Quantas vezes eu morri

Arte: Mariana da Veiga, terapeuta certificada de BodyTalk e artista visual

Edição e pós-produção: Amália Gonçalves

Decidi criar essa série de desenhos autobiográficos sobre o luto mesmo tendo resistência à palavra escrita se misturar com o grafismo. Adianto que todos os demais planos que fiz para ela foram em vão. O que ficou foram as sensações, e a narrativa de algo estranho e híbrido, entre uma história em quadrinhos – fragmentos poéticos breves, inspirados nos ´haikus´ japoneses. O caos cria, o caos destrói, e dentro dele, o que é que fica? Minha proposta não é necessariamente fazer sentido, mas trazer à luz os movimentos mentais que eu experimentei revisitando a minha experiência com lutos marcantes. Ao convidar os leitores para observar esta dança, quem sabe possamos celebrar juntxs a vida e a morte em suas várias dimensões.

Poesias de costura

“Pensar é desnudar meias verdades 
que se vestem de mentiras longas.
A razão é um vestido 
cheio de tendências 
irracionais.”

(errata feita dia 28 junho 2021)

Posfácio

Amanda Pinho

Em uma aresta do tempo foi dada a tarefa de compor a mais bela poesia, ela deveria ser concreta, sensível, profunda e rítmica. Nessa aresta atemporal não havia passado, não havia referência, não havia modelo, muito menos um objetivo. Ali banhada de possibilidades respirando criatividade a consciência, fonte de tudo, inclusive do nada, permitiu que o corpo assim se poetizasse de vida.

Fez o corpo pra você chamar de seu, esculpiu a casa pra Eu morar com janelas que dão de frente pro amar. Essa casa se ergueu sobre pilares elementais, com paredes feitas de cortinas epiteliais, acolchoadas de gordura pra evitar abalos ósseos. A luz percorreu circuitos nervosos até desaguarem emoções no rio de sangue que banha as células, as verdadeiras arquitetas da existência.

Cinco janelas permitem que a brisa do mundo ecoe pela casa. O tempo invade as paredes e as vezes separa Eu de você. O reencontro só acontece quando no meio do caminho encontramos as pedras de culpa e medo que impedem o fluxo do mundo. Aqui começa a famosa jornada de volta pra casa, a redescoberta do corpo como morada, e que nessa casa vivem muitos Eus.

Criou-se retalhos dessa poesia essencial e soprou cada parte do corpo, cada órgão e cada glândula pra que em uníssono o corpo cantasse a vida. O coração é o regente dessa orquestra cuja a partitura o cérebro desenha, e para que a mais bela harmonia surja um pouco de tensão se faz necessário.

  Atenção, não se aperte demais, pois o instrumento sai do tom. Nas tonalidades mais graves sobreviver é nota fundamental, os afetos e as relações fazem nascer um fragmento pra chamarmos de mim. Mim acreditará ser a fonte originária de todo movimento. Esse Mim vai se identificar com a casa, vai nomear, vai registrar como propriedade privada diante de uma vida, totalmente, pública. Mim acha que é dono da casa, ainda não sabe que nada é pessoal. Mas em logos saberás que é tudo sobre nós e não sobre você mesmo.
Depois de sobreviver, se sobrevoa acima dos instintos, avista-se um oceano de aceitações pra ser atravessado ate o firmamento. Nesse oceano com suas emoções afluentes, nada é preciso. O balanço da maré fará testemunha quem não tentar remar contra o amar é.  Durante os sentimentos frios, é bom se cobrir de razão.

A coberta mental é costurada de crenças retalhadas que se formam nos atalhos que mim cria pra enganar o tempo. Dos enganos aos ganhos, é na terra que a gente erra. A aceitação é o gesto de encobrir-se com o intelecto, é despir-se do bicho que habita as entranhas pra renascer humano que sabe. Sabe que essa casa um dia padecerá. 

A seiva da vida produzida no interior dos tijolos ósseos inunda os tecidos de entusiasmo na direção de uma ação sem motivo, sem pressa, sem objetivo. A casa, desenhada por margens finitas, contém na sua medula o sem fim. Terminamos só porque um dia acreditamos começar.

O que te parece viver sabendo que não há metas? Não há prazos, nem mesmo chegada há. Imagina abrir mão de todos as ideias sobre o mundo e redescobri-lo, hoje, como se fosse a primeira vez em que se abrem as janelas?!

Ao abrirmos as janelas, a alma aspira, o corpo respira e Eu acompanho a vida passar. Passar por mim, passar por você, por nós, ela simplesmente passa, e recria o ser que sabe, sabe que está só de passagem.  

Amanda Pinho

(1) Psicoterapeuta de formação e poetiza na essência. Há 9 anos integra o sistema de bodytalk na sua prática de reeducação do pensamento! isnta @anma_ar

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A crisálida e os ciclos naturais da vida

Pra toda mente em desatino
corpo é destino.

Seja bem vindo a casa corpo,
 onde a biologia dá a forma para as margens físicas
conterem o rio químico de energia essencial da vida.
Desfrute da estadia!

(errata feita 25 junho 2021: inclusão poemas de Amanda Pinho)

Alessandra Batistuta (1)

Início assim nossa conversa para expor minhas observações a respeito da vida. Da minha percepção de vida dentro da esfera do BodyTalk. De todas as transformações vivenciadas a partir do instante em que deixei de apenas conhecer intelectualmente as leis dos ciclos naturais da vida e, passei a vivencia-las ao permitir a liberação de muitas crenças e, com isso, acessar de uma forma mais objetiva uma consciência mais expandida. É impressionante a força da vida em cada pedacinho que compõe esse planeta azul.

Na minha prática como terapeuta, tem sido um privilégio poder acessar insights de transformações, que vão desde o nível mais sútil das emoções e pensamentos, até o nível molecular, e que dá permissão a um canal de acesso para que a vida se faça! Quantos bebês BodyTalk foram facilitados nesse processo! Na minha prática como pediatra, quantas oportunidades de facilitar um processo de aproximação da saúde plena em situações cotidianas e também de alto risco! Ao ponto da equipe que trabalha comigo dizer: “fica tranquila, pois as complicações acontecem, mas são menores, nos nossos dias!” 

Nos últimos cinquenta anos, o ciclo natural de expansão da raça humana teve seu apogeu. Vivemos um período de paz, sem guerras de proporções mundiais, aderindo aos desenvolvimentos da saúde, tecnologia, comunicação e prosperidade para uma grande porcentagem da população mundial. Saneamento básico mais acessível, não ideal, mas mais próximo de uma parcela da população que se desenvolveu inclusive com menos defesas naturais…

Químicos que melhoraram a performance, o humor e as defesas dos seres vivos (animais e vegetais!). Medicamentos estabilizadores de humor, antibióticos que inclusive aumentaram a média de estatura da população. O conhecimento da vida microscópica que nos sustenta como seres humanos! Poder nos aproximar de seres vivos que compõem nosso corpo e nos comunicarmos com eles através do desenvolvimento de tecnologias como a epigenética e a ecologia do corpo! 

Há um ano estamos vivendo uma drástica mudança nos paradigmas sociais. Enfrentamos um vírus caprichoso que trouxe em si ferramentas que estão transformando nossa forma de perceber as estruturas físicas, mentais e emocionais do nosso sistema. Pandemia. Era um substantivo usado em filmes de ficção científica, num futuro distante… Tantas crenças de controle e segurança sendo quebradas em grandes proporções. E nesse período de recolhimento a que fomos submetidos, aprofundei minhas percepções… Fruto desse processo de liberação dos véus que permeiam os cinco sentidos, a desconstrução de ideias e memórias ativas que permaneciam em suspensão, desalinhando o equilíbrio dos nossos sistemas corpo mente.

Hoje, percebo esse momento, como mais uma ferramenta de crescimento do ser humano! 

Sim! As pessoas estão entrando em contato com suas vulnerabilidades, aquelas que ficavam envolvidas nas nossas ilusões de controle. E essas vulnerabilidades serão acolhidas e transformadas. Uma nova onda (tsunami?) de transformação de consciência. Expansão. Crescimento. São escolhas.

Porém, independente de tudo isso, os ciclos naturais da vida permanecem inalterados em suas essências, assim como todos os seres animados e inanimados, imutáveis em nossas essências.

Dentro do Body Talk, a alquimia desenvolvida no processo de integração entre a medicina tradicional chinesa e a astrologia, permitem o acesso a movimentos de coordenação, integração e vinculação dos ciclos naturais da vida à saúde do complexo corpo mente.

As mulheres gestam e os bebês nascem, as pessoas se conhecem, se aproximam e se afastam… As estações do ano se revezam, o sol nasce e se põe, as plantas estão ativando a força de crescimento das sementes, saindo da escuridão em busca da luz. Expansão e contração, é o que gera o movimento da vida . E a gente deixa de resistir. E vamos abrindo mão da necessidade de tentar controlar o incontrolável.

Nós estamos sempre saindo de uma caverna e descobrindo a realidade sob um novo foco de luz. Isso poderia ser frustrante, se já não nos servíssemos desse processo evolutivo de maneira consciente. Sair de uma das muitas cavernas que habitamos em nosso inconsciente é libertador! 

Nesse momento me coloco com uma história de vida, em que durante quase vinte anos trabalhei numa situação, que era “confortável” mas muito desgastante, consumidora de energia e criatividade… Quando realmente pude me desvincular desse lugar, eu percebi como a vida poderia ser mais leve, próspera e pude me dedicar mais intensivamente ao Body Talk, tornando hoje essa técnica, meu principal sustento  emocional, material, vital ! Vi a importância de reconhecermos nossa real dimensão e nos encaixarmos de forma confortável nesse ciclo grandioso. Nos aproximarmos de nossa essência imutável.

E é bem aqui que vou inserir a importância do BodyTalk como uma ferramenta de expansão da consciência, que quanto mais exercida e recebida, mais facilita a regulação dos ciclos naturais de vida em cada molécula. Vivemos melhor quando compreendemos e usamos de forma assertiva o legado que trazemos em nós. Os ciclos naturais permanecem, nós passamos. 

Podemos escolher passar bem! Tudo são escolhas! Você tem feito suas escolhas? Você vai deixar escolherem por você até quando? Você tem se entregado às escolhas que o Universo faz pra você? Quanto você tem resistido em entrar em contato com suas fragilidades? Será que você tem pensado em mudar de vida e qual o trabalho isso poderia gerar pra você e daí nem se movimentar pra descobrir?… Quanto você tem cuidado do outro pra evitar de cuidar de si? Tranquilo!!!! Muito mais importante que responder essas questões, é a gente estar disposto a fazer perguntas! BodyTalk está aqui para facilitar!

Alessandra Batistuta

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Matrizes

Entrevista realizada por Natasha Mesquita com Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

(realizada em abril 2021 por email, com colaboração de Ana Carolina Vasconcelos)

Com entusiasmo trago para a ESCUTA esta entrevista concedida pela Dra. Claudia Schembri-Heitmann, sobre o assunto Dinâmica de Matrizes no trabalho dos praticantes de BodyTalk.

Tenho certeza de que será de grande esclarecimento para nós terapeutas no que diz respeito ao trabalho com essas técnicas durante nossas sessões, sobre sua dimensão de atuação, assim como elucidativo a todos sobre o potencial de alcance terapêutico do BodyTalk.

Natasha Mesquista (editora chefa da 4a edição do Escuta)


O indivíduo é a casa onde
todos os outros vivem.

O agora é um soma
de passados ensaiando
um futuro.

O passo não dado
de ontem
amanhã
será presente.

(errata feito em 25 junho 2021: inclusão de poema de Amanda Pinho)

Entrevistadora, Natasha Mesquita (NM): O que é uma matriz?

Claudia Schembri-Heitmann (CS-H): Uma matriz pode ser definida de várias maneiras diferentes, dependendo também do público a que se dirige. Por definição, uma matriz é um campo de energia nutritiva e de suporte materno, que fornece uma base comum para que as coisas, ideias e processos se unifiquem, e que podem então ser funcionais ou disfuncionais.

Poderíamos também trazer a terminologia que Rupert Sheldrake usa quando descreve a ressonância mórfica e a criação dos chamados campos morfogênicos e morfogenéticos.

Os campos mórficos, morfogênicos e morfogenéticos (campos M) definem diferentes níveis de qualidades, sobre como a forma pode se manifestar através da Consciência do quantum ao físico. ‘Morph’ é a palavra latina para forma, e ‘gênese’ é a palavra latina para criação – apoiando o processo de in-forma-ação, trazendo à forma.

Sempre que um campo de matriz de grupo é formado, relações geometricamente ordenadas, que são baseadas em ressonância mórfica, memórias morfogênicas e morfogenéticas, automaticamente passam a existir dentro e fora deste campo M de grupo.

NM: Tenho um entendimento sobre o módulo 6 (Microcosmos e Macrocosmos), por exemplo, como sendo inspirado em conhecimentos sobre astrologia em convergência com a medicina chinesa. Você sabe o que influenciou John Veltheim na criação das técnicas de Dinâmica de Matrizes?

CS-H: O sistema BodyTalk evoluiu de maneira desdobrada. Desde o início (1995) até 2001, havia “apenas” os Fundamentos do BodyTalk (BTF). Quanto mais o campo de praticantes (e clientes) de BodyTalk crescia em todo o mundo, mais se podia ver que certos bloqueios no sistema corpo mente, especialmente nos níveis emocional-mental-supramental, precisavam ser tratados por “ferramentas” diferentes daquelas que estavam disponíveis no treinamento BTF. Foi em 2001 que os módulos BT avançados foram introduzidos em uma conferência de três semanas. De uma forma simplista, a filosofia sobre matrizes primárias, secundárias e fragmentadas pode ser vista como uma abordagem avançada para trabalhar com memórias ativas ou liberação emocional do BodyGenics. Esses tipos de matrizes vivem uma vida própria no complexo corpo mente (entidade-ID) do cliente. Por isso, a abordagem passo a passo vai removendo as diferentes linhas de suporte de vida para a matriz dentro do órgão, endócrino ou parte do corpo do cliente. Toda a técnica se baseia na questão: o que todo indivíduo e ser identificado precisa para viver?

NM: Parece-me que a Dinâmica de Matrizes como um todo se relaciona fortemente com a teoria dos sistemas dinâmicos, que é a base da estrutura do BodyTalk. No seu ponto de vista, existe uma relação direta entre as técnicas de Matriz e a teoria?

CS-H: Dinâmica de Matrizes pode ser interpretada de diferentes perspectivas quando se trata de Física e Filosofia. Matrizes Complexas estão muito relacionadas à ideia de funcionamento de sistemas dinâmicos. Ao mesmo tempo, tudo isso é baseado no potencial ilimitado e nas possibilidades presentes no mundo da consciência baseada no quantum, representado pelo conceito de onda – partícula, bem como pelo modelo de causação descendente.

NM: Ao trabalhar com Matriz temos a chance de observar o que nosso Sistema chama de “Matrizes primárias, secundárias, fragmentada e complexas”. Existe uma maneira simples de definir a diferença entre elas? Elas poderiam ser compreendidas como perspectivas diferentes da mesma coisa essencialmente?

CS-H: A Matriz Primária é referida como nossa primeira e única máscara essencial dentro do mundo da dualidade que torna possível à consciência universal ser capaz de se manifestar dentro ou através do ser individual. Quanto mais funcional for essa máscara, mais o indivíduo será capaz de curar a mente cindida e a percepção do “eu versus os outros”. 

Matrizes secundárias e fragmentadas são ferramentas de enfrentamento que podem nos ajudar a atravessar a vida, mas na maioria das vezes elas se tornam impraticáveis ​​e podem se tornar uma das principais causas de doenças.

Matrizes complexas estão sempre sendo criadas naturalmente quando mais de um ser (humano, animal, planta) interage regularmente. Sua saúde é o pré-requisito para a saúde do grupo, de seus membros e, também, de seu objetivo e missão.

NM: Como trabalhar com Matrizes Complexas Familiares no BodyTalk se relaciona com a Constelação Familiar? A obra e o conhecimento de Bert Hellinger são uma referência envolvida na criação dessa técnica específica no BodyTalk?

CS-H: Por meio de minhas próprias experiências, estou pessoalmente muito convencida do poder e da abordagem do trabalho de Sistemas Familiares de Hellinger. Além disso, este trabalho é reconhecido (como outra modalidade) quando ensinamos Dinâmica de Matrizes.

No entanto, da perspectiva do BodyTalk, temos que entender que tudo e todos funcionam de acordo com uma matriz complexa, até mesmo o nosso próprio complexo corpo mente. Portanto, quando expandimos a abordagem no BodyTalk para equilibrar uma pessoa por meio de uma sessão, também podemos experimentar a mesma qualidade de prioridades e mudanças fora da pessoa em seu ambiente geral e, também, nos campos aos quais ela está conectada. 

Portanto, é uma evolução natural ir por prioridade e verificar também quais relações precisam ser abordadas por meio de Matrizes Complexas.

NM: Como é que trabalhar com uma Matriz Primária Feminina ou Masculina envolve trabalhar com nossas forças arquetípicas primárias?

CS-H: Há uma forte conexão com as energias arquetípicas presentes em todos nós, usando a compreensão do corpo supramental. Existe um campo de significado além do ser individual e seus cinco sentidos podem ajudar a traduzir e visualizar esse campo arquetípico e seus poderes relacionados.

A Matriz Primária está muito relacionada à expressão dos aspectos divinos femininos e masculinos dentro do indivíduo, no mundo manifestado de dualidade e polaridade. Embora carreguem sim as tendências herdadas (que também incluiriam padrões arquetípicos), eu pessoalmente não relacionaria a matriz primária masculina e feminina ao nível supramental/arquetípico apenas.

NM: A própria sessão torna-se uma matriz com “tentáculos” que podem ser entendidos como os vínculos que surgiram como prioritários. Essa analogia faz sentido?

CS-H: Sempre que estamos observando itens que precisam ser vinculados ao protocolo BodyTalk usando o procedimento BT, estamos criando as chamadas fórmulas. A qualidade dos vínculos pode ser “positiva” (reconexão) ou “negativa” (desassociação). Quer se trabalhe de forma linear (Procedimento Básico) ou não linear (Procedimento Avançado), estamos criando diferentes redes de observação. Mas eu pessoalmente não me refiro a isso como tentáculos. Sim, é um campo, mas geralmente com um nível de ressonância muito temporário, evoluindo para o resultado da própria fórmula.

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Praticante, Instrutora e Pesquisadora. Doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa (IQUIM, EUA). Heilpraktikerin (Naturóloga, Alemanha). Diplom-Sportlehrerin/Sporttherapeutin (Graduada em Ciência e Terapia do Esporte, DSHS e DVGS, Alemanha).

Claudia Schembri-Heitmann nasceu em Bad Oldesloe (Schleswig-Holstein, Alemanha). Em 18 de outubro de 1989, ela se formou em Ciências do Esporte e Terapia após estudar Ciências do Esporte por quatro anos na Universidade Alemã de Ciências do Esporte, em Colônia (Alemanha).

Claudia estendeu seus estudos de pós-graduação e recebeu novas qualificações fazendo cursos adicionais para se especializar em reabilitação de lesões ortopédicas, terapia espinhal e problemas cardíacos, além de treinamento básico/regular em saúde e esporte. Desde a graduação, Claudia ocupou vários cargos de liderança como Chefe de Esportes e Terapia do Movimento em sua linha profissional de trabalho na Alemanha e em Malta. Claudia mudou-se para Malta no início de 1993 para trabalhar em um Centro de Bem Estar e Terapia Integral. Desde então, ela se especializou totalmente em Saúde Baseada na Consciência, utilizando modalidades que são baseadas em quantum, holística e abordagem integrativa.

Em 3 de dezembro de 2001, Claudia se qualificou como Heilpraktikerin (Naturopata) na Alemanha. Em 2004, Claudia mudou-se, com seu marido (Felix) e seu filho (Tim), para viver no sul da Alemanha, onde montou uma clínica de muito sucesso e um centro de seminários profissionais na área de Allgäu (Bavária), ambos baseados em princípios e filosofia de saúde baseados na consciência. Morar na Europa central era muito necessário, a fim de permitir que Claudia viajasse regularmente pelo mundo e ensinasse Saúde e Medicina Quântica baseada na Consciência (principalmente BodyTalk e modalidades afins) para milhares de alunos.

Em abril de 2019, Claudia concluiu o Doutorado PH.D em Medicina Integrativa pela International Quantum University Integrative Medicine (IQUIM, EUA), que é a única universidade no mundo que oferece estudos e pesquisas especializadas e de ponta em Saúde Baseada na Consciência. O foco principal de sua pesquisa de doutorado é a relação e o efeito do ambiente do grupo de trabalho (“matriz”) na saúde do indivíduo.

Claudia Schembri-Heitmann é membro de várias organizações profissionais, incluindo a International BodyTalk Association (IBA, da qual ela é uma das principais instrutoras internacionais e da qual foi presidente mundial por muitos anos), a Federação Alemã de Esportes de Saúde e Terapia Desportiva (DVGS eV), The Reiki Network (TRN), Natural Healing Association Kempten (NHV Kempten) e a Associação Alemã de Medicina Energética e Medicina da Informação (DGEIM eV) .

Hoje, BALANCE é o resultado final de uma jornada e experiência de 30 anos de estudo, pesquisa, prática e ensino na esfera da Saúde Holística Integrativa Baseada na Consciência. Acreditamos que aumentar o conhecimento sobre a importância de uma abordagem baseada em consciência ajuda as pessoas a melhorarem a relação entre seu ambiente interno e externo. Isso nos ajuda a nos tornarmos mais sintonizados com os ritmos da natureza e, finalmente, com nosso Propósito de Vida e Eu Verdadeiro.

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Vida que vale a pena ser vivida

Alexandre Abrantes (1)

Consciência faz-se
   semente molecular
   de fazer brotar células
    de trançar tecidos.
 Costura órgãos
 em colchas orgânicas
   de frutificar sentido.
  Ah, esse eterno ter e ser !

Esse corpo oceano
preenche os (a)mares da vida
   com suas celulares gotas primordiais.

Na sua pele vibra
o finito inesquecível
Debaixo dela a eternidade
te espera.


As linhas sinuosas do tempo
costuram a geometria sagrada
de um corpo em retalhos.

(errata feita em 25 de junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

A história desse artigo é bem entrelaçada com o seu conteúdo – não teria como ser diferente já que tudo faz parte do todo como postula a visão não-dualista – e, portanto, decidi contá-la de forma resumida para iniciarmos esse papo.

Tudo começou com uma postagem que fiz falando sobre a morte na minha conta do Instagram, que foi vista e comentada pela amiga Natasha, que tinha exatamente aceitado fazer o editorial dessa edição do Escuta, falando sobre Vida (e morte). Que sincronicidade! Ela prontamente observou isso e me fez o convite para escrever, e eu sem titubear também aceitei mesmo sem ter experiência com essa prática.

Até aí tudo bem, né? Mas e bloqueio criativo que me impedia de iniciar o texto? Como fazer para superá-lo? E sabe qual foi o gatilho para então o artigo “nascer”? Justamente a lembrança do “deadline”, o prazo final, a morte do prazo. Foi preciso entrar em contato com a morte para me lembrar da vida, de dar a vida (a este artigo).

E assim tive a inspiração para colocar em palavras o turbilhão de pensamentos, sensações e insights que me ocorreram! Vida e morte, como um jogo, uma dança. Vida poderia ser dita como o intervalo entre dois eventos: nascer e morrer. De quanto é esse intervalo, o que vai acontecer durante ele segue sendo um mistério, por mais que a humanidade através de vários estudos e tentativas tente prever e controlar aquilo que está além do nosso entendimento racional e do nosso controle.

Memento Mori. “Lembre-se da morte”. Essa expressão latina que remonta ao fim do século XVI era uma saudação utilizada pelos eremitas de Santo Paulo da França, porém a morte já é algo abordado pela filosofia e religiões ao longo dos séculos, afinal é uma certeza na vida de todos nós.

A interpretação dessa expressão traz uma importante reflexão: diante da lembrança de que tudo é impermanente e acabará, Eu vivo uma vida que vale a pena ser vivida? (E nesse momento te convido a pausar a leitura e deixar essa pergunta ressoar aí dentro. Solte as expectativas, o controle e simplesmente deixe fluir).

Não existe uma resposta certa ou errada. Aqui o mais importante é a pergunta e a reflexão que ela provoca. Acolha aquilo que vier, aceite, abrace. Afinal, se você está me lendo é porque está viva(o) e isso significa que é ainda é possível viver uma vida que vale a pena ser vivida!

“Mas Alexandre, minha vida não tem um propósito! Sinto-me perdida!”

E se o propósito da vida for somente estar viva? Apenas ser, estar presente e experimentar cada situação em todo seu imenso potencial, seja ele de dor ou de prazer, desagradável ou agradável? Apenas permitir que essa consciência que se manifesta em cada um de nós como indivíduos se experimente, experiencie o mundo e as suas possibilidades.

O BodyTalk system tem sido um grande aliado nas minhas práticas terapêuticas tanto como terapeuta do sistema como cliente. Dentro do protocolo utilizado por nós há uma técnica chamada “Consciência” que trabalha com temas que abrangem nossa existência, observando distorções de como interpretamos essa realidade, através de padrões estabelecidos com sistemas de crenças e filtros que fomos recebendo, criando e fortalecendo ao longo de nossas vidas. E dentro dessa técnica tem um espaço dedicado às distorções sobre a nossa percepção sobre o TEMPO.

E aqui vale novamente fazer algumas perguntas: Como é a minha relação com a morte? Entendo que é algo natural e continuo aproveitando a vida ou “morro de medo da morte”? Não tem problema ter medo, afinal é um padrão ligado a nossa sobrevivência. O grande problema é esse medo ser tão grande, que te impede de viver.

E sobre viver, lembra da última vez que você esteve inspirada e fez alguma atividade com tamanha entrega simplesmente porque ela tinha que ser feita, sem pensar nos benefícios de realizá-la ou agir de uma maneira motivada, onde o único motivo para a ação é o resultado desta?

Estar inspirada é estar num estado de fluxo, onde o ego momentaneamente perde as rédeas e permite que você apenas experimente o momento presente, um momento de entusiasmo, que é exatamente aquele em que você está tão imersa em algo que perde a noção de tempo e espaço e, quando “volta”, parece que se passaram 15 minutos mas na realidade se passou mais de 1 hora!

Imagina viver cada vez mais uma vida de forma inspirada, num estado de entusiasmo, sem reviver o seu passado ou estar presa nos projetos futuros por uma grande parte do tempo. Essa técnica auxilia nesse processo da nossa sabedoria inata – a inteligência que autorregula nosso sistema corpo e mente – de desfazer esses conteúdos que distorcem nossa percepção do mundo e nos impedem de viver desse modo, que um dia já foi o nosso jeito natural de viver a vida.

A vida somente acontece no momento presente. Pensar no futuro ou lembrar do passado ocorrem a partir do momento presente, que é o único que realmente existe! E a partir desse entendimento, quanto mais presentes, mais vivos nos sentimos! Não digo que é para abandonarmos as lembranças do que vivemos, nem deixemos de fazer planos para o que desejamos realizar, mas diminuir o tempo que passamos nesses estados e valorizando cada vez mais as pequenas ações, gestos, objetos. É resgatar o nosso “olhar de criança”, que diante de um novo mundo, onde tudo é visto e experimentado pela primeira vez, há uma imersão na experiência.

E para que esse texto não fique apenas numa esfera do intelecto, pare a leitura agora, respire fundo algumas vezes e perceba sua respiração, contemple o local onde você está e tende perceber os detalhes dos objetos, as cores, a intensidade da luz, os sons, os cheiros, o vento tocando sua pele. Vai lá!

E aí? Como foi essa simples e breve experiência pra você?

É ótima pra nos lembrar que já temos o que precisamos para viver, todo o potencial está presente aí dentro, aqui e agora, basta acessá-lo!

E se ainda persistir a sensação de que não está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, mapeie as mudanças que deseja, ajuste o GPS pra onde deseja chegar, sem ocupar sua mente questionando se o caminho é longo ou curto. Apenas comece a caminhada, curta cada passo do caminho, contemple o que se passa dentro e fora, pois é caminhando que se faz o caminho, e é vivendo que se faz a vida valer a pena!

Alexandre Abrantes

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1 Alexandre Abrantes. Terapeuta certificado BodyTalk. Acupunturista. Personal Trainer. Estudos em xamanismo, bruxaria, Astrologia, tarologia, yoga e vedanta. Personal Trainer e instrutor de Yoga
# (21) 981297703. Instagram: @aleabrantes_

Uma breve provocação: para você, o que é saúde?

Por Ana Carolina Medeiros de Vasconcelos

O exercício de escrever esta colaboração para a terceira edição do Escuta nasceu justamente de uma escuta. Minha proposta inicial era ler os textos de meus colegas e, de alguma forma, costurá-los. Só que não fazia ideia de como isto surgiria. 

Foi então que, a partir da leitura prévia dos textos, me escutei indagando: “BodyTalk é um Sistema de Saúde baseado em Consciência, mas, afinal de contas, o que é saúde?“

Esta provocação fez todo sentido, pois saúde é aquela palavra que fica ali no meio, camuflada porque, de maneira geral, supomos que já há uma compreensão anterior sobre ela.

Só que, desta vez, saúde se descamuflou e se mostrou ser a agulha que faltava para essa costura. Resolvi, portanto, provocar em vocês o que esta escuta provocou em mim. 

Me arrisco a dizer que, a maioria das pessoas que procuram atendimento com BodyTalk, chegam em busca de uma melhor qualidade de vida, autoconhecimento, bem estar, ou algo do gênero. De maneira geral, querem ser mais saudáveis. 

Ana Claudia Quintana Arantes, médica geriatra e gerontologista especialista em cuidados paliativos, ressalta que “ser saudável é ser guardião da vida”: “O ser humano é único, não é replicante. Quem trabalha com cuidado paliativo tem menor índice de estresse profissional possível porque nós aprendemos a dar valor à vida”. Ana Claudia Arantes nos relembra que, enquanto há vida pulsante em um corpo-mente, há a guarda da vida, ainda que o corpo físico esteja perecendo.

Dessa forma, somos todos saudáveis, mas “nossa saúde não é fixa nem permanente”, como nos adverte Monja Coen. Por isso, ela nos conecta diretamente com o estado de impermanência e vulnerabilidade. “Nós precisamos saber o que nós podemos fazer e quando temos que parar. O que é conveniente e o que é inconveniente e aí nós podemos manter um estado regular de saúde, mas que não é permanente”. Coen nos dá, então, a dica de que saúde também é guardar a vida observando e respeitando nossos contornos.

Moacyr Scliar vai além e complementa: “o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas”, isto é, passa por muitos filtros. Portanto, saúde também é ponto de vista. “O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças”.

Mas ponto de vista de quem? 

Pelo olhar do BodyTalk, vamos focar no ponto de vista do paciente a partir de um evento de impermanência e vulnerabilidade manifestado através de um sintoma.  

Este ponto de vista conta como a história do sintoma se desenvolveu até se sobrepor ao estado natural do ser e levá-lo a duvidar da sua saúde, da sua habilidade de guardar a vida, independentemente dos sintomas ali manifestados. É como se a sabedoria inata nos desse pistas de uma história que podemos desvendar a fim de integrar este novo estado e retirá-lo da dúvida em relação a sua habilidade inata de curar-se. 

Dessa forma, nossa busca por ser saudável carrega em seu interior a vontade de mudar pontos de vista e se dirigir a um novo estado de percepção do eu.

Saúde também é, portanto, o ponto de vista que integra este estado de percepção.

 “Bem, em termos práticos, é nítido que muitas vezes precisamos de alguma crise a fim de despertar para essa verdade. Sem uma crise pessoal ou social, a tendência é não nos incomodarmos com as mudanças. Para alguns de nós, uma crise de autoconfiança ou uma crise pessoal de infelicidade faz a diferença (…) quando você passa por uma crise como essa, ela lhe dá a tenacidade de que você precisa” – Consciência Quântica, Amit Goswami, pág 182.

Por isso, é mais sobre como estamos guardando esta vida e o que estamos guardando dela. 

Essa reflexão me leva direto a experiência pessoal com as práticas meditativas do Taoísmo que nos orienta a tapar os olhos com a palma das mãos, antes e após a meditação, como forma de guardar a luz de nossos espíritos. 

Dentro do Taoísmo, a meditação é uma prática filosófica que nos realinha com nosso Tao, o nosso Caminho, e nos leva de volta pra casa. Por isso, também é vista como prática de manutenção da saúde. Curioso, né?

Saúde, portanto, também é a habilidade de estarmos cada vez mais alinhados com nosso Caminho, satisfazendo a alma.

“Com frequência, as pessoas me perguntam qual o significado e o propósito de uma existência humana na Terra. O que estamos fazendo aqui? A visão de mundo quântica nos dá pistas sobre esse propósito? Em termos bem simples, a resposta para essas perguntas é que estamos aqui para satisfazer nossa alma. Então, cada pessoa deve se questionar: O que me satisfaz de fato” – Amit, pg 181

Percebo, portanto, que está na hora de voltarmos à frase de definição do Sistema BodyTalk. 

Sendo um Sistema de Saúde baseado em Consciência, as sessões de BodyTalk lembram  ao nosso corpo-mente que ele pode guardar a vida em maior ressonância com a Consciência e ir, aos poucos, voltando para casa sem tantos desvios, satisfazendo, de fato, sua alma.

E, pra você, o que te satisfaz?

Referências audiovisuais

Ana Claudia Quintana Arantes – Aula 1 “O Grito” – Os Inumeráveis Memorial

Ana Claudia Quintana Arantes – A morte é um dia que vale a pena viver

Monja Coen – Nossa saúde não é fixa nem permanente. Como nos cuidamos?

Referências Bibliográficas

História do Conceito de Saúde, Moacyr Scliar

Consciência Quântica, Amit Goswami, 2018, Editora Goyo

Páginas citadas 181 e 182

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(link atualizado em maio 2021)

O Caminho da Individuação

Márcio Ribeiro

A partir do instante em que nascemos, surge um movimento inconsciente por aceitação. Embora nem todos desenvolvamos a sensação de não sermos amados, desejados e queridos, de acordo com a formação da nossa consciência de separação, todos buscamos ser aceitos. 

Por vezes, observamos que a nossa chegada no mundo traz uma mudança potencialmente agradável, mas que também gera um grande peso para as pessoas que nos recebem. Trata-se de um peso que essas pessoas buscam disfarçar com toda força (seja por valores culturais e éticos ou, simplesmente, pelo cuidado em nos acolher), e assim eventualmente conseguem transformá-lo em amor. Ainda assim, o peso existe.

A partir daí, o que podemos perceber é que no transcorrer de uma vida, o ser humano desenvolve várias máscaras em busca de aceitação, retribuição ou obtenção de alguma recompensa. Pressionados pela intensidade de cada estágio que passamos desde a infância, ouvindo opiniões sobre nos parecermos mais com o pai ou com a mãe, por exemplo, buscamos crescer.

Então, desde o início da jornada, todos nós recebemos uma carga consensual com os códigos para pertencermos. Essa carga evolui para a máscara principal que adotamos e com a qual vivemos, mas que nem por isso torna-se um fardo para todos. Porém, na percepção de alguns, essa máscara cria uma ideia equivocada de que aqueles que nos trouxeram ao mundo deveriam ser responsáveis por nós, cem por cento do tempo. Essa é uma demanda que, por sua vez, passa a se apresentar como um grande obstáculo.

Ao não aprender a lidar com essas máscaras, ou ainda, ao não buscar uma versão individual de nós mesmos, dentro do espaço-tempo da nossa mortalidade, nos distanciamos do sentimento de valor e amor próprio e, principalmente, da individuação.

Enquanto terapeutas de BodyTalk embasados no vasto conhecimento da filosofia Advaita Vedanta, a busca por essa individuação se torna um desmascaramento dos momentos cruéis em que julgamos o outro, ou nos quais nos sentimos julgados. Desta forma, a busca pela individuação nos alimenta com um senso de que é possível sim viver, apesar da impossibilidade de sermos aceitos o tempo inteiro. 

Entendemos que é possível viver com um sentimento de paz, apesar de não termos controle absoluto sobre nada. Compreendemos que precisamos fazer do controle um legado ilusório, porém necessário, para as vivências mundanas do cotidiano. Afinal, esse controle é útil; inclusive para evitar uma reação de emoção exagerada diante dos desafios que surgirão na interação com o outro, a partir do nosso processo de individuação. 

Vale ressaltar que não importa o quanto você se individue, o mundo não precisa acompanhar a sua individuação. Ou seja, o outro não precisa estar bem-resolvido para que você também possa estar em um lugar melhor. Embora o conhecimento seja impessoal, esta é uma jornada pessoal, na medida em que a iluminação é para todos, mesmo que o despertar nunca seja igual para ninguém. 

Tomar esse despertar pode implicar, para alguns mais que para outros, uma sensação de isolamento, de solidão ou, até mesmo, de estar a um passo de uma depressão. Outra percepção que habitualmente acompanha o despertar de consciência é o sentimento de não ser entendido. 

Mas o grande trabalho de um terapeuta de BodyTalk é de somar-se ao entendimento de que o corpo-mente quer essa individuação; todo ser deseja lembrar-se de quem é, na origem. Por esse motivo, devemos sempre ter em mente a analogia da onda no mar. 

A onda, quando se percebe ainda identificada com o mar, ela faz da corrida em direção a praia o seu grande objetivo. Poderíamos dizer que ela traça caminhos e metas para chegar até seu destino: primeiro, vem crescendo como uma marola no meio de um oceano, até tornar-se onda forte, corajosa e capaz. É assim que ela, destemidamente, alcança a praia. Conforme o mar a recolhe para a fusão e ela percebe que a praia não é o fim da jornada, surge a consciência de nunca ter sido separada do oceano. É a partir desse desapontamento egóico que se inicia o despertar espiritual.

Seguindo a mesma linha, ao longo da vida humana passamos por desafios, gestamos motivações, vestimos máscaras para dar conta, buscamos melhorar para sermos aprovados e aceitos. Acreditamos que desta forma vamos conseguir alcançar algum objetivo, que assim que chegarmos lá seremos felizes; e que se não atingimos esse marco, significa então que não fomos ninguém, não fizemos nada, não chegamos em lugar nenhum. Sem contar que muitas vezes projetamos essa felicidade no outro como se fosse um objetivo comum. 

Talvez a nossa grande inflexão possa estar em dar-nos conta de que não é sobre o resultado final e nem sobre ser feliz, mas sim sobre experienciar essa jornada inconstante, impermanente, que nos é dada e tirada, sem aviso prévio. Viver os prazeres, os despertares e os lutos, inclusive da perda dessa efêmera experiência de onda. O ouro está na faísca potencial de despertar para a jornada por si só, como jornada da alma, e não em função de algum resultado egóico final. A experiência da convivência, do diálogo, do afeto, do amor… Isso é o que interessa e faz o exercício da jornada da alma valer a pena.

Portanto, no que diz respeito a nós, terapeutas, que temos o conhecimento das consciências naturais do corpo e as dinâmicas dualísticas que elas nos convidam a viver aqui: quanto mais individuados, mais este ir e vir de vivências será percebido apenas como uma oscilação na onda. 

Para mim, este é o marco zero a partir do qual eu já não me encanto mais com a adrenalina de surfar a crista da onda, pois afinal, sei que a onda também baixa. Tampouco me paraliso quando tudo se silencia. A vida então começa a ser trançada de impermanência, agora bem menos assustadora, e ressalta aquilo que mais temos que reconhecer na nossa história humana: a vulnerabilidade, não como um sinal de fraqueza, mas de humanidade. Afinal, mesmo pertencendo à vasta consciência-oceano, somos apenas seres humanos. 

Na jornada infinita da alma, somos ondas com término determinado, mas expressamos consciência quando nos percebemos conectados ao potencial infinito de possibilidades. Agora, os nossos pais já não são mais responsáveis por nós, a cultura não é responsável por nós, e tampouco há culpa por estarmos atravessando qualquer experiência. A religião, que já não dava todas as respostas, agora ocupa o lugar de nos servir durante a jornada, até o ponto de não servir mais. 

Agora o eu já não segura mais, não julga mais, não critica mais, e não busca ser aceito ou amado quando percebe que não o é. Agora há amor-próprio e auto-aceitação, inclusive diante de outras ondas que, ainda identificadas, se acham separadas do oceano, e assim, de mim mesmo. 

Individuados, livres, ao fim da jornada, temos o potencial de morrermos despertos, quando a faísca de iluminação retorna à essência do todo. Conectados com o todo, individuados, não importa mais que as relações sejam agradáveis ou que tragam felicidade. Agora todos pertencem ao ciclo de múltiplas facetas, sem jeito certo de ser ou de viver, porque toda a expressão do universo é válida.

O importante é manter um caminhar centrado e conectado, na companhia desapegada de todos, buscando viver e resolver aquilo que nos cabe, em homenagem a essa força que governa a todos, dê a ela o nome que quiser: amor, consciência… Pouco importa, desde que o caminho seja aquele da individuação.

Finalizo com Balsekar (1992, p. 200, grifo do autor)

Você não pode evitar estar aqui! Eu não pude evitar estar aqui. Este-que-está-falando e aquele-que-está-escutando precisam estar aqui para que a fala-escuta ocorra como um evento. Você pensa que você está ouvindo, mas a escuta está ocorrendo através do mecanismo do corpo-mente e isto é parte do processo de desidentificação, de iluminação, que acontece. E no processo de desidentificação, no processo evolutivo, isto é um evento. Isto é um evento específico. Portanto, esta escuta está ocorrendo através do mecanismo do corpo-mente porque tinha que ser assim neste momento, neste lugar. Isto é parte do funcionamento da Totalidade.

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(link atualizado em maio 2021)

Prefácio Ed. 3 Escuta

Renata Ururahy [1]

Tendo praticado e estudado BodyTalk internacionalmente, estou muito honrada em fazer parte da terceira edição do Escuta e desta forma me conectar com a matriz brasileira de terapeutas BodyTalk.  É com muita alegria que vejo o sistema se desenvolver de forma tão profissional e qualificada no país do meu coração.

Acredito que estamos em um momento único na história da humanidade, em que existe a possibilidade de um salto quântico na forma das pessoas entenderem a dinâmica do corpo-mente de forma mais interconectada, que trará uma grande demanda das terapias baseadas em consciência.  

Nesta edição os artigos vêm explorar, em diversos ângulos, o princípio fundamental do BodyTalk como sistema de saúde baseado em consciência e refletir na importância crucial deste princípio para o alcance de um verdadeiro estado de saúde.    

Marcio Ribeiro nos convida a questionar o que faz a jornada da alma realmente valer a pena e como viver essa jornada inconstante e impermanente de forma centrada e conectada. Seu artigo é uma bela descrição da importância do processo de individuação que o BodyTalk facilita ao encontro do amor próprio e autoaceitação. Marcio traça uma trajetória desde o momento onde formamos nossas máscaras em busca da aceitação e pertencimento ao momento em que nos reencontramos como os seres que realmente somos.  O artigo explora a possibilidade de vivermos desapegados de resultados egóicos e “Livres, ao fim da jornada, temos o potencial de morrermos despertos, quando a faísca de iluminação retorna a essência do todo.” afirma Ribeiro. 

Luciano Flehr, em seu artigo divide conosco relatos incríveis de resultados alcançados com o BodyTalk em diferentes etapas de seu crescimento como terapeuta. Fazendo parte do sistema há mais de doze anos, me identifico muito com a forma em que Luciano se apaixona pela modalidade e as possibilidades que ela nos oferece de transcender aquilo que acreditamos ser possível dentro do paradigma da medicina moderna. 

Refletindo na definição fundamental do BodyTalk como sistema de cuidados com a saúde baseado em consciência, Natasha Mesquita nos convida a questionar “Por que tantos paradigmas sobre a viabilidade de sessão a distância, se a consciência é imaterial?”

De forma descontraída e intrigante, o artigo nos desafia a refletir como acessamos as informações nas sessões de BodyTalk e a importância da simples observação do terapeuta do que o corpo tem a dizer como fator causal do processo de transformação. 

Natasha explora o embasamento científico da física quântica para explicar como as sessões de BodyTalk podem ser efetivas tanto pessoalmente como a longa distância, apresentando o conceito de campos morfogenéticos e entrelaçamento quântico usados para descrever a interconexão de todas as coisas no universo. Além disso, o artigo instiga o questionamento de nossas crenças acerca do que é o conhecimento, trazendo a importância da qualidade subjetiva e da experiência interna ao processo de validação do conhecimento. 

Em uma edição da Escuta que reflete novos princípios científicos para entender terapias integrativas e quânticas como o BodyTalk, Nirvana Marinho em seu artigo “BodyTalk e sua ciência, fatos baseados na consciência”, nos apresenta três pesquisas realizadas no Brasil nos últimos dois anos. Nirvana também nos introduz à três autores que fortalecem a base científica do BodyTalk: Fritjof Capra, James Oschman e Amit Goswami que nos oferecem uma ponte entre a ciência e a filosofia e descrevem uma prática não dualista da consciência, nos levando a uma nova visão da realidade.

Em seu artigo, Ana Carolina Medeiros de Vasconcelos provoca o leitor a questionar o verdadeiro significado de saúde e nos convida a incluir o conceito do valor que damos à vida quando pensamos em saúde. O artigo reflete na natureza impermanente do nosso estado de saúde e da importância de práticas (como o BodyTalk) que promovem o alinhamento com a Consciência e buscam satisfazer a alma no caminho de volta para casa como aspectos fundamentais na promoção da saúde.   

Aproveitem a leitura dos artigos desses incríveis profissionais.

[1] Formada em Nutrição pela UnB, Renata se mudou para os EU para expandir seu conhecimento em terapias integartivas, onde completou seu mestrado em Nutrição Holística pela Clayton College of Natural Health. Em busca de se aprofundar na compreensão da interação corpo-mente, se certificou como Terapeuta BodyTalk, Instrutora de Yoga e Reiki Master. Renata realiza atendimentos pessoais e a distância no Brasil e Estados Unidos, além de trabalhar com grupos de mulheres em processo de descoberta espiritual.

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(link atualizado em maio 2021)

O BreakThrough e o encontro da sua própria Rainha de Copas

Salima J. Lara Resende[1]

Como nos convida a refletir Esther Veltheim, criadora do Sistema Breakthrough: espiritualidade talvez seja a total aceitação de nossa humanidade, aqui e agora, em um mundo complexo. A aceitação de eu e você irrequietos, às vezes meio loucos. Onde achamos o sagrado e também partições, o prazer, a separação e, quando há muita (muita) sorte, reencontros com coisas mais leves do que o que nos fazem sentir jargões espirituais – ou desespirituais (esta última palavra aqui fui eu que inventei, mesmo).

Jargões como Alcançar a Iluminação; Curar a Criança Ferida; Ser Fit; Ser saudável; Desapegar do passado; Ser um grande terapeuta; Ser alguém bem resolvido; Evoluir. São jargões que geram metas que destroem o senso de confiança em si mesmo de alguém. Aumentam a arrogância e a desconexão com nossa clareza e humanidade – simples, vulnerável, espiritualizada.

Netflix e o Mestre

Esta semana assisti um filme no Netflix. A tradução do nome do filme seria, na íntegra: “Polvo, meu professor”. Era sobre um homem comum correndo contra o tempo, trabalhando com algo que não lhe era natural para a própria saúde. Decidiu mudar o rumo e passou a visitar diariamente um polvo que conheceu enquanto praticava mergulho livre na baía onde cresceu – sim, um polvo; o animal marinho mesmo, daqueles que se serve ou come em bons restaurantes. Meu Deus: que história. Difícil encontrar espiritualidade – ou humanidade – melhor descrita. História sobre devoção e clareza.

O que você acha que aconteceria a você se assistisse ao seu melhor amigo, a quem você se dedicou diariamente por um ano e que te ensinou a se encontrar livre e despido, e quem te deu o sentido de vida que você havia perdido, ser devorado por um tubarão enquanto você prende o ar debaixo d`agua, numa temperatura a 10 graus Celcius? Conseguiria só filmar a cena sem intervir, em entrega e sem necessidade de construir explicação – mental, espiritual, emocional ou desapegada? Eu não sei se conseguiria. E também não consegui não cair na armadilha de me envolver com expectativas irreais que me fizeram segurar minha própria energia na busca de uma evolução desconexa. Outras pessoas, pelo que vejo na prática, seguram a própria energia na tentativa de viverem o que se acredita ser uma Boa Vida. Mas o resultado é o mesmo: a queda.

Foi o questionamento ensinado pelo Sistema BreakThrough, junto com a graça do meu Mestre (sim, meu Mestre – vivo), que me possibilitou levantar. Mesmo com a graça de encontrar uma relação com um Mestre vivo real que me guia. Mestre é alguém que já desaprendeu tudo o que não é; não se diz saber e não precisa de nada além de relaxar e tomar sorvete de sobremesa, ou outras coisas assim. Observo o BreakThrough como ferramenta das mais preciosas dentre o que estudei nos últimos 18 anos em Psicologia. Explico agora o porquê, com parte da história de Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Se quisermos ir fundo no buraco da Alice e de fato conhecer a nós mesmos, temos que encontrar uma Rainha de Copas Interna. Essa rainha deve ser pronta a nos cortar a cabeça; nos resgatar das rasteiras que a cabeça (ou os Sistemas de Crenças), às vezes, nos dá. O rastro delas – tanto da Rainha Interna quanto das rasteiras da Crença – é dos mais difíceis de se decifrar. Somos sortudos se encontramos preciosos recursos de ajuda para a jornada. O BreakThrough é um deles.

Comecemos do começo

O BreakThrough é um sistema que nos leva a conhecer nossas crenças inconscientes. São elas o que gera em nós, em nosso corpo emocional, carga desnecessária e que acaba – cedo ou tarde – pesando. O peso pode ser por um senso de sofrimento, por estresse, por doenças físicas ou pela insistência em situações ou relações que não são nutritivas (que não ajudam a relaxar).

O significado do Símbolo de Copas, com o desenho de um coração, nos leva à lembrança das emoções. Se você já foi tomado por uma delas – as cinco emoções básicas: alegria/tristeza, preocupação, luto, medo ou raiva – e não conseguiu agir de forma prática naquele momento, você sabe o poder que tem o nosso Corpo Emocional. E pode se beneficiar com o BreakThrough. Conhecer essas energias emocionais, saber de onde vêm quando por elas somos tomados (Sistemas de Crenças inconscientes) facilita a vida. Encontrar estabilidade emocional, ou cortar a própria cabeça, é ser capaz de responder a vida em lugar de apenas reagir a ela. Ser capaz de parar de perder energia com o que não é importante; não nos deixa dormir ou não é aceito. Estabilidade emocional é a capacidade de não se envolver com o que dificulta o relaxamento – possível, por natureza, a qualquer Ser Humano. O mesmo relaxamento enaltecido pela força, poder e vivacidade que descrevem a existência de um animal selvagem – livre e intocado, como o polvo professor do filme. O BreakThrough pode nos ajudar a reaver relaxamento. O BreakThrough relaxa. Mas calma: quão fundo no buraco da Alice você quer ir?

De volta às origens: Quem sou Eu?

A jnana yoga é, dentre os caminhos espirituais, aquele que mais requer clareza intelectual. Uma capacidade de se fazer perguntas certas (muitas vezes tácitas) que ajudam a separar o joio do trigo; ou o que é real do que é irreal; ou a nossa clareza dos Sistemas de Crença. A jnana yoga é o fundamento do Sistema BreakThrough. É a arte de questionar até que se chegue a essência – o que não pode ser percebido, nem descrito – mas É. Aqui, onde as coisas são como são, relaxamento e alívio são possíveis. A resposta à pergunta “Qual o sentido da vida” é degustada, e não apenas entendida.

Ramana Maharishi, mestre indiano que usou a jnana yoga e morreu em 1954 (dia do meu aniversário, mas isso não importa – nem para mim nem para você) nos deu de presente a Auto-Investigação. A sugestão de prática que ele dava a milhares de alunos, pessoas que lhe procuravam na busca de alívio, aos seus mais próximos discípulos ou a sua mãe, era a mesma. A recomendação de se fazer, repetidamente e a si mesmo, a simples pergunta “Quem Sou Eu”. Quem é você que se encontrou ou está no caminho? Quem é você que não entende como outras pessoas conseguem viver daquele jeito? Quem é você que não sabe? Quem é você que tem raiva, frustração ou não consegue sair do lugar? Quem é você que se arrependeu ou que, finalmente, acertou? Quem é você que errou? Quem é você que faz o que pode? Quem é você que é amoroso? Quem é você que é egoísta? Quem é você que é agressivo, calmo ou pacífico? Quem é você que é demais, ou que não é bom o suficiente?

Ramana foi um ser humano extraordinário. Não só por ter sido simplesmente humano, até o talo. Mas por ter catalizado o processo espiritual (ou o processo de voltar a ser humano) de pessoas que hoje, ainda vivas, inspiram ou ensinam. Inclusive o meu Mestre, que tem Ramana como seu ParaGuru. E pessoas como a Esther Veltheim – que criou e nos ensinou o Sistema BreakThrough. Tenho o Breakthrough como uma versão mastigada para nós do Ocidente do exercício de AutoInvestigação de Ramana Maharishi. O BreakThrough é preciso, impressionante, simples. Funciona. Traz alívio, clareza, lembra-nos da necessidade de devoção e compaixão por nós mesmos, se quisermos ser humanos.

Autoperdão

Com o uso do BreakThrough na clínica (agora também online) testemunho centenas de pacientes, muitos dos quais recebem sessões mensais de BodyTalk, a dar significativos saltos na direção do alívio e do autoperdão. Com o uso do BreakThrough já experimentei clareza sobre mim mesma e sobre o que me segurou por meses a fio em situação justa demais. É uma daquelas coisas que vale se dar de presente: receber uma sessão de BreakThrough, ou estudar o Sistema. O único pré-requisito é você já ter sentido uma emoção exageradamente e querer – por saber o peso que uma emoção exagerada traz – ser a sua única e própria Rainha de Copas.


[1] Salima J. Lara Resende é Terapeura BodyTalk Avançada e Parama, Psicóloga, Terapeuta Floral e Alquimista. Mantém sua clínica em Brasília; atende por consultas online (em português e Inglês) e também em Florianópolis e Garopaba. Ensina o BodyTalk Acesso desde 2009; trabalha com o Breakthough desde 2010. Dedica-se `a meditação desde 2012. Contato: sensis.bodytalk@gmail.com / +5561998420477

Crédito da imagem: Ramanaashram, Tiruvannamalai, Índia, 2018. Foto: Salima J. Lara Resende

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(link atualizado em maio 2021)

Auto investigação e o caminho espiritual

[1]

Esther Veltheim[2]

Seja paciente na direção de tudo que está insolúvel no seu coração e tente amar as questões elas mesmas, como quartos fechados e como livros que são agora sendo escritos numa língua estrangeira. Não procure respostas, que não podem ser dadas a você porque você não está apto a viver com elas. E o ponto é, viver com tudo isso. Viva as questões agora. Talvez você irá gradualmente, então, sem perceber, viver em algum dia distante em direção ao futuro”. – Rainer Maria Rilke

Pergunte para vinte pessoas diferentes o que duas pequenas palavras “caminho espiritual” significam para elas e você irá provavelmente receber vinte respostas diferentes. Mas tem chance que muitas destas explanações irão conter o termo “ser iluminado”.

Caminho spiritual. Tornar-se iluminado, iluminar. Ser uma pessoa espiritual. Quase qualquer pessoa envolvida em cura alternativa ou algum tipo de yoga irá ter cruzado com essa terminologia ou mesmo regularmente usado esses termos.

Uma coisa é muito certa. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, a crença que falta algo em você vai te pegar. O oposto também pode acontecer. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, é possível que você esteja resignado com a ideia que existe alguma coisa que você precisa galgar ou antes algo tem que acontecer. Talvez o ego, o Eu, seus pensamentos. Talvez tudo isso.

E então, existem todo tipo de trajetórias espirituais que você pode considerar. E então existem todas as diferentes explicações sobre elas. E então existe o que você sente dentro de você. Talvez uma profunda frustração, uma nostalgia, uma sensação de “isso não é possível?!”, “existe algo mais”, “o que é a vida nisso tudo?”. Se você se relaciona com alguma coisa aqui, você não está sozinho. Espiritualidade é um assunto que tem algo de desconcertante, intrigante, sedutor, desafiador e direciona as pessoas para limite da loucura, provavelmente como nunca antes você experimentou.

Existem alguns maravilhosos ensinamentos e mestres no mundo que inspiram e catalisam nossa jornada espiritual. Alguns dos mais amados e renomados mitologistas e mestre em contar histórias, Joseph Campbell, nos convoca para nossa jornada espiritual chamado Jornada do Herói. E, claramente, nenhuma palavra melhor se aplica do que herói àquele que descreve qualquer um de nós que caminhe através da vida humana. Nada é certo, nada é premeditado, nada é garantido. Mesmo se nós não pensarmos em nós mesmos nessa jornada espiritual, somente ser humano já significa que estamos engajados numa jornada heroica.

Da perspectiva do BreakThrough, a vida espiritual significa: uma aventura de exploração do que é ser humano e viver essa vida humana tão plenamente como possível.

Como você talvez já saiba, existem quadro caminhos principais do Yoga –  Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga. Esses são os caminhos espirituais usados por aqueles que se engajam numa jornada espiritual. Cada um é diferentemente conduzido para um temperamento particular e abordagem para a vida. Um dos quatro caminhos, Jnana, o caminho do conhecimento, é considerado um dos mais simples e o método mais direto de corte dos nossos equívocos sobre si mesmo. Como uma palavra simples é antítese da outra, o caminho é tradicionalmente o menos percorrido.

Porque o jnana yoga é considerado difícil e não seguido por qualquer um é porque ele requer um intelecto afiado; alguém com a capacidade de cortar através das concepções distorcidas de si. Ao fim, o jnana yoga pode ser bem chamado da yoga do questionamento. Não é que aqueles envolvidos em outro tipo de yoga não se coloquem questões. Ao contrário. O praticante de jnana explora as questões por elas mesmas num caminho que nenhum outro faz. É o caminho do discernimento: procurar diferenciar tão claramente quanto possível o que é real do que é irreal.

Vivendo na era da Informação que nós estamos, nunca antes os seres humanos estiveram expostos a tanto fluxo de informação. Nenhum de nós com um computador ou um smartphone ou televisão estamos disponíveis para sermos bombardeados com informação praticamente o tempo todo. Muito dessa informação parece convincente, até mesmo sedutora. Imagens, palavras, sons, ensinamentos, propagandas… e uma lista vai e vai sem parar.

Os benefícios são muitos, mas os perigos são igualmente numerosos. A habilidade do sistema humano para se adaptar a esse novo caminho de ser tem sido testado a todo momento. Muito do tempo que nós estamos desatentos a essa multiplicidade de instrusões elétricas estressantes, nosso sistema está absorvendo.

Como costuma acontecer quando nossos sistemas estão estressados, nós fazemos o que é mais fácil para nós. Nós queremos alívio imediato e nos preocupamos para que consequências a longo prazo caiam no esquecimento. Um dos mais comuns métodos de estresse que nós temos na era da Informação é presumir. Com tanta informação chegando até nós, é mais fácil ser como uma esponja, absorver a maior parte dela e economizar o tempo de questioná-la.

Em outras palavras, nunca houve um momento em que os seres humanos precisassem tanto aprimorar sua capacidade de questionar. Nunca houve um momento em que nossa vida como seres humanos tivessem tanta necessidade de examinar. Não é porque tempos obscuros e difíceis nunca existiram antes. Ao contrário, tudo que precedeu essa era tem requerido tremenda adaptação humana. Foram estes tipos de adaptações humanas que nos trouxeram a esta era, enfrentando inundações de informações.

Claramente, nunca houve um tempo de maior pressão do que aprender a arte do discernimento. No final das contas, nós precisamos aprender a arte do questionamento. Como uma criança pequena – direta, simples, com questões lógicas, que venham facilmente até nós. Isso significa que é da nossa natureza questionar claramente, simples e logicamente. Em algum lugar desse caminho, perdemos o contato com essa habilidade brilhante.

Entre a infância e o adulto, o intelecto torna-se uma palavra quase suja entre muitos nós. Nós esquecemos que pensar claramente e questionar claramente foi uma das coisas que nós realmente fazíamos muito bem. Vinha naturalmente. Isso significa que é inerente esse dom e que nenhum nós poderíamos ser privados.  Nós simplesmente precisamos nos valer disso.

Isso descreve o trabalho que fazemos no BreakThrough.


[1] Artigo gentilmente cedido pela autora através do site: https://www.breakthroughiba.com/.

[2] Esther is the Creator of the BreakThrough System and Co-Founder of the International BodyTalk Association (IBA). She resides in Europe and teaches advanced, interactive workshops in BreakThrough, in-person and online. She also runs ongoing BreakThrough Instructor Training programs and offers private, online BreakThrough sessions.

Esther is the author of Beyond Concepts – the investigation of who you are not, and Who am I? – the seeker’s guide to nowhere. Mais informações em https://www.breakthroughiba.com/instructors/.

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(link atualizado em maio 2021)