O BreakThrough e o encontro da sua própria Rainha de Copas

Salima J. Lara Resende[1]

Como nos convida a refletir Esther Veltheim, criadora do Sistema Breakthrough: espiritualidade talvez seja a total aceitação de nossa humanidade, aqui e agora, em um mundo complexo. A aceitação de eu e você irrequietos, às vezes meio loucos. Onde achamos o sagrado e também partições, o prazer, a separação e, quando há muita (muita) sorte, reencontros com coisas mais leves do que o que nos fazem sentir jargões espirituais – ou desespirituais (esta última palavra aqui fui eu que inventei, mesmo).

Jargões como Alcançar a Iluminação; Curar a Criança Ferida; Ser Fit; Ser saudável; Desapegar do passado; Ser um grande terapeuta; Ser alguém bem resolvido; Evoluir. São jargões que geram metas que destroem o senso de confiança em si mesmo de alguém. Aumentam a arrogância e a desconexão com nossa clareza e humanidade – simples, vulnerável, espiritualizada.

Netflix e o Mestre

Esta semana assisti um filme no Netflix. A tradução do nome do filme seria, na íntegra: “Polvo, meu professor”. Era sobre um homem comum correndo contra o tempo, trabalhando com algo que não lhe era natural para a própria saúde. Decidiu mudar o rumo e passou a visitar diariamente um polvo que conheceu enquanto praticava mergulho livre na baía onde cresceu – sim, um polvo; o animal marinho mesmo, daqueles que se serve ou come em bons restaurantes. Meu Deus: que história. Difícil encontrar espiritualidade – ou humanidade – melhor descrita. História sobre devoção e clareza.

O que você acha que aconteceria a você se assistisse ao seu melhor amigo, a quem você se dedicou diariamente por um ano e que te ensinou a se encontrar livre e despido, e quem te deu o sentido de vida que você havia perdido, ser devorado por um tubarão enquanto você prende o ar debaixo d`agua, numa temperatura a 10 graus Celcius? Conseguiria só filmar a cena sem intervir, em entrega e sem necessidade de construir explicação – mental, espiritual, emocional ou desapegada? Eu não sei se conseguiria. E também não consegui não cair na armadilha de me envolver com expectativas irreais que me fizeram segurar minha própria energia na busca de uma evolução desconexa. Outras pessoas, pelo que vejo na prática, seguram a própria energia na tentativa de viverem o que se acredita ser uma Boa Vida. Mas o resultado é o mesmo: a queda.

Foi o questionamento ensinado pelo Sistema BreakThrough, junto com a graça do meu Mestre (sim, meu Mestre – vivo), que me possibilitou levantar. Mesmo com a graça de encontrar uma relação com um Mestre vivo real que me guia. Mestre é alguém que já desaprendeu tudo o que não é; não se diz saber e não precisa de nada além de relaxar e tomar sorvete de sobremesa, ou outras coisas assim. Observo o BreakThrough como ferramenta das mais preciosas dentre o que estudei nos últimos 18 anos em Psicologia. Explico agora o porquê, com parte da história de Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Se quisermos ir fundo no buraco da Alice e de fato conhecer a nós mesmos, temos que encontrar uma Rainha de Copas Interna. Essa rainha deve ser pronta a nos cortar a cabeça; nos resgatar das rasteiras que a cabeça (ou os Sistemas de Crenças), às vezes, nos dá. O rastro delas – tanto da Rainha Interna quanto das rasteiras da Crença – é dos mais difíceis de se decifrar. Somos sortudos se encontramos preciosos recursos de ajuda para a jornada. O BreakThrough é um deles.

Comecemos do começo

O BreakThrough é um sistema que nos leva a conhecer nossas crenças inconscientes. São elas o que gera em nós, em nosso corpo emocional, carga desnecessária e que acaba – cedo ou tarde – pesando. O peso pode ser por um senso de sofrimento, por estresse, por doenças físicas ou pela insistência em situações ou relações que não são nutritivas (que não ajudam a relaxar).

O significado do Símbolo de Copas, com o desenho de um coração, nos leva à lembrança das emoções. Se você já foi tomado por uma delas – as cinco emoções básicas: alegria/tristeza, preocupação, luto, medo ou raiva – e não conseguiu agir de forma prática naquele momento, você sabe o poder que tem o nosso Corpo Emocional. E pode se beneficiar com o BreakThrough. Conhecer essas energias emocionais, saber de onde vêm quando por elas somos tomados (Sistemas de Crenças inconscientes) facilita a vida. Encontrar estabilidade emocional, ou cortar a própria cabeça, é ser capaz de responder a vida em lugar de apenas reagir a ela. Ser capaz de parar de perder energia com o que não é importante; não nos deixa dormir ou não é aceito. Estabilidade emocional é a capacidade de não se envolver com o que dificulta o relaxamento – possível, por natureza, a qualquer Ser Humano. O mesmo relaxamento enaltecido pela força, poder e vivacidade que descrevem a existência de um animal selvagem – livre e intocado, como o polvo professor do filme. O BreakThrough pode nos ajudar a reaver relaxamento. O BreakThrough relaxa. Mas calma: quão fundo no buraco da Alice você quer ir?

De volta às origens: Quem sou Eu?

A jnana yoga é, dentre os caminhos espirituais, aquele que mais requer clareza intelectual. Uma capacidade de se fazer perguntas certas (muitas vezes tácitas) que ajudam a separar o joio do trigo; ou o que é real do que é irreal; ou a nossa clareza dos Sistemas de Crença. A jnana yoga é o fundamento do Sistema BreakThrough. É a arte de questionar até que se chegue a essência – o que não pode ser percebido, nem descrito – mas É. Aqui, onde as coisas são como são, relaxamento e alívio são possíveis. A resposta à pergunta “Qual o sentido da vida” é degustada, e não apenas entendida.

Ramana Maharishi, mestre indiano que usou a jnana yoga e morreu em 1954 (dia do meu aniversário, mas isso não importa – nem para mim nem para você) nos deu de presente a Auto-Investigação. A sugestão de prática que ele dava a milhares de alunos, pessoas que lhe procuravam na busca de alívio, aos seus mais próximos discípulos ou a sua mãe, era a mesma. A recomendação de se fazer, repetidamente e a si mesmo, a simples pergunta “Quem Sou Eu”. Quem é você que se encontrou ou está no caminho? Quem é você que não entende como outras pessoas conseguem viver daquele jeito? Quem é você que não sabe? Quem é você que tem raiva, frustração ou não consegue sair do lugar? Quem é você que se arrependeu ou que, finalmente, acertou? Quem é você que errou? Quem é você que faz o que pode? Quem é você que é amoroso? Quem é você que é egoísta? Quem é você que é agressivo, calmo ou pacífico? Quem é você que é demais, ou que não é bom o suficiente?

Ramana foi um ser humano extraordinário. Não só por ter sido simplesmente humano, até o talo. Mas por ter catalizado o processo espiritual (ou o processo de voltar a ser humano) de pessoas que hoje, ainda vivas, inspiram ou ensinam. Inclusive o meu Mestre, que tem Ramana como seu ParaGuru. E pessoas como a Esther Veltheim – que criou e nos ensinou o Sistema BreakThrough. Tenho o Breakthrough como uma versão mastigada para nós do Ocidente do exercício de AutoInvestigação de Ramana Maharishi. O BreakThrough é preciso, impressionante, simples. Funciona. Traz alívio, clareza, lembra-nos da necessidade de devoção e compaixão por nós mesmos, se quisermos ser humanos.

Autoperdão

Com o uso do BreakThrough na clínica (agora também online) testemunho centenas de pacientes, muitos dos quais recebem sessões mensais de BodyTalk, a dar significativos saltos na direção do alívio e do autoperdão. Com o uso do BreakThrough já experimentei clareza sobre mim mesma e sobre o que me segurou por meses a fio em situação justa demais. É uma daquelas coisas que vale se dar de presente: receber uma sessão de BreakThrough, ou estudar o Sistema. O único pré-requisito é você já ter sentido uma emoção exageradamente e querer – por saber o peso que uma emoção exagerada traz – ser a sua única e própria Rainha de Copas.


[1] Salima J. Lara Resende é Terapeura BodyTalk Avançada e Parama, Psicóloga, Terapeuta Floral e Alquimista. Mantém sua clínica em Brasília; atende por consultas online (em português e Inglês) e também em Florianópolis e Garopaba. Ensina o BodyTalk Acesso desde 2009; trabalha com o Breakthough desde 2010. Dedica-se `a meditação desde 2012. Contato: sensis.bodytalk@gmail.com / +5561998420477

Crédito da imagem: Ramanaashram, Tiruvannamalai, Índia, 2018. Foto: Salima J. Lara Resende

Para ler em pdf clique aqui

Auto investigação e o caminho espiritual

[1]

Esther Veltheim[2]

Seja paciente na direção de tudo que está insolúvel no seu coração e tente amar as questões elas mesmas, como quartos fechados e como livros que são agora sendo escritos numa língua estrangeira. Não procure respostas, que não podem ser dadas a você porque você não está apto a viver com elas. E o ponto é, viver com tudo isso. Viva as questões agora. Talvez você irá gradualmente, então, sem perceber, viver em algum dia distante em direção ao futuro”. – Rainer Maria Rilke

Pergunte para vinte pessoas diferentes o que duas pequenas palavras “caminho espiritual” significam para elas e você irá provavelmente receber vinte respostas diferentes. Mas tem chance que muitas destas explanações irão conter o termo “ser iluminado”.

Caminho spiritual. Tornar-se iluminado, iluminar. Ser uma pessoa espiritual. Quase qualquer pessoa envolvida em cura alternativa ou algum tipo de yoga irá ter cruzado com essa terminologia ou mesmo regularmente usado esses termos.

Uma coisa é muito certa. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, a crença que falta algo em você vai te pegar. O oposto também pode acontecer. Se seu objetivo é tornar-se iluminado, é possível que você esteja resignado com a ideia que existe alguma coisa que você precisa galgar ou antes algo tem que acontecer. Talvez o ego, o Eu, seus pensamentos. Talvez tudo isso.

E então, existem todo tipo de trajetórias espirituais que você pode considerar. E então existem todas as diferentes explicações sobre elas. E então existe o que você sente dentro de você. Talvez uma profunda frustração, uma nostalgia, uma sensação de “isso não é possível?!”, “existe algo mais”, “o que é a vida nisso tudo?”. Se você se relaciona com alguma coisa aqui, você não está sozinho. Espiritualidade é um assunto que tem algo de desconcertante, intrigante, sedutor, desafiador e direciona as pessoas para limite da loucura, provavelmente como nunca antes você experimentou.

Existem alguns maravilhosos ensinamentos e mestres no mundo que inspiram e catalisam nossa jornada espiritual. Alguns dos mais amados e renomados mitologistas e mestre em contar histórias, Joseph Campbell, nos convoca para nossa jornada espiritual chamado Jornada do Herói. E, claramente, nenhuma palavra melhor se aplica do que herói àquele que descreve qualquer um de nós que caminhe através da vida humana. Nada é certo, nada é premeditado, nada é garantido. Mesmo se nós não pensarmos em nós mesmos nessa jornada espiritual, somente ser humano já significa que estamos engajados numa jornada heroica.

Da perspectiva do BreakThrough, a vida espiritual significa: uma aventura de exploração do que é ser humano e viver essa vida humana tão plenamente como possível.

Como você talvez já saiba, existem quadro caminhos principais do Yoga –  Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga. Esses são os caminhos espirituais usados por aqueles que se engajam numa jornada espiritual. Cada um é diferentemente conduzido para um temperamento particular e abordagem para a vida. Um dos quatro caminhos, Jnana, o caminho do conhecimento, é considerado um dos mais simples e o método mais direto de corte dos nossos equívocos sobre si mesmo. Como uma palavra simples é antítese da outra, o caminho é tradicionalmente o menos percorrido.

Porque o jnana yoga é considerado difícil e não seguido por qualquer um é porque ele requer um intelecto afiado; alguém com a capacidade de cortar através das concepções distorcidas de si. Ao fim, o jnana yoga pode ser bem chamado da yoga do questionamento. Não é que aqueles envolvidos em outro tipo de yoga não se coloquem questões. Ao contrário. O praticante de jnana explora as questões por elas mesmas num caminho que nenhum outro faz. É o caminho do discernimento: procurar diferenciar tão claramente quanto possível o que é real do que é irreal.

Vivendo na era da Informação que nós estamos, nunca antes os seres humanos estiveram expostos a tanto fluxo de informação. Nenhum de nós com um computador ou um smartphone ou televisão estamos disponíveis para sermos bombardeados com informação praticamente o tempo todo. Muito dessa informação parece convincente, até mesmo sedutora. Imagens, palavras, sons, ensinamentos, propagandas… e uma lista vai e vai sem parar.

Os benefícios são muitos, mas os perigos são igualmente numerosos. A habilidade do sistema humano para se adaptar a esse novo caminho de ser tem sido testado a todo momento. Muito do tempo que nós estamos desatentos a essa multiplicidade de instrusões elétricas estressantes, nosso sistema está absorvendo.

Como costuma acontecer quando nossos sistemas estão estressados, nós fazemos o que é mais fácil para nós. Nós queremos alívio imediato e nos preocupamos para que consequências a longo prazo caiam no esquecimento. Um dos mais comuns métodos de estresse que nós temos na era da Informação é presumir. Com tanta informação chegando até nós, é mais fácil ser como uma esponja, absorver a maior parte dela e economizar o tempo de questioná-la.

Em outras palavras, nunca houve um momento em que os seres humanos precisassem tanto aprimorar sua capacidade de questionar. Nunca houve um momento em que nossa vida como seres humanos tivessem tanta necessidade de examinar. Não é porque tempos obscuros e difíceis nunca existiram antes. Ao contrário, tudo que precedeu essa era tem requerido tremenda adaptação humana. Foram estes tipos de adaptações humanas que nos trouxeram a esta era, enfrentando inundações de informações.

Claramente, nunca houve um tempo de maior pressão do que aprender a arte do discernimento. No final das contas, nós precisamos aprender a arte do questionamento. Como uma criança pequena – direta, simples, com questões lógicas, que venham facilmente até nós. Isso significa que é da nossa natureza questionar claramente, simples e logicamente. Em algum lugar desse caminho, perdemos o contato com essa habilidade brilhante.

Entre a infância e o adulto, o intelecto torna-se uma palavra quase suja entre muitos nós. Nós esquecemos que pensar claramente e questionar claramente foi uma das coisas que nós realmente fazíamos muito bem. Vinha naturalmente. Isso significa que é inerente esse dom e que nenhum nós poderíamos ser privados.  Nós simplesmente precisamos nos valer disso.

Isso descreve o trabalho que fazemos no BreakThrough.


[1] Artigo gentilmente cedido pela autora através do site: https://www.breakthroughiba.com/.

[2] Esther is the Creator of the BreakThrough System and Co-Founder of the International BodyTalk Association (IBA). She resides in Europe and teaches advanced, interactive workshops in BreakThrough, in-person and online. She also runs ongoing BreakThrough Instructor Training programs and offers private, online BreakThrough sessions.

Esther is the author of Beyond Concepts – the investigation of who you are not, and Who am I? – the seeker’s guide to nowhere. Mais informações em https://www.breakthroughiba.com/instructors/.

Para ler em pdf clique aqui

Alimentando nossos demônios

A Prática Da Aceitação Radical”

Myriam Machado[1]

Escrevi esse artigo em outubro do ano passado (2019) como celebração da minha graduação para facilitar o FreeFall 3. Como muitas coisas aconteceram nesse meio tempo, o artigo ainda está na fila a ser publicado na Newsletter da IBA.

Fico bastante feliz que a sua primeira publicação ocorra numa plataforma brasileira. Para mim, é mais uma celebração da minha própria origem e da gratidão que tenho por essa maravilhosa matriz.

E, antes de começar a leitura propriamente dita, eu gostaria de enviar minhas preces e “vibes” para que esse artigo encontre todos com saúde e em paz.

E o artigo começa assim:

Era uma vez um poderoso Demônio que aterrorizava a Terra. O nome dele era Rakta Bija. Toda vez que alguém tentava matá-lo, cada gota de sangue derramada se tornava outro Rakta Bija. E rapidamente, havia muitos Rakta Bija causando bastante destruição.

A palavra para “Demônio” em sânscrito é rakshasa, que se traduz como “protegido”. Os demônios são protegidos no sentido de que não podem ser destruídos. Por esse motivo, Kali, a deusa da destruição, foi chamada para lidar com Rakta Bija. A primeira coisa que Kali tentou fazer, foi matar Rakta Bija. Assim como nós – quando enfrentamos um desafio ou um conflito – o primeiro impulso de Kali foi se livrar do Demônio, ou destruí-lo.

Mas os ensinamentos que o Rakta Bija traz, é que realmente isso não funciona. Se você tentar lutar contra o Demônio, você apenas criará mais demônios. Quanto mais Kali tentava destruir Rakta Bija, mais forte ele se tornava. Então, num momento de inspiração, Kali aceitou o enorme desafio e com coragem e com toda sua compaixão, ela estendeu sua língua. E a língua vermelha de Kali cresceu no tamanho do mundo todo e ela engoliu todos os Rakta Bijas, dando aos “protegidos” um lugar dentro de si mesma. Dessa forma, eles foram assimilados e transformados em nutrição para a deusa da destruição.

Nos ensinamentos budistas, os demônios não são seres exóticos, como os vistos nas pinturas místicas de pergaminhos antigos. Eles não são zumbis sedentos por sangue escondidos em lugares escuros para nos assustar. Esses demônios residem dentro de nós e fazem parte do que somos. Eles são nossos problemas; eles são as reatividades emocionais de nossas próprias vidas. São nossas doenças crônicas ou problemas comuns como depressão, ansiedade e vícios.

O que você acha dessa perspectiva mais amorosa, de “engolir seus demônios”? Uma coisa nós já sabemos: que exigirá uma prática extraordinária de autoaceitação e bondade. Uma prática que convida a transmutação de muitas das suas crenças. Crenças que existe uma parte do seu corpo ou uma emoção, um sentimento ou memória que são “inadequados” ou “fracos” ou “feios”.

Um dos focos mais importantes do Método do FreeFall é prática de autoaceitação radical. A autoaceitação é a resposta a baixa autoestima e é em si, um caminho eficaz para a cura, porque revela o entendimento de que não negamos nosso desequilíbrio, nossos erros, nossas doenças, ou qualquer problema na nossa vida. Nós simplesmente reconhecemos nossos conflitos como o ganho potencial de uma nova consciência e, talvez, um autoentendimento mais profundo. Nos cursos do FreeFall nós exercitamos essa autoaceitação radical, que não somente celebra nossa força, nossa beleza e nossa luz, mas como também nossas fraquezas, nossas sombras e demônios.

O FreeFall faz parte das Ciências da Vida. As Ciências da Vida e o Sistema BodyTalk são sistemas complementares e interativos onde cada curso aprimora o outro. Mindscape, Breakthrough e FreeFall – como qualquer uma das classes do BodyTalk – são considerados parte de uma terapia baseada na consciência que trabalha com a força curativa da mente-corpo.

Os exercícios do FreeFall convidam um relacionamento mais experimental com muitos conceitos do sistema BodyTalk, de Fundamentos a Princípios da Consciência, da Matrizes Dinâmicas a Medicina Oriental, do PaRama ao Corpo Energético, e assim por diante.

No método FreeFall, o catalisador da autoaceitação é o desnudar-se. E se o ato de se despir é a coisa mais assustadora que vem à sua mente quando você ouve falar do FreeFall, talvez você precise mergulhar nesse conceito mais profundamente.

O monge budista Rinpoche CHOGYAM TRAMGPA diz: “Defendemos nossa ignorância porque estamos aterrorizados, para sermos honestos conosco. Praticar a honestidade é honrar a si mesmo, seu corpo, sua alma, seu coração, sua mente. Há uma liberdade extraordinária quando você vive sua nudez e há muito poucas pessoas que podem apreciar isso porque aprendemos desde muito jovem a ter vergonha até mesmo nojo de nós mesmos. Ser honesto consigo mesmo é despir-se. E isso é profundamente libertador.”

John Veltheim criou o método FreeFall depois de observar o quanto as constrições criadas por nossas próprias histórias sobre autoimagem e amor próprio – e a carga negativa expressa em nossas roupas – podem perturbar não apenas o equilíbrio físico, mas também mental, emocional e energético. O principal objetivo do método FreeFall é que você possa celebrar a liberdade de Ser Humano se sentindo “Naked Beneath the Clothes”.

Essa honestidade sagrada requer desnudar-se não só no corpo mas na mente e no coração. Essa honestidade requer coragem, vulnerabilidade e muito… muito amor. Porque numa perspectiva global, muitos de nós temos medo de nos sentirmos vulnerável. Muitos de nós temos medo de nos expor; ou de expor o que acreditam ser o “feio”, o “inadequado”, o “ignorante”.

Você já ouviu ou leu algo assim: “… em todo evento desafiador da vida há uma bênção disfarçada? Será então, que todos os eventos nas nossas vidas contêm bênçãos em potencial?” A Bioenergética afirma que quanto mais intenso o evento emocionalmente, maior a energia potencial de cura que ele contém.

Sob esse ponto de vista, os eventos que chamamos de “dolorosos” ou “desafiadores” poderiam ser chamados com mais precisão de “eventos que exigem mais trabalho para extrair suas bênçãos ou sua energia curativa”. No caso do FreeFall, tirar a roupa pode intensificar o desafio? Com certeza, intensificando também as bênçãos. Na realidade, nada é mais confrontador do que ser gentil e amoroso consigo mesmo e com os outros.

De acordo com estudos da Neurociência, ser crítico e julgador de si mesmo e dos outros é o estado natural do cérebro pensante humano. Além do padrão natural do nosso cérebro ser tão crítico, somos uma cultura em constante busca da imagem perfeita. Hoje em dia, a imagem parece ser mais importante que a substância. Vendo os comerciais na mídia hoje em dia, fica difícil escapar do condicionamento cultural de que não somos altos, ou magros, ou atraentes ou saudáveis – o suficiente. Nosso computador não é rápido o suficiente. Nosso iPhone não é novo o suficiente. Quando somos bombardeados constantemente com essas mensagens, é raro para qualquer um de nós não acreditar que existe uma imagem “ideal” de como deveríamos ser, e que definitivamente aquela imagem ideal não é o que somos.

O que me faz observar com mais atenção é essa necessidade frenética de obter mais informação. Não apenas em nossa matriz BodyTalk global. A cada dia estamos sendo expostos com novos treinamentos e cursos, workshops, etc. Parece que existe um consenso universal, de que se aprendermos mais um conjunto de ferramentas, só mais um conjunto de ferramentas … seremos uma pessoa melhor; um terapeuta mais sólido, mais bem-sucedido, mais especial.

Talvez, essa necessidade de “ser mais especial” é mais sedutora do que imaginamos. Ela contribui para a separação sociocultural porque se concentra mais nas necessidades individuais do que nas necessidades do grupo. Ela envenena nossos relacionamentos interpessoais com uma necessidade fabricada de ‘autovalidação’ e bloqueia a nossa capacidade empática – quando involuntariamente compartilhamos os sentimentos de outras pessoas.

Por fim, a necessidade de ser especial aumenta as nossas expectativas, tanto em relação a nós mesmos quanto aos outros, e quando nossas especialidades não são reconhecidas a nossa autoestima, autoaceitação e autoamor adoecem.

Sem o propósito de ter que aprender uma outra ferramenta o método FreeFall nos convida a explorar o que acreditamos ser nossa autoimagem.

Então, o que significa amar? E amar a si mesmo? O amor-bondade (Loving-Kindness) é ensinado por várias metodologias, por diferentes filosofias e mestres. O amor-bondade é orientado pelo complexo equilibrador do coração e requer profunda percepção e atenção plena. Se você estuda a palavra budista para bondade, que é Metta, descobre outras traduções como: cuidado, simpatia, boa vontade, benevolência, compaixão, amor.

Em última análise, o amor-bondade, é o harmonizador, é o antídoto para o ódio, o medo, aversão e a doença. No FreeFall essa é a nossa ferramenta para transmutar – o que acreditamos que sejam as nossas fraquezas em nossa força. O amor-bondade é a ferramenta para transcender nossas sombras (nossos demônios) em alimento.

Talvez, nessa jornada transcendente da vida é preciso um “desnudar” para que possamos mergulhar livremente para dentro nós mesmos.

E, apesar dos muitos medos da mente pensante que podem facilmente limitar o amor próprio, o convite principal do FreeFall continua sendo a lembrança de que a nossa consciência tem a capacidade inata de amar sem limites e sem condições.

Um amor que abraça a tudo e a todos, não exclui nada.

Com Amor-Bondade

Myriam

No momento[2] as classes presenciais do FreeFall estão sendo adiadas. Mas eu gostaria de compartilhar as descrições dos 3 Cursos FreeFall:

FreeFall 1: Descrição do Curso

A teoria do FreeFall evoluiu das ricas tradições e ensinamentos nos campos de psicoterapia, bioenergética e tradições orientais. Dr. John Veltheim, fundador do FreeFall e do BodyTalk System, expandiu esses princípios para criar uma oficina inspiradora e transformadora, na qual o participante pode experimentar, reconhecer e resolver problemas relacionados com a autoimagem e autoestima.

Os participantes do FreeFall exploram o “Eu” passando por vários processos e exercícios que ajudam a tirar as máscaras que usamos para lidar com a vida. A “máscara de enfrentamento” é uma matriz de medos, julgamentos, crenças e comportamentos que impedem o indivíduo de abraçar e amar a vida inteira, como ela é. Uma das maneiras de fazer isso é através do desnude físico.

O convite de remover as roupas faz parte do curso FreeFall, cujo objetivo é ajudar a revelar o relacionamento pessoal mais intimo. Essa proposta é bastante desafiadora, pois pode trazer forte engatilhamento na exploração dos condicionamentos que criam nossas histórias relativas a segurança, controle, aceitação e moralidade, entre outras. Apesar desse convite, os alunos podem usar qualquer tipo roupa durante o curso.

A investigação continua pela exposição das atitudes que temos em relação aos nossos corpos, nossa sexualidade e nossa sensualidade. Todas essas explorações experimentais integram o conceito de “Permissões”, que é um dos princípios principais do Sistema BodyTalk. Nunca há toque sexual ou conteúdo de natureza sexual.

São esses condicionamentos, experiências e influências ambientais que contribuem para a visão distorcida de nós mesmos.

No artigo do Dr. Ovelheiro, “Drake Beethoven Ouro Clotilde”, existe uma exposição clara desse condicionamento que sofremos e como isso nos afeta tanto fisicamente, mentalmente e emocionalmente.

Se você estiver interessado nessa dinâmica, leia o artigo completo AQUI [https://www.bodytalksystem.com/member/downloads/english/member/Naked_Beneath_Your_Clothing.pdf].

Viver como se possamos sentir “despidos sob nossas roupas” significa aumentar continuamente nossa capacidade de autoaceitação, para que a vida possa ir além das nossas próprias restrições. A resultante abertura do coração e a crescente confiança em si mesmo apoiam a integração terapêutica e a evolução pessoal desse curso.

O Seminário FreeFall 1 é apenas por inscrição. A aplicação é baseada em um processo de triagem conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 2

Descrição do Curso

O FreeFall 1 foi projetado para nos libertar da “imagem” que temos de nós mesmos e expor a “verdade nua” da nossa humanidade. O FreeFall 2 leva esse processo adiante, pois explora a intimidade humana saudável, incluindo a intimidade consigo mesmo. É um curso que nos desafia a abordar os mecanismos de enfrentamento que distorcem a expressão única de nossa mente-corpo.

Neste curso, exploramos áreas do cérebro que estão envolvidas na maneira como experimentamos e respondemos à vida. Observamos a comunicação cerebral e os neurotransmissores que criam expressões emocionais e fisiológicas muito específicas, e aprendemos ferramentas poderosas para nos ajudar a ser responsáveis ​​e apresentar nossas emoções.

Exploramos ainda mais nossos tabus em torno da sexualidade e continuamos a aprender a respeitar os nossos limites e dos outros, praticando o princípio essencial do BodyTalk: Permissões. Trabalhar com permissões inclui exercícios que desafiam nossa capacidade de dizer “sim” para o que queremos em nossos relacionamentos e na vida e “não” para o que não queremos. À medida que cultivamos maior senso de responsabilidade para com o Eu, aprendemos simultaneamente a ter relacionamentos mais saudáveis ​​e amorosos com os outros. Através de todos esses exercícios, redescobrimos a força vital de cura dentro de nós que se expressa à medida que nosso rígido condicionamento se suaviza. Nunca há toque sexual ou conteúdo sexual de nenhuma natureza.

O FreeFall 2 também inclui exercícios para apoiar a integração de vários aspectos de nossa sensualidade, abrindo a capacidade dos nossos cinco sentidos físicos e subtis de captar mais informações. Isso inclui exercícios que direcionam nossa atenção para experiências sensoriais e nos ajuda a distinguir a diferença entre nosso ego, que deseja saber mais informação sobre algo ou alguém, a fim de compreendê-los, e nosso instinto natural, cujo imperativo é sentir algo ou alguém para compreendê-los. Tais exercícios ampliam nossa compreensão dos conceitos de controle e vulnerabilidade, mais uma vez permitindo uma conexão mais amorosa, íntima e honesta consigo mesma e com os outros.

O pré-requisito para o FreeFall 2 é o FreeFall 1. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 3 – Dynamics

Descrição do Curso

Este curso avançado do FreeFall trabalha mais profundamente com o conceito de “Permissões” já inicialmente explorado nos cursos anteriores do FreeFall. Através de exercícios que desafiam sua capacidade de pedir o que você deseja, você chegará a um entendimento mais amplo de responsabilidade e autoconfiança. À medida que praticamos a solicitação do que queremos neste curso, ele começa a revelar nossa necessidade essencial de comunicação aberta, além de aumentar nossa confiança em assumir riscos. Ao passar pelos exercícios do curso, descobrimos sistemas de crenças profundas de não-pertencer. Vemos que é a nossa resistência em sermos abertos e o forte apego que temos aos nossos padrões defensivos que bloqueiam nossa capacidade de viver em alinhamento com nossa essência. Esse padrão programado e automático de atacar, de se defender e/ou se desligar leva a constrição de energia e consequentemente doenças.

Além de Permissões, este curso enfatiza a autoconsciência e o autocuidado. Para esse fim, o curso inclui exercícios que desafiam a autointimidade à medida que aprendemos a respeitar as escolhas pessoais e estabelecer e honrar nossos próprios limites.

O curso explora a sensação do toque como a parte mais vital da nossa personificação humana. Por meio de exercícios que utilizam o sentido do tato, exploramos limites pessoais, acordos e comunicação aberta. A natureza do curso é tal que começamos a trabalhar muito rapidamente na esfera do cérebro do coração, e não no cérebro da cabeça, o que ajuda a fundamentar os exercícios e também facilita um ambiente muito seguro, honesto e, portanto, estimulante. Os alunos trabalham para incorporar uma expressão saudável do conceito de “Consentimento” por meio de exercícios de generosidade, gratidão e abnegação, enquanto aprendem simultaneamente a deixar de lado a abnegação. É importante observar que, dentro deste curso, nunca há toque ou conteúdo sexual na natureza.

Este trabalho do FreeFall é mais ativo do que passivo, mais poderoso do que impotente. Mais importante, reconhecemos no FreeFall que, quando se trata de praticar os exercícios, o corpo é o lugar essencial da mudança. As mudanças e mudanças que os alunos experimentam neste e em outros cursos do FreeFall costumam ser visualmente percetíveis – postura diferente, aparência mais brilhante, pele mais firme, a lista continua. À medida que aprendemos a priorizar a autrresponsabilidade, o autocuidado, os limites pessoais e a comunicação aberta, nosso corpo começa a revelar um novo estado físico.

O pré-requisito para o FreeFall 3 é o FreeFall 2. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.


[1] Myriam pratica e estuda o BodyTalk System ™ desde 2001. Após mais de 18 anos de prática regular e estudos, a sua prática clínica incorpora técnicas de Módulos Avançados, das Ciências da Vida, da Epigenética e do PaRama. As suas sessões refletem mais de 20 anos de experiência praticando o sistems do BodyTalk e seus tratamentos expressam sua extensa experiência terapêutica e mais de 35 anos de prática espiritual intensa em combinação com a abordagem multidisciplinar e intuitiva da Fisiologia Avançada, Física Quântica e Epigenética. myriammachadobaker.com

[2] Especificamente o ano de 2020 devido a pandemia global. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui


Anexo – descrição dos seminários FreeFall – Myriam Machado

MindScape como potencial

Com Angie Tourani[1], Celso Juc[2] e Carlos Bueno[3]

Mediação Nirvana Marinho

Tradução Adriana Camilo

Realizada em 2 julho de 2020 (zoom) / Transcrita por Nirvana Marinho                          

Nirvana Marinho: O Escuta é um periódico para falar de BodyTalk. A 1ª edição foi lançada nesse último inverno, para nós é inverno agora. E nós tivemos a oportunidade de começar a reunir vários artigos, resenhas, entrevistas sobre BodyTalk. Para próximo edição, falaremos sobre as Ciências da Vida. E muitos formatos diferentes seriam possíveis como esse que gostaria de propor a vocês hoje com uma mesa redonda. Nosso desafio hoje vai ser depois transcrever em um texto escrito. E farei seguindo as regras de citação de todos você e qualquer necessidade de edição, consultarei vocês. (…)

O Escuta, inicialmente, é em Português. E por isso eu dobro meu agradecimento à Angie porque por enquanto nosso alcance é para os leitores de língua portuguesa. Mas, ao mesmo tempo, acho muito importante poder multiplicar esse conhecimento no Brasil e para as pessoas que lêem Português.

Nossa dinâmica hoje será eu lançarei algumas questões que já estava no nosso roteiro mas adoraria que caso vocês tivessem perguntas entre vocês ou sugerirem algum tipo de questionamento entre vocês, a gente também use esse espaço como um espaço de troca. Meu objetivo aqui é, não só deixar vocês a vontade, mas manejar nosso tempo. (…)

Minha primeira pergunta é um espaço para vocês dizerem sobre vocês mesmos e como o MindScape compôs seu caminho profissional e pessoal.

Angie Touraine: Sou Angie Touranie, foi apresentada ao BodyTalk e MindScape em 2005. Quando estive a 1ª vez em um curso de MindScape foi transformador para mim. Eu era extremamente “cérebro esquerdo”, orientada para lógica e para o objetivo; então criatividade, intuição, sentir as sensações não eram sequer discutidas. Eu fui para o curso, quis sair da aula porque foi algo que realmente mexeu e transformou as minhas estruturas sobre o que eu acreditava, um novo paradigma de vida. Tem sido uma interessante jornada nos últimos 10, 15 anos ensinando e integrando MindScape na minha vida. MindScape tem tido um impacto literalmente em todos os aspectos na minha vida, pessoalmente, profissionalmente, espiritualmente. Basicamente, profissionalmente falando, eu vejo BodyTalk e MindScape completamente inseparáveis. Não vejo duas coisas diferentes, aprofunda e aprimora o tratamento mas também a comunicação com o cliente. Para os tratamentos, sessões à distância é muito proveitoso. Profissionalmente, se você trabalha com pessoas, MindScape é muito, muito valioso. E em todas as aulas, eu tenho pessoalmente algo positivo.

Celso Juc: O meu primeiro contato com MindScape foi através da minha mulher, que fez em 2010, e também fiz no mesmo ano. Minha formação é em Engenharia. E então, pode ver que… 1 mais 1 é igual a 2 sempre. Quando eu fiz o MindScape, eu aprendi que 1 mais 1 nem sempre dá 2. E fiquei apaixonado pelo MindScape. E comecei a fazer outros cursos do MindScape. Eu não sou BodyTalker. Somente Ciências da Vida. E aí eu fiz alguns avançados com Kris (Attard). Um dia conversei com uma pessoa, e disse “tenho muita vontade de ser instrutor”, e ela disse, “por que você não tenta?”. Então conversei com o Kris, e ele disse “você tem o perfil de ser instrutor de MindScape”, já vínhamos conversando. E nos últimos quatro anos eu tenho sido também Instrutor de MindScape, além de outras coisas que faço. Eu também dou aulas de liderança emocional, trabalho com emoção, com liderança, em universidades, em pós-graduação e MBA no Brasil. Como mudou a minha vida, muito, eu sempre adorei o MindScape, eu uso o MindScape na minha empresa para criatividade, para criação. Eu aprendo muito com as pessoas, como Angie. Eu gosto muito de dar os cursos tanto que eu tenho os cursos posteriores ao curso de formação – eu faço grupos, a gente trabalha e treina, treina, treina. Minha vida é outra coisa com MindScape.

Carlos Bueno: Boa noite. Eu sou muito ruim com datas, vou falar da minha história sem as datas. Comecei com BodyTalk, 2011; não lembro quando foi o curso com a Angela (Adkins), talvez Adriana possa ajudar quando foi [acho que foi 2012]. Comecei muito empolgada, até hoje sou, em todas as áreas que o sistema permite. Eu fiz todos os módulos, inclusive o PaRama, MindScape básico e avançado. Fiz os cursos mais filosóficos também, Finding Healthing 1 e 2; Medicina oriental e não me lembro os outros, mas fiz mais alguns. E em relação ao MindScape, posso resumir falando como eu indico ele as pessoas: eu falo para as pessoas se eu tivesse que esquecer todas as técnicas que eu fiz na minha vida e pudesse guardar uma coisa, eu guardava o MindScape. Então, eu, ao contrário do Celso e da Angie, eu tinha uma cabeça mais aberta, eu aceitei melhor, mas fazer o curso de MindScape é muito … expande muito nossa percepção das coisas. E no último exercício que a gente faz, do escaneamento, ali é a prova cabal que não existe tempo e espaço, não existe essa diferença, estamos todos juntos, somos uma coisa só. Como eu uso MindScape: eu uso basicamente nas sessões de BodyTalk (…). Tentamos fazer vários grupos de estudos (…).

Nirvana: Eu gostaria de usar essa inspiração “MindScape uma coisa que não esqueceria”, para trazer uma pergunta para todos você. Se vocês se lembram, qual foi o ponto de mutação, de completa transformação, usando o MindScape a sua vida pessoal ou profissional. E gostaria que vocês dessem um exemplo, e me alongo na pergunta para que vocês se lembrem um exemplo incrível da carreira ou na vida pessoal.  Quem poderia trazer o primeiro exemplo, seria ótimo ouvir vocês.

Angie: Com certeza. Eu diria que primeiro eu uso em cada aspecto da minha vida, especialmente em comunicação e resolução de conflitos. Depois de usar o MindScape há muitos anos, não é algo externo, já está integrado e inseparável da minha personalidade e a forma que me movo. Quando comecei a aprender MindScape, me ajudou academicamente, estava estudando para me tornar terapeuta e instrutora de BodyTalk. Em pouco tempo, em 2, 3 anos, tornei-me terapeuta certificada e logo depois Instrutora, certamente sem o MindScape isso não teria sido possível. Eu estava estudando anatomia e fisiologia que eram pré requisitos para me tornar terapeuta avançada e instrutora. E, naquele tempo, na África do Sul, estava estudando na universidade e viajando muito, perdia muitas aulas. Eu tinha somente um mês para fazer o exame, e usei o MindScape intensamente para estudar para o exame. Para o meu professor, isso foi surpreendente, porque, segundo ele, seria impossível passar na prova da forma como eu fiz, sem estar nas aulas presencialmente. Naquela época eu também estava participando de vários cursos avançados com Dr John (Veltheim), e sempre ficava a questão “o que era capaz de reter”, mas posso dizer que o MindScape foi a chave atrás de ter toda esse avanço profissional. Profissionalmente falando, posso dizer que tudo isso só foi possível para mim porque eu fiz através do MindScape.

Pessoalmente falando, eu vivo doze por 7 (24 horas por dia, 7 dias por semana) – eu estou falando com as pessoas, planejando, com MindScape. Sabe que é relaxante, meu estado mudou depois; as pessoas dizem que depois do MindScape foi uma mudança de 360 graus. Porque minha intuição, minha conexão com o Eu superior se torna parte da sua expressão. É uma linda oportunidade de falar sobre isso.

Nirvana: Obrigada Angie, vamos ouvir Celso. Qual foi seu ponto de mutação?

Celso: O Carlos falou dele, foi no 1º curso. Eu escrevi na minha apostila, no meu manual, “eu quero ensinar MindScape”, no ano que eu fiz. Eu escrevi isso, porque eu pensei “as pessoas precisam saber disso”. Foi impressionante. Campo é campo. Eu quero contar um exemplo; isso aconteceu em 2016… eu guardo datas, diferente do Carlos. Eu estava em São Paulo, o Kris (Attard) estava em São Paulo, e meu sogro teve um AVC. Minha mulher me ligou, eu saí do curso, atendi o telefone. E ela me disse que a psicóloga, a assistente social já tinha chamado a mãe, a ela, o irmão que o pai tinha poucas horas de vida. Nesse momento, eu pensei em vou convidar meu sogro para a oficina. E ele me disse: “eu não vou morrer”. E o médico disse, “ele não tem chance”. E eu busquei na minha mente a ressonância que tinha feito, o mapa, do exame. E eu peguei o resultado do exame, e eu vi o mapeamento a mancha, eu não entendo nada, não sou médico. E eu perguntei de novo (para meu sogro): “vai viver”. E ele disse: “sim, eu vou viver”. Ele tá vivo, na cama, faz quatro anos que está na cama, e já se comunica por gestos com a gente. (…)

Nirvana: Lindo exemplo, obrigada. Vamos ouvir Carlos. Qual foi seu ponto de mutação com MindScape, talvez em clínica, com paciente?

Carlos: Cada uso com MindScape já é um ponto de mutação. Cada confirmação de histórias como a do Celso, coisas que a gente vê na clínica. De você tocar no paciente e explicar como foi o acidente dele, sem ele ter falado nada. Todas essas confirmações são muito incríveis, são coisas que não me acostumo. Sempre falo que nunca me acostumo com MindScape e com BodyTalk. (….)[4]

Nirvana: Qual espaço de autorresponsabilidade o MindScape promove, não é. Porque na verdade uma das coisas que eu observo e gostaria de ouvir na experiência de vocês é como o MindScape muda nossa percepção. Gostaria de poder ouvir quais mudanças vocês observam em vocês mesmos? (…) Gostaria de ouvir de vocês quais foram as alterações perceptivas que vocês sentiram em vocês mesmos, corporais, mentais, espiritualmente.

Angie: Eu diria que eu uso MindScape para criar o meu espaço de meditação e eu sempre medito lá. MindScape é uma prática espiritual porque todos viveremos situações, desafios na vida, e ao invés de achar uma solução fora, vamos para dentro, para a oficina do MindScape. Então, basicamente, indo para seu estado mental, conectando seus guias ou animais, é uma forma de conectar também com sua mente subconsciente para achar seus bloqueios. Se eu tenho conflito com relacionamentos ou uma dor física, eu vou para meu MindScape. E pergunto o que está acontecendo na minha vida, por que, o que está representando na minha vida, porque meu subconsciente está apresentado essa situação. E uma vez que estou mais consciente com essa má percepção sobre mim, ou medo, ou insegurança, os sintomas desaparecem.

Nirvana: Eu já vivi isso também.

Angie: Para mim, MindScape traz esse espaço de poder encontrar as respostas internamente, ao invés de buscar externamente, ou culpar fatores externos.

Nirvana: Muito obrigada, Angie, muito importante este aspecto espiritual do MindScape. Celso, você tem algum relato de mudança de percepção ou de mudança em você?

Celso: Eu tenho uma conexão maior com meu corpo. Eu tive uma pedra no rim, a pouco tempo atrás. Você tem que esperar dez minutos para fazer o exame, usando o contraste, para identificar a pedra no rim. E a dor é muito grande né. E eu usei como exemplo o MindScape para eu suportasse a dor, e foi uma minha experiência de dez minutos se tornou um minuto. Muito bom. E outra coisa, eu não tenho dúvidas. Se eu quero uma coisa eu não tenho dúvidas, aquilo é aquilo. É isso.

Nirvana: Você tem algum relato?

Carlos: (…) O que eu sinto é que cada vez a gente usa e quanto mais a gente usa [o MindScape], mais afinados ficam nossos sentidos, tanto normais como sutis, principalmente os sutis. Para dar um exemplo, o que me chamou atenção. (…) A Angela falou uma vez sobre atividade física no MindScape. E eu sou um pouco desconfiado das coisas. Certa vez, eu montei uma academia de musculação na minha oficina. E eu fui malhar e senti as dores musculares no dia seguinte. E eu não tinha feito outra atividade, não tinha com eu ter aquela dor física. Eu senti exatamente os músculos que eu tinha malhado. Inclusive nessa pandemia eu queria ter usado isso, mas não usei ainda.

Nirvana: Nós temos aqui três exemplos, três histórias tão diferentes. E eu estou aqui imaginando nosso leitor. Eu gostaria que vocês pudessem comentar, brevemente, o quão infinito é esse universo do MindScape. E esse comentário vai na direção também de ouvir como vocês relacionam o MindScape com todo sistema do BodyTalk. Talvez para Angie venha a ser a inseparável relação entre MindScape e BodyTalk, eu gostaria de ouvir mais sobre isso; talvez para o Celso vá ser como o MindScape ajuda em outras áreas no desenvolvimento profissional; e tendo o Carlos como bodytalker tão entusiasmado com MindScape, eu gostaria talvez de ouvir um exemplo clínico. (…) Tudo que vocês trouxeram aqui leva a essa infinitude. Então é assim que eu gostaria de encerrar nossa conversa: qual relação do MindScape e BodyTalk.

Celso: Não sou do BodyTalk, eu fiquei pensando no MindScape a dias atrás, o que eu poderia falar sobre o MindScape para pessoas que eu gostaria de convidar e trazer para o MindScape. Então eu escrevi um artigo e o nome do artigo é Felicidade. E o artigo começa assim: você consegue explicar felicidade? A sensação que você tem na felicidade, você cresce, você se sente grande. E você não cabe no seu corpo. E que você não consegue explicar. Você só sente. E o MindScape para mim é mais ou menos isso, não dá para explicar. Você tem que sentir. Por isso eu convido as pessoas para experimentarem. E depois elas não soltam mais. É verdade. E como exemplo, uma experiência que eu fiz, um piloto com um grupo de pessoas que trabalham juntas. E eles tinham um problema. Em seis minutos, nós tivemos 39 soluções possíveis com o problema com insights dentro do MindScape. É isso.

Carlos: A relação do MindScape com BodyTalk que é os dois sistemas são geniais e ilimitados. E a limitação deles, na verdade, é o praticante. E então assim, tanto o MindScape como o BodyTalk, não são um milagre, justamente por isso precisam ser praticados. Porque, principalmente o MindScape, o BodyTalk também, eles trazem uma sensação que eu vou resolver tudo. E você realmente vai. Mas se você praticar. Se realmente usar, se dedicar. Então até o próprio John Veltheim o MindScape a gente aprende as ferramentas mas acaba ficando com algumas, se especializando com algumas. Eu estou falando isso tudo, porque é natural, o que eu não faço lá dentro – “não falo com meus guias”, “não uso minha mesa”. E exemplo é de cada atendimento que a gente faz, e a pessoa fala: “não posso esconder nada de você”. E para fechar, eu uso o MindScape como um ampliador na sessão de BodyTalk, e partir do momento em que eu comecei a usar o MindScape, parece que ficou tudo nítido durante a sessão.

Nirvana: Obrigada, Carlos, é verdade. MindScape é um amplificador de som e imagem. Angie, comente por favor a relação do MindScape com BodyTalk com sua vasta experiência.

Angie: Se você usa pessoalmente ou profissionalmente, MindScape integra e abre os paradigmas do tratamento. Porque o BodyTalk você usa o feedback neuromuscular pode se tornar mecânico e mais lento; com MindScape, é outra experiência. Integrando BodyTalk e MindScape, é como se suas sessões voassem, dar asas porque a velocidade, a qualidade da sessão é impulsionada. A nível prático, não posso imaginar fazer BodyTalk sem usar o MindScape. Com minha experiência prática, eu vou na minha oficina de MindScape, quando inicio a sessão, e eu me mesclo, me misturo com o cliente. E quando me misturo, eu tenho contato da história, todos os detalhes da experiência do cliente. Quando estou com um cliente com câncer, embora eu não tenha uma bagagem médica profunda, eu convido para minha oficina um especialista e me mesclo com o blueprint desses especialistas, e então realizada a sessão e é totalmente diferente. MindScape é sem fim do seu potencial porque não é a partir do cérebro esquerdo, mas se mescla com a consciência universal e traz o melhor que você precisa. Trabalhar com clientes usando MindScape, você está habilitado basicamente para conectar e ter a raiz do problema muito rápido; é como abrir o capítulo do livro da vida da pessoa e lê-lo. Isso funciona totalmente na zona, ressoar a zona e estar em contato com o subconsciente da pessoa. Meu comentário final é, tanto para o bodytalker como um terapeuta de saúde, o MindScape é o melhor investimento que você pode dar para seu desenvolvimento profissional em um alto nível. Obrigada.

Nirvana: Incrível Angie, ouvir desse ponto de vista. Essa experiência que vocês três compartilharam nesta mesa redonda tem a particularidade de cada um, o que embeleza o sistema, mas tem algo que parece unir nós cinco, incluindo a mim e a Adriana: é a nossa paixão, a nossa entrega por essa possibilidade. E é nesse espírito que eu gostaria de agradecer vocês, novamente, de fato, deixar uma flor no caminho de suas oficinas, porque assim como vocês, eu considero o MindScape como um caminho espiritual. E por isso que eu sou extremamente grata por essa noite de partilhas de experiências. Antes de terminar, passo para Adriana porque eu sei como é difícil fazer esse movimento de tradução.

Adriana: Só dizer realmente da minha paixão e da minha conexão com MindScape. Estou fazendo parte dessa segunda edição do Escuta e falando das Ciências da Vida como um todo. Tem sido um mergulho muito poderoso, especial. E celebro a dimensão integral, espiritual inclusive, do MindScape, e do BodyTalk como um todo. Obrigada.

Nirvana: Boa noite a todos e um ótimo dia a você, Angie.


[1] Angie Tourani, www.bodytalksystem.com.hk ,  FB – BodyTalk Hong Kong, IG- bodytalkangie

 Angie Tourani is Hong Kong’s only Advanced Certified BodyTalk Practitioner, BodyTalk Instructor and MindScape Trainer, since 2010.  She specializes in working with emotional issues, anxiety, immune system weaknesses,  digestive issues and hormonal problems  with both adults and children. She offers both physical treatments and distance (remote) healing sessions.

Angie is passionate about working with clients with chronic, inflammatory, stress related issues by assisting them through treatments, and through providing them with training to utilize simple, self-help techniques. This training is provided through the BodyTalk Access Seminar and the development of meditation and mind skills in the MindScape Seminar.

[2] CELSO JUC

Instrutor certificado em MindScape pelo IBA Global Healing, professor de Liderança Emocional pela FIA / Harvard Business Review Brasil, palestrante nos temas: Inteligência Emocional, Atenção Plena e Felicidade. Ativista Quântico formado pelo físico indiano Dr. Amit Goswami. Engenheiro, com mais de 35 anos de experiência como gerente e diretor de empresas nacionais e multinacionais.

e-mail: celso@mindscape.com.br

Fone: (11) 98304.0000

www.celsojuc.com.br

[3] Carlos Bueno, CBP desde 2011, PaRama, MindScape. Realizou vários outros cursos do IBA, tais como Medicina Oriental, Finding Heath 1 e 2 com John Veithein. Coordenou grupo de estudos de BodyTalk e de Mindscape. contato (whatsapp): 61 98199-8880.

[4] Aqui houve uma exceção do texto falado em comum acordo com o participante. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui

Ciências da Vida do BodyTalk

autodescoberta e o apreço por perguntas significativas

            Adriana Almeida Camilo[1]

“Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou.” 

Maria Beatriz Nascimento

O convite para escrever este ensaio sobre as Ciências da Vida para o periódico “Escuta, sobre BodyTalk” veio em um momento de síntese da minha trajetória pessoal e profissional. Em uma singela sincronicidade, havia retornado recentemente de uma residência artística nominada “Práticas de Escuta” que, de certa forma, marcou a celebração da integração de caminhos por mim percorridos nos últimos 25 anos em campos como: terapias, artes do movimento e artes audiovisuais, práticas somáticas, escrita, pesquisa científica, produção de conteúdo intelectual e cultural, ativismo socioambiental, espiritualidade, sistemas familiares e coletividades, ecologia profunda, meditação, estudos e práticas sobre as águas, embriologia, nascimentos, a vida e seus ritos de passagem, inclusive a morte e o morrer.

Compreender e retomar os vínculos entre estes campos aparentemente tão diversos constitui-se uma oportunidade de reconhecer a minha própria existência e de tantos outros organismos como sistemas vivos interrelacionados. Ao longo da vida, meu foco foi se movendo do fazer e da ação voltada para objetivos para reconhecer o Ser Que Sou, estar consciente e presente, ainda que muitas vezes pareça desafiante.

Lembra que falei sobre celebrar? O conceito de celebração autêntica, a partir da Ecologia Profunda e do Dragon Dreaming[2], parte do princípio que celebrar é um movimento introspectivo de observar as experiências e as próprias emoções, em um exercício de presença aqui-agora, colhendo os aprendizados da jornada de tal forma que o processo em si seja tão valorado quanto seu resultado. É a arte de fazer perguntas significativas que geram mais espaço interno do que conclusões. A partir desta escuta interna, as reflexões podem ser socializadas com outras pessoas, em uma tessitura intuitiva sobre o que sei, mas principalmente sobre o que se revela na dimensão do desconhecido sobre si e sobre a vida. É com gratidão, portanto, que compartilho com vocês este mergulho.

As Ciências da Vida do Sistema BodyTalk podem ser compreendidas como um espaço fértil e potente de autodescoberta e integração na relação consigo, com outros e com o mundo. É inegável o quanto MindScape, BreakThrough e FreeFall potencializaram, expandiram e seguem enriquecendo minha prática clínica como terapeuta BodyTalk. Mais do que um conjunto de cursos do sistema BodyTalk, que apoiam a relação terapeuta-cliente e se desdobram em aprimoramento da atuação profissional, estamos aqui diante de jornadas nas quais o foco é o processo de autocura, autoconsciência, autocuidado. Cada mergulho sob a perspectiva do MindScape, BreakThrough e FreeFall foram presentes e oportunidades preciosas que me permitiram contemplar minha natureza essencial e reconhecer essa mesma humanidade em outras pessoas.

Neste sentido, compartilhar as Ciências da Vida e convidar clientes a participar destes cursos é também uma maneira de estimulá-las(os) na apropriação do caminho de autoconhecimento. É uma forma de apoiar cada pessoa que encontro no contexto terapêutico a colocar o espelho diante de si e reconhecer-se para além das crenças, máscaras e condicionamentos que ao longo da vida foram se juntando à autoimagem e à própria noção de realidade. São todos cursos sem pré-requisitos (no nível básico), na medida em que não há pré-requisitos para Ser quem se é e contemplar a própria história com frescor.

As abordagens de saúde baseadas em Consciência partem do princípio que o processo manifesto está relacionado com a sabedoria inata, que no BodyTalk é chamada “Consciência Universal”. A forma como acessamos essa Consciência é por meio da intuição, uma sabedoria que está sempre disponível para todos nós. À medida que refinamos a habilidade de identificar os condicionamentos e crenças desenvolvidos ao longo da vida, que distorcem a escuta sensível da intuição, mais profunda e através da experiência, compreendemos a natureza essencial da sabedoria inata (VELTHEIM, J. 2013).

Como os cursos Ciências da Vida do sistema BodyTalk não tiveram seus nomes traduzidos para português aqui no Brasil, intui que expandir a compreensão semântica dos três eixos poderia trazer alguns insights.

Em uma aula com a instrutora Suffen Paphassarang, revelou-se a compreensão de Mindscape como paisagem mental que integra as qualidades estruturantes do hemisfério esquerdo do cérebro com a natureza intuitiva do hemisfério direito. Quanta riqueza e liberdade contemplar as informações que se apresentam quando sintonizamos com a intuição estruturada como paisagens de grande plasticidade! Com Kris Attard, Andy Spencer e Angela Adkins, compreendi que permitir que o cérebro entre na frequência alpha, reduzindo distrações desnecessárias e filtros baseados no passado, convida a criatividade e a intuição a acessarem informações subconscientes sobre o campo e sobre nós mesmas(os), ancoradas(os) na sabedoria do coração.

A imaginação – que é a intuição não estruturada e inclui visualização, sonhar acordado, pensamentos em geral, sonhos – é fundamental para um saudável funcionamento do cérebro, no estabelecimento de sinapses neuronais diversificadas e fortes, no processamento do estresse, na geração de novas ideias, na criatividade, dentre muitos outros (VELTHEIM, J., 2013). O poder e a complexidade da capacidade de autocura e reequilíbrio do organismo, especialmente a partir de práticas apoiadas na intuição, como meditação, vizualizações e abordagens integrativas baseadas no modelo corpo-mente, são investigados no livro “The Heart of Healing”, do Institute of Noetics Sciences, com riqueza de exemplos clínicos e referências a pesquisas científicas [sem edição traduzida para o português].

De acordo com o dicionário Oxford, breakthrough é “um importante desenvolvimento que poderá guiar a um acordo ou realização (agreement or achievement: 1. algo que alguém fez com sucesso, especialmente usando seus próprios esforços ou habilidades/ 2. o ato ou processo de realizar algo)” [tradução minha]. Nas Ciências da Vida, o BreakThrough é um método de autoinquirição concebido por Esther Veltheim a partir de princípios da Advaita. Em uma jornada pela natureza paradoxal e curadora do conflito e da psique humana, BreakThrough é um convite para transcender uma vida vivida a partir de condicionamentos e comportamentos reativos para uma vida mais consciente e plena (VELTHEIM, J., 2013). As convicções inconscientes deixam de atuar como verdades absolutas e são desveladas como crenças, baseadas no passado, que até então vinham moldando nossa perspectiva da realidade. Neste sentido, “o ato ou processo de realizar algo” que os passos do BreakThrough propiciam não vão em direção de tornar-se uma pessoa melhor ou diferente, mas sim no sentido da autorrealização, reconhecendo o que sempre esteve ali, o estado natural e autêntico do Ser, com toda sua humanidade (VELTHEIM, E., 2001).

FreeFall, por sua vez, traz o sentido semântico de queda livre, sem emprego de força ou de acessórios externos para impulsionar ou frear o movimento. Em termos vivenciais, é um mergulho na consciência de quem somos, compreendendo como nossas máscaras e mecanismos de defesa se expressam no corpo por meio de tensões, rigidez muscular e barreiras de proteção do coração. Temas como autoimagem, a relação com o próprio corpo, sexualidade, controle, dinheiro e vulnerabilidade são abordados com confidencialidade, cuidado e profundidade. Em que medida o que protege daquilo que mais tememos também pode nos separar do contato com o que verdadeiramente somos e amamos, a vitalidade e a presença no aqui-agora?

Sendo o FreeFall uma abordagem terapêutica baseada em consciência, também me parece ilustrativo resgatar a metáfora do iceberg: a pequena ponta como aquilo que somos conscientes, enquanto a maior parte do iceberg está submersa, ou seja, inconsciente. Não obstante, os movimentos do iceberg são geridos por aquilo que está visível e por aquilo que está submerso, por sua totalidade. Neste sentido, ancorar-se na sabedoria do coração, como abordado no módulo Princípios da Consciência do BodyTalk e vivenciado no FreeFall, é uma integração profunda com as dimensões inconscientes do Ser. É a âncora descendo as águas profundas do inconsciente, da sombra, para acessar e abraçar a totalidade do iceberg. Nossas sombras não são necessariamente limitações, mas tudo que não somos conscientes sobre nosso Ser. “O pensamento complexo tenta, efetivamente, perceber o que liga as coisas umas às outras, e não apenas a presença das partes no todo, mas também a presença do todo nas partes.” (MORIN, 2013: 14). Novamente, assim como no BreakThrough, no FreeFall não há um propósito de despojar por completo dos filtros e crenças que criam a realidade experienciada, chegando em uma autoimagem idealizada, neutra, imaculada, perfeita. A natureza do movimento é despojar-se da noção de que sua experiência determina quem você é.  Essa é sua experiência no momento, mas não é você.

O sistema BodyTalk foi inicialmente desenvolvido por John e Esther Veitheim no Mindscape, em estado alpha, integrando a intuição e a capacidade do cérebro de sistematizar e estruturar o conhecimento – com foco no desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Seus expressivos resultados na melhora ou remissão de desequilíbrios no corpo físico foram consequências, desdobramentos de uma abordagem sistêmica e integrativa. O BodyTalk segue em processo de aprofundamento e expansão e vem sendo aprimorado ao longo dos anos com a contribuição de seus sistematizadores, instrutores, terapeutas, estudantes e clientes.

Fritjof Capra[3], reconhecida influência do sistema BodyTalk, a partir de suas inestimáveis contribuições para o pensamento sistêmico e a física quântica, após a publicação de “O ponto de mutação”, “O Tao da física” e “Green politics”, apresentou um quarto livro, onde conta sua história pessoal e os diálogos com mulheres e homens notáveis por trás de suas ideias e conceitos. Em seu livro “Sabedoria Incomum”, traz um instigante relato de seu encontro com o mestre Krishnamurti e seu processo de libertação do aparente conflito entre a autorealização espiritual e sua trajetória como cientista, altamente identificado com o pensamento:

“Examinemos então a questão, […] sem julgarmos, sem condenarmos, sem justificarmos. O que é o medo? Examinemos isso juntos, vocês e eu. Vejamos se conseguimos realmente nos comunicar, estar no mesmo plano, na mesma intensidade, no mesmo momento.” […] E Krishnamurti passava então a tecer uma teia imaculada de conceitos. […] Apresentava uma análise brilhante de como tais problemas existenciais básicos estão inter-relacionados – não na teoria, mas na prática. Krishnamurti não só confrontava cada membro da plateia com os resultados de sua análise, como também instava e convencia cada um a se envolver no processo de análise. No final, ficava uma sensação nítida e forte de que o único meio para se resolver qualquer um dos nossos problemas existenciais é ir além do pensamento, além da linguagem, além do tempo – é ‘libertar-se do conhecido’, como diz no título de um de seus melhores livros, Freedom from the know.” [CAPRA, 1988: 22].

Em que medida as experiências do cotidiano, daquelas consideradas mais banais às valoradas como impactantes, por meio da autobservação, se convertem em vínculos, em suporte para a consciência de si e do mundo?

Consciência é tudo que é. Como separar quem se é do (f)ato de existir? Viver a vida como prática: reconhecer-se Ser. Não como um caminho para aprimorar-se e tornar-se a referência idealizada de si mesmo, mas como processo de despojar a força e poder que atribuímos a nossas crenças, aos julgamentos sobre como devemos ser e sobre como a Vida deve ser, para receber, perceber, processar e co-criar a Vida no aqui agora, na medida em que o viver simplesmente acontece.

Em essência, uma sessão de BodyTalk é uma escuta sensível, atenta e ancorada na consciência do coração, a partir de protocolos que estruturam a intuição, permitindo o desvelar da sabedoria inata do cliente, do terapeuta e, por que não dizer, da sabedoria acumulada coletivamente. A escuta daquilo que está consciente e tangível, mas também dos silêncios, das entrelinhas, dos vazios que se revelam para além das narrativas conhecidas, além das histórias por hábito repetidas tantas vezes sobre si ou sobre a vida. Essa disponibilidade para re(conhecer) o Ser na sua dimensão integral desvela o desconhecido, a sombra, a potência que habita o inconsciente e que igualmente faz parte de quem somos.

Referências

CAPRA, F. (1988). Sabedoria incomum. Conversas com pessoas notáveis. São Paulo: Cultrix Editora.

CYRULNIK, B. & MORIN, E. (2013). Diálogo sobre a natureza humana. São Paulo: Editora Palas Athena.

Institute of Noetic Sciences & POOLE, W. (1993) The Heart of Healing. Atlanta: Turner Publishing.

MACY, J. & JOHNSTONE, C. (2020). Esperança ativa. Rio de Janeiro: Bambual Editora.

OXFORD (2000). Oxford Advanced Learner´s Dictionary of Current English. Oxford University Press (impresso).

VELTHEIM, E. (2001). Who Am I?: The Seeker’s Guide to Nowhere. Florida: PaRama LLC.
VELTHEIM, J. (2013). The Science and Philosophy of BodyTalk, Healthcare Designed by Your Body. Florida: PaRama LLC.

[1] Terapeuta BodyTalk certificada, tendo chegado no sistema BodyTalk em 2011 e desde então mergulhado em todos os módulos avançados, além de outros aprofundamentos, como Medicina Oriental, Ecologia do Corpo e Epigenética. Participou e monitorou cursos como Mindscape Básico e Avançado, Breakthrough, FreeFall 1 e 2, além de satsangs com Esther Veltheim. Contribuiu na organização do primeiro encontro de terapeutas BodyTalk do Brasil, em 2013, tendo facilitado nesta ocasião e em 2018, vivências de grupo para a matriz de terapeutas do sistema. É integrante da equipe do projeto BodyTalk Brasil COVID-19.

Psicóloga, com especialização em psicologia clínica pelo Instituto de Gestalt-Terapia (IGTB) e mestrado em Desenvolvimento Humano e Saúde pela Universidade de Brasília (UnB). Escritora, fotógrafa, artista transdisciplinar, investigadora das artes do movimento, facilitadora de processos em que a dança e as práticas somáticas se encontram e se potencializam, e em pesquisas de improvisação e meditação em ambientes naturais ou aquáticos. Ecologia Profunda, Ecopsicologia e abordagens bioinspiradas, a natureza rítmica e mediadora da Água e Embriologia são seus temas atuais de pesquisa e aprofundamento. Foi professora e coordenadora pedagógica em uma das primeiras formações de doulas no Brasil e desenvolve um projeto chamado Feminino Bem-Viver. adriacamilo@gmail.com site: almamater.art.br

[2] A Ecologia Profunda e o Dragon Dreaming são abordagens que integram o desenvolvimento pessoal, comunitário e ecológico como dimensões interelacionadas e inseparáveis de um sistema vivo. Embora não façam parte do Sistema BodyTalk, bebem de alguns fontes conceituais e filosóficas comuns. “Esperança ativa”, o mais recente livro de Joanna Macy, doutora em ecofilosofia, estudiosa da teoria geral dos sistemas e grande referência em Ecologia Profunda é uma inspiração para este ensaio, que versa sobre as Ciências da Vida do BodyTalk como caminho de autodescoberta.

[3] A primeira edição do periódico Escuta teve como eixo condutor o BodyTalk como Sistema e inclui uma entrevista com o Dr. John Veltheim, na qual se confirma a importância de Fritjof Capra, especialmente o livro Ponto de Mutação, na sistematização do BodyTalk. A entrevista foi conduzida por Verena Kanciskins.

Para ler em pdf clique aqui

Ciclo do cuidado

Maria Fontes[1]

O curador ferido é um arquétipo bastante utilizado para falar sobre “o terapeuta” e a capacidade empática que essa tarefa convoca. Esse termo é inspirado na história de Quíron, o Centauro.

Na mitologia grega, Quíron é uma figura que, apesar de possuir corpo de cavalo e, de certa forma, o potencial anímico e instintivo bruto, ele era refinado, bondoso e conhecido por sua habilidade com a Medicina. De fato, era considerado uma autoridade espiritual que tratava as dores humanas. Diz o mito que ele foi, acidentalmente, atingido por uma flecha envenenada lançada por Hércules. Como era imortal, Quíron sobreviveu, mas a ferida incurável se tornou um sofrimento crônico. O desconforto da dor pessoal faz com que Quíron experiencie e busque inúmeros recursos para apaziguar aquela ferida. Ele passa sua existência investigando soluções, caminhos e possibilidades de amenizar sua dor. Reúne em si grande bagagem, o que favorece o entendimento das variadas dimensões das dores humanas que ele curava. Arquetipicamente, ele fala do curador ferido e sua busca ao lidar com a ferida eterna.

Inspirado, ou não, na imagem desse mito, Carl Jung também fala do curador ferido. Segundo ele, um terapeuta pode auxiliar na cura de pessoas por ele ser um doente, ou seja, aqueles marcados por suas dores seriam capazes de ajudar pessoas a reconhecerem, cuidarem e curarem as próprias feridas.

Estar atento e disponível a auxiliar o outro no caminho por vales escuros e doloroso de sua própria alma requer a força e a coragem de buscar a própria cura, o próprio aconchego na dor. Isso é uma arte. De acordo com Julia Cameron (2002, pág. 48) em O caminho do artista,a arte nasce na atenção (…). A arte parece brotar da dor, mas talvez seja porque a dor ajuda a focar nossa atenção em detalhes”. A arte do cuidado parece então se relacionar com a capacidade de observar e avançar nos detalhes da própria dor, conhecer os labirintos internos, lamber feridas das quedas e tropeçadas da vida e, então, disponibilizar um olhar que observe a dor do outro, os detalhes desse outro.

Mas, então, que outro é esse? Sistemicamente falando, minha capacidade de auto-observar e encontrar os pontos da minha dor, auxilia o outro a encontrar também suas dores. Não há separação.

Desde que comecei a estudar e praticar o BodyTalk, em 2012, os conceitos da Advaita Vedanta[2] foram polindo minha observação do mundo, ou minha observação no mundo.

A grande pegadinha de sentir-se separado para entender-se como um indivíduo vem da necessidade de controle: controlar o que se sente, proteger-se de dores e dissabores, minimizar julgamentos ou controlar para programar e planejar uma rota de vida. Então, vem a Vedanta novamente e me conta que controle é “a mãe de todas as crenças limitantes”. O Ser em sua expressão mais amplificada e potente não se separa do outro, nem da vida, nem dos fluxos orgânicos, nem das estações do ano, nem dos mecanismos sociais, nem mesmo das interferências astronômicas e astrológicas, ou seja, o Ser É algo integrado e composto por inúmeras camadas. A cada instante uma vivência, uma sensação de expansão, outra de limitação, uma alegria, uma tristeza, e assim, uma série de experiências de vida que vão constituindo uma experiência que vou acabar chamando de minha. Minha experiência de vida, ou, na Vida!

Não posso controlar quando dói ou quando a vida flui. Quando adoece ou quando cura. Há então, a possibilidade de observar e permitir que a consciência se faça presente, e apenas aguardar o que dela possa brotar para a nova experiência. Parece – ou realmente é – um lançar-se no espaço, lançar-se na vida.

O BodyTalk praticado em nossos consultórios é apenas uma parte de um sistema amplo e sofisticado que promove bem-estar, vida, autoconhecimento e saúde. Esse sistema integral de saúde vai desde técnicas mais simples – como o Córtices –, passando por treinamentos para autocuidados, até oferecer um suporte “filosófico-existencial-transpessoal”, embasado na Advaita Vedanta. E não para por aí.

Como técnica clínica, nos fornece um treinamento preciso com navegação respeitosa que parte da premissa das prioridades do sistema humano de cada cliente. Acontece que as dores humanas são múltiplas e complexas. Cada um de nós reflete um prisma de cores únicas. Por reverberação, sintonia com o diapasão universal ou atração sintonizada com o perfil do nosso curador ferido, a clínica de cada terapeuta irá expressar ou atrair dores humanas similares àquelas que já nos foram possíveis enxergar, observar e avançar na cura. É nesse ponto, na perspectiva de abraçar o curador ferido de cada terapeuta que, generosamente encontramos no Sistema BodyTalk, as Ciências da Vida.

Dizemos que BodyTalk é uma terapia de observação. Observar a prioridade da sabedoria inata do cliente permitindo que a mente consciente participe dessa observação e melhore sua comunicação com os aspectos observados. A partir de onde se observa algo? Só se pode observar algo a partir da própria presença. Adalberto Barreto – nos conceitos da terapia comunitária – nos esclarece que “só reconhecemos fora aquilo que conhecemos dentro” (BARRETO, Adalberto: 2005).

Ser terapeuta me convida constantemente à autoinvestigação!

Nessa jornada pelas trilhas do BodyTalk, vem sendo fundamental resgatar aquele dever de casa dos meus processos pessoais e me disponibilizar para constantes atualizações em mim. Para isso, auto-observação é um ticket de passagem sem volta.

É difícil definir as Ciências da Vida apenas como cursos do sistema BodyTalk, mas, de forma prática, são o conjunto de cursos formados pelo agrupamento do Mindscape, BreakThrough e Freefall. Cada um desses é em si um conjunto de técnicas, um espaço para processos terapêuticos e também, uma ferramenta de suporte pessoal e para a prática profissional.

O BreakThrough me ensina a ser papel de origami: investigar as crenças antigas, como marcas de um formato pessoal que já não me cabem mais e, então, por meio dos 7 passos investigativos, desapegar e deixar ir, para que uma nova “dobradura” possa proporcionar nova direção. Assim, surge uma nova possibilidade de uma nova forma de expressão. Quando reações exageradas nos dominam, gatilhos subconscientes estão nos pressionando. Os 7 passos do BreakThrough nos possibilitam identificar e transformar os gatilhos que, por vezes, sequestram nossa lucidez e apenas reagimos. Esse é um movimento interno que pode mudar nossa direção e ser altamente transformador. Muitas feridas e dores deixam de ser necessárias quando a liberação de uma crença limitante e obsoleta nos possibilita outro olhar sobre as situações e sobre nós.

Outro parceiro fundamental na prática da auto-observação é o Mindscape. Ele é o espaço dentro das Ciências da Vida que fornece um cenário seguro, como meu anjo da guarda. Fornece uma base, um apoio para os passos pessoais, relacionais e profissionais. Ali nada é por acaso. Ao alcance dos olhos fechados, alinhado com a respiração profunda, “a casa dos pensamentos malucos” se torna um lugar em que, qualquer “maluquês” ganha contornos bem desenhado e pode ser traduzida em uma linguagem cheia de informações. Mais nítido ou mais simbólico, cada elemento informa algo essencial.  A relação azeitada com a oficina vem trazendo, dia após dia, enorme clareza, e, consequentemente, confiança nos processos intuitivos.

E então, temos o Freefall.

Pausa para um suspiro… Suspiro com sensação de colo, carinho, cuidado e muito sacolejo no Serzinho que vos escreve.

Na tradução, Queda Livre!

Ao longo da vida, fui passando por vários processos terapêuticos, mas sempre me sentia “à paisana” nesse campo. Deixei locais internos, que me doíam e custavam caro reconhecer e transformar, sempre para um futuro, para o depois, como se magicamente padrões e dores fossem se curar com um toque divino. Quando me tornei terapeuta, foi necessário mergulhar mais profundo, olhar para as feridas do curador ferido com maior lucidez. Neste caminho, cheguei até o FreeFall.

FreeFall é o processo terapêutico mais ousado e, ao mesmo tempo, acolhedor e gentil que conheço até hoje. A proposta é que, dentro de um círculo invisível de confidencialidade, confiança e autorresponsabilidade, os participantes possam despir as camadas e irem em direção ao Ser. De fato, despimos. A metodologia é a nudez. Tiramos a roupa, sim, e com ela muitos preconceitos e personagens. Nesse ato simbólico cada peça de roupa pode carregar para o chão o que ela tenta esconder ou tenta dizer sobre nós. Traz a possibilidade de revelar quem somos diante de nós mesmos.

A nudez carrega em si muitos elementos ligados à sexualidade. Socialmente são raros os momentos em que a nudez é bem-vinda. Ela está relacionada a momentos íntimos e ao sexo. A energia sexual é a base da energia vital, é a energia de cura e a própria pulsão de vida. Sabemos que existimos a partir do sexo dos nossos pais. A simples menção a essa realidade nos mobiliza. Para muitos de nós, um desconforto ou sensação de preferir não lembrar dessa parte. FreeFall parte desses desconfortos com a sexualidade moldada e nos guia rumo a uma queda livre para dentro de nossa potência de vida, presente em cada célula, apenas porque estamos vivos, aqui e agora.

Na jornada FreeFall, caminhamos de mãos dadas com nossa história de vida e temos espaço para olhar de frente, no espelho, tudo o que somos ou que podemos ser ao nos despirmos dos medos, culpas, vergonhas e limitações autoimpostas. A repressão sexual está no corpo, na mente, nas emoções e até no espiritual. Ela nos formata, modela, cria camadas de dores e distanciamento de nossa força vital. FreeFall é sobre nos recuperarmos para nós mesmos.

A intensidade dessa jornada depende do ritmo de cada um consigo, com seu curador ferido e com as permissões pessoais de avançar ou se reconhecer no limite do que é possível a cada momento. É também sobre respeito, especialmente o autorrespeito. Não existe obrigatoriedade em passos pré-definidos, o que encontramos é uma guiança dentro de um processo seguro e pessoalizado. As propostas são para o grupo, e cada indivíduo tem a oportunidade de indagar-se sobre o tamanho do passo a ser dado. Apesar de estarmos em grupo, o caminho não é em direção ao outro, senão, em direção a si.

Despir-se para acessar a vestimenta mais correspondente ao Ser. Abrir os olhos e enxergar para além da imagem refletida no espelho.

Por etapas, atravessamos as camadas que foram necessárias serem moldadas diante das repressões, abusos e distorções. Ao enxergar no corpo as dores e ao possibilitar uma experiência corporal real e segura, podemos viver insights, prazeres e alegrias que liberam couraças antigas. Soltar o que estava congelado em nós reverbera de forma incrível no corpo e na vida.

É claro que esbarramos em obstáculos, mas é possível abraçar os monstros escondidos em nossas temidas sombras.

Contatar a essência é um caminho pessoal, um ritmo único. Sutilmente a poesia pessoal ganha espaço para se manifestar. Os contornos de cada um aparecem nos limites pessoais. Já falei do respeito e do acolhimento únicos? Uma dança em que cada peça de roupa deixada pelo corpo e pela persona revelam o nu de uma alma disponível a se enxergar e, às vezes, também ser vista.

Em 2016, saltei no primeiro Freefall Brasil. Encontrei, sim, muito sacolejo. A poeira que deixei pousada “para depois” foi se levantando. Um turbilhão de transformação a partir dali. Desde então, busco “saltar” em queda livre nesse ambiente terapêutico pelo menos uma vez ao ano. Assim, o repertório do meu curador ferido foi alcançando o alicerce da energia sexual de olhos abertos e mais atentos.

Em minha prática clínica, percebo mais energia vital disponível. Abundância em forma de energia básica, sexual, kundalini, que é a base de quase toda energia requisitada para a manutenção do fluxo de vida no sistema humano. Essa observação se estende aos meus clientes, mais profundos e dispostos a observar junto ao BodyTalk locais primordiais de desconfortos antigos.

Em tempo de pandemia, as feridas humanas e da humanidade estão abertas e quase inconsoláveis. O arquétipo quirônico está exposto: “o grande cuidador é aquele que possui a maior ferida”. Para cuidar é preciso cuidado, autocuidado.

FreeFall toca e abraça as feridas da alma. Constitui por si um espaço espiritual. Afinal, não há nada mais sagrado do que reconhecer e abraçar a própria dor, a própria sombra. Passo a passo, o cuidado vai se estabelecendo em esferas que pareciam intocáveis e, assim, um ciclo lindo de cuidado e atenção gentil pode nos habitar.

Onde está escuro em você?  Topa levar vida até lá?

Fluxo de vida em queda livre!

Namastê.

Maria Fontes


[1] Mulher latino-americana, filha, mãe, amiga, poetisa e sonhadora. Antropóloga e Socióloga pela UnB (Universidade de Brasília), mestrado em Psicologia Comunitária no ISPA (Instituto de Psicologia Aplicada – Lisboa), Instrutora de Yoga desde 2007, Terapeuta BodyTalk, CBP (Certified BodyTalk Practitioner) desde 2012. Apaixonada pelo Freefall desde 2016. Coordenando grupos de estudos desde 2018. O maior interesse de pesquisa pessoal é a interação indivíduo e sociedade. Encaro o BodyTalk como um sistema importante no balanceamento sustentável da vida e o azeitamento das engrenagens entre os níveis pessoal, social, ambiental, econômico, político e espiritual. Contato: fontes.mandala@gmail.com

instagram: @fontes.mandala

#(61)981012401

[2] Filosofia de raiz hindu dentro das tradições de pensamento e espiritualidade indianas cujas recentes mestres podem ser destacados como Balsekar, Krishamurti, Mooji, com os quais a concepção e leitura dos Vedas, escritos antigos sobre corpo, mente, espírito são de não-dualidade. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui

Prefácio Ed. 2 Escuta

Prefácio

Verena Kacinskis[1]

A edição que você tem diante dos seus olhos é especial. Isso porque o Sistema BodyTalk começou aqui, no que hoje chamamos de Ciências da Vida. Acho simbólico que um sistema de cuidado da saúde tenha surgido em seminários cujo foco não era o bem estar dos pacientes mas sim a organização e desenvolvimento internos dos terapeutas. Isto fala muito do BodyTalk em si. Sem auto-observação e autocuidado, como podemos ousar nos dedicar ao cuidado do outro?

Mas John e Esther Veltheim, estudantes de longa data de Jnana Yoga e intensos praticantes da autoinvestigação, sabiam disso. Eles sabem, até hoje, que a organização do mundo interno é parte do processo de autoconhecimento, e que para nos organizarmos é preciso desenvolver a arte da autoobservação. Por isso, ao fundarem o Sistema BodyTalk nos anos 1990, eles começaram por aqui.

Nesta segunda edição do Escuta, você vai encontrar cinco artigos cuja proposta é apresentar a diversidade fenomenológica das Ciências da Vida a partir das perspectivas das autoras e autores.

Em O ciclo do contato, Maria Fontes, terapeuta de BodyTalk, usa sua experiência pessoal para descrever, por vezes de forma poética, a riqueza dessas disciplinas. “Acontece que as dores humanas são múltiplas e complexas”, afirma Maria. E segue: “Cada um de nós reflete um prisma de cores únicas. Por reverberação, sintonia com o diapasão universal ou atração sintonizada com o perfil do nosso curador ferido, a clínica de cada terapeuta irá expressar ou atrair dores humanas similares àquelas que já nos foram possível enxergar, observar e avançar na cura. É nesse ponto, na perspectiva de abraçar o curador ferido de cada terapeuta que, generosamente, encontramos no Sistema BodyTalk as Ciências da Vida.”

Ciências da Vida é uma família de cursos vivenciais formada pelo MindScape, BreakThrough e Freefall. “Cada um desses é em si um conjunto de técnicas, um espaço para processos terapêuticos e também, uma ferramenta de suporte pessoal e para a prática profissional.”, nos explica Maria.

Em Ciências da Vida do BodyTalk, autodescoberta e o apreço por perguntas significativas, outro artigo cuja proposta é apresentar as três disciplinas a partir de uma experiência pessoal, a autora, Adriana Camilo, também terapeuta do Sistema BodyTalk, reflete sobre a contribuição das Ciências da Vida em sua trajetória: “Viver a vida como prática: reconhecer-se Ser. Não como um caminho para aprimorar-se e tornar-se a referência idealizada de si mesmo, mas como processo de despojar a força e poder que atribuímos a nossas crenças, aos julgamentos sobre como devemos ser e sobre como a Vida deve ser, para receber, perceber, processar e cocriar a Vida no aqui agora, na medida em que o viver simplesmente acontece.”

Adriana nos lembra que “Compartilhar as Ciências da Vida e convidar clientes a participar destes cursos é também uma maneira de estimulá-las(os) na apropriação do caminho de autoconhecimento.”

Seguindo por esta linha de pensamento (e sentimento), Myriam Machado, terapeuta de BodyTalk, nos guia pelos caminhos do FreeFall, disciplina das Ciências da Vida da qual ela é facilitadora. “John Veltheim criou o método FreeFall depois de observar o quanto as constrições criadas por nossas próprias histórias sobre autoimagem e amor próprio – e a carga negativa expressa em nossas roupas – podem perturbar não apenas o equilíbrio físico, mas também mental, emocional e energético. O principal objetivo do método FreeFall é que você possa celebrar a liberdade de Ser Humano.”

Saindo do FreeFall e caminhando em direção a outra disciplina, a própria Esther Veltheim, que idealizou e refinou os 7 passos de autoquestionamento do BreakThrough[2], nos relembra, em seu artigo Questionamento e o processo espiritual, que “nunca houve um tempo em que os seres humanos estivessem mais necessitados de aprimorar a habilidade de questionar” do que agora.

Por último, em MindScape como potencial caminho, Celso Juc e Angie Tourani, ambos instrutores de MindScape, e Carlos Bueno, terapeuta de BodyTalk e assíduo praticante das técnicas do MindScape, discutem, com mediação de Nirvana Marinho e tradução de Adriana Camilao, o uso do MindScape como ferramenta de autoconhecimento. Minha citação favorita desta conversa vem do Carlos Bueno: “MindScape e BodyTalk são geniais e ilimitados. A limitação deles é o praticante.”

Acredito que o autoconhecimento e a organização de nosso mundo interno ultrapassam o campo pessoal e funcionam como ferramentas de organização do coletivo. Não é possível construir uma sociedade saudável se os seus indivíduos estão doentes. Por isso, costumo dizer que o autoconhecimento é um trabalho, quase uma obrigação, social. A autonomia emocional adquirida depois de um fim de semana construindo uma intuição mais estruturada no MindScape ou investigando gatilhos emocionais no BreakThrough é algo que não se perde. Cada insight adquirido, permanece. E cada trabalho interno reverbera no campo familiar, profissional, social e político do indivíduo.


[1] VERENA KACINSKIS é psicóloga, Adv. CBP, CBI e pesquisa as várias formas humanas de se expressar. Produz cursos e conteúdos sobre a calma que surge quando organizamos nosso mundo interno em verenakacinskis.com e fala sobre receitas com plantas + intuição no projeto Minha Cozinha Virou Um Jardim.

[2] Depois da escrita deste Prefácio um novo artigo foi adicionado a esta edição, escrito por Salima J. Lara Resende (ERRATA) e embora não conste do presente texto, também sobre o BreakThrough, faz parte desta edição igualmente. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui