“A relação do livro “O ponto de Mutação” e o BodyTalk”

Luciano Flehr (1)

“Os novos conceitos em física provocaram uma profunda mudança em nossa visão do mundo: passou-se da concepção mecanicista de Descartes e Newton para uma visão holística e ecológica, que reputo semelhante às visões dos místicos de todas as épocas e tradições”. CAPRA, F., 1983:15

Com esta introdução adentramos no livro de Fritjof Capra, O ponto de mutação, que traz dados detalhados da evolução da física, da biomedicina, da psiquiatria ao longo dos anos. O livro é rico em detalhes sobre nomes e datas de acontecimentos no mundo da ciência, vem num crescente sobre a visão de Descartes, sobre o olhar mecanicista (que separava matéria e mente) da ciência, fazendo uma ponte com a visão de Newton, que aprofundou esta visão com seus cálculos matemáticos e uma base de tradições esotéricas, trazendo um pouco mais de substância para a visão mecanicista. Passa o olhar pela física moderna de Albert Einstein, mostrando que o seu trabalho foi de grande relevância, porém, não conseguindo fazer a interconexão entre matéria/mente/energia. Deixando este legado para a teoria quântica. Vamos focar na parte sobre a visão do livro que fala sobre saúde, terapias e técnicas holísticas e integração com o conceito sistêmico de tratamento.

No capítulo sobre Holismo e Saúde, traz um aprofundamento pelas diversas técnicas e terapias aplicadas há milênios. Iniciando pela avaliação do Xamanismo, sua importância dentro do contexto social e ambiental. Mostra o quão profundo é a Medicina Tradicional Chinesa, explicando o conceito de Yin e Yang, falando um pouco sobre os cinco elementos, que ele considera ser mais correto dizer “Cinco Fases”, trazendo a ideia de que o organismo humano é um microcosmo do universo e que é influenciado por eventos estressantes nas esferas psicológica e social, que impactam de forma reconhecida para a formação de doenças.

Percorre a medicina no Japão e mostra que lá há uma tendência a unir o conhecimento da Medicina Tradicional Chinesa com a medicina ocidental, criando assim uma denominação de Medicina tradicional do leste asiático, um sistema eficiente de assistência médica. Lá eles se interessam pelo conhecimento subjetivo,

que consideram tão valioso quanto o pensamento dedutivo racional.
Capra comenta que na medicina a intuição e o conhecimento subjetivo deveria ser usado por todo bom médico, porém não é validado e nem tem o reconhecimento na literatura profissional e nem é estimulado nos ensinos das escolas médicas. Em nenhum momento o livro se posiciona contra a medicina Hipocrática ocidental, mas nos mostra que deveria tomar um outro rumo, com relação à visão que tem do “doente e da doença”. Capra também traz a importância da inserção do trabalho de psicologia para acompanhar a pessoa que está adoentada, porque pela visão sistêmica, a parte emocional e social trás uma influência tamanha no adoecimento ou cura do indivíduo. O livro nos leva pelo campo da homeopatia, informando que a origem da filosofia desta terapia remonta aos ensinamentos de Paracelso e Hipócrates, tendo o sistema terapêutico formal fundado no final do século XVIII por Samuel Hahnemann. Trazendo o princípio que a finalidade da homeopatia é estimular os níveis de energia da pessoa. Através da identificação dos padrões de vibração do indivíduo e dos problemas, apregoa o princípio de que o semelhante cura o semelhante. Usando uma afirmação e colocação de George Vithoulkas, o maior expoente da nova homeopatia, podemos colocar que a relação entre o paciente e o homeopata/terapeuta, é uma interação íntima para ambos. “Não há como ser um mero observador passivo, é preciso haver esta interação, para que ocorra o crescimento tanto no profissional quanto no Paciente/Cliente” (CAPRA, F., 1983: 334).
Neste capítulo sobre Holismo e terapias, encontramos conhecimento sobre as técnicas de Wilhelm Reich, sobre a terapia Reichiana, que fala das couraças musculares. Nos mostra sobre a importância da meditação e relaxamento e o quanto a respirar correto é importante para manter os padrões de equilíbrio do corpo-mente. Vai discorrendo sobre as outras técnicas como Quiropraxia, Bioenergética, Técnica de Alexander, Feldenkrais, Rolf. Menciona que todas essas abordagens se baseiam na noção Reichiana de que “a tensão emocional se manifesta na forma de bloqueios na estrutura e no tecido musculares, mas diferem nos métodos empregados para desfazer esses bloqueios psicossomáticos” (CAPRA, F., 1983: 339).
O capítulo leva a entender que o conceito e princípio de saúde não deveria ser separado da integração com o ambiente, corpo-mente e campos energéticos. E faz análises e observações para mostrar que para ocorrer esta integração, precisamos ter uma visão sistêmica do universo a nossa volta. “A nova visão da realidade, de que vimos falando, baseia-se na consciência do estado de inter-relação e interdependência essencial de todos os fenômenos – físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais” (CAPRA, F., 1983: 259).

Necessita-se ter clareza que os sistemas estão interligados, que os genes, não são os determinantes, exclusivos do funcionamento de um
organismo e que são partes integrantes de um todo ordenado e, portanto, adaptam-se à sua organização sistêmica.
E que todo ordenado é este? Capra cita a auto-organização, dividida em auto renovação e auto transcendência (capacidade de se dirigir criativamente para além das fronteiras físicas e mentais, nos processos de aprendizagem, desenvolvimento e evolução), e que estes princípios trazem uma dinâmica para a auto-organização do organismo. Mas, também nos mostra o quanto complexo é manter um organismo em equilíbrio. Isto nos leva a um entendimento de variáveis nos quais os sistemas estão inseridos. Questões ambientais, sociais, culturais, emocionais e constitucionais do corpo. É importante perceber que a dinâmica do corpo, não está restrita somente a ele. Precisamos ampliar nossa mente e percepção dessa visão sistêmica. Perceber o quanto o fator ambiental, tem um impacto tremendo sobre as reações químicas e emocionais e consequentemente físicas em nós.A influência do ambiente no nosso corpo/mente, foi bem explicada no livro A Biologia da Crença de Bruce H. Lipton, Ed. Butterfly, e Capra a descreve nesta frase de forma precisa “Cada criatura está, de alguma forma, ligada ao resto e dele depende”.


Ele nos mostra que se faz urgente trazer esta visão para as atividades de saúde: médicos, psicólogos, enfermeiros. O Ser não deve ser dividido, ele está integrado, não só em si, mas com tudo. Para ilustrar: “Do ponto de vista sistêmico, a vida não é uma substância ou uma força, e a mente não é entidade que interage com a matéria. Vida e mente são manifestações do mesmo conjunto de propriedades sistêmicas, um conjunto de processos que representam a dinâmica da auto-organização” (CAPRA, F., 1983: 284).
No livro, Capra descreve que esta auto-organização pode ser denominada com o termo Sabedoria Inata do corpo-mente. Neste ponto chegamos ao BodyTalk. A técnica do BodyTalk é denominada sistema de tratamento, porque o criador da técnica John Veltheim, tendo o livro O Ponto de Mutação, como uma de suas referências, conseguiu sintonizar com o princípio da visão sistêmica. No BodyTalk tudo está interligado. Parte física, emocional, ambiental, energética, cósmica. Trazendo fortes bases na Medicina Tradicional Chinesa e filosofia Vedanta, o BodyTalk se destaca por acessar a Sabedoria Inata do cliente para que possamos restabelecer o equilíbrio das energias, das emoções, influências ambientais, corpo físico e mente. John conseguiu unir os fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Ocidental tradicional, pela anatomia e fisiologia do corpo, Yoga, Cinesiologia, Física Quântica e Bioenergética, formando um sistema de tratamento Sistêmico. Aonde tudo está interligado. Não deve haver separação, o Ser não é uma máquina fria, estática. Há uma dinâmica e interligação. Partindo do princípio de que o Sistema Corpo-
mente tem o poder de se auto curar, o Sistema BodyTalk acessa as informações através de um sistema de perguntas e respostas de biofeedback, para que possa restabelecer as diversas comunicações necessárias para se desfazer o estresse instaurado no corpo. Capra traz uma definição para estresse: “O estresse é um desequilíbrio do organismo em resposta a influências ambientais” (CAPRA, F., 1983: 317).
Como falei anteriormente, já é sabido hoje que o ambiente influencia grande parte das desarmonias que acontecem no individuo. Nossos genes vêm com todos os marcadores para adoecermos, o que faz para que um desses marcadores seja ativado, é sua reação ao ambiente e vice-versa. Na visão sistêmica, do sistema BodyTalk entendemos esta influência e através de um olhar cuidadoso e intuitivo do terapeuta, vamos acessando as informações nos detalhes, nas dinâmicas de como aquele indivíduo lida com estas oscilações. Para que através da técnica possamos restaurar o equilíbrio ou como citado no livro a capacidade de auto-organização do corpo-mente.
Transcrevo aqui algumas citações do livro O Ponto de Mutação, que fiz um paralelo com o Sistema BodyTalk, por se tratar de uma terapia que traz e incorpora esta visão Sistêmica para o Ser.

“Ser saudável significa, portanto, estar em sincronia consigo mesmo – física e mentalmente – e também com o mundo circundante” (CAPRA, F., 1983: 317).

“A doença pode ser física ou mental, ou manifestar-se como comportamento violento e temerário, incluindo crimes, abuso de tóxicos, acidentes e suicídios, a que se pode licitamente dar o nome de doenças sociais. Todas estas “vias de fuga” são formas de saúde precária, sendo a doença física apenas uma das numerosas formas patológicas de enfrentar situações estressantes na vida” (CAPRA, F., 1983: 319).

“É fato que o estresse prolongado anula o sistema imunológico do corpo e suas defesas naturais contra infecções e outras doenças. O pleno reconhecimento desse fato ocasionará uma importante mudança na pesquisa médica, fazendo com que ela deixe de lado a preocupação com microorganismos e passe a estudar cuidadosamente o organismo hospedeiro e seu meio ambiente” (CAPRA, F., 1983: 318).

Luciano Flehr Junho 2020

(1) Formado em Medicina Chinesa pelo Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro, Reiki I e II, Silva Mind Control, MindScape I e II , BreakThrough, tem todos os módulos do BodyTalk Prático e Avançado, Formação em Parama I e II. Foi organizador do curso de BodyTalk entre 2005 a 2007. Trouxe a Dra Janet Galipo para o primeiro curso de BodyTalk em Belo Horizonte em 2006. Atua com o BodyTalk há 16 anos. Email: lucianoflehr@gmail.com. Site: http://www.lucianobodytalk.com.

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