Quantas vezes eu morri

Arte: Mariana da Veiga, terapeuta certificada de BodyTalk e artista visual

Edição e pós-produção: Amália Gonçalves

Decidi criar essa série de desenhos autobiográficos sobre o luto mesmo tendo resistência à palavra escrita se misturar com o grafismo. Adianto que todos os demais planos que fiz para ela foram em vão. O que ficou foram as sensações, e a narrativa de algo estranho e híbrido, entre uma história em quadrinhos – fragmentos poéticos breves, inspirados nos ´haikus´ japoneses. O caos cria, o caos destrói, e dentro dele, o que é que fica? Minha proposta não é necessariamente fazer sentido, mas trazer à luz os movimentos mentais que eu experimentei revisitando a minha experiência com lutos marcantes. Ao convidar os leitores para observar esta dança, quem sabe possamos celebrar juntxs a vida e a morte em suas várias dimensões.

Poesias de costura

“Pensar é desnudar meias verdades 
que se vestem de mentiras longas.
A razão é um vestido 
cheio de tendências 
irracionais.”

(errata feita dia 28 junho 2021)

Posfácio

Amanda Pinho

Em uma aresta do tempo foi dada a tarefa de compor a mais bela poesia, ela deveria ser concreta, sensível, profunda e rítmica. Nessa aresta atemporal não havia passado, não havia referência, não havia modelo, muito menos um objetivo. Ali banhada de possibilidades respirando criatividade a consciência, fonte de tudo, inclusive do nada, permitiu que o corpo assim se poetizasse de vida.

Fez o corpo pra você chamar de seu, esculpiu a casa pra Eu morar com janelas que dão de frente pro amar. Essa casa se ergueu sobre pilares elementais, com paredes feitas de cortinas epiteliais, acolchoadas de gordura pra evitar abalos ósseos. A luz percorreu circuitos nervosos até desaguarem emoções no rio de sangue que banha as células, as verdadeiras arquitetas da existência.

Cinco janelas permitem que a brisa do mundo ecoe pela casa. O tempo invade as paredes e as vezes separa Eu de você. O reencontro só acontece quando no meio do caminho encontramos as pedras de culpa e medo que impedem o fluxo do mundo. Aqui começa a famosa jornada de volta pra casa, a redescoberta do corpo como morada, e que nessa casa vivem muitos Eus.

Criou-se retalhos dessa poesia essencial e soprou cada parte do corpo, cada órgão e cada glândula pra que em uníssono o corpo cantasse a vida. O coração é o regente dessa orquestra cuja a partitura o cérebro desenha, e para que a mais bela harmonia surja um pouco de tensão se faz necessário.

  Atenção, não se aperte demais, pois o instrumento sai do tom. Nas tonalidades mais graves sobreviver é nota fundamental, os afetos e as relações fazem nascer um fragmento pra chamarmos de mim. Mim acreditará ser a fonte originária de todo movimento. Esse Mim vai se identificar com a casa, vai nomear, vai registrar como propriedade privada diante de uma vida, totalmente, pública. Mim acha que é dono da casa, ainda não sabe que nada é pessoal. Mas em logos saberás que é tudo sobre nós e não sobre você mesmo.
Depois de sobreviver, se sobrevoa acima dos instintos, avista-se um oceano de aceitações pra ser atravessado ate o firmamento. Nesse oceano com suas emoções afluentes, nada é preciso. O balanço da maré fará testemunha quem não tentar remar contra o amar é.  Durante os sentimentos frios, é bom se cobrir de razão.

A coberta mental é costurada de crenças retalhadas que se formam nos atalhos que mim cria pra enganar o tempo. Dos enganos aos ganhos, é na terra que a gente erra. A aceitação é o gesto de encobrir-se com o intelecto, é despir-se do bicho que habita as entranhas pra renascer humano que sabe. Sabe que essa casa um dia padecerá. 

A seiva da vida produzida no interior dos tijolos ósseos inunda os tecidos de entusiasmo na direção de uma ação sem motivo, sem pressa, sem objetivo. A casa, desenhada por margens finitas, contém na sua medula o sem fim. Terminamos só porque um dia acreditamos começar.

O que te parece viver sabendo que não há metas? Não há prazos, nem mesmo chegada há. Imagina abrir mão de todos as ideias sobre o mundo e redescobri-lo, hoje, como se fosse a primeira vez em que se abrem as janelas?!

Ao abrirmos as janelas, a alma aspira, o corpo respira e Eu acompanho a vida passar. Passar por mim, passar por você, por nós, ela simplesmente passa, e recria o ser que sabe, sabe que está só de passagem.  

Amanda Pinho

(1) Psicoterapeuta de formação e poetiza na essência. Há 9 anos integra o sistema de bodytalk na sua prática de reeducação do pensamento! isnta @anma_ar

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A crisálida e os ciclos naturais da vida

Pra toda mente em desatino
corpo é destino.

Seja bem vindo a casa corpo,
 onde a biologia dá a forma para as margens físicas
conterem o rio químico de energia essencial da vida.
Desfrute da estadia!

(errata feita 25 junho 2021: inclusão poemas de Amanda Pinho)

Alessandra Batistuta (1)

Início assim nossa conversa para expor minhas observações a respeito da vida. Da minha percepção de vida dentro da esfera do BodyTalk. De todas as transformações vivenciadas a partir do instante em que deixei de apenas conhecer intelectualmente as leis dos ciclos naturais da vida e, passei a vivencia-las ao permitir a liberação de muitas crenças e, com isso, acessar de uma forma mais objetiva uma consciência mais expandida. É impressionante a força da vida em cada pedacinho que compõe esse planeta azul.

Na minha prática como terapeuta, tem sido um privilégio poder acessar insights de transformações, que vão desde o nível mais sútil das emoções e pensamentos, até o nível molecular, e que dá permissão a um canal de acesso para que a vida se faça! Quantos bebês BodyTalk foram facilitados nesse processo! Na minha prática como pediatra, quantas oportunidades de facilitar um processo de aproximação da saúde plena em situações cotidianas e também de alto risco! Ao ponto da equipe que trabalha comigo dizer: “fica tranquila, pois as complicações acontecem, mas são menores, nos nossos dias!” 

Nos últimos cinquenta anos, o ciclo natural de expansão da raça humana teve seu apogeu. Vivemos um período de paz, sem guerras de proporções mundiais, aderindo aos desenvolvimentos da saúde, tecnologia, comunicação e prosperidade para uma grande porcentagem da população mundial. Saneamento básico mais acessível, não ideal, mas mais próximo de uma parcela da população que se desenvolveu inclusive com menos defesas naturais…

Químicos que melhoraram a performance, o humor e as defesas dos seres vivos (animais e vegetais!). Medicamentos estabilizadores de humor, antibióticos que inclusive aumentaram a média de estatura da população. O conhecimento da vida microscópica que nos sustenta como seres humanos! Poder nos aproximar de seres vivos que compõem nosso corpo e nos comunicarmos com eles através do desenvolvimento de tecnologias como a epigenética e a ecologia do corpo! 

Há um ano estamos vivendo uma drástica mudança nos paradigmas sociais. Enfrentamos um vírus caprichoso que trouxe em si ferramentas que estão transformando nossa forma de perceber as estruturas físicas, mentais e emocionais do nosso sistema. Pandemia. Era um substantivo usado em filmes de ficção científica, num futuro distante… Tantas crenças de controle e segurança sendo quebradas em grandes proporções. E nesse período de recolhimento a que fomos submetidos, aprofundei minhas percepções… Fruto desse processo de liberação dos véus que permeiam os cinco sentidos, a desconstrução de ideias e memórias ativas que permaneciam em suspensão, desalinhando o equilíbrio dos nossos sistemas corpo mente.

Hoje, percebo esse momento, como mais uma ferramenta de crescimento do ser humano! 

Sim! As pessoas estão entrando em contato com suas vulnerabilidades, aquelas que ficavam envolvidas nas nossas ilusões de controle. E essas vulnerabilidades serão acolhidas e transformadas. Uma nova onda (tsunami?) de transformação de consciência. Expansão. Crescimento. São escolhas.

Porém, independente de tudo isso, os ciclos naturais da vida permanecem inalterados em suas essências, assim como todos os seres animados e inanimados, imutáveis em nossas essências.

Dentro do Body Talk, a alquimia desenvolvida no processo de integração entre a medicina tradicional chinesa e a astrologia, permitem o acesso a movimentos de coordenação, integração e vinculação dos ciclos naturais da vida à saúde do complexo corpo mente.

As mulheres gestam e os bebês nascem, as pessoas se conhecem, se aproximam e se afastam… As estações do ano se revezam, o sol nasce e se põe, as plantas estão ativando a força de crescimento das sementes, saindo da escuridão em busca da luz. Expansão e contração, é o que gera o movimento da vida . E a gente deixa de resistir. E vamos abrindo mão da necessidade de tentar controlar o incontrolável.

Nós estamos sempre saindo de uma caverna e descobrindo a realidade sob um novo foco de luz. Isso poderia ser frustrante, se já não nos servíssemos desse processo evolutivo de maneira consciente. Sair de uma das muitas cavernas que habitamos em nosso inconsciente é libertador! 

Nesse momento me coloco com uma história de vida, em que durante quase vinte anos trabalhei numa situação, que era “confortável” mas muito desgastante, consumidora de energia e criatividade… Quando realmente pude me desvincular desse lugar, eu percebi como a vida poderia ser mais leve, próspera e pude me dedicar mais intensivamente ao Body Talk, tornando hoje essa técnica, meu principal sustento  emocional, material, vital ! Vi a importância de reconhecermos nossa real dimensão e nos encaixarmos de forma confortável nesse ciclo grandioso. Nos aproximarmos de nossa essência imutável.

E é bem aqui que vou inserir a importância do BodyTalk como uma ferramenta de expansão da consciência, que quanto mais exercida e recebida, mais facilita a regulação dos ciclos naturais de vida em cada molécula. Vivemos melhor quando compreendemos e usamos de forma assertiva o legado que trazemos em nós. Os ciclos naturais permanecem, nós passamos. 

Podemos escolher passar bem! Tudo são escolhas! Você tem feito suas escolhas? Você vai deixar escolherem por você até quando? Você tem se entregado às escolhas que o Universo faz pra você? Quanto você tem resistido em entrar em contato com suas fragilidades? Será que você tem pensado em mudar de vida e qual o trabalho isso poderia gerar pra você e daí nem se movimentar pra descobrir?… Quanto você tem cuidado do outro pra evitar de cuidar de si? Tranquilo!!!! Muito mais importante que responder essas questões, é a gente estar disposto a fazer perguntas! BodyTalk está aqui para facilitar!

Alessandra Batistuta

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Matrizes

Entrevista realizada por Natasha Mesquita com Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

(realizada em abril 2021 por email, com colaboração de Ana Carolina Vasconcelos)

Com entusiasmo trago para a ESCUTA esta entrevista concedida pela Dra. Claudia Schembri-Heitmann, sobre o assunto Dinâmica de Matrizes no trabalho dos praticantes de BodyTalk.

Tenho certeza de que será de grande esclarecimento para nós terapeutas no que diz respeito ao trabalho com essas técnicas durante nossas sessões, sobre sua dimensão de atuação, assim como elucidativo a todos sobre o potencial de alcance terapêutico do BodyTalk.

Natasha Mesquista (editora chefa da 4a edição do Escuta)


O indivíduo é a casa onde
todos os outros vivem.

O agora é um soma
de passados ensaiando
um futuro.

O passo não dado
de ontem
amanhã
será presente.

(errata feito em 25 junho 2021: inclusão de poema de Amanda Pinho)

Entrevistadora, Natasha Mesquita (NM): O que é uma matriz?

Claudia Schembri-Heitmann (CS-H): Uma matriz pode ser definida de várias maneiras diferentes, dependendo também do público a que se dirige. Por definição, uma matriz é um campo de energia nutritiva e de suporte materno, que fornece uma base comum para que as coisas, ideias e processos se unifiquem, e que podem então ser funcionais ou disfuncionais.

Poderíamos também trazer a terminologia que Rupert Sheldrake usa quando descreve a ressonância mórfica e a criação dos chamados campos morfogênicos e morfogenéticos.

Os campos mórficos, morfogênicos e morfogenéticos (campos M) definem diferentes níveis de qualidades, sobre como a forma pode se manifestar através da Consciência do quantum ao físico. ‘Morph’ é a palavra latina para forma, e ‘gênese’ é a palavra latina para criação – apoiando o processo de in-forma-ação, trazendo à forma.

Sempre que um campo de matriz de grupo é formado, relações geometricamente ordenadas, que são baseadas em ressonância mórfica, memórias morfogênicas e morfogenéticas, automaticamente passam a existir dentro e fora deste campo M de grupo.

NM: Tenho um entendimento sobre o módulo 6 (Microcosmos e Macrocosmos), por exemplo, como sendo inspirado em conhecimentos sobre astrologia em convergência com a medicina chinesa. Você sabe o que influenciou John Veltheim na criação das técnicas de Dinâmica de Matrizes?

CS-H: O sistema BodyTalk evoluiu de maneira desdobrada. Desde o início (1995) até 2001, havia “apenas” os Fundamentos do BodyTalk (BTF). Quanto mais o campo de praticantes (e clientes) de BodyTalk crescia em todo o mundo, mais se podia ver que certos bloqueios no sistema corpo mente, especialmente nos níveis emocional-mental-supramental, precisavam ser tratados por “ferramentas” diferentes daquelas que estavam disponíveis no treinamento BTF. Foi em 2001 que os módulos BT avançados foram introduzidos em uma conferência de três semanas. De uma forma simplista, a filosofia sobre matrizes primárias, secundárias e fragmentadas pode ser vista como uma abordagem avançada para trabalhar com memórias ativas ou liberação emocional do BodyGenics. Esses tipos de matrizes vivem uma vida própria no complexo corpo mente (entidade-ID) do cliente. Por isso, a abordagem passo a passo vai removendo as diferentes linhas de suporte de vida para a matriz dentro do órgão, endócrino ou parte do corpo do cliente. Toda a técnica se baseia na questão: o que todo indivíduo e ser identificado precisa para viver?

NM: Parece-me que a Dinâmica de Matrizes como um todo se relaciona fortemente com a teoria dos sistemas dinâmicos, que é a base da estrutura do BodyTalk. No seu ponto de vista, existe uma relação direta entre as técnicas de Matriz e a teoria?

CS-H: Dinâmica de Matrizes pode ser interpretada de diferentes perspectivas quando se trata de Física e Filosofia. Matrizes Complexas estão muito relacionadas à ideia de funcionamento de sistemas dinâmicos. Ao mesmo tempo, tudo isso é baseado no potencial ilimitado e nas possibilidades presentes no mundo da consciência baseada no quantum, representado pelo conceito de onda – partícula, bem como pelo modelo de causação descendente.

NM: Ao trabalhar com Matriz temos a chance de observar o que nosso Sistema chama de “Matrizes primárias, secundárias, fragmentada e complexas”. Existe uma maneira simples de definir a diferença entre elas? Elas poderiam ser compreendidas como perspectivas diferentes da mesma coisa essencialmente?

CS-H: A Matriz Primária é referida como nossa primeira e única máscara essencial dentro do mundo da dualidade que torna possível à consciência universal ser capaz de se manifestar dentro ou através do ser individual. Quanto mais funcional for essa máscara, mais o indivíduo será capaz de curar a mente cindida e a percepção do “eu versus os outros”. 

Matrizes secundárias e fragmentadas são ferramentas de enfrentamento que podem nos ajudar a atravessar a vida, mas na maioria das vezes elas se tornam impraticáveis ​​e podem se tornar uma das principais causas de doenças.

Matrizes complexas estão sempre sendo criadas naturalmente quando mais de um ser (humano, animal, planta) interage regularmente. Sua saúde é o pré-requisito para a saúde do grupo, de seus membros e, também, de seu objetivo e missão.

NM: Como trabalhar com Matrizes Complexas Familiares no BodyTalk se relaciona com a Constelação Familiar? A obra e o conhecimento de Bert Hellinger são uma referência envolvida na criação dessa técnica específica no BodyTalk?

CS-H: Por meio de minhas próprias experiências, estou pessoalmente muito convencida do poder e da abordagem do trabalho de Sistemas Familiares de Hellinger. Além disso, este trabalho é reconhecido (como outra modalidade) quando ensinamos Dinâmica de Matrizes.

No entanto, da perspectiva do BodyTalk, temos que entender que tudo e todos funcionam de acordo com uma matriz complexa, até mesmo o nosso próprio complexo corpo mente. Portanto, quando expandimos a abordagem no BodyTalk para equilibrar uma pessoa por meio de uma sessão, também podemos experimentar a mesma qualidade de prioridades e mudanças fora da pessoa em seu ambiente geral e, também, nos campos aos quais ela está conectada. 

Portanto, é uma evolução natural ir por prioridade e verificar também quais relações precisam ser abordadas por meio de Matrizes Complexas.

NM: Como é que trabalhar com uma Matriz Primária Feminina ou Masculina envolve trabalhar com nossas forças arquetípicas primárias?

CS-H: Há uma forte conexão com as energias arquetípicas presentes em todos nós, usando a compreensão do corpo supramental. Existe um campo de significado além do ser individual e seus cinco sentidos podem ajudar a traduzir e visualizar esse campo arquetípico e seus poderes relacionados.

A Matriz Primária está muito relacionada à expressão dos aspectos divinos femininos e masculinos dentro do indivíduo, no mundo manifestado de dualidade e polaridade. Embora carreguem sim as tendências herdadas (que também incluiriam padrões arquetípicos), eu pessoalmente não relacionaria a matriz primária masculina e feminina ao nível supramental/arquetípico apenas.

NM: A própria sessão torna-se uma matriz com “tentáculos” que podem ser entendidos como os vínculos que surgiram como prioritários. Essa analogia faz sentido?

CS-H: Sempre que estamos observando itens que precisam ser vinculados ao protocolo BodyTalk usando o procedimento BT, estamos criando as chamadas fórmulas. A qualidade dos vínculos pode ser “positiva” (reconexão) ou “negativa” (desassociação). Quer se trabalhe de forma linear (Procedimento Básico) ou não linear (Procedimento Avançado), estamos criando diferentes redes de observação. Mas eu pessoalmente não me refiro a isso como tentáculos. Sim, é um campo, mas geralmente com um nível de ressonância muito temporário, evoluindo para o resultado da própria fórmula.

Dra. Claudia Schembri-Heitmann

Praticante, Instrutora e Pesquisadora. Doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa (IQUIM, EUA). Heilpraktikerin (Naturóloga, Alemanha). Diplom-Sportlehrerin/Sporttherapeutin (Graduada em Ciência e Terapia do Esporte, DSHS e DVGS, Alemanha).

Claudia Schembri-Heitmann nasceu em Bad Oldesloe (Schleswig-Holstein, Alemanha). Em 18 de outubro de 1989, ela se formou em Ciências do Esporte e Terapia após estudar Ciências do Esporte por quatro anos na Universidade Alemã de Ciências do Esporte, em Colônia (Alemanha).

Claudia estendeu seus estudos de pós-graduação e recebeu novas qualificações fazendo cursos adicionais para se especializar em reabilitação de lesões ortopédicas, terapia espinhal e problemas cardíacos, além de treinamento básico/regular em saúde e esporte. Desde a graduação, Claudia ocupou vários cargos de liderança como Chefe de Esportes e Terapia do Movimento em sua linha profissional de trabalho na Alemanha e em Malta. Claudia mudou-se para Malta no início de 1993 para trabalhar em um Centro de Bem Estar e Terapia Integral. Desde então, ela se especializou totalmente em Saúde Baseada na Consciência, utilizando modalidades que são baseadas em quantum, holística e abordagem integrativa.

Em 3 de dezembro de 2001, Claudia se qualificou como Heilpraktikerin (Naturopata) na Alemanha. Em 2004, Claudia mudou-se, com seu marido (Felix) e seu filho (Tim), para viver no sul da Alemanha, onde montou uma clínica de muito sucesso e um centro de seminários profissionais na área de Allgäu (Bavária), ambos baseados em princípios e filosofia de saúde baseados na consciência. Morar na Europa central era muito necessário, a fim de permitir que Claudia viajasse regularmente pelo mundo e ensinasse Saúde e Medicina Quântica baseada na Consciência (principalmente BodyTalk e modalidades afins) para milhares de alunos.

Em abril de 2019, Claudia concluiu o Doutorado PH.D em Medicina Integrativa pela International Quantum University Integrative Medicine (IQUIM, EUA), que é a única universidade no mundo que oferece estudos e pesquisas especializadas e de ponta em Saúde Baseada na Consciência. O foco principal de sua pesquisa de doutorado é a relação e o efeito do ambiente do grupo de trabalho (“matriz”) na saúde do indivíduo.

Claudia Schembri-Heitmann é membro de várias organizações profissionais, incluindo a International BodyTalk Association (IBA, da qual ela é uma das principais instrutoras internacionais e da qual foi presidente mundial por muitos anos), a Federação Alemã de Esportes de Saúde e Terapia Desportiva (DVGS eV), The Reiki Network (TRN), Natural Healing Association Kempten (NHV Kempten) e a Associação Alemã de Medicina Energética e Medicina da Informação (DGEIM eV) .

Hoje, BALANCE é o resultado final de uma jornada e experiência de 30 anos de estudo, pesquisa, prática e ensino na esfera da Saúde Holística Integrativa Baseada na Consciência. Acreditamos que aumentar o conhecimento sobre a importância de uma abordagem baseada em consciência ajuda as pessoas a melhorarem a relação entre seu ambiente interno e externo. Isso nos ajuda a nos tornarmos mais sintonizados com os ritmos da natureza e, finalmente, com nosso Propósito de Vida e Eu Verdadeiro.

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A natureza humana é biológica, física, química e energética

Gabriela Menezes (1)

O gesto particular de um corpo
cria ondas de energia publica
nesse encontro dual
de passos nada casual.

Ancestralidade é esse desdobramento atemporal
de uma única centelha ocupando
corpos temporais.

(errata feita 25 junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

O DNA e a expressão da vida 

Muitos de nós aprendemos nas aulas de biologia que somos construídos a partir de nosso DNA. Ele determina se seremos altos ou baixos, loiros ou morenos, de cabelos lisos ou cacheados, de olhos azuis ou castanhos. Apenas quatro bases nitrogenadas no DNA (A, T, C e G) são capazes de se combinar numa variedade de formas a ponto de gerar um ser tão complexo como o ser humano, além de todos os outros seres vivos.

O DNA, armazenado no núcleo da célula, tem toda nossa informação genética e é de onde vai ser produzido tudo que nos mantem vivos. O dogma central da biologia nos explica que o DNA é transcrito para RNA e depois traduzido em proteínas e, assim, a informação que estava no núcleo da célula ao ser convertida em RNA migra para o citoplasma para ser traduzida em proteína. Essas proteínas saem das células para percorrer o corpo e desempenhar as funções do organismo, explicando de forma bem simples.

As funções básicas e vitais são realizadas pelas células sem que percebamos, assim funciona o nosso sistema nervoso autônomo, e seguimos respirando, com o coração batendo, e andando por aí sem precisar pensar a cada segundo qual movimento deveríamos estar fazendo para coordenar todas essas ações simultaneamente.

Também não precisamos medir a quantidade de açúcar ingerida a cada refeição, porque o organismo é capaz de equilibrar os níveis de glicose do sangue sozinho. Digamos que eu coma uma caixa inteira de chocolate, as células do meu corpo receberão através da membrana citoplasmática um sinal de excesso de açúcar, essa informação fará com que as células especializadas do pâncreas produzam insulina, uma proteína que vai gerar uma resposta de equilíbrio aos níveis ideais de açúcar no organismo.

Mas se todas as informações do que produzimos estão contidas no DNA que fica no núcleo da célula, como esse DNA vai saber quais proteínas ele deve produzir? Parece que o núcleo da célula, daquele lugar isolado, precisa de informações de fora da célula para saber o que esse corpo precisa produzir para sobreviver no ambiente, não é?! Aí é que entra o papel essencial da membrana celular: captar informações para regular a expressão celular. Assim como nossa pele delimita o corpo e recebe os sinais do meio ambiente através de sensações, a membrana da célula forma esse delimite e recebe os sinais do ambiente através dos sinalizadores químicos e energéticos.

A membrana celular tem um papel muito importante na expressão celular, é através dela que são selecionadas as informações que vão chegar no núcleo e ditar o tipo de comportamento que esse corpo terá. Então, por mais que o DNA tenha todas as informações, ele vai depender das informações do meio ambiente para agir. A membrana seleciona o que entra e o que sai da célula como resposta aos estímulos do meio.

As células que estão dentro do corpo não conseguem ter acesso ao que acontece do lado de fora do corpo por elas mesmas. Elas dependem das informações que chegam através do sistema central de processamento das informações: o cérebro. Devido à especialização celular em tecidos, órgãos, e sistemas do corpo, cada qual com sua função, o cérebro assumiu a função de coordenar o diálogo entre as moléculas sinalizadoras dentro dessa comunidade de órgãos do corpo humano.

A epigenética e o controle do DNA

Todas as células possuem toda a informação genética do indivíduo, mas nem todas as células vão expressar tudo a todo momento. As células se especializaram e para saber o que deve ou não ser expresso o maquinário celular utiliza moléculas reguladoras. As células musculares são especializadas em movimento, as células do pulmão são especializadas em trocas gasosas, e assim, cada parte do corpo ficou com uma função, e a expressão celular responde a essa função. 

Para além da especialização celular, descobriu-se poder haver uma expressão diferente dos genes, sem qualquer alteração no DNA. Alguns tipos de moléculas reguladoras podem grudar em cima da fita de DNA e fazer com que a expressão de determinado gene seja ligada ou desligada, aumentada ou inibida. Essas moléculas controlam o DNA, e esses fatores são hereditários! Assim, foi revelada a epigenética. 

Lembra que as células respondem ao meio em que estão inseridas? Gerando respostas às informações que a membrana recebe do ambiente em que estão inseridas? Os fatores epigenéticos são suscetíveis a influências externas, como por exemplo fatores de estresse, fome, variações de temperatura, alimentação. Então, o DNA pode ser influenciado a se expressar de diferentes modos a depender do ambiente a que está exposto, sendo este a chave da regulação. Quando o organismo precisa se adaptar a algo novo, é conveniente que as células se reorganizem, e os marcadores epigenéticos podem ativar ou inibir a expressão dos genes decisivos para esse novo momento da vida.

As experiências de vida também afetam os marcadores epigenéticos. Um estudo mostrou como os netos dos holandeses que passaram fome durante a segunda guerra mundial foram influenciados por fatores herdados. A privação de alimento gerou uma reprogramação metabólica, que foi transmitida para as gerações seguintes, levando os netos à obesidade.

A mesma privação foi testada em laboratório, os cientistas deram a ratas prenhes aproximadamente metade das calorias padrão, e seus filhotes nasceram menores que o do grupo controle. Na vida adulta, as diferenças de tamanho desapareceram, mas os filhotes das ratas com restrição alimentar apresentaram maior quantidade de gordura abdominal do que os filhotes do grupo controle. Já os netos das ratas em privação alimentar, apesar de nascerem menores, na vida adulta eram maiores do que os do grupo controle, apresentavam maior quantidade de gordura visceral e inflamação no cérebro. Isso mesmo aconteceu com suas mães que tinham sido alimentadas com a dieta padrão. A reprogramação metabólica veio da privação de alimento da avó. 

A partir da descoberta da epigenética, seu papel tem sido investigado em diferentes alterações dos processos biológicos do corpo, como câncer, doenças autoimunes, desenvolvimento embrionário e distúrbios como esquizofrenia. Estudos já demostraram que a exposição ao estresse altera marcadores epigenéticos no cérebro, alterando genes relacionados à neuroplasticidade, desencadeando a depressão.

Então, além das características físicas que herdamos no DNA, podemos herdar fatores epigenéticos e/ou desenvolver nossos próprios fatores epigenéticos respondendo ao meio onde estamos inseridos.

O superorganismo humano

O ser humano é formado por cerca de 50 trilhões de células. Essas células se especializaram e se organizaram em tecidos, que formaram órgãos, que se combinaram em sistemas, e que unidos formaram o corpo humano. A especialização fez com que as células estabelecessem comunidades, porque elas não agiam mais de forma independente. Assim, todas as células do corpo precisam agir em torno de um bem comum. 

Este ser humano é o habitat de cerca de 500 trilhões de microorganismos: o microbioma humano. Esses microorganismos vivem em nós e são parte do nosso mecanismo de vida. Dependemos dessa cooperação para nossa sobrevivência, uma vez que as bactérias que nos habitam têm funções nobres como liberação de micronutrientes essenciais, regulação do sistema imunológico e proteção contra microorganismos danosos. O sistema imune convive em harmonia com o microbioma, eliminando apenas o que causa trauma ao corpo.

A composição do microbioma humano é individual. Varia conforme a dieta alimentar, o ambiente em que a pessoa está inserida e até mesmo a quantidade de remédios ingeridos ao longo da vida. Então, cada pessoa vai receber do microbioma a cooperação que cultiva em seus hábitos de vida individual. 

Além disso, este ser humano complexo está inserido num ambiente, que além de outros humanos contém diversas outras espécies animais, inserido num bioma da natureza com um clima específico e uma vegetação característica. Dependemos, mais do que imaginamos, de cooperação para sobreviver na natureza, e o corpo humano já se mostrou capaz de realizar essa cooperação.

A biologia que não se vê

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos conta a importância da física quântica na biologia, que ignoramos por estarmos muito presos ao mundo físico de Newton. No mundo quântico e invisível de Einstein, a matéria está diretamente ligada à energia. 

Já se acreditou que o átomo fosse a menor unidade que forma qualquer molécula. Entretanto, a física quântica descobriu que os átomos são constituídos de partículas subatômicas, que formam vórtices de energia que giram e vibram constantemente, irradiando energia. Os átomos podem se expressar como um conjunto de partículas sólidas ou como uma onda, um campo de força não material. Energia e matéria estão tão intimamente ligadas que não podem ser consideradas coisas independentes.

Cada uma das 118 espécies atômicas descritas na tabela periódica tem sua própria constituição e apresentam um movimento diferente, o que constitui sua assinatura, e assim, é possível identificar os padrões de energia que emitem no seu conjunto de átomos. Tudo no universo emite um padrão de energia único por ter uma constituição diferente, e cada pessoa também é uma constituição única cada qual com uma assinatura energética. 

Se o universo dos átomos é uma integração de campos de energia interdependentes, o corpo humano também o é. E assim, o corpo apresenta uma complexa intercomunicação entre suas partes físicas e os campos de energia que o compõe. Um problema pode surgir de uma falha de comunicação em qualquer ponto dessa rede de informação: partículas ou ondas, e por vezes é difícil explicar o motivo de certos sintomas, desconfortos ou doenças.

Pesquisas envolvendo o mapeamento das interações entre proteínas das células comprovaram uma complexa rede de ligações entre elas. A mudança de um parâmetro de uma das proteínas altera o de diversas outras dentro do sistema, que aparentemente não teriam nenhuma relação. Por exemplo, uma proteína utilizada no metabolismo de DNA pode estar associada a fatores determinantes do sexo, como a proteína Rbp1 das moscas de fruta. Se acreditamos haver uma falha no metabolismo de DNA e criamos um remédio para isso, podemos alterar os fatores determinantes do sexo como efeito colateral dessa medicação caso altere a expressão de Rbp1.

Além de toda a comunicação física que acontece através das moléculas, proteínas, e sinalizadores químicos no corpo, há também a comunicação energética, eletromagnética, que é muito mais rápida que a comunicação física. A comunicação por ondas é cerca de 100 vezes mais rápida que a comunicação por partículas. Essa transferência de sinais mais rápida é útil para nos manter vivos em resposta aos fatores ambientais, e pode ser útil em acessar essas falhas de comunicação e promover seu reparo.

A medicina oriental, antes mesmo da descoberta da física quântica, já baseava seu tratamento em energia. Segundo a medicina tradicional chinesa, o corpo é formado por uma complexa estrutura de fluxos de energia conhecidos como meridianos, que se assemelham a circuitos eletrônicos.

O comportamento das ondas de energia é importante porque as frequências vibracionais podem alterar as propriedades químicas e físicas de um átomo. A movimentação constante dos átomos gera ondas, assim como pedrinhas jogadas na água, e assim podemos influenciar essa onda dos átomos com ondas construtivas ou parar sua atividade com ondas destrutivas.

Como os pensamentos afetam a química do corpo

Os pensamentos são manifestações da mente e influenciam o cérebro físico a controlar a fisiologia do corpo. A mente é energia, o cérebro é matéria física, mas já sabemos que a constituição do aspecto energia e do aspecto físico são semelhantes, são ondas ou partículas. Então, essa energia dos pensamentos pode alterar a expressão das proteínas de funcionamento das células, como falamos na epigenética. 

No livro ‘A Biologia da Crença’, Bruce Lipton nos instiga a olhar para os casos médicos conhecidos como exceção e avaliar o poder do pensamento. Como é possível um cientista tomar um copo cheio de bactérias causadoras de cólera e não ser afetado? Como há pacientes com HIV que não apresentam nenhum sintoma de AIDS? Como pacientes terminais de câncer conseguem recuperar a saúde com remissão espontânea do quadro diagnosticado?

E ele mesmo já diz que só pensar positivo não funciona, apesar de não trazer qualquer problema pensar de forma positiva perante a vida. O pensamento positivo e criativo está na mente consciente, porém a mente inconsciente, onde trazemos nossa programação instintiva e nosso banco de dados de experiências vividas, é bem mais forte. Então, se você aprendeu desde criança que tem uma saúde frágil, dificilmente somente pensar que vai se curar do câncer trará um resultado se você tem como premissa que sua saúde é frágil.

Os reflexos comportamentais básicos foram herdados como instintos genéticos, entretanto, nossa evolução permitiu além de receber os instintos genéticos, aprender com as experiências, um condicionamento adquirido. Essas respostas não envolvem o uso do cérebro consciente, funcionam como hábitos, tem um padrão repetitivo e rodam no automático, não são governadas pela razão ou pelos pensamentos. 

Assim também são muitos de nossos medos, não são mesmo reais ou nossos. São herdados epigeneticamente ou aprendidos desde que somos muito pequenos com nossos pais, cuidadores, familiares e professores, nós absorvemos comportamentos e emoções em nosso sistema de memória, como método para sobreviver e fazer parte da nossa comunidade. Nós vamos rodar esses programas aprendidos porque foram incorporados na nossa mente inconsciente. Todas as células do nosso corpo vão ouvir esse padrão de comportamento como a verdade a ser seguida.

Por sorte, somos dotados de uma região no cérebro chamado córtex pré-frontal, a evolução nos permitiu desenvolver uma região no cérebro especializada em pensamento, planejamento e tomada de decisões. Com isso, ganhamos o poder de observar nossos comportamentos e emoções. Essa parte consciente tem acesso às informações armazenadas em nosso banco de memórias. Assim, podemos refletir sobre nossa vida e planejar nossas ações. É onde podemos observar os comportamentos programados que adotamos e escolher se vamos mantê-los ou modificá-los.

Esses comportamentos programados e as percepções que derivam deles são as nossas crenças, que estão no controle da nossa biologia. Porém, as nossas crenças não são definitas e imutáveis. 

Experimentos com culturas celulares em ambiente controlado mostraram que as células fogem das toxinas e vão em direção aos nutrientes, mas enquanto as células estão fugindo das toxinas, elas não podem se nutrir e crescer. São dois sinais opostos. Se a célula está ameaçada, é mais importante sobreviver. Já quando ela está em um ambiente onde ela pode ir em direção aos nutrientes, ela pode crescer.

Nós estamos “crescendo” a todo momento, nossas células estão sempre se renovando, e nós também não nos nutrimos quando adotamos o comportamento de proteção e fuga. Ficar sob longos tempos no mecanismo de proteção gera estresse que pode paralisar totalmente o processo de crescimento. A capacidade de pensar com clareza também é afetada! O processamento das informações é mais lento que a atividade automática, e por isso, rodamos o programa habitual. Viver com níveis crônicos ou elevados dos hormônios do estresse, em um estado constante de tensão e vigília afeta de forma severa a saúde. 

Além de retirar o estresse, é importante adicionar momentos de alegria, amor e satisfação para estimular o processo de crescimento saudável. Primeiro passo: identificar seus medos e analisar de que forma eles impedem o seu crescimento. É uma escolha corajosa iniciar esse movimento.

Lembra que o cérebro é a central de processamento das informações? Uma outra parte dele, o cérebro límbico, desenvolveu um mecanismo onde converte os sinais químicos em sensações acessíveis a todas as células do corpo, e nossa mente consciente conhece essas sensações como emoções. As emoções se manifestam por meio da emissão controlada de sinais pelo sistema nervoso, os receptores que leem essa mensagem estão presentes em todas as células do corpo, e não só no cérebro. Nossas emoções não são geradas somente a partir da nossa interação com o ambiente, a mente consciente pode fazer o cérebro gerar emoção que vai agir sobre todo o sistema.

A mente consciente não opera em piloto automático como a inconsciente. Ela é criativa na forma como reage aos estímulos ambientais. Se um comportamento pré-programado entra em ação através da mente inconsciente, a mente consciente pode intervir, interromper e criar uma resposta diferente, porém temos de ter esse padrão pré-programado identificado e vontade de mudá-lo. Os comportamentos e crenças que aprendemos dos nossos pais, colegas e professores podem não ser os mesmos que queremos para a nossa vida, mas precisamos saber o que realmente queremos para não reproduzir o que aprendemos ser o certo.

Uma maneira de trazer ao mundo palpável como os pensamentos afetam a fisiologia do corpo é analisarmos o efeito placebo. No teste de medicamentos, alguns pacientes recebem o medicamento com princípio ativo e outros recebem o medicamento sem o princípio ativo. Muitos dos que não receberam o princípio ativo relatam melhoras dos sintomas e do bem-estar geral após iniciar o tratamento. Essa percepção de melhora veio do fato de acreditar estar tomando o medicamento. Isso demonstra como a mente pode ser forte em promover melhora na saúde. 

Ao contrário, o efeito nocebo também ocorre. É quando a mente emite sinais negativos que afetam a saúde. Como receber um diagnóstico de uma doença incurável e morrer em poucos meses. 

Como vimos, as crenças moldam a percepção, e a biologia se adapta a elas. Essas crenças agem como uma lente por onde você enxerga a vida. E quem decide qual lente usar é você. 

Ação do BodyTalk

O Sistema BodyTalk é uma metodologia de escuta do corpo, que visa trabalhar as prioridades de comunicação. Falamos acima sobre como uma falha na comunicação pode ocorrer em qualquer parte do corpo: físico ou energético. O restabelecimento dessa comunicação promove saúde.

Um curto-circuito pode ocorrer devido a uma crença que você tem e está inconsciente, mas que choca com o momento de vida que você está passando. Você não sabe explicar de onde vem aquele mal-estar, aquela dor, pode ser até mesmo que você procure um médico e clinicamente você esteja bem, mas há algo ali que te incomoda.

Em uma sessão de BodyTalk pode-se olhar para essa história, observar o que é prioridade, restabelecer o circuito de comunicação físico ou energético. Trazer à mente consciente o que estava velado. 

Outra possibilidade é olhar como um sintoma clínico ou uma doença pode estar atuando nesses campos interconectados do corpo, tanto física quanto energicamente. Um sintoma é sempre um mensageiro de algo a ser observado.

Através de um protocolo estruturado o terapeuta pode observar desde uma necessidade física de hidratação no cérebro, passando por um equilíbrio dos meridianos energéticos, até chegar a um fator epigenético herdado que precisa ser inibido.

Lembra que as crenças são a lente através da qual a gente enxerga a vida? Talvez você tenha escolhido sair de óculos escuros sempre, mas está de noite e talvez você esteja esbarrando em muitas coisas pelo caminho, pode já estar com o dedinho doendo de tanto bater em cantos não vistos, mas ainda não percebeu por que não está enxergando direito. Na sessão de BodyTalk, o terapeuta te ajuda a realizar que você está de óculos escuros sempre, até quando não se faz necessário. E dali em diante, fica fácil para você avaliar se quer continuar utilizando os óculos escuros e em quais situações você pode e/ou deve usá-los! 

Momento pandemia

Vimos que o meio ambiente e nossa percepção a respeito dele é determinante sobre como nosso corpo vai se comportar, sobre o que ele vai expressar, e sobre como nossa saúde será afetada. Nesse momento de pandemia podemos gerar alterações na expressão de nossos genes como forma de adaptação ao que estamos vivenciando, e somente as futuras gerações poderão nos mostrar o impacto da pandemia na expressão epigenética. 

As pessoas ao redor do mundo estão vivenciando um estresse coletivo que já passa de um ano, e como vimos acima, o estresse afeta severamente a saúde. Mas também vimos que os pensamentos podem mudar toda a química do corpo e que podemos escolher como vamos reagir às nossas emoções.

Neste momento estamos vivendo o desconhecido, é natural ter medo. As notícias são assustadoras, mas também há o meio científico trabalhando rapidamente na tentativa de combater a pandemia. Milhares de pessoas estão em luto, mas também há alegria pelas pessoas que se recuperam. Além da saúde, há outros fatores da vida que são impactados diretamente ou indiretamente pela pandemia. Muitos estão preocupados com a manutenção da sua fonte de renda, muitos com raiva por terem perdido o mínimo que tinham para sobreviver. 

É importante dar lugar a cada uma dessas emoções. Entretanto, saber que podemos olhar conscientemente para cada emoção que sentimos, saber como ela afeta a nossa saúde, e escolher com qual delas ficar, é cuidar de nós mesmos. É manter nosso sistema imune ativo e trabalhando pacificamente.

O melhor que podemos fazer no momento por nós e pela sociedade é cuidar de criarmos o melhor ambiente possível para nossas células!

Gabriela Menezes

referências bibliográficas

Livro – A biologia da crença, Bruce Lipton

https://super.abril.com.br/ciencia/entenda-de-uma-vez-o-que-e-epigenetica/

https://agencia.fapesp.br/cientistas-buscam-caminho-mais-rapido-para-tratar-depressao/34873/

https://aprender.ead.unb.br/enrol/index.php?id=2407

https://www.manualdaquimica.com/quimica-geral/atomo.htm

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(1)

Sou terapeuta BodyTalk certificada desde 2016, e entusiasta do sistema BodyTalk desde que o conheci como cliente. Sou formada em Biologia, e fiz mestrado em Imunologia de Tumores já buscando um olhar individualizado da cura. Hoje, gosto de investigar os labirintos dos corações através dos caminhos do BodyTalk, e como cada um faz para encontrar a sua própria verdade e lidar com seus desconfortos nesse caminhar da vida.

Email: menezesgf@gmail.com

Insta: @gabrielamenezesbodytalk

Celular: (21)993271809

Vida que vale a pena ser vivida

Alexandre Abrantes (1)

Consciência faz-se
   semente molecular
   de fazer brotar células
    de trançar tecidos.
 Costura órgãos
 em colchas orgânicas
   de frutificar sentido.
  Ah, esse eterno ter e ser !

Esse corpo oceano
preenche os (a)mares da vida
   com suas celulares gotas primordiais.

Na sua pele vibra
o finito inesquecível
Debaixo dela a eternidade
te espera.


As linhas sinuosas do tempo
costuram a geometria sagrada
de um corpo em retalhos.

(errata feita em 25 de junho 2021: inclusão dos poemas de Amanda Pinho)

A história desse artigo é bem entrelaçada com o seu conteúdo – não teria como ser diferente já que tudo faz parte do todo como postula a visão não-dualista – e, portanto, decidi contá-la de forma resumida para iniciarmos esse papo.

Tudo começou com uma postagem que fiz falando sobre a morte na minha conta do Instagram, que foi vista e comentada pela amiga Natasha, que tinha exatamente aceitado fazer o editorial dessa edição do Escuta, falando sobre Vida (e morte). Que sincronicidade! Ela prontamente observou isso e me fez o convite para escrever, e eu sem titubear também aceitei mesmo sem ter experiência com essa prática.

Até aí tudo bem, né? Mas e bloqueio criativo que me impedia de iniciar o texto? Como fazer para superá-lo? E sabe qual foi o gatilho para então o artigo “nascer”? Justamente a lembrança do “deadline”, o prazo final, a morte do prazo. Foi preciso entrar em contato com a morte para me lembrar da vida, de dar a vida (a este artigo).

E assim tive a inspiração para colocar em palavras o turbilhão de pensamentos, sensações e insights que me ocorreram! Vida e morte, como um jogo, uma dança. Vida poderia ser dita como o intervalo entre dois eventos: nascer e morrer. De quanto é esse intervalo, o que vai acontecer durante ele segue sendo um mistério, por mais que a humanidade através de vários estudos e tentativas tente prever e controlar aquilo que está além do nosso entendimento racional e do nosso controle.

Memento Mori. “Lembre-se da morte”. Essa expressão latina que remonta ao fim do século XVI era uma saudação utilizada pelos eremitas de Santo Paulo da França, porém a morte já é algo abordado pela filosofia e religiões ao longo dos séculos, afinal é uma certeza na vida de todos nós.

A interpretação dessa expressão traz uma importante reflexão: diante da lembrança de que tudo é impermanente e acabará, Eu vivo uma vida que vale a pena ser vivida? (E nesse momento te convido a pausar a leitura e deixar essa pergunta ressoar aí dentro. Solte as expectativas, o controle e simplesmente deixe fluir).

Não existe uma resposta certa ou errada. Aqui o mais importante é a pergunta e a reflexão que ela provoca. Acolha aquilo que vier, aceite, abrace. Afinal, se você está me lendo é porque está viva(o) e isso significa que é ainda é possível viver uma vida que vale a pena ser vivida!

“Mas Alexandre, minha vida não tem um propósito! Sinto-me perdida!”

E se o propósito da vida for somente estar viva? Apenas ser, estar presente e experimentar cada situação em todo seu imenso potencial, seja ele de dor ou de prazer, desagradável ou agradável? Apenas permitir que essa consciência que se manifesta em cada um de nós como indivíduos se experimente, experiencie o mundo e as suas possibilidades.

O BodyTalk system tem sido um grande aliado nas minhas práticas terapêuticas tanto como terapeuta do sistema como cliente. Dentro do protocolo utilizado por nós há uma técnica chamada “Consciência” que trabalha com temas que abrangem nossa existência, observando distorções de como interpretamos essa realidade, através de padrões estabelecidos com sistemas de crenças e filtros que fomos recebendo, criando e fortalecendo ao longo de nossas vidas. E dentro dessa técnica tem um espaço dedicado às distorções sobre a nossa percepção sobre o TEMPO.

E aqui vale novamente fazer algumas perguntas: Como é a minha relação com a morte? Entendo que é algo natural e continuo aproveitando a vida ou “morro de medo da morte”? Não tem problema ter medo, afinal é um padrão ligado a nossa sobrevivência. O grande problema é esse medo ser tão grande, que te impede de viver.

E sobre viver, lembra da última vez que você esteve inspirada e fez alguma atividade com tamanha entrega simplesmente porque ela tinha que ser feita, sem pensar nos benefícios de realizá-la ou agir de uma maneira motivada, onde o único motivo para a ação é o resultado desta?

Estar inspirada é estar num estado de fluxo, onde o ego momentaneamente perde as rédeas e permite que você apenas experimente o momento presente, um momento de entusiasmo, que é exatamente aquele em que você está tão imersa em algo que perde a noção de tempo e espaço e, quando “volta”, parece que se passaram 15 minutos mas na realidade se passou mais de 1 hora!

Imagina viver cada vez mais uma vida de forma inspirada, num estado de entusiasmo, sem reviver o seu passado ou estar presa nos projetos futuros por uma grande parte do tempo. Essa técnica auxilia nesse processo da nossa sabedoria inata – a inteligência que autorregula nosso sistema corpo e mente – de desfazer esses conteúdos que distorcem nossa percepção do mundo e nos impedem de viver desse modo, que um dia já foi o nosso jeito natural de viver a vida.

A vida somente acontece no momento presente. Pensar no futuro ou lembrar do passado ocorrem a partir do momento presente, que é o único que realmente existe! E a partir desse entendimento, quanto mais presentes, mais vivos nos sentimos! Não digo que é para abandonarmos as lembranças do que vivemos, nem deixemos de fazer planos para o que desejamos realizar, mas diminuir o tempo que passamos nesses estados e valorizando cada vez mais as pequenas ações, gestos, objetos. É resgatar o nosso “olhar de criança”, que diante de um novo mundo, onde tudo é visto e experimentado pela primeira vez, há uma imersão na experiência.

E para que esse texto não fique apenas numa esfera do intelecto, pare a leitura agora, respire fundo algumas vezes e perceba sua respiração, contemple o local onde você está e tende perceber os detalhes dos objetos, as cores, a intensidade da luz, os sons, os cheiros, o vento tocando sua pele. Vai lá!

E aí? Como foi essa simples e breve experiência pra você?

É ótima pra nos lembrar que já temos o que precisamos para viver, todo o potencial está presente aí dentro, aqui e agora, basta acessá-lo!

E se ainda persistir a sensação de que não está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, mapeie as mudanças que deseja, ajuste o GPS pra onde deseja chegar, sem ocupar sua mente questionando se o caminho é longo ou curto. Apenas comece a caminhada, curta cada passo do caminho, contemple o que se passa dentro e fora, pois é caminhando que se faz o caminho, e é vivendo que se faz a vida valer a pena!

Alexandre Abrantes

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1 Alexandre Abrantes. Terapeuta certificado BodyTalk. Acupunturista. Personal Trainer. Estudos em xamanismo, bruxaria, Astrologia, tarologia, yoga e vedanta. Personal Trainer e instrutor de Yoga
# (21) 981297703. Instagram: @aleabrantes_

Prefácio, edição 4, Acompanhando a Vida

Natasha Mesquita

A aceleração do tempo
aumenta a complexidade
do mundo.

Iluminar os pensamentos é o caminho
pra salvar a ação.

(errata feita 25 junho 2021: inclusão do poema de Amanda Pinho)

Com verdadeiro entusiasmo pela minha aproximação a um universo novo e instigante, este da editoração, apresento para vocês a quarta edição da ESCUTA. “Acompanhando a Vida” surge como um tema que tem inspiração advinda do próprio processo terapêutico. Não seria o processo terapêutico um ato de assistir os caminhos da vida, na sua diversidade plural? Assistir pela ação de observar principalmente, sendo em si o observar um modo de dar apoio a quem caminha seu percurso pessoal de viver a vida. 

O BodyTalk como ferramenta, amplia nossa capacidade de ler, de ver, de escutar e perceber a expressão do ser, sendo um sistema que engloba múltiplas linguagens advindas dos mais diversos conhecimentos. Nas edições passadas da revista ESCUTA, abordamos ente outros assuntos, sobre as estruturas, bases científicas e filosóficas do sistema. “Acompanhando a vida” vem amplificar nossa visão para dentro e para fora. O que permeia o BodyTalk poderá ser alcançado através dos artigos que recheiam esta edição propondo um mergulho sobre técnicas e estudos do sistema. Mas não somente é este o intuito do desenvolvimento da vida deste periódico edição quatro. Desejo que possas sentir e experimentar de modo mais vivencial do que racional, as informações que em forma de palavras te alcançará. 

Entrevista, reflexões sobre a vida como um constante dialogo com a morte, um sutil convite para um exercício ativo de contemplação sobre o tempo, poesias em movimento, artigo sobre nossa biologia e como é impactada pelos hábitos e crenças, e também um artigo-depoimento .

A vida é sobre viver, e tudo é sobre a vida. BodyTalk acompanha e nossa ESCUTA se abre para receber  olhares e perspectivas diversas sobre este acompanhar; aqui neste edição, de uma bióloga mestra em imunologia, um educador físico, acupunturista e yogi, uma pediatra, uma psicoterapeuta corporal e poeta, e uma instrutora avança de BodyTalk  também doutorado e Ph.D. em Medicina Integrativa. Todos terapeutas BodyTalk exprimindo nesta edição, através de seus olhares estudiosos de diversas áreas de especialização, algumas facetas da imensidão do universo que podemos alcançar com o Sistema. 

Desejando que a ESCUTA possa ser para vocês leitores um lugar de encontro com novos conhecimentos que te toquem na relação consigo e com o mundo transformando e ampliando formas de ver, te convido a abrir seu coração para receber as informações com todo o seu ser existente, e assim te desejo uma boa viagem. 

Natasha Mesquista

maio 2021

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Como o BodyTalk transformou a minha vida e a de milhares de pessoas

Luciano Flehr

Minha trajetória no BodyTalk se iniciou por meio de uma ida minha a uma pessoa muito querida que faz meu mapa astral. Na época, eu havia acabado de me formar em medicina chinesa pelo Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro (IARJ) e pensava como me veria dali a dez anos, se eu teria corpo para aplicar a massoterapia nas pessoas. Comecei a pensar que precisava encontrar alguma técnica que me proporcionasse trabalhar sem me exigir tanto fisicamente quando eu estivesse mais velho.

Fui à leitura do mapa, e a astróloga me disse que eu deveria olhar com carinho para aquela técnica que era nova no Brasil, e me deu um folheto de uma palestra sobre o BodyTalk. Telefonei e informei meu nome para reservar o lugar. No dia da palestra, caiu um temporal no Rio de Janeiro, e eu não consegui ir. Confiando no que a astróloga havia me falado, resolvi me inscrever no curso. Logo de início, a pessoa que fazia a tradução simultânea dizia que o BodyTalk poderia ajudar a curar mazelas, questões físicas e emocionais. Pensei: “Joguei meu dinheiro fora, mas, já que estou aqui, vamos ver aonde isso vai”. 

Na prática de uma técnica do Sistema BodyTalk, uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida começou a chorar na maca pelo que eu estava falando, ao acessar a “sabedoria inata” dela. Chamei a instrutora, a dra. Janet Galipo, e ela me disse: “Se está chorando, é porque precisava sair. Está tudo ok”. Executei a técnica e, à medida que prosseguia, a pessoa ia relatando que tudo o que eu falava fazia todo o sentido e que as datas batiam com a história dela. Fiquei espantado e pensei que deveria olhar com mais carinho para a técnica. O que se seguiu foi uma grande paixão pelo Sistema BodyTalk.

Foi importante fazer essa introdução para compartilhar que o que aconteceu depois desse dia só me mostrou que fiz a escolha certa e isso me faz ser grato por esse dia e pelas palavras da minha astróloga.

A seguir, relato o que ocorreu em tratamentos surpreendentes e maravilhosos ao longo desses 16 anos de trabalho com o BodyTalk.

Uma senhora, mostrando-se muito agressiva, que volta e meia tinha crises de herpes me procurou. Fiz uma anamnese com ela, e começamos a sessão. Na época, eu só havia feito os modelos básicos. A sessão transcorreu, e relatei a essa senhora o que havia sido feito. Ela olhava para mim espantada. Havia situações da convivência dela com o pai, a falta, a revolta. Depois daquela sessão, quando retornou para a próxima, me disse que, naquele mês, não havia tido nenhuma crise de herpes, se sentia mais leve, mais feliz e que as crises haviam cessado.

Em outro atendimento, chegou uma senhora em cadeira de rodas. Na época, eu atendia em um consultório em que havia escadas para se chegar até a minha sala. Eu desci e fui atendê-la na parte de baixo. Ela relatou dores no corpo todo, sentia muitas dores. Realizei a sessão e, uma semana depois, ela me ligou dizendo que, no dia seguinte, as dores haviam parado e resolveu fazer pilates. No entanto, abusou nos exercícios, e as dores acabaram voltando. Em situações como essa, sempre recomendo que a pessoa com dores tenha calma e não exagere. O corpo precisa de tempo para se ajustar ao equilíbrio e, em muitos casos, há uma luta interna em querer manter um estado já conhecido, mesmo que seja o de desarmonia.

Em outra situação, atendi uma senhora por questões de equilíbrio, mas o que ela queria mesmo era levar o marido. Depois de umas duas sessões nela, o marido percebeu uma diferença em sua vitalidade e alegria, e ela conseguiu levá-lo. 

Fiz a anamnese, como de praxe, e ele me falou sobre sua questão, uma depressão profunda. A frase que mais me marcou foi: “Eu tenho vontade de morrer todos os dias”. Muito impactante. Fiz a sessão, conversamos um pouco mais, e ele se foi. Voltou para uma segunda sessão, e eu perguntei como ele estava. Disse que ainda sentia vontade de morrer. Expliquei que cada corpo é um ser diferente, que cada pessoa responde de forma diferente ao trabalho, que ele tivesse paciência porque eu tinha certeza de que o trabalho o ajudaria. Na terceira sessão, perguntei: “E então, como ficou e está?”. Ele abriu um sorriso que iluminou a sala e, olhando nos meus olhos, disse: “Agora eu sinto vontade de viver!”. Foi tão marcante aquela cena que a carrego comigo até hoje. 

Passado algum tempo, comecei a atender em Belo Horizonte por um certo período. Organizei o primeiro curso de BodyTalk na cidade em 2006. Mantive um consultório lá e me dividia a cada 15 dias entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Tenho dois casos interessantes dessa época na capital mineira.

O primeiro foi de um senhor que me procurou porque estava com diabetes. Sua taxa de glicose era entre 200 e 300 mg/dl. Fazia tratamento médico, mas a taxa sempre oscilava, e a glicose baixava até 150 mg/dl mais ou menos, não diminuía mais do que isso. Iniciamos o tratamento, e um dia, quando telefonei para confirmar a sessão, ele me disse: “Luciano, está confirmado, não sei o que você faz, não entendo, mas vamos continuar, porque, nesses últimos cinco anos, minha glicose nunca chegou em 99 como nesses dias”. Ele queria parar o tratamento médico, mas eu disse que não deveria fazê-lo, pois o acompanhamento do médico era importante. Depois que voltei para ficar em definitivo no Rio, soube que a taxa de glicose dele se mantinha entre 125 e 99 mg/dl. Para quem estava com uma taxa que atingia os 300, ele ficou muito bem.

Também em Belo Horizonte, atendi uma moça que sofria com enxaquecas absurdas, tinha crises que a deixavam inoperante por dias. Eu fazia as sessões nela, mas parecia que o trabalho não ia adiante, não conseguíamos obter nenhum resultado. Até que um dia ela chegou à sessão com uma crise muito forte. Durante o trabalho, tivemos de interromper algumas vezes para que ela vomitasse, tamanha era a náusea que a enxaqueca lhe provocava. No final da sessão, a dor estava em um nível de 40%. Ela foi para casa e, alguns dias depois, disse que a dor havia cessado e que, desde então, nunca mais havia tido aquelas crises. Um bom tempo depois, entrei em contato com ela e soube que continuava bem, sem crises, somente cefaleias comuns.

Outro atendimento bem interessante foi o de uma moça que me procurou porque tinha crises de pânico severas. Eu a atendi e, uns três dias depois, a terapeuta dela me telefonou perguntando o que eu havia feito com a moça. Disse que ela havia vivenciado um intenso tiroteio, dentro de um túnel e não tinha sofrido nenhuma crise de pânico diante do acontecimento. Expliquei à terapeuta o Sistema BodyTalk, e a terapeuta marcou uma sessão. Ficou tão impressionada que queria experimentar essa técnica.

Tenho muitas histórias, muitos relatos, muita gente se transformando com esse trabalho tão maravilhoso e encantador que é o Sistema BodyTalk.

Tudo o que relatei aqui foi para incentivar as pessoas que estão começando no BodyTalk a ir adiante. Nem sempre as respostas serão rápidas, mas uma coisa que sempre digo a cada cliente que atendo é: “Não posso afirmar nada, mas o que eu afirmo é que, a partir do momento em que você recebe uma sessão de BodyTalk, ela está atuando no seu corpo-mente, quer você perceba, quer não”.

Espero que esses relatos ajudem as pessoas a ter uma visão mais clara sobre o que é o BodyTalk no dia a dia de atendimento. Tanto para o cliente quanto para o terapeuta. Afinal, considerando o pensamento sistêmico, estamos todos interconectados.

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(link atualizado em maio 2021)

BodyTalk: Pensando sobre as sessões remotas e seus embasamentos científicos – um exercício de percepção

Natasha Mesquita

Ao me propor a escrever este artigo para a Revista Escuta, a ideia inicial era elucidar conhecimentos a fim de gerar maior compreensão sobre como fatos científicos esclarecem a possibilidade das sessões de BodyTalk serem também realizadas à distância. O foco do artigo segue sendo este, pois existe em mim um desejo legítimo de informar, a partir das experiências e conhecimentos que tenho, como este sistema tão maravilhoso pode também trazer benefícios a nossa saúde através das sessões remotas efetivamente. 

Mas a ressalva aqui se dá pois quando comecei a escrever e organizar os pensamentos, percebi que o caminho mais coerente parecia ser outro. Começar falando do sistema em si, independente de estar fazendo referência direta a sessões presenciais ou às remotas, refletir a partir do princípio fundamental do BodyTalk, trazendo então à tona embasamentos científicos, filosóficos e teóricos, convidando o leitor a um exercício de percepção, se estabelecia como caminho. Incomum seria falar de BodyTalk sem mexermos com paradigmas e particularmente acredito que só se transforma uma “forma de ver”, abrindo receptivamente os sentidos para o exercício de acessar informações por vários ângulos! Então vamos observar como essencialmente uma sessão presencial ou remota, não tem diferença?! Sigamos refletindo a partir do BodyTalk, elucidando sua definição fundamental e corriqueira: é um sistema de cuidados com a saúde baseado em consciência.

Aposto que esta definição gera de partida muitas perguntas. Afinal o que isso quer dizer? Onde está a consciência? Consciência se encontra em algum local físico? Ora, porque tantos paradigmas sobre a viabilidade de sessão a distância, se a consciência é imaterial? E se é imaterial como acessamos a consciência, esta ciência/conhecimento que não está na memória consciente, mas nas nossas heranças subconscientes? Então de onde vem nossos filtros de conhecimento sobre o que é possível, em se tratando de uma terapia energética, que atua pelo corpo sutil? E onde está expressa a ciência do corpo, o conhecimento dele sobre como agir e funcionar? Existe evidência sobre a localidade da consciência? E mais ainda, porque será que tantas vezes, só o que está atestado cientificamente nos parece válido e possível? 

Perguntas começaram a pipocar na minha mente sem nenhuma linearidade aparente, e fui tentando observar qual seria a relação entre todas estas indagações e o assunto que pretendia abordar aqui; aí lembrei de uma frase: “A ausência da evidência, não é evidência da ausência”; disse o astrônomo americano, cientista planetário, cosmólogo, astrofísico, astrobiólogo, autor e comunicador científico, Carl Sagan. Rapaz, porque será que este senhor foi estudar tantas especialidades? Seria por um desejo de compreender a expressão do todo e não só as partes que as “especialidades” ressaltavam?! 

E dá-lhe interrogações abrindo o espaço criativo!

“A ausência da evidência, não é evidência da ausência”. 

Faz sentido para você? Pra mim faz todo o sentido. O que eu conheço eu reconheço, e o que eu não conheço não existe?! E se o sentido, o direcionamento do nosso olhar e das nossas ações vem mesmo do âmbito sensorial de ser, como posso considerar como real só o que a ciência comprova, se o que eu sinto não se mede? Que conhecimentos e percepções teriam movido o cientista Carl Sagan a trazer à tona tal afirmação, tendo em vista que os procedimentos científicos levam em consideração o que se pode medir, quantificar, ver, pegar, evidenciar?

Pois é, foram as indagações que moveram minha busca no caminho de estruturação deste artigo. E não será sobre trazer respostas para cada uma delas mas ir clareando a proposta de seguirmos num exercício de percepção não linear, movida por elas. 

Então bora! Aterrando um pouquinho estes tantos pensamentos… se é que vou conseguir… inspira… e vamos tirar do ar e trazer para a terra… expira… 

Voltando à definição essencial do BodyTalk: um sistema de cuidados com a saúde baseado em consciência. Então acessamos como terapeutas do Sistema estas informações, esta consciência, este conhecimento sobre si que está além do nível consciente, está principalmente no subconsciente. Quem nunca viu a foto do iceberg só com a pontinha para fora d’água e aquele mundão de gelo submerso, e ouviu sobre a analogia ao subconsciente do indivíduo como a parte do iceberg mergulhada no desconhecido das profundezas. Compreendemos que estas informações todas, sobre o iceberg fora e dentro d’água, são as forças que nos moldam e nos movem, e são a base de toda a expressão corporal do sujeito, nossos padrões essenciais inscritos no comportamento biológico, celular, mental e social. Quando tomamos consciência de algo que estava submerso, abre-se o potencial de movimento entre todas as possibilidades de expressão. O simples ato de observar o que o corpo tem a dizer auxilia ele a mudar de assunto, transformar o condicionamento ampliando sua expressividade como um todo, facilitando assim seu potencial de vida cíclica, natural. 

“Escolhemos livremente quando superamos o ego, dando um salto descontínuo, chamado de salto quântico. (…) A síntese essencial do condicionamento é que, à medida que a consciência se identifica progressivamente com o ego, há uma perda correspondente de liberdade.” Amit Goswami aqui, com base na mecânica quântica, ressalta um pensamento parte do novo paradigma científico que redescobre a espiritualidade ao afirmar que é a consciência, e não a matéria, o substrato de tudo o que existe. 

Então, a consciência é o substrato de tudo o que existe e estes padrões, nossas impressões primárias de base que estão no consciente subconsciente do corpo mente, advindas de nossa cultura e herança assim como de nossa criação, a ciência do corpo expressa nos nossos genes, tudo que nos molda a ser quem somos e não alcança nossa lembrança; toda esta informação contida no corpo que expressa “a dor e a delícia” de ser quem somos estaria transitando por onde mesmo? E a memória genética que diz sobre como seu avô levou a vida dele, esta força que pode desencadear em você certo sintoma? Este conhecimento inato sobre si, que dá ritmo à natureza, está nos trilhões de células compostas por moléculas, partículas sub atômicas, elétrons e prótons, e via vibração se comunicam e compartilham informações. Espera, então esta informação está nas nossas micro partículas celulares que vibram… No fim das contas a comunicação não acontece por via material então? Como acessamos esta informação e “conversamos com o corpo” pelo BodyTalk? Tocando fisicamente no paciente?

Vamos falar então sobre estes registros, memórias e essa transmissão de informação.

Rupert Sheldrake biólogo, bioquímico, parapsicólogo e escritor inglês ficou bem conhecido por sua teoria dos campos morfogenéticos. Morfo significando “forma” e gênese “origem”, os campos morfogenéticos podem ser entendidos como ordens e estruturas que dão forma aos padrões de comportamento. Esta teoria defende que todas as coisas possuem uma auto-organização, determinada por seus próprios modelos estruturais.

Podemos dizer que estes campos mórficos são meios pelos quais circulam informações e não energia, ou seja, por onde comportamentos característicos são disseminados através do tempo e do espaço. Não são campos físicos ou estáticos, uma vez que são invisíveis e mutáveis e que possuem intensidade própria, que não perde força mesmo depois de sua criação.  Deste modo, Rupert defende que tanto pessoas, animais como plantas podem adotar determinados padrões comportamentais herdados de gerações anteriores e, do mesmo modo, podem perpetuá-los para as gerações seguintes.

Segundo o especialista em biologia holística, em se tratando de moléculas, ideias, cristais e sociedades, isso ocorre porque há um tipo de memória presente nestes campos morfogenéticos, advinda do passado, e que estimula a propagação de comportamentos dentro destes ambientes auto-organizados. Ainda de acordo com o especialista, este processo de herdar memórias inconscientes também pode ser chamado de Ressonância Mórfica.

“Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de uma grande aleatoriedade, de algum modo eles enfocam isto, de forma que certas coisas acontecem em vez de outras. É deste modo como eu acredito que eles funcionam”, destacou Rupert Sheldrake em seu livro: Uma Nova Ciência da Vida, lançado em 1981. 

A informação do indivíduo (e de tudo) está no espaço, no campo, orientada pelo ambiente auto-organizado que é você. Então a sintonia que ocorre entre paciente e terapeuta BodyTalk se dá pelo campo, a presença física não é necessária. Pelo campo nos conectamos de modo não local com o paciente, e do mesmo modo quando em sessão presencial. Nos sintonizamos com estas informações sobre a “forma de origem”, sua ressonância mórfica. Agregando aqui outras referências, citando de modo muitíssimo pontual, outros conhecimentos que podem corroborar e ampliar o entendimento da teoria de Sheldrake. 

O neurofisiologista Jacob Grinberg realizou o primeiro experimento comprovando a não localidade da consciência de forma inequívoca, usando máquinas objetivas. O físico Alan Aspect por experimentos demonstrou, em 1982, que objetos quânticos são capazes de influenciar-se instantaneamente, caso interajam e fiquem correlacionados por meio da não localidade quântica.

Vamos a um desvio?  Arejar a cabeça e exercitar a percepção?

Aposto que para muitos leitores a teoria do Sheldrake seja uma novidade. Leia novamente; nossos paradigmas não se transformam tão facilmente. Te soa possível? Talvez para alguns, o fato de ser uma teoria e não um fato científico já gere um descrédito imediato. Não se sinta julgado se foi o que aconteceu assim que leu a palavra “teoria”; nossos condicionamentos podem ser “mais fortes do que nós”. Já parou para observar qual a etimologia da palavra ciência? A palavra ciência até mais ou menos 1670, se referia ao conhecimento profundo sobre alguma coisa e a utilização deste conhecimento como fonte de informação. Então até 1670 quando se usava a palavra ciência era sobre conhecimento e ponto. Se eu me referisse à ciência do corpo ou do mundo, isso não tinha nenhuma outra possível conotação se não a de conhecimento. 

Uma nova atribuição à palavra surge em meados de 1725 quando ciência passou a designar “estudos que não incluem as Artes”. Hum… uma mesma palavra significa “conhecimento” e também “um conhecimento que exclui a subjetividade”, excluindo assim um aspecto do conhecimento. Me pareceu muito interessante e pertinente para deixar passar, a sugestão de pensarmos sobre esses significados e nossos filtros de percepção. Despojados de críticas e julgamentos, vamos só refletir sobre o quanto está implícito no uso da palavra “ciência”, uma percepção sobre valia, valor? Se ciência quer dizer conhecimento, quando falamos sobre “a ciência” estaríamos condicionados a perceber que ela é “O conhecimento”? Será? Mas de fato o que é a ciência se não um método, um caminho de observação. 

Mencionei Sheldrake e a ressonância mórfica para compreendermos a partir de sua teoria sobre estas forças que nos moldam essencialmente, e sobre como estão no campo as informações referentes a elas. Refletindo ainda a partir da definição básica do BodyTalk, vamos ao Amit Goswami, físico indiano, filho de um guru hinduísta, Ph.D. em física quântica pela Universidade de Calcutá na Índia, professor emérito do Instituto da Física da Universidade de Oregon nos EUA, e um dos pioneiros nos estudos que buscam conciliar a ciência e a espiritualidade, que defende uma nova visão de mundo em que a origem de tudo o que existe é a consciência e não a matéria. “Antes de qualquer coisa, temos de abandonar essa visão condicionada de que tudo é apenas matéria. Uma percepção materialista da vida serve apenas para denegrir toda a nossa experiência interna.” O autor conceitua a consciência como o fundamento de todo o ser e propõe uma nova ciência dentro da consciência. “O novo paradigma trata sujeitos e objetos, espíritos e matéria, nas mesmas condições”.

“Na ciência materialista existe apenas uma fonte de causação: as interações materiais. Damos a elas o nome de causação ascendente, pois a causa sobe desde o nível básico das partículas elementares até os átomos, as moléculas e a matéria densa que inclui as células vivas e o cérebro. Tudo bem, só que segundo a física quântica, os objetos são ondas de possibilidades, e tudo que as interações materiais conseguem fazer é transformar possibilidade em possibilidade, mas nunca em realidades que experimentamos.(…) 

Para transformar possibilidade em realidade, é necessária uma nova fonte de causação; podemos chamá-la de causação descendente. Quando percebemos que a consciência é a base de toda a existência e que objetos materiais são possibilidades da consciência, então também percebemos a natureza da causação descendente – ela consiste na escolha de uma das facetas do objeto multifacetado da onda de possibilidades, que então se manifesta como uma realidade. Como a consciência está escolhendo uma de suas próprias possibilidades e não algo separado, não existe dualismo.” 

Ressoando com Goswami o pensamento sistêmico propõe, em contraposição aos paradigmas científicos e ainda assim os considerando, os pressupostos da complexidade (vs. Simplicidade) da instabilidade (vs. Estabilidade) e da intersubjetividade (vs. Objetividade), e se aliam a fatos que a mecânica quântica traz à nossa ciência… ciência enquanto conhecimento e método de análise.  Talvez estes conhecimentos que podem ser novos para muitos, elucide possibilidades nunca antes contempladas por nossos filtros, já tão condicionados a ver de determinada forma, e a buscar somente as respostas lineares e cartesianas.

“Os primeiros físicos quânticos notaram que partículas subatômicas como os elétrons estão em comunicação instantânea uns com os outros – frequentemente centenas de vezes à velocidade da luz, e independentemente da distância – resultando no complexo corpo/mente como uma rede dinâmica ou um holograma de realidade e eventos inter-relacionados. Quando algo muda em um local, componentes dentro da rede naturalmente respondem e mudam também. Isto significa que em nível mais profundo, todas as coisas – e pessoas – no universo são interconectados.” John Veltheim, fundador do Sistema BodyTalk.

Na citação acima que é parte de um texto sobre as sessões remotas de BodyTalk, John está também se referindo ao entrelaçamento quântico (ou emaranhamento quântico, como é mais conhecido na comunidade científica). Este é um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos estejam de alguma forma tão ligados que um objeto não possa ser corretamente descrito sem que a sua contra-parte seja mencionada – mesmo que os objetos possam estar espacialmente separados por milhões de anos-luz. Isso leva a correlações muito fortes entre as propriedades físicas observáveis das diversas partículas subatômicas. Essas fortes correlações fazem com que as medidas realizadas numa delas pareçam estar a influenciar instantaneamente à outra com a qual ficou entrelaçada, e sugerem que alguma influência estaria a propagar-se instantaneamente, apesar da separação entre eles. Isto dá a entender que tudo está conectado por “forças” que não vemos e que permanecem no tempo, ou estão fora do sistema que denominamos, entendemos ou concebemos como sistema temporal. Tudo está sistemicamente relacionado e conectado.

A física quântica nos traz ainda, através de experimentos e teorias, que fatos existem sim, mas podem ser subjetivos, que diferentes observadores podem ter acesso a diferentes fatos que podem coexistir entre eles. O observador traz à tona a força de coesão e manifestação das ondas de possibilidade que estão ali no campo. Então quem sabe você é observador de parte de sua história, a que conhece conscientemente, mas partes da sua história subconsciente com registros de informações presentes no seu campo morfogenético podem ser percebidas e observadas por outro observador que não você mesmo, trazendo à tona a força da sua liberdade de expressão natural. 

Vamos respirar um pouco, dar tempo para deixar… só deixar toda essa informação circular. Respirar e parar de tentar entender, deixando a compreensão acontecer, a poeira assentar da forma que for.

Lembrei da Clarice Lispector… do livro Água Viva… “agora é um instante, já é outro agora. (…) viver, ultrapassa qualquer entendimento”. Respirar para processar informação, agora após agora… ressonância mórfica, consciência descendente, pensamento sistêmico, emaranhamento quântico,… teorias e fatos científicos que se complementam no exercício aqui proposto de refletirmos sobre como as sessões remotas de BodyTalk, por princípio essencial, não tem diferença das presenciais. Acessamos pelo campo o que a sabedoria inata do corpo tem como prioridade para nos relatar sobre a consciência que descende, a causa que então se manifesta fisicamente no corpo.

Me valendo da arte mais um pouquinho, dando espaço para esta “ciência do subjetivo”, que tanto se emaranha com a terapia. Sendo a arte uma via de liberação da força criativa assim como é a via terapêutica, segue uma analogia: a informação do artista chega a você, seja através da pintura, da escultura, da dança, do espetáculo televisionado ou ali do palco. Chega de modo não linear o movimento da expressão, a energia que gerou a forma é o que chega, não é em si a forma, mas o potencial que a gerou. Claro que estar presencialmente, fisicamente com alguém é em si uma experiência diferente de não estar, e não poderia ser este comentário mas pertinente à experiência de todo mundo nestes tempos de distanciamento social!!! Mas ainda assim, aqui me refiro à essência da informação que precisa de movimento e como ela pode ser acessada e transmitida, para que o potencial de uma sessão de BodyTalk seja pleno no que se propõe, facilitar comunicação e assim a sincronia do equilíbrio dinâmico do corpo. É complexo? Mas é simples. É dual? Neste mundo tudo é. A simplicidade é a de melhorar a comunicação consigo mesmo para viver a vida de modo mais equilibrado, transitando pelos polos. Este é o foco fundamental do Sistema BodyTalk, e tanto faz a forma.

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(link atualizado em maio 2021)

BodyTalk e sua ciência, fatos baseados na consciência

Nirvana Marinho

Na pesquisa cartográfica “BodyTalk no Brasil: uma possível cartografia”, realizada com as terapeutas bodytalkers Ana Marcela Sarria e Daniele Pires (2019), foi uma metodologia capaz de nos levar a realizar um desenho cronológico do BodyTalk no Brasil e também nos possibilitou vislumbrar a evolução deste sistema, desde idealização, criação, estabelecimento de uma associação internacional (IBA, International BodyTalk Association). 

Em 2020, outra pesquisa “As articulações e como se faz de um, um todo” reuniu terapeutas bodytalkers em torno da troca de sessões com foco específico, sobre as articulações, embora notadamente qualquer sessão de BodyTalk seja guiada pela prioridade e vínculos que possam aparecer. Foram elas: Alessandra Batistuta, Dani Acosta, Debora Junqueira, Fernanda Marquesin, Rafaela Capote, Myrella Brasil, Nirvana Marinho, Sirlene Aparecida Silva e Soraya Chagas. E desta experiência, surgiu um ensaio que conta de uma metodologia possível para a prática terapêutica que olha para as sessões e sua dinâmica sistêmica e revela quais histórias surgem quando falamos de articulações.

Outra pesquisa ainda, também em 2020-2021, surge para contar do projeto inspirado pela Dra Janet Galipo e encabeçado pela Associação Brasileira de BodyTalk (ABBTS) e cuja coordenação foi guiada por Ana Carolina Vasconcelos, Luciana Pontes, Natasha Mesquita e Nirvana Marinho. O projeto teve o escopo de atendimento com contribuição consciente e variada a pacientes com sintoma ou diagnosticado com COVID-19, em meio a uma pandemia sem precedentes e aumentada pela necessidade de isolamento social. Os atendimentos foram feitos por um grupo de aproximadamente 20 terapeutas de BodyTalk, à distância, entre os meses de junho e setembro de 2020 e a pesquisa que se desdobra daí deve se estender ao longo de 2021.

Essas três citadas pesquisas fazem parte de um cenário importante para o BodyTalk no Brasil. Justamente por se tratar de um sistema de saúde baseado em consciência, BodyTalk é uma abordagem sistêmica que tem sua autorganização, homeostase e evolução constantes.

Muitos terapeutas vêm consolidando na prática clínica do BodyTalk tal perspectiva: suas percepções são evidências da consciência por se tratar de uma abordagem de saúde baseada na expansão do “Eu Sou”. Ou seja, quanto mais conheço do “Eu sou”, da consciência, mais evidências sistêmicas no meu corpo posso perceber, mais holística, mais integrada. 

A prática não dualista da consciência, descrita e inspirada por mestres como Ramish Balsekar (1917-2009), Jiddu Krishamurti (1895-1986) e Mooji (Anthony Paul Moo-Young, 1954-) são uma base consistente para o que o BodyTalk entende como expansão de consciência, autoconhecimento e saúde. E isso, por sua vez, é contemporâneo a uma concepção científica do corpo-mente que deságua nas práticas integrativas. O BodyTalk é uma delas e específica na convergência entre ciência e filosofia. 

Três autores (homens, isso é um parênteses importante) tornam forte a base científica da qual o BodyTalk repousa: Fritjof Capra, James Oschman e Amit Goswami, aqui eleitos por tantas citações que deles existem nos cursos e palestras do universo do BodyTalk, citados pelo Dr John Veltheim, criador do BodyTalk.

Fritjof Capra (1939-) Ph.D., é cientista, educador, ativista e autor de muitos best-sellers internacionais; um físico e teórico de sistemas nascido em Viena, Capra tornou-se popularmente conhecido por seu livro, “O Tao da Física”, que explorou as maneiras pelas quais a física moderna estava mudando nossa visão de mundo de mecanicista para holística e ecológica. Publicado em 1975, hoje ainda é impresso em mais de 40 edições em todo o mundo.

James Oschman é autor de uma série de artigos inovadores sobre “energia de cura” publicada no “Journal of Bodywork and Movement Therapies”. Esses artigos foram agora desenvolvidos em dois livros, “Energy Medicine: The Scientific Basis” (2000) e “Energy Medicine in Therapeutics and Human Performance” (2003). Esses dois livros fornecem aos cientistas acadêmicos mais céticos uma base teórica para explorar a fisiologia e a biofísica dos medicamentos energéticos.

Amit Goswami (1936-) é físico quântico teórico Dr. Amit Goswami é um revolucionário entre um crescente corpo de cientistas renegados que, nos últimos anos, se aventurou no domínio do espiritual na tentativa de interpretar as descobertas aparentemente inexplicáveis ​​de experimentos curiosos e validar intuições sobre a existência de uma dimensão espiritual da vida. Um prolífico escritor, professor e visionário, Dr. Goswami aparece no premiado documentário, The Quantum Activist.

Segundo Capra, nos últimos trinta anos as ciências têm avançado a tal ponto mudar nossa visão de mundo, nosso paradigma, “levando a uma nova visão da realidade e uma nova compreensão das implicações sociais dessa transformação cultural”. A relação do sujeito que observa e do que é observado muda. A medida em que quem observa pode modificar o que é observado, temos uma nova descrição dessa relação. Novos movimentos estão em jogo, que não são observáveis pelos mesmos métodos científicos conhecidos – aqueles da evidência, da contraprova, da precisão do que é observado. 

Capra conta-nos no seu célebre livro “O Tao da Física” (1975, edição original) como a física moderna e atômica acabou por definir não somente toda uma tecnologia de saberes mas também uma cultura de pensamento de muitos decênios e que, no século XX, a ciência subatômica revelou limitações da sua precedente. E foram curiosamente as tradições filosóficas e religiosas do Extremo Oriente que trouxeram luz as descobertas científicas que encontraram limites a descrição do mundo tal como concebia a física moderna. Esse limiar, essa quebra de paradigma trouxe consequências diretas a nossa concepção de corpo, mente e, portanto, saúde e consciência. A descrição científica das propriedades e interações das partículas subatômicas que dizem respeito a composição da matéria vem explicar energia e troca de outros modos, antes descritos lineares na física tal como conhecemos. Os instrumentos e métodos mudaram e a ciência evolui para o encontro com aquilo que chamávamos de místico ou metafísica para um entendimento mais amplo do corpo-mente. 

Uma das principais bases que norteiam a formação do terapeuta de BodyTalk é justamente compreender o salto conceitual da concepção cartesiana do corpo – aquele que o separa de uma substância que o move e a parte movente – para uma concepção holística e sistêmica – a soma das partes é maior que o todo (ou seja, não é dividindo as partes que você pode deduzir sobre o todo) e as partes estão em relações dinâmicas e complexas. Esse salto muda toda a dinâmica de observação do corpo e suas bases científicas desaguam na possibilidade de compreender a história do pensamento corpo-mente desde sua divisão até sua recente integração. Mais complexo que isso, desde as tradições orientais, até a descrição do corpo dos antigos gregos até a fundamentação da ciência moderna, essa elipse de transformação do pensamento encontra no século XX um novo fôlego. 

James Oschman, em “Energy Medicine – The Scientific Basis” (2000), traz uma perspectiva histórica de como atravessar o paradigma da “energia sutil” ou “força da vida” para uma base biológica e científica de como a energia atua no corpo que data do início do século XX com os estudos sobre bioelétrica de Harold Saxton Burr (1889-1973). Suas descobertas e análises do campo eletromagnético do corpo contam-nos como ocorre a trajetória das informações e como o corpo é um complexo de sistemas. Ou seja, o autor é uma base sobre a qual o entendimento da física quântica pode explicar como energia se comunica no corpo-mente: a partir da trajetória das informações na complexidade que o corpo é. Assim a medicina energética se fundamenta.

BodyTalk é justamente sobre como o corpo reestabelece seu potencial de comunicação como potencial de equilíbrio e sincronia. O corpo-mente gosta de estar em harmonia e sabe reconhecer quando seu fator principal de desequilíbrio se instaura, o estresse. Sabe também reconhecer suas prioridades e sua forma de promover a comunicação, que é a sessão propriamente dita de BodyTalk. 

Segundo Goswami: 

“o nosso corpo já tem a sabedoria necessária e o mecanismo de cura: precisamos apenas descobri-lo e manifestá-lo. (….) A consciência possui a sabedoria necessária (no seu compartimento supramental), o mecanismo (a escolha de um novo contexto para o processamento mental do significado das emoções) para a cura. Ela tem também o poder de descobrir o que é preciso (o poder de dar o salto quântico do insight) e tem o poder de manifestar o insight, desbloqueando o programa vital, e assim desbloqueando também os órgãos físicos correlacionados, o que reanima as funções apropriadas dos órgãos. (Goswami, 2006, 231). 

Amit Goswami em “O médico quântico” (2006) diz que o caminho da cura para a inteligência supramental é justamente a compreensão dessa dinâmica energética. Isso porque “a consciência pode curar a doença, desestruturando e reestruturando o sistema de crenças que lhe serve de base” (Goswami, 2006, 66). Vejamos como isso funciona entendendo quais preconceitos estão em questão.

O materialismo estrito é “a ideia de que tudo é feito de matéria e de seus correlatos, a energia e os campos de força”. Dessa forma, mente e consciência são epifenômenos da matéria. Isso tem como consequência a causação ascendente que faz que toda causa se desdobra de baixo para cima, a partir dos níveis das partículas elementares da matéria até a consciência, restringindo e forçando a equiparar a mente com o cérebro. Tudo seria um mecanismo. Não haveria espaço para aspectos extrafísicos como chi ou prana. Seja a consciência um epifenômeno ou mente e corpo como objetos duais separados, como tudo pode interagir? A questão permanece. 

Outro preconceito é a continuidade que orienta tudo para uma causa e que as causas atuam de modo contínuo. Nessa lógica, como explicar as remissõs e curas espontâneas que não são graduais mas repentinas? Outro preconceito ainda diz respeito a crença da localidade que buscam determinar que as causas e efeitos tem um local e que se propagam pelo espaço por meio de sinais num período de tempo finito. 

Sobre tais conceitos preestabelecidos, Goswami cita Chopra em seu livro seminal “Cura Quântica” (1989) conta como a mente interage com o corpo por meio de um corpo quântico e que é a consciência que faz a mediação dessa interação. Conta-nos que, na verdade, é uma causação descendente, que é a consciência que parte a cura, e que, de fato, isso ocorre em saltos quânticos e descontínuos. Goswami afirma que “o colapso quântico das ondas de possibilidade é fundamentalmente descontínuo” (Goswami, 2006, 69), sendo também não-local, o que quer dizer que não é o local que determina a cura, mas sim seus movimentos. Surge aí um novo paradigma de pensamento para a medicina – para a concepção de cura, do corpo e mente – que vem explicar, portanto, esses três novos conceitos: a causação descendente, a não-localidade e a descontinuidade. 

Com esses conceitos, Goswami sintetiza e amplia a visão da medicina energética, a partir da compreensão do quantum – “um pequeno feixe discreto de energia que não pode mais  ser dividido” – e amplifica conceitos já elaborados por seus colegas pesquisadores: que a troca de energia que, antes a física explicava somente linearmente, pode ser observada de outra forma como Capra definiu; que a energia faz parte do processo de cura, organização e comunicação do corpo como observa Oschman. Esses e outros autores compõem uma epistemologia importante das bases científicas de práticas terapêuticas como o BodyTalk.

Concluir esse artigo não é fácil tarefa porque muitas explicações, reflexões e teorias são necessárias para reorientar nossas bases de uma medicina, da ideia de cura, da concepção de corpo mente. Mas convido que seja um primeiro passo para sua curiosidade, para seus sintomas, para suas histórias. O corpo mente pode ter outros caminhos, integrados, para realizar sua “mágica”, seu “mistério” de saber mais de si, de fazer a jornada do “Eu Sou”. 

BodyTalk é uma prática terapêutica de saúde e, sobretudo, baseada em consciência. Por isso, compreender suas bases é revisitar conceitos científicos e também filosofar sobre o todo do corpo e suas partes dinâmicas. 

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(link atualizado em maio 2021)