Entrevista ao Dr. John Veltheim por Verena Kacinskis

Entrevista[1] ao Dr. John Veltheim[2]

Por Verena Kacinskis[3]

Verena Kacinskis – Olá John, muito obrigada por conceder esta entrevista. Como expliquei por e-mail, essa conversa sairá na primeira edição do periódico “Escuta”. Escolhemos a Teoria dos Sistemas Dinâmicos como tema desta edição. Por isso, trouxe três perguntas em torno desse tema.

John Veltheim – Ótimo! 

VK – Agora sou Instrutora de Fundamentos e, além disso, também traduzi para o Português todos os materiais dos seus cursos nos últimos anos. 

JV – Eu sei. Muito obrigado pelo seu ótimo trabalho. Recomendei você para ser instrutora porque te conheci quando fui ao Brasil e achei que você estava fazendo um ótimo trabalho. 

VK – Muito obrigada! Não sei como é em outras partes do mundo, mas aqui no Brasil as pessoas ainda tendem a dizer coisas como “Bem, eu trabalho com uma técnica chamada BodyTalk”. Costumo começar as minhas aulas esclarecendo para os alunos que o BodyTalk não é uma técnica, é um Sistema. São duas coisas diferentes.  Fico me perguntando de onde veio a ideia, como você soube que não criaria uma nova técnica, que você colocaria coisas juntas e criaria um sistema. Como foi isso? 

JV – Quando estudei na universidade, aprendíamos só técnicas. Com o tempo fui ficando profundamente interessado no trabalho de Fritjof Capra, em “O Ponto de Mutação”, e isso me direcionou à Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Naquela época eu ensinava acupuntura e percebi que ela também se baseia na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Você começa a ter um outro olhar para as mesmas coisas e percebe “Eu já estava fazendo isso, afinal!”. Comecei a ler publicações de Física e percebi que toda estrutura, inclusive em nível subatômico, funciona segundo a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. É muito mais profundo do que qualquer outra coisa. Naquele filme que fizeram baseado no livro do Fritjof Capra [Mindwalk], deram mais ênfase à ecologia – você sabe, a Teoria dos Sistemas Dinâmicos está na Ecologia. Mas não é só a base da ecologia geral do mundo, é a base da ecologia do corpo também, e de como nós nos relacionamos com o mundo. Portanto, a formação básica do mundo é baseada na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. 

Então, comecei a pensar “Tudo bem, quais são os princípios básicos da Teoria dos Sistemas Dinâmicos?”. E foquei em um deles: o princípio da comunicação. A partir daí comecei a praticar a acupuntura a partir dessa perspectiva. Mesmo que eu estivesse usando as agulhas do jeito que eu já costumava usar, na minha mente via sistemas dinâmicos afetando o corpo, e comecei a observar melhoras nos resultados. Então comecei a ensinar acupuntura sob o ponto de vista da Teoria dos Sistemas Dinâmicos nos cursos avançados da faculdade na qual  era Diretor, e isso fez uma grande diferença nos resultados dos tratamentos dos meus alunos. Acho que trouxe um melhor entendimento. Para mim, significava olhar a coluna vertebral, por exemplo, sob a perspectiva dos sistemas dinâmicos, na quiropraxia e osteopatia, entendendo que tudo está conectado e tudo envolve tudo. Ou seja, você podia ter torcido o dedo do pé e isso podia estar te trazendo uma dor na lateral da cabeça.  Passei a sempre olhar para o que estava acontecendo no corpo todo. A pessoa me procurava com dor no ombro e eu acabava tratando o menisco medial do joelho oposto.  Consegui chegar a isso, mesmo antes de usar o Sim e o Não, por estar usando intuitivamente a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o que me levou a encontrar formas diferentes de fazer as mesmas coisas. 

Eu já tinha explorado outros aspectos da cinesiologia aplicada – sabe, se feita de forma apropriada, a cinesiologia aplicada também é um modelo de sistema dinâmico, embora não fosse ensinada sob essa perspectiva naquela época. Atualmente existe na Alemanha uma faculdade ensinando a cinesiologia assim. O diretor dessa faculdade fez seu treinamento comigo. Comecei com trabalho básico, especificamente com os Córtices e coisas afins. Assim que refinei o trabalho a partir da Teoria dos Sistemas Dinâmicos, tudo evoluiu muito rápido. Comecei a ver as coisas por sua relação com as outras. A pessoa vinha com um problema no joelho e eu enxergava o que realmente estava acontecendo ali – um problema no joelho não é um problema apenas no joelho, frequentemente é um problema no meridiano do Rim e toda uma gama de outras coisas que estão relacionadas dinamicamente. Então eu fiquei… bem, não vou dizer que fiquei obcecado, mas digamos que passei a focar no desenvolvimento e aperfeiçoamento da osteopatia e da acupuntura, que eram as disciplinas que eu ensinava na época, e para isso comecei a praticá-las sempre a partir do ponto de vista dos sistemas dinâmicos, ou seja, buscando comunicação, sincronização, etc. 

Depois comecei a desenvolver algumas técnicas – Córtices foi a primeira delas – e comecei a perceber que se fizesse alguns toques básicos, conseguia alguns resultados. Todavia, se eu fizesse a mesma implementação com toques usando os conceitos da Teoria dos Sistemas Dinâmicos, os resultados eram melhores. Foi como uma atitude que passei a usar, e comecei a perceber resultados melhores e mais rápidos. A partir daí, iniciei o desenvolvimento de tudo ao redor da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. 

Naquela época, esbarrei com o Fritjof Capra numa conferência, e apesar de só termos tomado um café juntos, eu senti como se ele tivesse me entregado uma energia [risos], o que me deixou ainda mais animado. Nós não chegamos a falar sobre isso, mas me senti inspirado só de estar na presença de Deus em pessoa (pelo menos para mim, porque seu livro o Ponto de Mutação foi, de fato, um ponto de mudança para mim). Eu não gostei do primeiro livro dele, achei muito científico para mim, mas depois ele entrou mais na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. 

Portanto, eu sempre voltava para a ideia de que tudo está relacionado e só precisamos chegar a um ponto em que os sistemas interajam entre si, precisamos ajudar o corpo a trabalhar em equipe, basicamente, e perceber que qualquer parte do corpo pode influenciar qualquer outra parte do corpo se você entender esses princípios. E, apesar de nós não irmos tão fundo no BodyTalk básico, ainda assim ensinamos técnicas que estão baseadas nisso. No entanto, conforme você vai se aprofundando no BodyTalk, você começa a ter mais contato com a Teoria dos Sistemas Dinâmicos e percebe que tudo gira ao redor dela, essa é a fundação de tudo. E até nos meus trabalhos mais avançados, aqueles que estou desenvolvendo agora, ainda uso a teoria como base. Claro que eu estudei extensivamente a Física Quântica e coisas assim. 

Você sabe, estive no Brasil algumas vezes, estudei Física Quântica com alguns teóricos importantes lá. Eles ficavam impressionados com o fato de eu estar trabalhando com a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Alguns deles disseram “Sim, nós também estamos nos encaminhando para essa direção, vamos trabalhar cada vez mais a partir dessa perspectiva”. Foi por isso que nos demos tão bem e eles endossaram meu trabalho. 

Então, posso dizer que o processo de criação de BodyTalk foi como uma evolução. Demorou um pouco porque as pessoas ainda estavam fazendo o trabalho básico achando que eram técnicas em vez de dinâmicas. Essas pessoas usavam as técnicas e conseguiam resultados, mesmo que não entendessem completamente a teoria existente por trás. Acho que demora mesmo um pouco e ainda tem bastante gente que faz o trabalho básico do BodyTalk e não o entende completamente, enxergam apenas as técnicas. Não obstante, depois que você está trabalhando com BodyTalk há um tempo,  conforme você vai fazendo o trabalho mais avançado, vai ficando óbvio, já que você se percebe fazendo vínculos que parecem malucos, tipo entre o joelho e a lateral da cabeça – e na verdade você está tratando o fígado. 

Tudo evoluiu bem rápido, na verdade. Demorou um tempinho para que as pessoas às quais eu estava ensinando, principalmente àquelas que tinham formação médica, para que elas entendessem o que estava falando, porque elas eram muito cartesianas. Mesmo que reconhecessem que a Física avançada trabalha muito com a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, alguns dos médicos me diziam “Mas a Física avançada não tem nada a ver com a Medicina!” [risos]. Naquela época, quando eu comecei, a Medicina era bem cartesiana, mas isso está mudando bastante agora, principalmente na Europa. Por isso meu trabalho está sendo cada vez mais aceito nesse contexto. 

E agora, conforme vou desenvolvendo trabalhos ainda mais avançados, continuo me apoiando na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Apesar de não ser mais tão óbvio como nos meus trabalhos mais básicos, as técnicas que tenho apresentado nos cursos mais avançados também se apoiam nessa abordagem e quem não percebe tende a não conseguir os mesmo resultados que eu. Mas veja, quando eu coloco a minha mão em cima de uma pessoa, estou colocando a mão sobre um corpo que está em um estado natural de sistema dinâmico consigo e com o seu ambiente, e isso afeta tudo, porque quando você atende um paciente, você está tratando a relação dinâmica dele com sua família, incluindo os familiares que ele nunca conheceu. 

Inclusive, podemos estar influenciando a relação dessa pessoa com o governo. Vocês sabem disso aí no Brasil e nós estamos vivendo isso aqui nos EUA – esses governos que são bem cartesianos, que focam em acumular dinheiro e coisas afins, isso causa uma corrosão em tudo ao redor porque eles não enxergam o mundo como um sistema dinâmico. Tenho notado que em lugares como Holanda e França, os governos estão trabalhando mais baseados na Teoria dos Sistemas Dinâmicos, sabe? E lá as coisas funcionam melhor, como na Noruega, por exemplo. Eles têm o melhor sistema de educação do mundo apesar de os alunos só irem para a escola 3h por dia. Mesmo assim eles estão entre os melhores da Europa porque ensinam as crianças a se relacionarem e interagirem com o mundo, e ao fazerem isso alcançam uma informação que não se aprende nos livros e isso é muito mais útil. Portanto, vejo que o BodyTalk está refletindo o que está acontecendo nos melhores cenários da educação, das ciências políticas, e vejo que as pessoas mais interessadas no meu trabalho são os físicos quânticos. 

A Teoria dos Sistemas Dinâmicos está ficando bem conhecida em círculos científicos, mas do ponto de vista médico, o sistema médico atual está mais direcionado ao modelo cartesiano porque eles trabalham com remédios que não são criados para os indivíduos. No entanto, alguns médicos não gostam desse conceito e estão tentando, em alguns lugares da Europa, por exemplo, incluir a homeopatia e outras coisas que, de alguma forma, estão baseadas na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. 

VK – John, tem uma coisa que eu sempre quis te perguntar. Para criar algo como o que você criou – um sistema novo, como o BodyTalk – você precisa abrir espaços dentro de você. A gente precisa abrir espaços internos para poder criar. Como isso funciona para você? O que acontece primeiro: você passa por mudanças e então cria algo novo, ou você cria algo novo e isso te transforma? Ou tudo acontece ao mesmo tempo? Como é o seu processo criativo? 

JV – Na verdade, tenho que dizer que grande parte do meu processo criativo acontece quando estou tratando pessoas e preciso achar respostas para entender o que está acontecendo. Então digamos que eu receba um caso complicado – e recebo muitos casos complicados. Primeiro, preciso me abrir para o que está ali, depois isso se liga ao meu background e aos meus conhecimentos, isso tudo começa a vir intuitivamente, e eu tenho esse dom de saber, quando algo aparece intuitivamente, se vai funcionar ou não. Isso é intuitivo, certo? Então, é bem comum que eu use uma técnica pela primeira vez quando estou tratando um caso bem teimoso, desses que não conseguem bons resultados com outras técnicas.  Consigo fazer isso, em certo nível, por causa da minha experiência – trabalho com saúde há 50 anos, estou acostumado com os pacientes e com as respostas aos tratamentos. Assim, tento algo completamente diferente, baseado naqueles princípios que conheço, e eu vejo as mudanças acontecendo no corpo. Posteriormente, isso se torna um novo curso. Em praticamente todas as coisas que eu crio, não me sento e fico ponderando. 

Quase tudo o que desenvolvi foi feito com as minhas mãos sobre o paciente quando eu estava respondendo a uma situação ou a um caso difícil, para o qual tinha que encontrar uma resposta. Portanto, tudo o que eu preciso fazer é me abrir e levar aquilo para um novo nível.

Existem coisas que eu ainda não ensinei, principalmente no nível da Consciência Coletiva, em que podemos tratar grupos maiores. Um dos temas com os quais tenho estado mais empolgado é a ecologia. Tenho feito muitos trabalhos com ecologia e planejo fazer muito mais. Se você olha para os ecologistas, eles estão trabalhando dentro da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Por exemplo, digamos que você queira plantar alguma coisa. Você precisa saber onde vai plantar baseado em onde vai ser o melhor lugar para que aquele sistema dinâmico funcione. No momento estou trabalhando muito para entender como usar o BodyTalk para a Ecologia e tenho conhecido pessoas interessantes que trabalham com isso. De agora em diante espero me dedicar mais ao planeta do que aos indivíduos porque pela Teoria dos Sistemas Dinâmicos você pode influenciar áreas enormes e encontrar soluções que trazem mudanças consideráveis na ecologia daquela região do mundo. É um trabalho fundamental, de base. 

O que nós aplicamos no corpo também pode ser aplicado à forma de funcionamento de empresas, de uma floresta etc e acho que começa a fazer sentido para as pessoas quando elas entendem como funciona. Algumas pessoas precisam ser convencidas pelos resultados mas tenho percebido que em algum momento faz um clique, porque já faz parte do conhecimento do lado direito do nosso cérebro, já que o cérebro direito definitivamente funciona dessa forma [Teoria dos Sistemas Dinâmicos]. Percebo que as pessoas que se sentem atraídas pelo tipo de trabalho que faço são pessoas que naturalmente estão mais orientadas para o cérebro direito, que estão se movimentando nessa direção e querem entender as coisas pela lógica do cérebro direito. Francamente, em essência, o cérebro direito funciona a partir da Teoria dos Sistemas Dinâmicos e o cérebro esquerdo é cartesiano. 

VK – Tem algo mais que eu percebo. Quando aprendemos BodyTalk nos níveis básicos, aprendemos que estamos sincronizando a pessoa ao ambiente, estamos dissolvendo a influência do ambiente sobre a pessoa etc. Mas agora que já trabalho com BodyTalk há 11 anos, percebo que as pessoas que recebem sessões de BodyTalk há um tempo passam a se organizar dentro de seu próprio campo sistêmico. Acompanho diversos pacientes com BodyTalk que recebem sessão uma vez por mês há 4 ou 5 ou 7 anos. Imagina isso! Receber BodyTalk uma vez por mês há 7 anos! Comecei a ver padrões e a documentá-los e percebo que nos primeiros 8 a 9 meses, aproximadamente, estamos organizando as coisas básicas da vida daquele paciente, colocando as coisas em ordem. 

Depois desse período, vamos mais profundo no trabalho, as pessoas começam a ficar mais autônomas, elas podem cuidar de si mesmas, não dependem mais tanto do BodyTalk para se manterem organizadas. E então, a partir do segundo ano de tratamento, mais ou menos, elas começam a ficar mais sincronizadas e alinhadas com o ambiente, com seu campo sistêmico. É quando um livro chama a atenção na livraria e era justamente o que precisavam ler, quando começam a enxergar os sinais ao seu redor. O que quero dizer é que o BodyTalk atua no ambiente organizando as pessoas com seu campo sistêmico e essa é uma das coisas mais bonitas porque agora essas pessoas não só deixam de ser afetadas pelo ambiente mas passam a ter um efeito positivo sobre ele. Entende? 

JV – Absolutamente, esse sempre foi um dos meus sonhos desde a criação do BodyTalk. 

As pessoas que estão muito envolvidas com BodyTalk hoje, quando começaram a fazer aulas comigo lá no começo, eram bem cartesianas, pensavam “Isto é meio estranho, mas ele parece saber o que está fazendo” [risos]. Elas achavam que estavam apenas implementando fórmulas no cliente e não percebiam que estavam rearranjando todo o processo de como o seu próprio corpo funcionava. Não percebiam que ao tratar as pessoas, elas estavam se tratando. Eu vi esses terapeutas passarem por muitas mudanças. Agora, quando elas vêm conversar comigo, vejo que têm uma percepção diferente e forte dos sistemas dinâmicos. Algumas vezes eu ainda preciso corrigi-las para retirar condicionamentos a respeito da Teoria [dos Sistemas Dinâmicos] mas o BodyTalk muda mesmo a vida das pessoas. Isso é muito legal. Eu recebo emails de pessoas me agradecendo e dizendo que o BodyTalk mudou suas vidas. Elas contam felizes que se divorciaram ou passaram por coisas muito desconfortáveis por causa do BodyTalk [risos]. Essas pessoas se abriram para essas mudanças. 

É claro que outras pessoas não ficam por muito tempo [no BodyTalk] porque costumam estar muito envolvidas com sua cultura local, que é muito cartesiana, e elas não topam passar por essas mudanças. E para elas também é difícil conseguir clientes de BodyTalk, então acabam escolhendo ficar com métodos mais cartesianos. Mas nós plantamos uma semente e algumas vezes elas me relatam que tiveram que parar, que foram estudar isto ou aquilo, 6 anos depois voltaram para o BodyTalk, e finalmente fez sentido para elas. É mesmo muito difícil, o treinamento na maioria das sociedades é muito cartesiano, não leva em conta o todo. Veja o modelo médico. Eu tive o benefício de conhecer pessoas pelo mundo que se entusiasmaram muito com o meu trabalho e isso nos levou à vitalização do BodyTalk. Para ser sincero, a rede de neurônios precisa passar por mudanças. 

VK – Sim, com certeza! 


JV – O que eu percebo é que a maior mudança acontece no meu curso de Energetics, onde fazemos o equilíbrio dos cérebros e melhoramos a comunicação entre eles. Semanas depois, quando encontro alunos do curso, eles me dizem que finalmente estão entendendo a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Porque os cérebros estão trabalhando juntos de novo. 

VK – No curso de Fundamentos aprendemos que o Protocolo é um modelo de sistemas dinâmicos, as fórmulas funcionam como um modelo de sistemas dinâmicos, mas também vejo que quando o terapeuta e o cliente recebem e praticam BodyTalk há um tempo, eles começam a funcionar e a se comportar mais sincronizados com a ideia dos sistemas dinâmicos. É porque começamos a ver que o modelo dos sistemas dinâmicos está em todos os lugares. Está nas fórmulas, está no protocolo, está no Sistema BodyTalk, e também está na forma como as sessões afetam o cliente. Isso é muito interessante. Eu trabalhava como psicóloga, comecei a trabalhar com BodyTalk e me afastei um pouco da psicologia, mas alguns anos depois, quando voltei para a psicologia, percebi que compreendia os conceitos muito melhor do que antes porque, graças ao BodyTalk, havia vividos aqueles conceitos. Eu vivi a sincronicidade e o inconsciente coletivo, da psicologia junguiana, na minha prática, no meu corpo, e os testemunhei com o meu MindScape. Então agora eu entendo a psicologia junguiana melhor do que antes. Na verdade, agora eu realmente entendo o que o Jung estava dizendo. 

JV – Bem, eu conheci alguns cientistas brilhantes, e os que chegam ao topo e se sobressaem, como Elizabeth Rauscher, Fritjof Capra etc, definitivamente entendem a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. A Elizabeth Rauscher – acho que ela faleceu recentemente – foi basicamente uma das maiores matemáticas do mundo (NT – pequena correção: ela era PhD em Física). Eu a conheci no Brasil e você deve ter me visto empurrando a cadeira de rodas dela pra lá e pra cá. Eu me oferecia para empurrar sua cadeira de rodas porque queria ficar sempre por perto para poder entrar no cérebro dela, conversar com ela [risos]. Ela tinha um entendimento dramático da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Ela foi Chefe na NASA, ajudou a projetar alguns dos foguetes, ela era uma lenda. Nós conversamos sobre a Teoria dos Sistemas Dinâmicos e era tão natural para ela. Ela me disse “é assim que tudo funciona” e tentou me convencer de que a matemática pura é o que melhor se aproxima da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Ela e o Richard [L. Amoroso] fizeram muitos trabalhos juntos, trabalhos que ficaram bem famosos, e ela me mostrou os emails que eles costumavam trocar todos os dias usando fórmulas matemáticas como linguagem, para poderem expressar a Teoria dos Sistemas Dinâmicos “em sua forma apropriada” [gargalhadas]. É uma linguagem baseada na Teoria dos Sistemas Dinâmicos e esta pode ser chamada por nomes diferentes. Tive o privilégio de conhecer muitos desses cientistas e a maioria deles diz que o Capra os inspirou muito, porque ele foi o cara que realmente entendeu a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Ele está aposentado agora, morando na ilha de Vancouver, perto de Vancouver. Quando tivemos a Conferência lá [Conferência Internacional de BodyTalk de 2013], eu soube que ele e o [Rupert] Sheldrake e todos esses top moram perto uns dos outros e se encontram toda semana. Fui convidado para ir a um desses encontros mas recebi o convite depois que a reunião aconteceu. 

VK – Não acredito!!

JV – Verdade! [risos] O Rupert Sheldrake expressa de forma diferente mas ele também está falando de Teoria dos Sistemas Dinâmicos. 

VK – Eu estou lendo O Ponto de Mutação agora. O livro foi escrito nos anos 80 mas é tão atual! 

JV – Sim, muito. 

VK – John, já estamos terminando a entrevista. Quer dizer algo mais?

JV – Obrigado por falar comigo. Tenho planos de ir ao Brasil porque sinto que estou precisando respirar o ar de vocês [risos]. Eu adoro o Brasil mas não tenho ido por causa do meu acidente. Ainda estou me recuperando porque tive três derrames quase ao mesmo tempo e eu deveria estar morto, segundo os médicos. Tive hemorragia, concussão, por isso não quis viajar ou voar nos últimos anos. Estou melhor, embora eu ainda sinta os efeitos dos derrames (minha memória de curto prazo está comprometida). Mas estou me recuperando e quero voltar a viajar no ano que vem. 

Quero ir para a Índia, porque temos 40 médicos que estudaram Fundamentos lá e eles querem que eu dê um curso avançado. Depois tenho que ir para a Filipinas porque eles estão fazendo um trabalho ótimo com os indígenas. Provavelmente não vou dar aula lá, só quero ver como está esse trabalho. Então no ano que vem pretendo começar com os Estados Unidos e depois quero voltar para o Brasil e rever os alunos. Por enquanto estou em minha casa fazendo sessões à distância e tem sido ótimo porque estou usando as pessoas como cobaias para minhas novas técnicas [risos] e estou vendo ótimos resultados. Tem sido divertido. 


[1] Realizada 21 de abril 2020 por Zoom.

[2] Dr. John Veltheim é o fundador do BodyTalk System e da International BodyTalk Association. O Dr. Veltheim é quiroprático, acupunturista tradicional, filósofo, mestre de Reiki, professor e professor. O sistema BodyTalk foi desenvolvido pela primeira vez nos anos 90 pelo Dr. John Veltheim. Originalmente da Austrália, o Dr. Veltheim administrou uma clínica de muito sucesso em Brisbane por 15 anos. Ele também foi diretor da Faculdade de Acupuntura e Terapias Naturais de Brisbane por cinco anos Seus extensos estudos de pós-graduação incluem cinesiologia aplicada, psicologia bioenergética, osteopatia, física quântica, medicina esportiva, aconselhamento e filosofia e teologia comparadas. Biografia disponível em https://www.bodytalksystem.com/iba/professionals/details.cfm?id=381.

[3] VERENA KACINSKIS é psicóloga, Adv. CBP, CBI e pesquisa as várias formas humanas de se expressar. Produz cursos e conteúdos sobre a calma que surge quando organizamos nosso mundo interno em verenakacinskis.com e fala sobre receitas com plantas + intuição no projeto Minha Cozinha Virou Um Jardim.

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