir dentro e fora deste campo M de grupo.

NM: Tenho um entendimento sobre o módulo 6 (Microcosmos e Macrocosmos), por exemplo, como sendo inspirado em conhecimentos sobre astrologia em convergência com a medicina chinesa. Você sabe o que influenciou John Veltheim na criação das técnicas de Dinâmica de Matrizes?

CS-H: O sistema BodyTalk evoluiu de maneira desdobrada. Desde o início (1995) até 2001, havia “apenas” os Fundamentos do BodyTalk (BTF). Quanto mais o campo de praticantes (e clientes) de BodyTalk crescia em todo o mundo, mais se podia ver que certos bloqueios no sistema corpo mente, especialmente nos níveis emocional-mental-supramental, precisavam ser tratados por “ferramentas” diferentes daquelas que estavam disponíveis no treinamento BTF. Foi em 2001 que os módulos BT avançados foram introduzidos em uma conferência de três semanas. De uma forma simplista, a filosofia sobre matrizes primárias, secundárias e fragmentadas pode ser vista como uma abordagem avançada para trabalhar com memórias ativas ou liberação emocional do BodyGenics. Esses tipos de matrizes vivem uma vida própria no complexo corpo mente (entidade-ID) do cliente. Por isso, a abordagem passo a passo vai removendo as diferentes linhas de suporte de vida para a matriz dentro do órgão, endócrino ou parte do corpo do cliente. Toda a técnica se baseia na questão: o que todo indivíduo e ser identificado precisa para viver?

NM: Parece-me que a Dinâmica de Matrizes como um todo se relaciona fortemente com a teoria dos sistemas dinâmicos, que é a base da estrutura do BodyTalk. No seu ponto de vista, existe uma relação direta entre as técnicas de Matriz e a teoria?

CS-H: Dinâmica de Matrizes pode ser interpretada de diferentes perspectivas quando se trata de Física e Filosofia. Matrizes Complexas estão muito relacionadas à ideia de funcionamento de sistemas dinâmicos. Ao mesmo tempo, tudo isso é baseado no potencial ilimitado e nas possibilidades presentes no mundo da consciência baseada no quantum, representado pelo conceito de onda – partícula, bem como pelo modelo de causação descendente.

NM: Ao trabalhar com Matriz temos a chance de observar o que nosso Sistema chama de “Matrizes primárias, secundárias, fragmentada e complexas”. Existe uma maneira simples de definir a diferença entre elas? Elas poderiam ser compreendidas como perspectivas diferentes da mesma coisa essencialmente?

CS-H: A Matriz Primária é referida como nossa primeira e única máscara essencial dentro do mundo da dualidade que torna possível à consciência universal ser capaz de se manifestar dentro ou através do ser individual. Quanto mais funcional for essa máscara, mais o indivíduo será capaz de curar a mente cindida e a percepção do “eu versus os outros”. 

Matrizes secundárias e fragmentadas são ferramentas de enfrentamento que podem nos ajudar a atravessar a vida, mas na maioria das vezes elas se tornam impraticáveis ​​e podem se tornar uma das principais causas de doenças.

Matrizes complexas estão sempre sendo criadas naturalmente quando mais de um ser (humano, animal, planta) interage regularmente. Sua saúde é o pré-requisito para a saúde do grupo, de seus membros e, também, de seu objetivo e missão.

NM: Como trabalhar com Matrizes Complexas Familiares no BodyTalk se relaciona com a Constelação Familiar? A obra e o conhecimento de Bert Hellinger são uma referência envolvida na criação dessa técnica específica no BodyTalk?

CS-H: Por meio de minhas próprias experiências, estou pessoalmente muito convencida do poder e da abordagem do trabalho de Sistemas Familiares de Hellinger. Além disso, este trabalho é reconhecido (como outra modalidade) quando ensinamos Dinâmica de Matrizes.

No entanto, da perspectiva do BodyTalk, temos que entender que tudo e todos funcionam de acordo com uma matriz complexa, até mesmo o nosso próprio complexo corpo mente. Portanto, quando expandimos a abordagem no BodyTalk para equilibrar uma pessoa por meio de uma sessão, também podemos experimentar a mesma qualidade de prioridades e mudanças fora da pessoa em seu ambiente geral e, também, nos campos aos quais ela está conectada. 

Portanto, é uma evolução natural ir por prioridade e verificar também quais relações precisam ser abordadas por meio de Matrizes Complexas.

NM: Como é que trabalhar com uma Matriz Primária Feminina ou Masculina envolve trabalhar com nossas forças arquetípicas primárias?

CS-H: Há uma forte conexão com as energias arquetípicas presentes em todos nós, usando a compreensão do corpo supramental. Existe um campo de significado além do ser individual e seus cinco sentidos podem ajudar a traduzir e visualizar esse campo arquetípico e seus poderes relacionados.

A Matriz Primária está muito relacionada à expressão dos aspectos divinos femininos e masculinos dentro do indivíduo, no mundo manifestado de dualidade e polaridade. Embora carreguem sim as tendências herdadas (que também incluiriam padrões arquetípicos), eu pessoalmente não relacionaria a matriz primária masculina e feminina ao nível supramental/arquetípico apenas.

NM: A própria sessão torna-se uma matriz com “tentáculos” que podem ser entendidos como os vínculos que surgiram como prioritários. Essa analogia faz sentido?

CS-H: Sempre que estamos observando itens que precisam ser vinculados ao protocolo BodyTalk usando o procedimento BT, estamos criando as chamadas fórmulas. A qualidade dos vínculos pode ser “positiva” (reconexão) ou “negativa” (desassociação). Quer se trabalhe de forma linear (Procedimento Básico) ou não linear (Procedimento Avançado), estamos criando diferentes redes de observação. Mas eu pessoalmente não me refiro a isso como tentáculos. Sim, é um campo, mas geralmente com um nível de ressonância muito temporário, evoluindo para o resultado da própria fórmula.

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Praticante, Instrutora e Pesquisadora. Doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa (IQUIM, EUA). Heilpraktikerin (Naturóloga, Alemanha). Diplom-Sportlehrerin/Sporttherapeutin (Graduada em Ciência e Terapia do Esporte, DSHS e DVGS, Alemanha).

Claudia Schembri-Heitmann nasceu em Bad Oldesloe (Schleswig-Holstein, Alemanha). Em 18 de outubro de 1989, ela se formou em Ciências do Esporte e Terapia após estudar Ciências do Esporte por quatro anos na Universidade Alemã de Ciências do Esporte, em Colônia (Alemanha).

Claudia estendeu seus estudos de pós-graduação e recebeu novas qualificações fazendo cursos adicionais para se especializar em reabilitação de lesões ortopédicas, terapia espinhal e problemas cardíacos, além de treinamento básico/regular em saúde e esporte. Desde a graduação, Claudia ocupou vários cargos de liderança como Chefe de Esportes e Terapia do Movimento em sua linha profissional de trabalho na Alemanha e em Malta. Claudia mudou-se para Malta no início de 1993 para trabalhar em um Centro de Bem Estar e Terapia Integral. Desde então, ela se especializou totalmente em Saúde Baseada na Consciência, utilizando modalidades que são baseadas em quantum, holística e abordagem integrativa.

Em 3 de dezembro de 2001, Claudia se qualificou como Heilpraktikerin (Naturopata) na Alemanha. Em 2004, Claudia mudou-se, com seu marido (Felix) e seu filho (Tim), para viver no sul da Alemanha, onde montou uma clínica de muito sucesso e um centro de seminários profissionais na área de Allgäu (Bavária), ambos baseados em princípios e filosofia de saúde baseados na consciência. Morar na Europa central era muito necessário, a fim de permitir que Claudia viajasse regularmente pelo mundo e ensinasse Saúde e Medicina Quântica baseada na Consciência (principalmente BodyTalk e modalidades afins) para milhares de alunos.

Em abril de 2019, Claudia concluiu o Doutorado PH.D em Medicina Integrativa pela International Quantum University Integrative Medicine (IQUIM, EUA), que é a única universidade no mundo que oferece estudos e pesquisas especializadas e de ponta em Saúde Baseada na Consciência. O foco principal de sua pesquisa de doutorado é a relação e o efeito do ambiente do grupo de trabalho (“matriz”) na saúde do indivíduo.

Claudia Schembri-Heitmann é membro de várias organizações profissionais, incluindo a International BodyTalk Association (IBA, da qual ela é uma das principais instrutoras internacionais e da qual foi presidente mundial por muitos anos), a Federação Alemã de Esportes de Saúde e Terapia Desportiva (DVGS eV), The Reiki Network (TRN), Natural Healing Association Kempten (NHV Kempten) e a Associação Alemã de Medicina Energética e Medicina da Informação (DGEIM eV) .

Hoje, BALANCE é o resultado final de uma jornada e experiência de 30 anos de estudo, pesquisa, prática e ensino na esfera da Saúde Holística Integrativa Baseada na Consciência. Acreditamos que aumentar o conhecimento sobre a importância de uma abordagem baseada em consciência ajuda as pessoas a melhorarem a relação entre seu ambiente interno e externo. Isso nos ajuda a nos tornarmos mais sintonizados com os ritmos da natureza e, finalmente, com nosso Propósito de Vida e Eu Verdadeiro.

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A natureza humana é biológica, física, química e energética

Gabriela Menezes (1)

O gesto particular de um corpo
cria ondas de energia publica
nesse encontro dual
de passos nada casual.

Ancestralidade é esse desdobramento atemporal
de uma única centelha ocupando
corpos temporais.

(errata feita 25 junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

O DNA e a expressão da vida 

Muitos de nós aprendemos nas aulas de biologia que somos construídos a partir de nosso DNA. Ele determina se seremos altos ou baixos, loiros ou morenos, de cabelos lisos ou cacheados, de olhos azuis ou castanhos. Apenas quatro bases nitrogenadas no DNA (A, T, C e G) são capazes de se combinar numa variedade de formas a ponto de gerar um ser tão complexo como o ser humano, além de todos os outros seres vivos.

O DNA, armazenado no núcleo da célula, tem toda nossa informação genética e é de onde vai ser produzido tudo que nos mantem vivos. O dogma central da biologia nos explica que o DNA é transcrito para RNA e depois traduzido em proteínas e, assim, a informação que estava no núcleo da célula ao ser convertida em RNA migra para o citoplasma para ser traduzida em proteína. Essas proteínas saem das células para percorrer o corpo e desempenhar as funções do organismo, explicando de forma bem simples.

As funções básicas e vitais são realizadas pelas células sem que percebamos, assim funciona o nosso sistema nervoso autônomo, e seguimos respirando, com o coração batendo, e andando por aí sem precisar pensar a cada segundo qual movimento deveríamos estar fazendo para coordenar todas essas ações simultaneamente.

Também não precisamos medir a quantidade de açúcar ingerida a cada refeição, porque o organismo é capaz de equilibrar os níveis de glicose do sangue sozinho. Digamos que eu coma uma caixa inteira de chocolate, as células do meu corpo receberão através da membrana citoplasmática um sinal de excesso de açúcar, essa informação fará com que as células especializadas do pâncreas produzam insulina, uma proteína que vai gerar uma resposta de equilíbrio aos níveis ideais de açúcar no organismo.

Mas se todas as informações do que produzimos estão contidas no DNA que fica no núcleo da célula, como esse DNA vai saber quais proteínas ele deve produzir? Parece que o núcleo da célula, daquele lugar isolado, precisa de informações de fora da célula para saber o que esse corpo precisa produzir para sobreviver no ambiente, não é?! Aí é que entra o papel essencial da membrana celular: captar informações para regular a expressão celular. Assim como nossa pele delimita o corpo e recebe os sinais do meio ambiente através de sensações, a membrana da célula forma esse delimite e recebe os sinais do ambiente através dos sinalizadores químicos e energéticos.

A membrana celular tem um papel muito importante na expressão celular, é através dela que são selecionadas as informações que vão chegar no núcleo e ditar o tipo de comportamento que esse corpo terá. Então, por mais que o DNA tenha todas as informações, ele vai depender das informações do meio ambiente para agir. A membrana seleciona o que entra e o que sai da célula como resposta aos estímulos do meio.

As células que estão dentro do corpo não conseguem ter acesso ao que acontece do lado de fora do corpo por elas mesmas. Elas dependem das informações que chegam através do sistema central de processamento das informações: o cérebro. Devido à especialização celular em tecidos, órgãos, e sistemas do corpo, cada qual com sua função, o cérebro assumiu a função de coordenar o diálogo entre as moléculas sinalizadoras dentro dessa comunidade de órgãos do corpo humano.

A epigenética e o controle do DNA

Todas as células possuem toda a informação genética do indivíduo, mas nem todas as células vão expressar tudo a todo momento. As células se especializaram e para saber o que deve ou não ser expresso o maquinário celular utiliza moléculas reguladoras. As células musculares são especializadas em movimento, as células do pulmão são especializadas em trocas gasosas, e assim, cada parte do corpo ficou com uma função, e a expressão celular responde a essa função. 

Para além da especialização celular, descobriu-se poder haver uma expressão diferente dos genes, sem qualquer alteração no DNA. Alguns tipos de moléculas reguladoras podem grudar em cima da fita de DNA e fazer com que a expressão de determinado gene seja ligada ou desligada, aumentada ou inibida. Essas moléculas controlam o DNA, e esses fatores são hereditários! Assim, foi revelada a epigenética. 

Lembra que as células respondem ao meio em que estão inseridas? Gerando respostas às informações que a membrana recebe do ambiente em que estão inseridas? Os fatores epigenéticos são suscetíveis a influências externas, como por exemplo fatores de estresse, fome, variações de temperatura, alimentação. Então, o DNA pode ser influenciado a se expressar de diferentes modos a depender do ambiente a que está exposto, sendo este a chave da regulação. Quando o organismo precisa se adaptar a algo novo, é conveniente que as células se reorganizem, e os marcadores epigenéticos podem ativar ou inibir a expressão dos genes decisivos para esse novo momento da vida.

As experiências de vida também afetam os marcadores epigenéticos. Um estudo mostrou como os netos dos holandeses que passaram fome durante a segunda guerra mundial foram influenciados por fatores herdados. A privação de alimento gerou uma reprogramação metabólica, que foi transmitida para as gerações seguintes, levando os netos à obesidade.

A mesma privação foi testada em laboratório, os cientistas deram a ratas prenhes aproximadamente metade das calorias padrão, e seus filhotes nasceram menores que o do grupo controle. Na vida adulta, as diferenças de tamanho desapareceram, mas os filhotes das ratas com restrição alimentar apresentaram maior quantidade de gordura abdominal do que os filhotes do grupo controle. Já os netos das ratas em privação alimentar, apesar de nascerem menores, na vida adulta eram maiores do que os do grupo controle, apresentavam maior quantidade de gordura visceral e inflamação no cérebro. Isso mesmo aconteceu com suas mães que tinham sido alimentadas com a dieta padrão. A reprogramação metabólica veio da privação de alimento da avó. 

A partir da descoberta da epigenética, seu papel tem sido investigado em diferentes alterações dos processos biológicos do corpo, como câncer, doenças autoimunes, desenvolvimento embrionário e distúrbios como esquizofrenia. Estudos já demostraram que a exposição ao estresse altera marcadores epigenéticos no cérebro, alterando genes relacionados à neuroplasticidade, desencadeando a depressão.

Então, além das características físicas que herdamos no DNA, podemos herdar fatores epigenéticos e/ou desenvolver nossos próprios fatores epigenéticos respondendo ao meio onde estamos inseridos.

O superorganismo humano

O ser humano é formado por cerca de 50 trilhões de células. Essas células se especializaram e se organizaram em tecidos, que formaram órgãos, que se combinaram em sistemas, e que unidos formaram o corpo humano. A especialização fez com que as células estabelecessem comunidades, porque elas não agiam mais de forma independente. Assim, todas as células do corpo precisam agir em torno de um bem comum. 

Este ser humano é o habitat de cerca de 500 trilhões de microorganismos: o microbioma humano. Esses microorganismos vivem em nós e são parte do nosso mecanismo de vida. Dependemos dessa cooperação para nossa sobrevivência, uma vez que as bactérias que nos habitam têm funções nobres como liberação de micronutrientes essenciais, regulação do sistema imunológico e proteção contra microorganismos danosos. O sistema imune convive em harmonia com o microbioma, eliminando apenas o que causa trauma ao corpo.

A composição do microbioma humano é individual. Varia conforme a dieta alimentar, o ambiente em que a pessoa está inserida e até mesmo a quantidade de remédios ingeridos ao longo da vida. Então, cada pessoa vai receber do microbioma a cooperação que cultiva em seus hábitos de vida individual. 

Além disso, este ser humano complexo está inserido num ambiente, que além de outros humanos contém diversas outras espécies animais, inserido num bioma da natureza com um clima específico e uma vegetação característica. Dependemos, mais do que imaginamos, de cooperação para sobreviver na natureza, e o corpo humano já se mostrou capaz de realizar essa cooperação.

A biologia que não se vê

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos conta a importância da física quântica na biologia, que ignoramos por estarmos muito presos ao mundo físico de Newton. No mundo quântico e invisível de Einstein, a matéria está diretamente ligada à energia. 

Já se acreditou que o átomo fosse a menor unidade que forma qualquer molécula. Entretanto, a física quântica descobriu que os átomos são constituídos de partículas subatômicas, que formam vórtices de energia que giram e vibram constantemente, irradiando energia. Os átomos podem se expressar como um conjunto de partículas sólidas ou como uma onda, um campo de força não material. Energia e matéria estão tão intimamente ligadas que não podem ser consideradas coisas independentes.

Cada uma das 118 espécies atômicas descritas na tabela periódica tem sua própria constituição e apresentam um movimento diferente, o que constitui sua assinatura, e assim, é possível identificar os padrões de energia que emitem no seu conjunto de átomos. Tudo no universo emite um padrão de energia único por ter uma constituição diferente, e cada pessoa também é uma constituição única cada qual com uma assinatura energética. 

Se o universo dos átomos é uma integração de campos de energia interdependentes, o corpo humano também o é. E assim, o corpo apresenta uma complexa intercomunicação entre suas partes físicas e os campos de energia que o compõe. Um problema pode surgir de uma falha de comunicação em qualquer ponto dessa rede de informação: partículas ou ondas, e por vezes é difícil explicar o motivo de certos sintomas, desconfortos ou doenças.

Pesquisas envolvendo o mapeamento das interações entre proteínas das células comprovaram uma complexa rede de ligações entre elas. A mudança de um parâmetro de uma das proteínas altera o de diversas outras dentro do sistema, que aparentemente não teriam nenhuma relação. Por exemplo, uma proteína utilizada no metabolismo de DNA pode estar associada a fatores determinantes do sexo, como a proteína Rbp1 das moscas de fruta. Se acreditamos haver uma falha no metabolismo de DNA e criamos um remédio para isso, podemos alterar os fatores determinantes do sexo como efeito colateral dessa medicação caso altere a expressão de Rbp1.

Além de toda a comunicação física que acontece através das moléculas, proteínas, e sinalizadores químicos no corpo, há também a comunicação energética, eletromagnética, que é muito mais rápida que a comunicação física. A comunicação por ondas é cerca de 100 vezes mais rápida que a comunicação por partículas. Essa transferência de sinais mais rápida é útil para nos manter vivos em resposta aos fatores ambientais, e pode ser útil em acessar essas falhas de comunicação e promover seu reparo.

A medicina oriental, antes mesmo da descoberta da física quântica, já baseava seu tratamento em energia. Segundo a medicina tradicional chinesa, o corpo é formado por uma complexa estrutura de fluxos de energia conhecidos como meridianos, que se assemelham a circuitos eletrônicos.

O comportamento das ondas de energia é importante porque as frequências vibracionais podem alterar as propriedades químicas e físicas de um átomo. A movimentação constante dos átomos gera ondas, assim como pedrinhas jogadas na água, e assim podemos influenciar essa onda dos átomos com ondas construtivas ou parar sua atividade com ondas destrutivas.

Como os pensamentos afetam a química do corpo

Os pensamentos são manifestações da mente e influenciam o cérebro físico a controlar a fisiologia do corpo. A mente é energia, o cérebro é matéria física, mas já sabemos que a constituição do aspecto energia e do aspecto físico são semelhantes, são ondas ou partículas. Então, essa energia dos pensamentos pode alterar a expressão das proteínas de funcionamento das células, como falamos na epigenética. 

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos instiga a olhar para os casos médicos conhecidos como exceção e avaliar o poder do pensamento. Como é possível um cientista tomar um copo cheio de bactérias causadoras de cólera e não ser afetado? Como há pacientes com HIV que não apresentam nenhum sintoma de AIDS? Como pacientes terminais de câncer conseguem recuperar a saúde com remissão espontânea do quadro diagnosticado?

E ele mesmo já diz que só pensar positivo não funciona, apesar de não trazer qualquer problema pensar de forma positiva perante a vida. O pensamento positivo e criativo está na mente consciente, porém a mente inconsciente, onde trazemos nossa programação instintiva e nosso banco de dados de experiências vividas, é bem mais forte. Então, se você aprendeu desde criança que tem uma saúde frágil, dificilmente somente pensar que vai se curar do câncer trará um resultado se você tem como premissa que sua saúde é frágil.

Os reflexos comportamentais básicos foram herdados como instintos genéticos, entretanto, nossa evolução permitiu além de receber os instintos genéticos, aprender com as experiências, um condicionamento adquirido. Essas respostas não envolvem o uso do cérebro consciente, funcionam como hábitos, tem um padrão repetitivo e rodam no automático, não são governadas pela razão ou pelos pensamentos. 

Assim também são muitos de nossos medos, não são mesmo reais ou nossos. São herdados epigeneticamente ou aprendidos desde que somos muito pequenos com nossos pais, cuidadores, familiares e professores, nós absorvemos comportamentos e emoções em nosso sistema de memória, como método para sobreviver e fazer parte da nossa comunidade. Nós vamos rodar esses programas aprendidos porque foram incorporados na nossa mente inconsciente. Todas as células do nosso corpo vão ouvir esse padrão de comportamento como a verdade a ser seguida.

Por sorte, somos dotados de uma região no cérebro chamado córtex pré-frontal, a evolução nos permitiu desenvolver uma região no cérebro especializada em pensamento, planejamento e tomada de decisões. Com isso, ganhamos o poder de observar nossos comportamentos e emoções. Essa parte consciente tem acesso às informações armazenadas em nosso banco de memórias. Assim, podemos refletir sobre nossa vida e planejar nossas ações. É onde podemos observar os comportamentos programados que adotamos e escolher se vamos mantê-los ou modificá-los.

Esses comportamentos programados e as percepções que derivam deles são as nossas crenças, que estão no controle da nossa biologia. Porém, as nossas crenças não são definitas e imutáveis. 

Experimentos com culturas celulares em ambiente controlado mostraram que as células fogem das toxinas e vão em direção aos nutrientes, mas enquanto as células estão fugindo das toxinas, elas não podem se nutrir e crescer. São dois sinais opostos. Se a célula está ameaçada, é mais importante sobreviver. Já quando ela está em um ambiente onde ela pode ir em direção aos nutrientes, ela pode crescer.

Nós estamos “crescendo” a todo momento, nossas células estão sempre se renovando, e nós também não nos nutrimos quando adotamos o comportamento de proteção e fuga. Ficar sob longos tempos no mecanismo de proteção gera estresse que pode paralisar totalmente o processo de crescimento. A capacidade de pensar com clareza também é afetada! O processamento das informações é mais lento que a atividade automática, e por isso, rodamos o programa habitual. Viver com níveis crônicos ou elevados dos hormônios do estresse, em um estado constante de tensão e vigília afeta de forma severa a saúde. 

Além de retirar o estresse, é importante adicionar momentos de alegria, amor e satisfação para estimular o processo de crescimento saudável. Primeiro passo: identificar seus medos e analisar de que forma eles impedem o seu crescimento. É uma escolha corajosa iniciar esse movimento.

Lembra que o cérebro é a central de processamento das informações? Uma outra parte dele, o cérebro límbico, desenvolveu um mecanismo onde converte os sinais químicos em sensações acessíveis a todas as células do corpo, e nossa mente consciente conhece essas sensações como emoções. As emoções se manifestam por meio da emissão controlada de sinais pelo sistema nervoso, os receptores que leem essa mensagem estão presentes em todas as células do corpo, e não só no cérebro. Nossas emoções não são geradas somente a partir da nossa interação com o ambiente, a mente consciente pode fazer o cérebro gerar emoção que vai agir sobre todo o sistema.

A mente consciente não opera em piloto automático como a inconsciente. Ela é criativa na forma como reage aos estímulos ambientais. Se um comportamento pré-programado entra em ação através da mente inconsciente, a mente consciente pode intervir, interromper e criar uma resposta diferente, porém temos de ter esse padrão pré-programado identificado e vontade de mudá-lo. Os comportamentos e crenças que aprendemos dos nossos pais, colegas e professores podem não ser os mesmos que queremos para a nossa vida, mas precisamos saber o que realmente queremos para não reproduzir o que aprendemos ser o certo.

Uma maneira de trazer ao mundo palpável como os pensamentos afetam a fisiologia do corpo é analisarmos o efeito placebo. No teste de medicamentos, alguns pacientes recebem o medicamento com princípio ativo e outros recebem o medicamento sem o princípio ativo. Muitos dos que não receberam o princípio ativo relatam melhoras dos sintomas e do bem-estar geral após iniciar o tratamento. Essa percepção de melhora veio do fato de acreditar estar tomando o medicamento. Isso demonstra como a mente pode ser forte em promover melhora na saúde. 

Ao contrário, o efeito nocebo também ocorre. É quando a mente emite sinais negativos que afetam a saúde. Como receber um diagnóstico de uma doença incurável e morrer em poucos meses. 

Como vimos, as crenças moldam a percepção, e a biologia se adapta a elas. Essas crenças agem como uma lente por onde você enxerga a vida. E quem decide qual lente usar é você. 

Ação do BodyTalk

O Sistema BodyTalk é uma metodologia de escuta do corpo, que visa trabalhar as prioridades de comunicação. Falamos acima sobre como uma falha na comunicação pode ocorrer em qualquer parte do corpo: físico ou energético. O restabelecimento dessa comunicação promove saúde.

Um curto-circuito pode ocorrer devido a uma crença que você tem e está inconsciente, mas que choca com o momento de vida que você está passando. Você não sabe explicar de onde vem aquele mal-estar, aquela dor, pode ser até mesmo que você procure um médico e clinicamente você esteja bem, mas há algo ali que te incomoda.

Em uma sessão de BodyTalk pode-se olhar para essa história, observar o que é prioridade, restabelecer o circuito de comunicação físico ou energético. Trazer à mente consciente o que estava velado. 

Outra possibilidade é olhar como um sintoma clínico ou uma doença pode estar atuando nesses campos interconectados do corpo, tanto física quanto energicamente. Um sintoma é sempre um mensageiro de algo a ser observado.

Através de um protocolo estruturado o terapeuta pode observar desde uma necessidade física de hidratação no cérebro, passando por um equilíbrio dos meridianos energéticos, até chegar a um fator epigenético herdado que precisa ser inibido.

Lembra que as crenças são a lente através da qual a gente enxerga a vida? Talvez você tenha escolhido sair de óculos escuros sempre, mas está de noite e talvez você esteja esbarrando em muitas coisas pelo caminho, pode já estar com o dedinho doendo de tanto bater em cantos não vistos, mas ainda não percebeu por que não está enxergando direito. Na sessão de BodyTalk, o terapeuta te ajuda a realizar que você está de óculos escuros sempre, até quando não se faz necessário. E dali em diante, fica fácil para você avaliar se quer continuar utilizando os óculos escuros e em quais situações você pode e/ou deve usá-los! 

Momento pandemia

Vimos que o meio ambiente e nossa percepção a respeito dele é determinante sobre como nosso corpo vai se comportar, sobre o que ele vai expressar, e sobre como nossa saúde será afetada. Nesse momento de pandemia podemos gerar alterações na expressão de nossos genes como forma de adaptação ao que estamos vivenciando, e somente as futuras gerações poderão nos mostrar o impacto da pandemia na expressão epigenética. 

As pessoas ao redor do mundo estão vivenciando um estresse coletivo que já passa de um ano, e como vimos acima, o estresse afeta severamente a saúde. Mas também vimos que os pensamentos podem mudar toda a química do corpo e que podemos escolher como vamos reagir às nossas emoções.

Neste momento estamos vivendo o desconhecido, é natural ter medo. As notícias são assustadoras, mas também há o meio científico trabalhando rapidamente na tentativa de combater a pandemia. Milhares de pessoas estão em luto, mas também há alegria pelas pessoas que se recuperam. Além da saúde, há outros fatores da vida que são impactados diretamente ou indiretamente pela pandemia. Muitos estão preocupados com a manutenção da sua fonte de renda, muitos com raiva por terem perdido o mínimo que tinham para sobreviver. 

É importante dar lugar a cada uma dessas emoções. Entretanto, saber que podemos olhar conscientemente para cada emoção que sentimos, saber como ela afeta a nossa saúde, e escolher com qual delas ficar, é cuidar de nós mesmos. É manter nosso sistema imune ativo e trabalhando pacificamente.

O melhor que podemos fazer no momento por nós e pela sociedade é cuidar de criarmos o melhor ambiente possível para nossas células!

Gabriela Menezes

referências bibliográficas

Livro – A biologia da crença, Bruce Lipton

https://super.abril.com.br/ciencia/entenda-de-uma-vez-o-que-e-epigenetica/

https://agencia.fapesp.br/cientistas-buscam-caminho-mais-rapido-para-tratar-depressao/34873/

https://aprender.ead.unb.br/enrol/index.php?id=2407

https://www.manualdaquimica.com/quimica-geral/atomo.htm

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(1)

Sou terapeuta BodyTalk certificada desde 2016, e entusiasta do sistema BodyTalk desde que o conheci como cliente. Sou formada em Biologia, e fiz mestrado em Imunologia de Tumores já buscando um olhar individualizado da cura. Hoje, gosto de investigar os labirintos dos corações através dos caminhos do BodyTalk, e como cada um faz para encontrar a sua própria verdade e lidar com seus desconfortos nesse caminhar da vida.

Email: menezesgf@gmail.com

Insta: @gabrielamenezesbodytalk

Celular: (21)993271809

BodyTalk e sua ciência, fatos baseados na consciência

Nirvana Marinho

Na pesquisa cartográfica “BodyTalk no Brasil: uma possível cartografia”, realizada com as terapeutas bodytalkers Ana Marcela Sarria e Daniele Pires (2019), foi uma metodologia capaz de nos levar a realizar um desenho cronológico do BodyTalk no Brasil e também nos possibilitou vislumbrar a evolução deste sistema, desde idealização, criação, estabelecimento de uma associação internacional (IBA, International BodyTalk Association). 

Em 2020, outra pesquisa “As articulações e como se faz de um, um todo” reuniu terapeutas bodytalkers em torno da troca de sessões com foco específico, sobre as articulações, embora notadamente qualquer sessão de BodyTalk seja guiada pela prioridade e vínculos que possam aparecer. Foram elas: Alessandra Batistuta, Dani Acosta, Debora Junqueira, Fernanda Marquesin, Rafaela Capote, Myrella Brasil, Nirvana Marinho, Sirlene Aparecida Silva e Soraya Chagas. E desta experiência, surgiu um ensaio que conta de uma metodologia possível para a prática terapêutica que olha para as sessões e sua dinâmica sistêmica e revela quais histórias surgem quando falamos de articulações.

Outra pesquisa ainda, também em 2020-2021, surge para contar do projeto inspirado pela Dra Janet Galipo e encabeçado pela Associação Brasileira de BodyTalk (ABBTS) e cuja coordenação foi guiada por Ana Carolina Vasconcelos, Luciana Pontes, Natasha Mesquita e Nirvana Marinho. O projeto teve o escopo de atendimento com contribuição consciente e variada a pacientes com sintoma ou diagnosticado com COVID-19, em meio a uma pandemia sem precedentes e aumentada pela necessidade de isolamento social. Os atendimentos foram feitos por um grupo de aproximadamente 20 terapeutas de BodyTalk, à distância, entre os meses de junho e setembro de 2020 e a pesquisa que se desdobra daí deve se estender ao longo de 2021.

Essas três citadas pesquisas fazem parte de um cenário importante para o BodyTalk no Brasil. Justamente por se tratar de um sistema de saúde baseado em consciência, BodyTalk é uma abordagem sistêmica que tem sua autorganização, homeostase e evolução constantes.

Muitos terapeutas vêm consolidando na prática clínica do BodyTalk tal perspectiva: suas percepções são evidências da consciência por se tratar de uma abordagem de saúde baseada na expansão do “Eu Sou”. Ou seja, quanto mais conheço do “Eu sou”, da consciência, mais evidências sistêmicas no meu corpo posso perceber, mais holística, mais integrada. 

A prática não dualista da consciência, descrita e inspirada por mestres como Ramish Balsekar (1917-2009), Jiddu Krishamurti (1895-1986) e Mooji (Anthony Paul Moo-Young, 1954-) são uma base consistente para o que o BodyTalk entende como expansão de consciência, autoconhecimento e saúde. E isso, por sua vez, é contemporâneo a uma concepção científica do corpo-mente que deságua nas práticas integrativas. O BodyTalk é uma delas e específica na convergência entre ciência e filosofia. 

Três autores (homens, isso é um parênteses importante) tornam forte a base científica da qual o BodyTalk repousa: Fritjof Capra, James Oschman e Amit Goswami, aqui eleitos por tantas citações que deles existem nos cursos e palestras do universo do BodyTalk, citados pelo Dr John Veltheim, criador do BodyTalk.

Fritjof Capra (1939-) Ph.D., é cientista, educador, ativista e autor de muitos best-sellers internacionais; um físico e teórico de sistemas nascido em Viena, Capra tornou-se popularmente conhecido por seu livro, “O Tao da Física”, que explorou as maneiras pelas quais a física moderna estava mudando nossa visão de mundo de mecanicista para holística e ecológica. Publicado em 1975, hoje ainda é impresso em mais de 40 edições em todo o mundo.

James Oschman é autor de uma série de artigos inovadores sobre “energia de cura” publicada no “Journal of Bodywork and Movement Therapies”. Esses artigos foram agora desenvolvidos em dois livros, “Energy Medicine: The Scientific Basis” (2000) e “Energy Medicine in Therapeutics and Human Performance” (2003). Esses dois livros fornecem aos cientistas acadêmicos mais céticos uma base teórica para explorar a fisiologia e a biofísica dos medicamentos energéticos.

Amit Goswami (1936-) é físico quântico teórico Dr. Amit Goswami é um revolucionário entre um crescente corpo de cientistas renegados que, nos últimos anos, se aventurou no domínio do espiritual na tentativa de interpretar as descobertas aparentemente inexplicáveis ​​de experimentos curiosos e validar intuições sobre a existência de uma dimensão espiritual da vida. Um prolífico escritor, professor e visionário, Dr. Goswami aparece no premiado documentário, The Quantum Activist.

Segundo Capra, nos últimos trinta anos as ciências têm avançado a tal ponto mudar nossa visão de mundo, nosso paradigma, “levando a uma nova visão da realidade e uma nova compreensão das implicações sociais dessa transformação cultural”. A relação do sujeito que observa e do que é observado muda. A medida em que quem observa pode modificar o que é observado, temos uma nova descrição dessa relação. Novos movimentos estão em jogo, que não são observáveis pelos mesmos métodos científicos conhecidos – aqueles da evidência, da contraprova, da precisão do que é observado. 

Capra conta-nos no seu célebre livro “O Tao da Física” (1975, edição original) como a física moderna e atômica acabou por definir não somente toda uma tecnologia de saberes mas também uma cultura de pensamento de muitos decênios e que, no século XX, a ciência subatômica revelou limitações da sua precedente. E foram curiosamente as tradições filosóficas e religiosas do Extremo Oriente que trouxeram luz as descobertas científicas que encontraram limites a descrição do mundo tal como concebia a física moderna. Esse limiar, essa quebra de paradigma trouxe consequências diretas a nossa concepção de corpo, mente e, portanto, saúde e consciência. A descrição científica das propriedades e interações das partículas subatômicas que dizem respeito a composição da matéria vem explicar energia e troca de outros modos, antes descritos lineares na física tal como conhecemos. Os instrumentos e métodos mudaram e a ciência evolui para o encontro com aquilo que chamávamos de místico ou metafísica para um entendimento mais amplo do corpo-mente. 

Uma das principais bases que norteiam a formação do terapeuta de BodyTalk é justamente compreender o salto conceitual da concepção cartesiana do corpo – aquele que o separa de uma substância que o move e a parte movente – para uma concepção holística e sistêmica – a soma das partes é maior que o todo (ou seja, não é dividindo as partes que você pode deduzir sobre o todo) e as partes estão em relações dinâmicas e complexas. Esse salto muda toda a dinâmica de observação do corpo e suas bases científicas desaguam na possibilidade de compreender a história do pensamento corpo-mente desde sua divisão até sua recente integração. Mais complexo que isso, desde as tradições orientais, até a descrição do corpo dos antigos gregos até a fundamentação da ciência moderna, essa elipse de transformação do pensamento encontra no século XX um novo fôlego. 

James Oschman, em “Energy Medicine – The Scientific Basis” (2000), traz uma perspectiva histórica de como atravessar o paradigma da “energia sutil” ou “força da vida” para uma base biológica e científica de como a energia atua no corpo que data do início do século XX com os estudos sobre bioelétrica de Harold Saxton Burr (1889-1973). Suas descobertas e análises do campo eletromagnético do corpo contam-nos como ocorre a trajetória das informações e como o corpo é um complexo de sistemas. Ou seja, o autor é uma base sobre a qual o entendimento da física quântica pode explicar como energia se comunica no corpo-mente: a partir da trajetória das informações na complexidade que o corpo é. Assim a medicina energética se fundamenta.

BodyTalk é justamente sobre como o corpo reestabelece seu potencial de comunicação como potencial de equilíbrio e sincronia. O corpo-mente gosta de estar em harmonia e sabe reconhecer quando seu fator principal de desequilíbrio se instaura, o estresse. Sabe também reconhecer suas prioridades e sua forma de promover a comunicação, que é a sessão propriamente dita de BodyTalk. 

Segundo Goswami: 

“o nosso corpo já tem a sabedoria necessária e o mecanismo de cura: precisamos apenas descobri-lo e manifestá-lo. (….) A consciência possui a sabedoria necessária (no seu compartimento supramental), o mecanismo (a escolha de um novo contexto para o processamento mental do significado das emoções) para a cura. Ela tem também o poder de descobrir o que é preciso (o poder de dar o salto quântico do insight) e tem o poder de manifestar o insight, desbloqueando o programa vital, e assim desbloqueando também os órgãos físicos correlacionados, o que reanima as funções apropriadas dos órgãos. (Goswami, 2006, 231). 

Amit Goswami em “O médico quântico” (2006) diz que o caminho da cura para a inteligência supramental é justamente a compreensão dessa dinâmica energética. Isso porque “a consciência pode curar a doença, desestruturando e reestruturando o sistema de crenças que lhe serve de base” (Goswami, 2006, 66). Vejamos como isso funciona entendendo quais preconceitos estão em questão.

O materialismo estrito é “a ideia de que tudo é feito de matéria e de seus correlatos, a energia e os campos de força”. Dessa forma, mente e consciência são epifenômenos da matéria. Isso tem como consequência a causação ascendente que faz que toda causa se desdobra de baixo para cima, a partir dos níveis das partículas elementares da matéria até a consciência, restringindo e forçando a equiparar a mente com o cérebro. Tudo seria um mecanismo. Não haveria espaço para aspectos extrafísicos como chi ou prana. Seja a consciência um epifenômeno ou mente e corpo como objetos duais separados, como tudo pode interagir? A questão permanece. 

Outro preconceito é a continuidade que orienta tudo para uma causa e que as causas atuam de modo contínuo. Nessa lógica, como explicar as remissõs e curas espontâneas que não são graduais mas repentinas? Outro preconceito ainda diz respeito a crença da localidade que buscam determinar que as causas e efeitos tem um local e que se propagam pelo espaço por meio de sinais num período de tempo finito. 

Sobre tais conceitos preestabelecidos, Goswami cita Chopra em seu livro seminal “Cura Quântica” (1989) conta como a mente interage com o corpo por meio de um corpo quântico e que é a consciência que faz a mediação dessa interação. Conta-nos que, na verdade, é uma causação descendente, que é a consciência que parte a cura, e que, de fato, isso ocorre em saltos quânticos e descontínuos. Goswami afirma que “o colapso quântico das ondas de possibilidade é fundamentalmente descontínuo” (Goswami, 2006, 69), sendo também não-local, o que quer dizer que não é o local que determina a cura, mas sim seus movimentos. Surge aí um novo paradigma de pensamento para a medicina – para a concepção de cura, do corpo e mente – que vem explicar, portanto, esses três novos conceitos: a causação descendente, a não-localidade e a descontinuidade. 

Com esses conceitos, Goswami sintetiza e amplia a visão da medicina energética, a partir da compreensão do quantum – “um pequeno feixe discreto de energia que não pode mais  ser dividido” – e amplifica conceitos já elaborados por seus colegas pesquisadores: que a troca de energia que, antes a física explicava somente linearmente, pode ser observada de outra forma como Capra definiu; que a energia faz parte do processo de cura, organização e comunicação do corpo como observa Oschman. Esses e outros autores compõem uma epistemologia importante das bases científicas de práticas terapêuticas como o BodyTalk.

Concluir esse artigo não é fácil tarefa porque muitas explicações, reflexões e teorias são necessárias para reorientar nossas bases de uma medicina, da ideia de cura, da concepção de corpo mente. Mas convido que seja um primeiro passo para sua curiosidade, para seus sintomas, para suas histórias. O corpo mente pode ter outros caminhos, integrados, para realizar sua “mágica”, seu “mistério” de saber mais de si, de fazer a jornada do “Eu Sou”. 

BodyTalk é uma prática terapêutica de saúde e, sobretudo, baseada em consciência. Por isso, compreender suas bases é revisitar conceitos científicos e também filosofar sobre o todo do corpo e suas partes dinâmicas. 

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(link atualizado em maio 2021)

Uma breve provocação: para você, o que é saúde?

Por Ana Carolina Medeiros de Vasconcelos

O exercício de escrever esta colaboração para a terceira edição do Escuta nasceu justamente de uma escuta. Minha proposta inicial era ler os textos de meus colegas e, de alguma forma, costurá-los. Só que não fazia ideia de como isto surgiria. 

Foi então que, a partir da leitura prévia dos textos, me escutei indagando: “BodyTalk é um Sistema de Saúde baseado em Consciência, mas, afinal de contas, o que é saúde?“

Esta provocação fez todo sentido, pois saúde é aquela palavra que fica ali no meio, camuflada porque, de maneira geral, supomos que já há uma compreensão anterior sobre ela.

Só que, desta vez, saúde se descamuflou e se mostrou ser a agulha que faltava para essa costura. Resolvi, portanto, provocar em vocês o que esta escuta provocou em mim. 

Me arrisco a dizer que, a maioria das pessoas que procuram atendimento com BodyTalk, chegam em busca de uma melhor qualidade de vida, autoconhecimento, bem estar, ou algo do gênero. De maneira geral, querem ser mais saudáveis. 

Ana Claudia Quintana Arantes, médica geriatra e gerontologista especialista em cuidados paliativos, ressalta que “ser saudável é ser guardião da vida”: “O ser humano é único, não é replicante. Quem trabalha com cuidado paliativo tem menor índice de estresse profissional possível porque nós aprendemos a dar valor à vida”. Ana Claudia Arantes nos relembra que, enquanto há vida pulsante em um corpo-mente, há a guarda da vida, ainda que o corpo físico esteja perecendo.

Dessa forma, somos todos saudáveis, mas “nossa saúde não é fixa nem permanente”, como nos adverte Monja Coen. Por isso, ela nos conecta diretamente com o estado de impermanência e vulnerabilidade. “Nós precisamos saber o que nós podemos fazer e quando temos que parar. O que é conveniente e o que é inconveniente e aí nós podemos manter um estado regular de saúde, mas que não é permanente”. Coen nos dá, então, a dica de que saúde também é guardar a vida observando e respeitando nossos contornos.

Moacyr Scliar vai além e complementa: “o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas”, isto é, passa por muitos filtros. Portanto, saúde também é ponto de vista. “O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças”.

Mas ponto de vista de quem? 

Pelo olhar do BodyTalk, vamos focar no ponto de vista do paciente a partir de um evento de impermanência e vulnerabilidade manifestado através de um sintoma.  

Este ponto de vista conta como a história do sintoma se desenvolveu até se sobrepor ao estado natural do ser e levá-lo a duvidar da sua saúde, da sua habilidade de guardar a vida, independentemente dos sintomas ali manifestados. É como se a sabedoria inata nos desse pistas de uma história que podemos desvendar a fim de integrar este novo estado e retirá-lo da dúvida em relação a sua habilidade inata de curar-se. 

Dessa forma, nossa busca por ser saudável carrega em seu interior a vontade de mudar pontos de vista e se dirigir a um novo estado de percepção do eu.

Saúde também é, portanto, o ponto de vista que integra este estado de percepção.

 “Bem, em termos práticos, é nítido que muitas vezes precisamos de alguma crise a fim de despertar para essa verdade. Sem uma crise pessoal ou social, a tendência é não nos incomodarmos com as mudanças. Para alguns de nós, uma crise de autoconfiança ou uma crise pessoal de infelicidade faz a diferença (…) quando você passa por uma crise como essa, ela lhe dá a tenacidade de que você precisa” – Consciência Quântica, Amit Goswami, pág 182.

Por isso, é mais sobre como estamos guardando esta vida e o que estamos guardando dela. 

Essa reflexão me leva direto a experiência pessoal com as práticas meditativas do Taoísmo que nos orienta a tapar os olhos com a palma das mãos, antes e após a meditação, como forma de guardar a luz de nossos espíritos. 

Dentro do Taoísmo, a meditação é uma prática filosófica que nos realinha com nosso Tao, o nosso Caminho, e nos leva de volta pra casa. Por isso, também é vista como prática de manutenção da saúde. Curioso, né?

Saúde, portanto, também é a habilidade de estarmos cada vez mais alinhados com nosso Caminho, satisfazendo a alma.

“Com frequência, as pessoas me perguntam qual o significado e o propósito de uma existência humana na Terra. O que estamos fazendo aqui? A visão de mundo quântica nos dá pistas sobre esse propósito? Em termos bem simples, a resposta para essas perguntas é que estamos aqui para satisfazer nossa alma. Então, cada pessoa deve se questionar: O que me satisfaz de fato” – Amit, pg 181

Percebo, portanto, que está na hora de voltarmos à frase de definição do Sistema BodyTalk. 

Sendo um Sistema de Saúde baseado em Consciência, as sessões de BodyTalk lembram  ao nosso corpo-mente que ele pode guardar a vida em maior ressonância com a Consciência e ir, aos poucos, voltando para casa sem tantos desvios, satisfazendo, de fato, sua alma.

E, pra você, o que te satisfaz?

Referências audiovisuais

Ana Claudia Quintana Arantes – Aula 1 “O Grito” – Os Inumeráveis Memorial

Ana Claudia Quintana Arantes – A morte é um dia que vale a pena viver

Monja Coen – Nossa saúde não é fixa nem permanente. Como nos cuidamos?

Referências Bibliográficas

História do Conceito de Saúde, Moacyr Scliar

Consciência Quântica, Amit Goswami, 2018, Editora Goyo

Páginas citadas 181 e 182

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(link atualizado em maio 2021)

O Caminho da Individuação

Márcio Ribeiro

A partir do instante em que nascemos, surge um movimento inconsciente por aceitação. Embora nem todos desenvolvamos a sensação de não sermos amados, desejados e queridos, de acordo com a formação da nossa consciência de separação, todos buscamos ser aceitos. 

Por vezes, observamos que a nossa chegada no mundo traz uma mudança potencialmente agradável, mas que também gera um grande peso para as pessoas que nos recebem. Trata-se de um peso que essas pessoas buscam disfarçar com toda força (seja por valores culturais e éticos ou, simplesmente, pelo cuidado em nos acolher), e assim eventualmente conseguem transformá-lo em amor. Ainda assim, o peso existe.

A partir daí, o que podemos perceber é que no transcorrer de uma vida, o ser humano desenvolve várias máscaras em busca de aceitação, retribuição ou obtenção de alguma recompensa. Pressionados pela intensidade de cada estágio que passamos desde a infância, ouvindo opiniões sobre nos parecermos mais com o pai ou com a mãe, por exemplo, buscamos crescer.

Então, desde o início da jornada, todos nós recebemos uma carga consensual com os códigos para pertencermos. Essa carga evolui para a máscara principal que adotamos e com a qual vivemos, mas que nem por isso torna-se um fardo para todos. Porém, na percepção de alguns, essa máscara cria uma ideia equivocada de que aqueles que nos trouxeram ao mundo deveriam ser responsáveis por nós, cem por cento do tempo. Essa é uma demanda que, por sua vez, passa a se apresentar como um grande obstáculo.

Ao não aprender a lidar com essas máscaras, ou ainda, ao não buscar uma versão individual de nós mesmos, dentro do espaço-tempo da nossa mortalidade, nos distanciamos do sentimento de valor e amor próprio e, principalmente, da individuação.

Enquanto terapeutas de BodyTalk embasados no vasto conhecimento da filosofia Advaita Vedanta, a busca por essa individuação se torna um desmascaramento dos momentos cruéis em que julgamos o outro, ou nos quais nos sentimos julgados. Desta forma, a busca pela individuação nos alimenta com um senso de que é possível sim viver, apesar da impossibilidade de sermos aceitos o tempo inteiro. 

Entendemos que é possível viver com um sentimento de paz, apesar de não termos controle absoluto sobre nada. Compreendemos que precisamos fazer do controle um legado ilusório, porém necessário, para as vivências mundanas do cotidiano. Afinal, esse controle é útil; inclusive para evitar uma reação de emoção exagerada diante dos desafios que surgirão na interação com o outro, a partir do nosso processo de individuação. 

Vale ressaltar que não importa o quanto você se individue, o mundo não precisa acompanhar a sua individuação. Ou seja, o outro não precisa estar bem-resolvido para que você também possa estar em um lugar melhor. Embora o conhecimento seja impessoal, esta é uma jornada pessoal, na medida em que a iluminação é para todos, mesmo que o despertar nunca seja igual para ninguém. 

Tomar esse despertar pode implicar, para alguns mais que para outros, uma sensação de isolamento, de solidão ou, até mesmo, de estar a um passo de uma depressão. Outra percepção que habitualmente acompanha o despertar de consciência é o sentimento de não ser entendido. 

Mas o grande trabalho de um terapeuta de BodyTalk é de somar-se ao entendimento de que o corpo-mente quer essa individuação; todo ser deseja lembrar-se de quem é, na origem. Por esse motivo, devemos sempre ter em mente a analogia da onda no mar. 

A onda, quando se percebe ainda identificada com o mar, ela faz da corrida em direção a praia o seu grande objetivo. Poderíamos dizer que ela traça caminhos e metas para chegar até seu destino: primeiro, vem crescendo como uma marola no meio de um oceano, até tornar-se onda forte, corajosa e capaz. É assim que ela, destemidamente, alcança a praia. Conforme o mar a recolhe para a fusão e ela percebe que a praia não é o fim da jornada, surge a consciência de nunca ter sido separada do oceano. É a partir desse desapontamento egóico que se inicia o despertar espiritual.

Seguindo a mesma linha, ao longo da vida humana passamos por desafios, gestamos motivações, vestimos máscaras para dar conta, buscamos melhorar para sermos aprovados e aceitos. Acreditamos que desta forma vamos conseguir alcançar algum objetivo, que assim que chegarmos lá seremos felizes; e que se não atingimos esse marco, significa então que não fomos ninguém, não fizemos nada, não chegamos em lugar nenhum. Sem contar que muitas vezes projetamos essa felicidade no outro como se fosse um objetivo comum. 

Talvez a nossa grande inflexão possa estar em dar-nos conta de que não é sobre o resultado final e nem sobre ser feliz, mas sim sobre experienciar essa jornada inconstante, impermanente, que nos é dada e tirada, sem aviso prévio. Viver os prazeres, os despertares e os lutos, inclusive da perda dessa efêmera experiência de onda. O ouro está na faísca potencial de despertar para a jornada por si só, como jornada da alma, e não em função de algum resultado egóico final. A experiência da convivência, do diálogo, do afeto, do amor… Isso é o que interessa e faz o exercício da jornada da alma valer a pena.

Portanto, no que diz respeito a nós, terapeutas, que temos o conhecimento das consciências naturais do corpo e as dinâmicas dualísticas que elas nos convidam a viver aqui: quanto mais individuados, mais este ir e vir de vivências será percebido apenas como uma oscilação na onda. 

Para mim, este é o marco zero a partir do qual eu já não me encanto mais com a adrenalina de surfar a crista da onda, pois afinal, sei que a onda também baixa. Tampouco me paraliso quando tudo se silencia. A vida então começa a ser trançada de impermanência, agora bem menos assustadora, e ressalta aquilo que mais temos que reconhecer na nossa história humana: a vulnerabilidade, não como um sinal de fraqueza, mas de humanidade. Afinal, mesmo pertencendo à vasta consciência-oceano, somos apenas seres humanos. 

Na jornada infinita da alma, somos ondas com término determinado, mas expressamos consciência quando nos percebemos conectados ao potencial infinito de possibilidades. Agora, os nossos pais já não são mais responsáveis por nós, a cultura não é responsável por nós, e tampouco há culpa por estarmos atravessando qualquer experiência. A religião, que já não dava todas as respostas, agora ocupa o lugar de nos servir durante a jornada, até o ponto de não servir mais. 

Agora o eu já não segura mais, não julga mais, não critica mais, e não busca ser aceito ou amado quando percebe que não o é. Agora há amor-próprio e auto-aceitação, inclusive diante de outras ondas que, ainda identificadas, se acham separadas do oceano, e assim, de mim mesmo. 

Individuados, livres, ao fim da jornada, temos o potencial de morrermos despertos, quando a faísca de iluminação retorna à essência do todo. Conectados com o todo, individuados, não importa mais que as relações sejam agradáveis ou que tragam felicidade. Agora todos pertencem ao ciclo de múltiplas facetas, sem jeito certo de ser ou de viver, porque toda a expressão do universo é válida.

O importante é manter um caminhar centrado e conectado, na companhia desapegada de todos, buscando viver e resolver aquilo que nos cabe, em homenagem a essa força que governa a todos, dê a ela o nome que quiser: amor, consciência… Pouco importa, desde que o caminho seja aquele da individuação.

Finalizo com Balsekar (1992, p. 200, grifo do autor)

Você não pode evitar estar aqui! Eu não pude evitar estar aqui. Este-que-está-falando e aquele-que-está-escutando precisam estar aqui para que a fala-escuta ocorra como um evento. Você pensa que você está ouvindo, mas a escuta está ocorrendo através do mecanismo do corpo-mente e isto é parte do processo de desidentificação, de iluminação, que acontece. E no processo de desidentificação, no processo evolutivo, isto é um evento. Isto é um evento específico. Portanto, esta escuta está ocorrendo através do mecanismo do corpo-mente porque tinha que ser assim neste momento, neste lugar. Isto é parte do funcionamento da Totalidade.

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(link atualizado em maio 2021)