Alimentando nossos demônios

A Prática Da Aceitação Radical”

Myriam Machado[1]

Escrevi esse artigo em outubro do ano passado (2019) como celebração da minha graduação para facilitar o FreeFall 3. Como muitas coisas aconteceram nesse meio tempo, o artigo ainda está na fila a ser publicado na Newsletter da IBA.

Fico bastante feliz que a sua primeira publicação ocorra numa plataforma brasileira. Para mim, é mais uma celebração da minha própria origem e da gratidão que tenho por essa maravilhosa matriz.

E, antes de começar a leitura propriamente dita, eu gostaria de enviar minhas preces e “vibes” para que esse artigo encontre todos com saúde e em paz.

E o artigo começa assim:

Era uma vez um poderoso Demônio que aterrorizava a Terra. O nome dele era Rakta Bija. Toda vez que alguém tentava matá-lo, cada gota de sangue derramada se tornava outro Rakta Bija. E rapidamente, havia muitos Rakta Bija causando bastante destruição.

A palavra para “Demônio” em sânscrito é rakshasa, que se traduz como “protegido”. Os demônios são protegidos no sentido de que não podem ser destruídos. Por esse motivo, Kali, a deusa da destruição, foi chamada para lidar com Rakta Bija. A primeira coisa que Kali tentou fazer, foi matar Rakta Bija. Assim como nós – quando enfrentamos um desafio ou um conflito – o primeiro impulso de Kali foi se livrar do Demônio, ou destruí-lo.

Mas os ensinamentos que o Rakta Bija traz, é que realmente isso não funciona. Se você tentar lutar contra o Demônio, você apenas criará mais demônios. Quanto mais Kali tentava destruir Rakta Bija, mais forte ele se tornava. Então, num momento de inspiração, Kali aceitou o enorme desafio e com coragem e com toda sua compaixão, ela estendeu sua língua. E a língua vermelha de Kali cresceu no tamanho do mundo todo e ela engoliu todos os Rakta Bijas, dando aos “protegidos” um lugar dentro de si mesma. Dessa forma, eles foram assimilados e transformados em nutrição para a deusa da destruição.

Nos ensinamentos budistas, os demônios não são seres exóticos, como os vistos nas pinturas místicas de pergaminhos antigos. Eles não são zumbis sedentos por sangue escondidos em lugares escuros para nos assustar. Esses demônios residem dentro de nós e fazem parte do que somos. Eles são nossos problemas; eles são as reatividades emocionais de nossas próprias vidas. São nossas doenças crônicas ou problemas comuns como depressão, ansiedade e vícios.

O que você acha dessa perspectiva mais amorosa, de “engolir seus demônios”? Uma coisa nós já sabemos: que exigirá uma prática extraordinária de autoaceitação e bondade. Uma prática que convida a transmutação de muitas das suas crenças. Crenças que existe uma parte do seu corpo ou uma emoção, um sentimento ou memória que são “inadequados” ou “fracos” ou “feios”.

Um dos focos mais importantes do Método do FreeFall é prática de autoaceitação radical. A autoaceitação é a resposta a baixa autoestima e é em si, um caminho eficaz para a cura, porque revela o entendimento de que não negamos nosso desequilíbrio, nossos erros, nossas doenças, ou qualquer problema na nossa vida. Nós simplesmente reconhecemos nossos conflitos como o ganho potencial de uma nova consciência e, talvez, um autoentendimento mais profundo. Nos cursos do FreeFall nós exercitamos essa autoaceitação radical, que não somente celebra nossa força, nossa beleza e nossa luz, mas como também nossas fraquezas, nossas sombras e demônios.

O FreeFall faz parte das Ciências da Vida. As Ciências da Vida e o Sistema BodyTalk são sistemas complementares e interativos onde cada curso aprimora o outro. Mindscape, Breakthrough e FreeFall – como qualquer uma das classes do BodyTalk – são considerados parte de uma terapia baseada na consciência que trabalha com a força curativa da mente-corpo.

Os exercícios do FreeFall convidam um relacionamento mais experimental com muitos conceitos do sistema BodyTalk, de Fundamentos a Princípios da Consciência, da Matrizes Dinâmicas a Medicina Oriental, do PaRama ao Corpo Energético, e assim por diante.

No método FreeFall, o catalisador da autoaceitação é o desnudar-se. E se o ato de se despir é a coisa mais assustadora que vem à sua mente quando você ouve falar do FreeFall, talvez você precise mergulhar nesse conceito mais profundamente.

O monge budista Rinpoche CHOGYAM TRAMGPA diz: “Defendemos nossa ignorância porque estamos aterrorizados, para sermos honestos conosco. Praticar a honestidade é honrar a si mesmo, seu corpo, sua alma, seu coração, sua mente. Há uma liberdade extraordinária quando você vive sua nudez e há muito poucas pessoas que podem apreciar isso porque aprendemos desde muito jovem a ter vergonha até mesmo nojo de nós mesmos. Ser honesto consigo mesmo é despir-se. E isso é profundamente libertador.”

John Veltheim criou o método FreeFall depois de observar o quanto as constrições criadas por nossas próprias histórias sobre autoimagem e amor próprio – e a carga negativa expressa em nossas roupas – podem perturbar não apenas o equilíbrio físico, mas também mental, emocional e energético. O principal objetivo do método FreeFall é que você possa celebrar a liberdade de Ser Humano se sentindo “Naked Beneath the Clothes”.

Essa honestidade sagrada requer desnudar-se não só no corpo mas na mente e no coração. Essa honestidade requer coragem, vulnerabilidade e muito… muito amor. Porque numa perspectiva global, muitos de nós temos medo de nos sentirmos vulnerável. Muitos de nós temos medo de nos expor; ou de expor o que acreditam ser o “feio”, o “inadequado”, o “ignorante”.

Você já ouviu ou leu algo assim: “… em todo evento desafiador da vida há uma bênção disfarçada? Será então, que todos os eventos nas nossas vidas contêm bênçãos em potencial?” A Bioenergética afirma que quanto mais intenso o evento emocionalmente, maior a energia potencial de cura que ele contém.

Sob esse ponto de vista, os eventos que chamamos de “dolorosos” ou “desafiadores” poderiam ser chamados com mais precisão de “eventos que exigem mais trabalho para extrair suas bênçãos ou sua energia curativa”. No caso do FreeFall, tirar a roupa pode intensificar o desafio? Com certeza, intensificando também as bênçãos. Na realidade, nada é mais confrontador do que ser gentil e amoroso consigo mesmo e com os outros.

De acordo com estudos da Neurociência, ser crítico e julgador de si mesmo e dos outros é o estado natural do cérebro pensante humano. Além do padrão natural do nosso cérebro ser tão crítico, somos uma cultura em constante busca da imagem perfeita. Hoje em dia, a imagem parece ser mais importante que a substância. Vendo os comerciais na mídia hoje em dia, fica difícil escapar do condicionamento cultural de que não somos altos, ou magros, ou atraentes ou saudáveis – o suficiente. Nosso computador não é rápido o suficiente. Nosso iPhone não é novo o suficiente. Quando somos bombardeados constantemente com essas mensagens, é raro para qualquer um de nós não acreditar que existe uma imagem “ideal” de como deveríamos ser, e que definitivamente aquela imagem ideal não é o que somos.

O que me faz observar com mais atenção é essa necessidade frenética de obter mais informação. Não apenas em nossa matriz BodyTalk global. A cada dia estamos sendo expostos com novos treinamentos e cursos, workshops, etc. Parece que existe um consenso universal, de que se aprendermos mais um conjunto de ferramentas, só mais um conjunto de ferramentas … seremos uma pessoa melhor; um terapeuta mais sólido, mais bem-sucedido, mais especial.

Talvez, essa necessidade de “ser mais especial” é mais sedutora do que imaginamos. Ela contribui para a separação sociocultural porque se concentra mais nas necessidades individuais do que nas necessidades do grupo. Ela envenena nossos relacionamentos interpessoais com uma necessidade fabricada de ‘autovalidação’ e bloqueia a nossa capacidade empática – quando involuntariamente compartilhamos os sentimentos de outras pessoas.

Por fim, a necessidade de ser especial aumenta as nossas expectativas, tanto em relação a nós mesmos quanto aos outros, e quando nossas especialidades não são reconhecidas a nossa autoestima, autoaceitação e autoamor adoecem.

Sem o propósito de ter que aprender uma outra ferramenta o método FreeFall nos convida a explorar o que acreditamos ser nossa autoimagem.

Então, o que significa amar? E amar a si mesmo? O amor-bondade (Loving-Kindness) é ensinado por várias metodologias, por diferentes filosofias e mestres. O amor-bondade é orientado pelo complexo equilibrador do coração e requer profunda percepção e atenção plena. Se você estuda a palavra budista para bondade, que é Metta, descobre outras traduções como: cuidado, simpatia, boa vontade, benevolência, compaixão, amor.

Em última análise, o amor-bondade, é o harmonizador, é o antídoto para o ódio, o medo, aversão e a doença. No FreeFall essa é a nossa ferramenta para transmutar – o que acreditamos que sejam as nossas fraquezas em nossa força. O amor-bondade é a ferramenta para transcender nossas sombras (nossos demônios) em alimento.

Talvez, nessa jornada transcendente da vida é preciso um “desnudar” para que possamos mergulhar livremente para dentro nós mesmos.

E, apesar dos muitos medos da mente pensante que podem facilmente limitar o amor próprio, o convite principal do FreeFall continua sendo a lembrança de que a nossa consciência tem a capacidade inata de amar sem limites e sem condições.

Um amor que abraça a tudo e a todos, não exclui nada.

Com Amor-Bondade

Myriam

No momento[2] as classes presenciais do FreeFall estão sendo adiadas. Mas eu gostaria de compartilhar as descrições dos 3 Cursos FreeFall:

FreeFall 1: Descrição do Curso

A teoria do FreeFall evoluiu das ricas tradições e ensinamentos nos campos de psicoterapia, bioenergética e tradições orientais. Dr. John Veltheim, fundador do FreeFall e do BodyTalk System, expandiu esses princípios para criar uma oficina inspiradora e transformadora, na qual o participante pode experimentar, reconhecer e resolver problemas relacionados com a autoimagem e autoestima.

Os participantes do FreeFall exploram o “Eu” passando por vários processos e exercícios que ajudam a tirar as máscaras que usamos para lidar com a vida. A “máscara de enfrentamento” é uma matriz de medos, julgamentos, crenças e comportamentos que impedem o indivíduo de abraçar e amar a vida inteira, como ela é. Uma das maneiras de fazer isso é através do desnude físico.

O convite de remover as roupas faz parte do curso FreeFall, cujo objetivo é ajudar a revelar o relacionamento pessoal mais intimo. Essa proposta é bastante desafiadora, pois pode trazer forte engatilhamento na exploração dos condicionamentos que criam nossas histórias relativas a segurança, controle, aceitação e moralidade, entre outras. Apesar desse convite, os alunos podem usar qualquer tipo roupa durante o curso.

A investigação continua pela exposição das atitudes que temos em relação aos nossos corpos, nossa sexualidade e nossa sensualidade. Todas essas explorações experimentais integram o conceito de “Permissões”, que é um dos princípios principais do Sistema BodyTalk. Nunca há toque sexual ou conteúdo de natureza sexual.

São esses condicionamentos, experiências e influências ambientais que contribuem para a visão distorcida de nós mesmos.

No artigo do Dr. Ovelheiro, “Drake Beethoven Ouro Clotilde”, existe uma exposição clara desse condicionamento que sofremos e como isso nos afeta tanto fisicamente, mentalmente e emocionalmente.

Se você estiver interessado nessa dinâmica, leia o artigo completo AQUI [https://www.bodytalksystem.com/member/downloads/english/member/Naked_Beneath_Your_Clothing.pdf].

Viver como se possamos sentir “despidos sob nossas roupas” significa aumentar continuamente nossa capacidade de autoaceitação, para que a vida possa ir além das nossas próprias restrições. A resultante abertura do coração e a crescente confiança em si mesmo apoiam a integração terapêutica e a evolução pessoal desse curso.

O Seminário FreeFall 1 é apenas por inscrição. A aplicação é baseada em um processo de triagem conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 2

Descrição do Curso

O FreeFall 1 foi projetado para nos libertar da “imagem” que temos de nós mesmos e expor a “verdade nua” da nossa humanidade. O FreeFall 2 leva esse processo adiante, pois explora a intimidade humana saudável, incluindo a intimidade consigo mesmo. É um curso que nos desafia a abordar os mecanismos de enfrentamento que distorcem a expressão única de nossa mente-corpo.

Neste curso, exploramos áreas do cérebro que estão envolvidas na maneira como experimentamos e respondemos à vida. Observamos a comunicação cerebral e os neurotransmissores que criam expressões emocionais e fisiológicas muito específicas, e aprendemos ferramentas poderosas para nos ajudar a ser responsáveis ​​e apresentar nossas emoções.

Exploramos ainda mais nossos tabus em torno da sexualidade e continuamos a aprender a respeitar os nossos limites e dos outros, praticando o princípio essencial do BodyTalk: Permissões. Trabalhar com permissões inclui exercícios que desafiam nossa capacidade de dizer “sim” para o que queremos em nossos relacionamentos e na vida e “não” para o que não queremos. À medida que cultivamos maior senso de responsabilidade para com o Eu, aprendemos simultaneamente a ter relacionamentos mais saudáveis ​​e amorosos com os outros. Através de todos esses exercícios, redescobrimos a força vital de cura dentro de nós que se expressa à medida que nosso rígido condicionamento se suaviza. Nunca há toque sexual ou conteúdo sexual de nenhuma natureza.

O FreeFall 2 também inclui exercícios para apoiar a integração de vários aspectos de nossa sensualidade, abrindo a capacidade dos nossos cinco sentidos físicos e subtis de captar mais informações. Isso inclui exercícios que direcionam nossa atenção para experiências sensoriais e nos ajuda a distinguir a diferença entre nosso ego, que deseja saber mais informação sobre algo ou alguém, a fim de compreendê-los, e nosso instinto natural, cujo imperativo é sentir algo ou alguém para compreendê-los. Tais exercícios ampliam nossa compreensão dos conceitos de controle e vulnerabilidade, mais uma vez permitindo uma conexão mais amorosa, íntima e honesta consigo mesma e com os outros.

O pré-requisito para o FreeFall 2 é o FreeFall 1. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.

FreeFall 3 – Dynamics

Descrição do Curso

Este curso avançado do FreeFall trabalha mais profundamente com o conceito de “Permissões” já inicialmente explorado nos cursos anteriores do FreeFall. Através de exercícios que desafiam sua capacidade de pedir o que você deseja, você chegará a um entendimento mais amplo de responsabilidade e autoconfiança. À medida que praticamos a solicitação do que queremos neste curso, ele começa a revelar nossa necessidade essencial de comunicação aberta, além de aumentar nossa confiança em assumir riscos. Ao passar pelos exercícios do curso, descobrimos sistemas de crenças profundas de não-pertencer. Vemos que é a nossa resistência em sermos abertos e o forte apego que temos aos nossos padrões defensivos que bloqueiam nossa capacidade de viver em alinhamento com nossa essência. Esse padrão programado e automático de atacar, de se defender e/ou se desligar leva a constrição de energia e consequentemente doenças.

Além de Permissões, este curso enfatiza a autoconsciência e o autocuidado. Para esse fim, o curso inclui exercícios que desafiam a autointimidade à medida que aprendemos a respeitar as escolhas pessoais e estabelecer e honrar nossos próprios limites.

O curso explora a sensação do toque como a parte mais vital da nossa personificação humana. Por meio de exercícios que utilizam o sentido do tato, exploramos limites pessoais, acordos e comunicação aberta. A natureza do curso é tal que começamos a trabalhar muito rapidamente na esfera do cérebro do coração, e não no cérebro da cabeça, o que ajuda a fundamentar os exercícios e também facilita um ambiente muito seguro, honesto e, portanto, estimulante. Os alunos trabalham para incorporar uma expressão saudável do conceito de “Consentimento” por meio de exercícios de generosidade, gratidão e abnegação, enquanto aprendem simultaneamente a deixar de lado a abnegação. É importante observar que, dentro deste curso, nunca há toque ou conteúdo sexual na natureza.

Este trabalho do FreeFall é mais ativo do que passivo, mais poderoso do que impotente. Mais importante, reconhecemos no FreeFall que, quando se trata de praticar os exercícios, o corpo é o lugar essencial da mudança. As mudanças e mudanças que os alunos experimentam neste e em outros cursos do FreeFall costumam ser visualmente percetíveis – postura diferente, aparência mais brilhante, pele mais firme, a lista continua. À medida que aprendemos a priorizar a autrresponsabilidade, o autocuidado, os limites pessoais e a comunicação aberta, nosso corpo começa a revelar um novo estado físico.

O pré-requisito para o FreeFall 3 é o FreeFall 2. O seminário é apenas por aplicação baseada em um processo de triagem completo conduzido pelo instrutor. A elegibilidade é limitada aos candidatos que demonstraram um comprometimento pessoal e profissional ativo com o Código de Ética da IBA. Os candidatos serão contactados se forem necessárias informações adicionais.

Este curso conta com 16 horas de educação continuada para os requisitos dos profissionais certificados do BodyTalk.


[1] Myriam pratica e estuda o BodyTalk System ™ desde 2001. Após mais de 18 anos de prática regular e estudos, a sua prática clínica incorpora técnicas de Módulos Avançados, das Ciências da Vida, da Epigenética e do PaRama. As suas sessões refletem mais de 20 anos de experiência praticando o sistems do BodyTalk e seus tratamentos expressam sua extensa experiência terapêutica e mais de 35 anos de prática espiritual intensa em combinação com a abordagem multidisciplinar e intuitiva da Fisiologia Avançada, Física Quântica e Epigenética. myriammachadobaker.com

[2] Especificamente o ano de 2020 devido a pandemia global. (N.E.)

Para ler em pdf clique aqui


Anexo – descrição dos seminários FreeFall – Myriam Machado