“BodyTalk no Brasil: uma cartografia de caminhos possíveis”

Ana Marcela Sarria[1]

  Como traçar o caminho de um sistema? Se partimos da percepção de que um sistema é necessariamente um conjunto de caminhos em movimento, cíclicos em sua natureza, nos deparamos com fenômenos pouco rastreáveis, que não cabem em mapas e não serão contidos em esquemas delimitados. Aprendemos sobre essa interdependência e multifatorialidade característica dos sistemas em outros artigos desta edição, especialmente aquela que se refere ao livro “O Ponto de Mutação” (CAPRA, 1982), e vemos como estas características são perceptíveis tanto em organismos vivos, quanto em dinâmicas sociais e coletivas. É levando em consideração essas premissas que nos propomos aqui a traçar caminhos percorridos pelo Sistema BodyTalk ao longo de sua presença no Brasil. São, conforme apontamos de partida, olhares sobre alguns caminhos possíveis de como este sistema vem se constituindo ao longo de 17 anos de presença nestas terras, através de algumas pessoas que criaram esta história.

  Traçando caminhos para além de um de mapa único, propomos o olhar de cartografia, que considera como premissa o caráter dinâmico e mutável daquilo que é observado, além da produção conjunta do conhecimento que compõe essa observação (CAVAGNOLI; MAHEIRIE, 2020; SADE; FERRAZ; ROCHA, 2013). Este artigo apresenta alguns elementos de um percurso trilhado conjuntamente por muitos terapeutas de BodyTalk, a partir da pergunta “como o BodyTalk entrou na sua vida, e o que aconteceu a partir disso”. A pesquisa cartográfica, cuja metodologia é apresentada na próxima seção, resultou em um material gráfico que faz parte desta publicação (https://bit.ly/cartografiabodytalkbr), e reúne de maneira esquemática e sensível as principais informações resultantes da análise de entrevistas com trinta terapeutas. Existe um foco, na parte gráfica, em apontar os principais pontos cronológicos e conceituais apreendidos na pesquisa, e também de apresentar aspectos básicos do sistema BodyTalk a pessoas que não o conhecem de dentro. Nesta escrita, nos propomos a apresentar de maneira mais detalhada o percurso trilhado para chegar a essas informações, e os principais aprendizados percebidos.

  A primeira seção é costurada pela proposta metodológica, e traz algumas reflexões sobre o corpo que compõe esta pesquisa, ou seja, o processo de “encontro” dos terapeutas que a compõem, apontando as importâncias de seu envolvimento nesse processo. Na segunda e última seção, são apontadas as principais categorias de análise percebidas no conjunto de respostas das entrevistas, que não serão aprofundadas neste artigo por falta de espaço, mas que ficam como pistas de possíveis sequências, e evidência da riqueza do material aqui analisado[2].

Do corpo da pesquisa – ou o quê faz uma cartografia?

  Esta pesquisa nasceu sem se saber projeto de pesquisa: surgiu da curiosidade de uma terapeuta de BodyTalk que, depois de quatro anos inserida no sistema, sentiu necessidade e impulso de conhecer mais sobre seus colegas e sobre o conjunto de possibilidades que vislumbrava em seu trabalho. Em abril de 2019, Nirvana Marinho lançou uma proposta num grupo virtual de amplo alcance formado por terapeutas de BodyTalk de todo o Brasil, um convite aberto para quem quisesse ser entrevistado sobre como este sistema de saúde entrou nas suas vidas. A entrevista seria feita em vídeo para poder ser publicizada na internet, “com o objetivo de divulgar nosso lugar de fala, nosso lugar de terapeutas, nosso lugar de responsabilidade” (MARINHO, 2019), conforme o chamado original do projeto.

  Na medida em que as entrevistas foram sendo realizadas e publicadas com o nome “BodyTalkers falando de BodyTalk”[3] foi se dando a percepção de um corpo já existente que vai se sabendo consciência, trazendo à tona uma multiplicidade de olhares, e ao mesmo tempo tecendo novas relações e entramados sobre esta prática. Ao longo dos meses, a proposta toma novo rumo e se volta para as origens do sistema no Brasil, formando a série de entrevistas nominada “BodyTalkers falando de BodyTalk: nossa história”[4]. Ao perceber a riqueza do conteúdo das trinta entrevistas realizadas nesta empreitada, Nirvana Marinho mobilizou seu olhar prévio de pesquisadora em comunicação[5] com o propósito de sistematizar as informações num formato cartográfico. Convidou as colegas Ana Marcela Sarria e Daniele Pires, ambas terapeutas de BodyTalk e com experiência em pesquisa na área de ciências sociais e antropologia[6], para colaborarem com seus olhares para um processo de sistematização das informações.

  A escolha pelo método cartográfico não se refere apenas à forma de apresentação dos resultados de pesquisa, mas sobretudo ao seu processo de construção. Assim, percebemos que ele já estava presente na realização das entrevistas e se faz pertinente com a proposta ao ser uma das “formas de pesquisar preocupadas com a processualidade e implicadas nas transformações que a investigação pode deflagrar” (CAVAGNOLI; MAHEIRIE, 2020, p. 65). Ou seja, desde sua concepção teórica a cartografia se propõe a acompanhar processos em movimento, construindo conjuntamente com as pessoas implicadas num certo campo de sentidos compartilhados, e sabendo que o simples observar e investigar estará gerando transformações no campo e nas pessoas envolvidas. Outra dimensão importante do percurso cartográfico é a dimensão política que ele supõe, no sentido de potencialidade das interações sociais, “quando são verificáveis movimentos capazes de criar brechas nos modos de apresentação do real, que engendrem novas configurações ao pensamento e ao campo de experiências”[7].

  Para a escrita deste artigo, Ana Marcela entrevistou Nirvana, num convite para revisitar o caminho que levou às entrevistas e o percurso trilhado ao longo de suas realizações. Ao refletir sobre o processo, Nirvana apontou o quanto inicialmente partiu de uma curiosidade aparentemente individual, porém ao longo do tempo percebeu o quanto a busca por essas informações e por essas conexões entre terapeutas atendia também a um interesse coletivo, e também nesse sentido também político, de maior compartilhamento e ampliação da autopercepção do nosso próprio valor. 

a minha impressão é que ao se dar a força para o estado de partilha, muitas coisas puderam acontecer. Notadamente eu percebi nesse tempo como os terapeutas começaram a se sentir ouvidos e valorados. E não é por mim, é pelo próprio movimento. As pessoas começaram a se tornar mais autorais no seu jeitinho de fazer. Então tem o Instagram de um, de outro, site de um, cada um faz de um jeito. Essa pipocagem de expressões, de autonomias, de subjetividades. […] Eu acho isso de uma beleza infinita, e eu acredito que isso é política: as pessoas poderem partilhar. (MARINHO, 2020)

  Outro aspecto central do método cartográfico surge aqui como pista para a compreensão da importância desta pesquisa: a construção de, e a partir da confiança. Tanto no processo de surgimento das entrevistas, temos a confiança depositada por Nirvana em que os colegas responderiam ao chamado, quanto nessas respostas temos a confiança dos terapeutas de BodyTalk em uma iniciativa onde teriam que, de certa forma, se expor e se entregar a uma experiência desconhecida. Este é um elemento central para a potência criativa surgida com esta iniciativa, já que, como sugerem Sade, Ferraz e Rocha:

“Confiar na potência de um encontro não se confunde com a ideia de completude, identidade ou convergência de interesses e finalidades. Não se trata de confiar em um resultado específico. As alianças fundadas na confiança não se sustentam na identidade de um estado de coisas ou de representações de um futuro, mas em zonas de indeterminação que nos lançam em trajetórias inventivas.” (2013, p. 285)

  Dessa inventividade, foi surgindo uma interação entre colegas, mesmo que virtualmente. O fato de as entrevistas ficarem disponíveis na plataforma do YouTube, e serem publicizadas via redes sociais, levou a que diversos terapeutas assistissem uns aos outros, conhecessem melhor o trabalho dos colegas, se vissem refletidos nas práticas descritas e quisessem acrescentar seu próprio olhar a esse mosaico coletivo que foi se configurando ao longo de alguns meses. Ainda olhando para a dimensão da confiança, a pergunta geradora “como o BodyTalk chegou na sua vida” trouxe também a característica de maior intimidade e autoria para as abordagens suscitadas nas entrevistas, expandindo explicações que poderiam ser técnicas e trazendo de maneira potente o aspecto vivencial deste sistema terapêutico. As reverberações disso se fizeram notar num processo observável nas falas que remetem a uma maior valorização de si, do seu trabalho, um auto-reconhecimento e também um reconhecimento à potência do próprio sistema terapêutico. Vemos, portanto, como: “com a confiança a nossa potência de agir excede aquilo que conhecemos, e, por isso, ela é condição de todo ato de criação. […] Promove, assim, a atualização de forças inéditas no nosso campo de consciência, e, ao mesmo tempo, novas possibilidades de ação.” ( SADE;  FERRAZ; ROCHA, 2013, p. 285-286).

  Percebemos um reflexo relevante dessas “novas possibilidades de ação” especialmente no surgimento da segunda etapa das entrevistas, que pode ser percebida na playlist específica subtitulada “Nossa História”.  De certa forma, as primeiras já vinham trazendo aspectos históricos relevantes, já que ao sermos convidados a contar como chegamos ao que fazemos hoje, frequentemente conectamos com uma versão da sequência de eventos e relações que nos possibilitou essa experiência. No entanto, a maioria dos terapeutas que vinham sendo entrevistados até então tinham entre dois e dez anos de prática como BodyTalkers, sendo que o sistema chegou pela primeira vez ao Brasil em 2003. No final de julho de 2019, participando de um curso de integração de módulos avançados, Nirvana Marinho teve uma experiência com alguns colegas que lhe chamou a atenção para a importância de conhecer melhor a trajetória histórica do BodyTalk no Brasil.

  Neste ponto, cabe ressaltar um aspecto importante, que é a pulverização com a qual estão distribuídos os terapeutas deste sistema. As formações no Sistema BodyTalk acontecem de maneira não sistemática em algumas grandes cidades do país, de acordo com a disponibilidade de instrutores estrangeiros e, até recentemente, um único instrutor brasileiro. O percurso de formação no sistema, apesar de cumprir um processo bem definido para certificação de terapeutas, se dá de maneira muito livre em termos de ritmo de realização dos cursos e de nível de aprofundamento nos níveis mais avançados. Isso significa que cada pessoa define, a partir de suas próprias demandas, quando fará os cursos, em quanto tempo e como incorporará o BodyTalk em sua prática profissional. Além disso, apenas no ano de 2019 surgiu a Associação Brasileira de BodyTalk (ABBTS), como uma sucursal local à Associação Internacional de BodyTalk (IBA, por sua sigla em inglês), portanto até então não havia uma instância formal de reunião e articulação de terapeutas desta prática.

  Portanto, fatores como:  fluxos de ofertas da formação desde a realização do primeiro curso oferecido; a extensa distribuição geográfica do país; e a ausência de uma política institucional de comunicação entre terapeutas, levaram à existência de diferentes gerações, com pouco contato entre si. Num trabalho de resgate dessa história, a estratégia de convite para as entrevistas, que num primeiro momento se deu por livre adesão de quem se sentisse convidado, passou a ter uma intencionalidade na busca por alguns elementos históricos sobre o sistema BodyTalk no Brasil, indo então por indicação de colegas nomeando uns aos outros nesse re-tecer de uma teia.

  Longe da pretensão de contar “A” história do BodyTalk no Brasil, como se existisse algo único com esse nome, esta lista de 13 entrevistas nos brinda com informações valiosas sobre as redes de afeto que permitiram a expansão do sistema em diferentes cidades, as conexões estabelecidas através de trajetórias pessoais que transitam também fora do país, e as maneiras como pequenos grupos de terapeutas mantiveram seus estudos e suas práticas localmente, notadamente no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. E para além desses aspectos, é também como se pudéssemos reconhecer mais uma camada de complexidade daquilo que nos dá base, num acúmulo de informações, experiências e conhecimentos existente para seguir expandindo nas novas etapas que vão surgindo num sistema complexo e em expansão.

Dos resultados e possibilidades de análise a partir das entrevistas

  Nesta seção trazemos alguns dos temas que aparecem como recorrentes e significativos nos olhares trazidos nas entrevistas, sistematizando de maneira breve os principais achados percebidos. Como parte do processo de elaboração do material gráfico de apresentação esquemática da cartografia, foi realizado um processo de análise da série “Nossa história”, que resultou em 35 temas chave que encontravam ressonância em diferentes entrevistas. Estes temas podem ser reunidos em quatro categorias de análise principais, que denominamos: aspectos da história e coletividade de terapeutas; relação dos terapeutas com o sistema; potencialidades e características percebidas pelos terapeutas; conceitos e procedimentos do sistema. Apesar do foco analítico mais minucioso na série histórica, consideramos que podemos generalizar muitas destas informações para a totalidade das entrevistas realizadas, já que todas foram assistidas e consideradas de certa forma, e trazem elementos em comum, que se complementam.

  A partir da recuperação histórica realizada nas entrevistas, vemos que o BodyTalk chegou no Brasil em 2003, com a vinda da instrutora estadounidense Janet Galipo ao Rio de Janeiro, ministrando uma palestra e um curso, com tradução simultânea, organizados a partir da relação entre pessoas que conheciam o sistema por terem vivido na Flórida, onde se encontra a sede da IBA. Graças à boa receptividade das pessoas que participaram, e pela característica dos cursos de estarem concentrados em poucos dias, foi possível que, a partir daquele ano, os cursos seguissem acontecendo periodicamente, na medida em que se ampliou o interesse pela prática. Através da rede de terapeutas que foi se formando, em 2006 aconteceu o primeiro curso dos módulos básicos – os Fundamentos – em Belo Horizonte, e em 2009 em Brasília. Além da ampliação de alcance geográfico, aconteceu também uma diversificação dos instrutores que vieram ao país e a oferta de diferentes módulos avançados. Vale a pena chamar a atenção também para a vinda do fundador do sistema, John Veltheim, que esteve no país em 2007 e 2009, oferecendo cursos e ministrando palestras de amplo alcance no Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Nas cidades mencionadas até agora, também se mantiveram iniciativas de grupos de estudos autônomos e algumas ações voluntárias de implementação do BodyTalk em espaços de saúde e em projetos sociais.

  No ano de 2010 inicia um novo momento na dinâmica de formação no país, com a chegada do instrutor Márcio Ribeiro, brasileiro até então radicado em Cingapura, onde fez sua formação como terapeuta e instrutor. A partir de seu primeiro curso de Fundamentos, ministrado em Goiânia, a presença de Márcio contribuiu também com a expansão dos cursos para outras regiões, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, entre outros. Nos anos seguintes, este instrutor se habilitou também para ministrar dois dos quatro módulos avançados – Princípios da Consciência e Biodinâmicas -, aumentando assim a possibilidade de aprofundamento na formação para mais terapeutas locais. De certa forma, e através de uma dinâmica mais complexa do que podemos mapear aqui, este foi um marco temporal importante para marcar a existência de diferentes gerações de terapeutas no país. Houve uma diminuição gradual da vinda de instrutores estrangeiros ao Brasil, apesar de se manter principalmente a vinda da Dra. Janet Galipo para lecionar os módulos avançados de Macrocosmos e Matrizes, além de outros instrutores que lecionam cursos das modalidades chamadas Ciências da Vida: MindScape, BreakThrough e FreeFall. Mais recentemente, houve também a expansão de cursos on-line de John Veltheim com tradução ao português, e a vinda da Dra. Laura Stuve para ministrar dois cursos especiais, de Epigenética e Ecologia do Corpo.

  Traçado esse percurso coletivo, ao nos aproximarmos dos percursos pessoais vemos que dentre as maneiras de se chegar no sistema BodyTalk, tanto como cliente quanto como terapeuta não há necessariamente um caminho único ou padrão. Há processos lentos de aproximação, assim como relações arrebatadoras onde a pessoa mergulha de cabeça no sistema, porém de maneira geral se encontra um encantamento que tem dificuldade de ser colocado em palavras. Nas histórias individuais, aparece uma profunda modificação de si a partir do contato com o sistema, seja em processos mais graduais e sutis, seja na percepção de mudanças rápidas e surpreendentes. Porém, mesmo se a narrativa de transformação individual não tem um percurso único – como haveria de ter? –, existe uma coincidência no entusiasmo pelo estudo e disseminação da prática quando a pessoa decide tornar-se terapeuta de fato.

  Diversos entrevistados apontam o impacto do BodyTalk em suas vidas por ser uma proposta de um paradigma de saúde em que há um profundo processo de auto-responsabilidade e consciência, e ao mesmo tempo um respeito ao tempo próprio de cada pessoa, se apoiando tanto na intuição, quanto em conhecimentos muito bem fundamentados, organizados em um protocolo estruturado. A curiosidade por “como isto funciona?”, ou mesmo “como isto é possível?”, leva à busca de um aprofundamento cada vez maior nos estudos e na prática, ao mesmo tempo em que vai se complementando com aquilo que a pessoa já trazia de experiência. Não é possível, com a informação que temos, traçar um perfil dos terapeutas, que vêm de diferentes bagagens profissionais e vivenciais. No entanto, é possível recuperar a valorização que eles apresentam ao fato de o BodyTalk ser um sistema que permite a complementariedade entre diferentes modalidades terapêuticas, e portanto valoriza e potencializa as experiências prévias do terapeuta. Neste sentido, as entrevistas trazem uma riqueza de possibilidades de escuta do corpo a partir da combinação de olhares da medicina, da psicologia, da medicina chinesa, da osteopatia, da arte, do yoga, das ciências sociais, entre outras formações que compõem os terapeutas. Nas palavras de uma das entrevistadas: “Essa complementariedade é uma visão que integra, e não fragmenta, como muitas vezes é a prática das profissões em saúde. Essa capacidade do BT de integrar, acolher e complementar, potencializar quaisquer outros recursos em saúde, em medicina, em autoconhecimento, é um grande presente.” (RESENDE 2019)

  Outro aspecto importante destacado pelos entrevistados é a riqueza e abrangência do percurso de formação possível dentro do próprio Sistema BodyTalk, que leva as pessoas a aprofundarem os estudos em diversos temas complexos. Além de um leque de questões relacionadas com as ciências da saúde, como anatomia e fisiologia, e outros sistemas de conhecimento, encontramos também uma importância central de dois pilares filosóficos: a Medicina Tradicional Chinesa e a filosofia Advaita/Vedanta. Ambas abordagens permeiam todo o conteúdo do Sistema BodyTalk em sua concepção, porém cabe destacar que os princípios de não-dualidade da Advaita ficam muitas vezes diluídos na compreensão sutil do quê é a consciência à qual nos referimos nos processos profundos de auto-conhecimento implicados no sistema. Nesse sentido, é digno de nota que alguns aspectos das entrevistas apontam para a relevância que teve o declarado interesse do instrutor Márcio Ribeiro nesse tema, de modo que estes conceitos se fizessem mais presentes nos cursos desde os módulos iniciais. Da mesma forma, aponta-se para o enriquecimento do Sistema na medida em que há cada vez mais instrutores com diferentes bagagens, trazendo maior versatilidade para os olhares possíveis.

Um ultra-breve encerramento

  Não há um fim em algo dinâmico, porém um texto se dá numa dimensão relativamente estática. As informações que constam aqui já geraram transformações em muitos sentidos, e as relações da matriz têm se modificado de maneira tão acelerada que já teríamos condições de fazer uma nova cartografia. Afinal, cada nova observação altera o que conhecemos. Neste momento, podemos considerar que a palavra que emerge como principal resultado deste processo é: amadurecimento. Estamos colhendo frutos.

Referências

CAPRA, F. O Ponto de Mutação: a Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente. Cultrix: São Paulo – SP, 1982.

CAVAGNOLI, M. et al. A cartografia como estratégia metodológica à produção de dispositivos de intervenção na Psicologia Social. Fractal: Revista de Psicologia, [s. l.], v. 32, n. 1, p. 64–71, 2020.

MARINHO, N.  Comunicação em grupos restritos de Facebook. Postado em 14 de abril de 2019.

MARINHO, N. Arquivo de pesquisa. Entrevista realizada em 08/05/2020.

RESENDE, S. Entrevista na lista BodyTalkers falando de BodyTalk, Nossa História. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uMIlEDbrA9M&list=PLAOdJgJTVHegOIKK_g9aPx99lzYGTY2nD . Entrevista realizada em 08/10/2019.

SADE, C.; FERRAZ, G. C.; ROCHA, J. M. O ethos da confiança na pesquisa cartográfica: experiência compartilhada e aumento da potência de agir. Fractal : Revista de Psicologia, [s. l.], v. 25, n. 2, p. 281–298, 2013.


[1]    Ana Marcela Sarria é Cientista Social, acadêmica em Enfermagem e terapeuta certificada de BodyTalk desde 2016. Também faz formação em Medicina Tradicional Chinesa. Encontrou no BodyTalk um valioso caminho para promover saúde como autonomia individual e coletiva com consciência e respeito à sabedoria de cada ser. Contato: (51) 99317-8777. Face e insta: @anamarcelabodytalk

[2]    As entrevistas que dão base a esta pesquisa estão disponíveis ao público na plataforma YouTube, conforme indicado na próxima seção, o que amplia as possibilidades de que quem se sinta convidado possa dar continuidade, aprofundamento ou mesmo novos rumos a esta análise.

[3]    Acessível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PLAOdJgJTVHegvzV_b4kwxp1e4bpRfW04R

[4]    Acessível em: https://www.youtube.com/playlist?list=PLAOdJgJTVHegOIKK_g9aPx99lzYGTY2nD

[5]    Nirvana Marinho tem graduação em Dança pela UNICAMP, mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, além de ampla experiência profissional em curadoria artística.

[6]    Ana Marcela Sarria tem graduação em Ciências Sociais e mestrado em Desenvolvimento Rural pela UFRGS, e Daniele Pires tem graduação em Ciências Sociais e mestrado em Antropologia, também pela UFRGS.

[7]    Ibid, p. 66.

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